Você é minha droga
54 Felizes para sempre
Notas iniciais
Pov Joe:
Clary não tirava os olhos da janela. Resolveu ficar quieta, e deduzi que estava chateada por que desliguei a chamada entre ela e sua mãe. Depois dessa viagem o que precisávamos era dormir, mesmo que tivesse que ser dentro daquele carro.
–Clary... — chamei e pela primeira vez desviou o olhar daquele vidro para mim. — Tudo bem querida?
–Não... — sussurrou. — Eu quero dormir, e sair deste maldito carro.
–Já estamos chegando. — falei diante a estrada deserta, procurei a entrada para uma estrada de terra.
–Tomara. — suspirou. — O que vamos fazer? Fugimos com a roupa do corpo e temos pouco dinheiro.
–Seu pai é a fonte do dinheiro. — respondi sorrindo. — Se tivermos ele, temos grana.
–É por isso que não quer vê-lo morto?
–Não... Estou brincando. — achei a estrada e virei o carro bruscamente entrando no caminho certo. Ela franziu a testa.
–Está maluco? Vamos entrar no meio do deserto?
–Como acha que conseguirei atravessar a fronteira? — retruquei o óbvio. — Vamos andar uns quinze quilômetros no meio do nada até achar a entrada do túnel. Raramente isso acontece.
–Como assim raramente acontece?
–Os ventos constantes tapam a entrada com areia, é subterrâneo. — respondi. — Nunca o atravessei, apenas sei que existe.
–O quê? — gritou assustada. — Estamos dirigindo para o meio do nada e você nem sabe se encontraremos o túnel ou não.
–Você prefere voltar e passar por Nogales? — perguntei acelerando ainda mais. A velocidade do carro fazia a poeira da terra subir e dificultava a visão do caminho.
–Não... — respondeu satisfeita. — Seria pior passar pela polícia já que estamos sem documentos.
–Então fica calada ouvindo música. — liguei o rádio. — E não enche o saco.
Os trinta minutos seguintes foram quietos. O único som era o rock que saia do rádio, avistei uma bandeira branca. E parei a alguns metros da mesma. Clary não entendeu nada, mas desceu do carro ao meu lado e caminhamos para o mastro.
–O que isso significa? — perguntou ela.
–A entrada do túnel. — respondi. Ajoelhei-me com cuidado na areia e cavei ao redor do mastro, ao achar uma chave peguei-a e guardei no bolso. — Vamos o túnel está próximo.
–Como? Eu não estou entendendo.
Levantei e aproveitando que os ventos haviam cessado procurei outra bandeira branca, vi a mesma mais a frente. Toda a paisagem era deserta, apenas se via algumas montanhas no horizonte.
–Aquela bandeira é a entrada. — falei virando-me para ela. — Eu cavei no mastro desta a minha chave, ela abrirá a enorme porta de ferro que mantém o túnel trancado.
–Disse que nunca o atravessou.
–Porque nunca precisei. — justifiquei. — Mesmo assim, os Touros sempre souberam da existência da chave, e outras gangues também. Depois que abrir o portão, tenho que voltar e enterrá-la no mesmo lugar.
–Quem fez o túnel?
–A máfia mexicana. E ganham muito por ele, cobram pedágio de quem chega do outro lado da fronteira.
–Quanto?
–Uns dez mil dólares. Por isso eu e você não vamos atravessar sozinhos. Abrirei o portão e ficaremos lá dentro no Torino, aguardando Owen.
–E se eles não conseguirem chegar?
–Vamos enfrentar os Mexicanos. — caminhei para o carro. Olhei para meu relógio de pulso que marcava cinco horas da tarde, Clary bufou e voltou para o Torino.
–Vai me deixar sozinha naquele túnel e voltar para enterrar a chave?
–Está com medo? — perguntei sorrindo.
–Não. Apenas quero voltar com você.
–Alguém tem que manter o portão aberto, se ele fechar vai ter que fazer tudo de novo.
–Okay. — eu odiava aquele "Okay" de onde ela tirou isso? De "A culpa é das Estrelas"?
Ao chegar à segunda bandeira o terreno se inclinou para baixo, e tapado por areia estava o pequeno portão de ferro. Parei o carro diante dele e abri-o. Clary passou para dentro do túnel e parou o carro no meio da entrada impedindo o portão de fechar.
–Estou te esperando querido. — disse sarcástica. Revirei os olhos e segui rumo a primeira bandeira.
Demorei uns dez minutos para chegar lá, o sol estava fervendo e minhas roupas encharcadas de suor. Tirei a regata e depois de enterrar a chave no seu devido lugar voltei para a morena que também já estava retirando seu vestido.
–Hey... — gritei furioso. — Se veste.
–Estou morrendo de calor. — disse apenas de sutiã e calcinha.
–Veste isso. — joguei a regata para ela que a enfiou no corpo. — Vamos, temos que parar o carro mais a frente e esperar seus pais.
–Acha que vão chegar logo? — disse abrindo a porta do passageiro e parando para me fitar.
–Se eles saíram de Las Vegas ontem... Devem chegar logo. — entrei no Torino e enquanto ela prendia seu cinto analisei o caminho que seguiríamos. — Vamos parar no meio do túnel onde ele se divide em dois. Talvez encontrem outras pessoas atravessando o mesmo.
–Tudo bem. — sorriu. — Estou mais tranquila agora que estamos aqui.
–Sim. — concordei acelerando para a escuridão do subterrâneo. Clary ficou quieta e o rádio perdeu sinal começando a chiar, após desligá-lo parei o carro vendo que me aproximava da divisão. — Quer dormir?
–Não. — sussurrou ela. — Ainda são cinco da tarde, o que vamos fazer sozinhos nesta escuridão de túnel.
–Transar?
Parou seu olhar divertido sobre mim, e com uma expressão maliciosa retirou a regata que lhe entreguei.
–Seria uma ótima ideia se o local não fosse pequeno demais. — lamentou abrindo as pernas. Desliguei as luzes dos faróis deixando a escuridão nos tomar.
–Ah querida... Que pena que agora eu não possa ver mais você me provocando. — ironizei. Ela riu e senti sua mão em minha coxa.
–É uma pena que você queira dormir não é Kurt? Tudo bem, eu vou ficar acordada e seminua nesta escuridão.
Não aguentei e tive que arrastá-la para meu colo. A dor na canela estava menor, levar um tiro não era fácil para ninguém. Clary beijou-me, agarrando fortemente minha nuca, investi minhas mãos em seu quadril.
–Oh... — gemeu em meu ouvido. Queria me provocar, e estava conseguindo. Abri suavemente o fecho de seu sutiã, ela ajudou-me e se libertou da peça íntima. — Eu nunca transei num carro.
–Eu também não. — menti abrindo a presilha de meus jeans, eu estava com vontade de levá-la para a cama desde o nosso beijo naquela cela imunda, agora não perderia tempo. Com dificuldade ela se inclinou e tentou retirar sua calcinha no pequeno espaço entre o volante e eu. Deitei o banco e Clary caiu sobre mim.
–Porque não fez isso antes? — perguntou.
–Porque me lembrei agora.
–Ah... — suspirou. Seu corpo nu em cima de mim era o gás de excitação que eu precisava. — Eu também lembrei uma coisa...
Chupou meu pescoço com força, puxei seus longos cabelos castanhos e ela gemeu descendo seus beijos por meu peito.
–Clary vamos logo para o que interessa. — sussurrei.
–O que interessa? — perguntou como se fosse inocente.
–Você sabe. — retruquei apertando a carne de sua bunda. Ela voltou a colar seus lábios junto aos meus, e fiz questão de mordê-la. Gemeu se afastando.
–Não acho uma boa ideia você me machucar.
–Eu acho.
Riu, e senti suas mãos abrirem a minha calça jeans em seguida entrarem por minha cueca. Gemi ao sentir que ela tocava na parte mais sensível de meu corpo.
–Eu também acho uma boa ideia te machucar. — disse antes de cravar suas unhas na pele de meu membro. Arqueei de dor. — Você também não acha?
–Pare. — puxei suas mãos para fora de minha calça assim seria melhor. — Já não basta a dor que me deu com um tiro?
–Ah... Pensei que gostasse de sadomasoquismo na nossa relação.
–Na minha pele não. — falei empurrando-a de meu colo. Ela vestiu a regata e bufou se conformando no banco ao meu lado.
–Boa noite. — disse dando-me as costas. — Eu vou dormir.
–Eu também. — falei me virando para a janela. Fechei os olhos tentando dormir antes que ela resolvesse me machucar ainda mais.
–Kurt? — chamou. Devia estar sorrindo.
–O que foi?
–Eu te amo.
–Eu também... Só que depois disso não. — falei e sua risada ecoou pelo carro. — Vai dormir.
[...]
–Hey... — gritou alguém. Abri os olhos e a luz forte de um farol de carro iluminava o túnel atrás de nós. Para ajudar não paravam de buzinar.
–Clary. — chamei a empurrando. — Tem alguém atrás de nós.
Ela se inclinou olhando para o retrovisor. Bufou e saiu do carro, fiz o mesmo.
–Finalmente acordaram. — disse uma garota que estava encostada na lataria de um Mustang GT negro, apesar do carro ser lindo, ela era mais. — Porque estão bloqueando o caminho?
–Estamos esperando uma pessoa. — falei. Clary se aproximou de mim e por sua expressão, não gostou da chegada dela.
–Ah... E acham que só por isso devem bloquear o túnel? — disse chateada. — Tenho que fazer um carregamento urgente e voltar antes do amanhecer.
–Problema seu. — disse Clary e a fitei furioso.
–Por acaso quer morrer garota? — perguntou a outra.
–Tente. — desafiou.
–Calma. — falei interrompendo a disputa das duas. — Eu vou encostar o carro e te dar passagem.
–Obrigado. — disse a outra voltando para dentro do seu. Clary bufou.
–Porque foi gentil com ela?
–Não somos as únicas pessoas que precisam deste túnel. A garota deve ser de alguma gangue, agora entre no carro e apenas deixei-a passar.
–Okay. — disse entrando no Torino e ligando o motor, quase meteu o carro contra uma das paredes de concreto. Afastei-me para a garota passar com seu carro, invés disso ela parou ao meu lado e botou a cabeça pra fora.
–Obrigado Joe. — disse ela sorrindo. Reconheci, era Natacha. — Diga pra sua namorada ter menos ciúmes.
–Como andam as coisas em Los Angeles?
–Mal. Mas a gente um dia chega lá. O que você e a garota fazem aqui?
–Estamos fugindo para o México.
–Se precisar de ajuda é só ligar. — disse antes de fechar o vidro e seguir seu rumo. Aos poucos o carro sumiu na escuridão.
–Quem era a vadia? — perguntou Clary descendo do Torino furiosa. E de pensar que ela estava sem sutiã e sem calcinha debaixo daquela regata de basquetebol. — Não minta porque eu vi vocês se falando.
–Natacha. Uma amiga da época que morei em Los Angeles. — expliquei dando de ombros.
–Ah... Tem certeza que foi só isso? — cuspiu furiosa.
–Tenho. — confirmei.
Atrás de nós outra luz se aproximava.
–Vem vindo mais gente. — disse Clary se afastando e sentando no capô do Torino. O outro carro parou atrás de mim, virei-me e o motorista já descia.
–Joe. — disse Owen sorrindo. O velho estava como sempre elegante dentro de um terno. — Digo... Kurt.
–Bem vindos. — falei agradecendo aos céus por eles terem chegado logo. Eu e Clary acabaríamos nos matando se não saísse de lá.
–Mãe. — Clary correu até o Porsche de onde sua mãe saía sorrindo. As duas se abraçaram. — Eu tive tanto medo.
–Agora tudo vai acabar bem. — falei.
A única iluminação no túnel era o farol dos carros. Eu ainda não estava convencido, a polícia já devia ter nos pegado. Nossa fuga estava fácil demais.
–Nem tudo rapaz. Agora somos criminosos procurados no país inteiro. — disse Owen se aproximando de mim. — Porque está sem camisa?
–Calor. — justifiquei. Eu queria dizer: Eu e sua filha íamos transar, mas ela quis brincar de sadomasoquismo e isso não deu certo. — Eu gostaria de saber onde ficaremos.
–Vocês vão voltar para os Estados Unidos. — disse ele desmanchando o sorriso. — Eu e Marylin vamos para o México sozinhos.
–O quê? — Clary soltou sua mãe e a olhou furiosa. — Não podem. Seremos presos.
–Clary... Você tem que voltar e terminar seus estudos, recomeçar uma nova vida com Joe. Então, vocês voltam e nos visitam dentro da lei. — disse Marylin acariciando o rosto da filha.
–Não existe dentro da lei. Eu não vou terminar meus estudos, vou morrer fazendo o que meu pai fez. — falei e os olhares de todos foram para mim.
–Eu estou com Joe e farei o que ele fizer. — disse Clary. Sua mãe ofendeu-se.
–Não podem. Já não viram o que acontece com os criminosos deste país?
–Quem disse que voltaremos para os EUA? — questionei-a. A mulher me olhou furiosa. — Eu e Clary vamos para o Brasil, lá até os políticos são criminosos e nem por isso estão presos.
–Você não vai levar minha filha para lugar algum. — cuspiu Owen.
–Ele não vai levar, eu vou. — afirmou Clary. — Se querem que a gente se separe, vamos nos separar.
–Ótimo. Minha única filha se tornando uma mulher de bandido. — disse a mulher irônica. Revirei os olhos.
–Acho que temos que resolver o que vamos fazer e para onde ir. — disse Owen.
Outro carro surgiu atrás do Porsche. O silêncio reinou. Mais alguém? Por que de repente todos resolveram ir para o México? Os dois viajantes deixaram o carro.
–Algum problema? — perguntaram.
–Não. — falei franzindo a testa. Ambos usavam fardas negras. Eram policiais, acenderam lanternas e caminharam passando pelo Porsche. As luzes das lanternas foram parar em nossos rostos, pisquei. As únicas armas que eu tinha estavam no porta-luvas.
–Que bom, por favor, Owen Drewnick e Kurt Slater poderiam nos acompanhar? — disse um deles já colocando sua mão sobre uma arma e apontando para nós.
–Claro. — Owen lamentou. Não percebeu que estava sendo seguido, e apesar de tudo agora estávamos presos. Ele caminhou até os homens que lhe prenderam algemas, Clary e sua mãe ficaram imóveis.
–Espero que vocês também devam deixar o túnel e nos seguir. — sugeriu o outro antes de enfiar meu sogro dentro do carro. Olhei para Clary assentindo.
–Claro. — falei caminhando até ela, as chaves do Torino já estavam em suas mãos.
–Joe... – seu olhar trêmulo sobre o meu.
–Vai ficar tudo bem querida. – falei tomando seu rosto em minhas mãos e depositando um beijo em sua testa. – Ainda teremos nosso feliz para sempre.
Ela assentiu com a cabeça, caminhei até os policiais e tive novamente algemas presas ao redor de meus pulsos.
–Saiba que se não seguirem a ordem, na saída do túnel a polícia mexicana os espera. — ameaçou o policial antes de me enfiar dentro do carro, no banco traseiro eu estava ao lado de meu sogro.
–Eles conseguiram apoio Mexicano. — falei. Clary e sua mãe olharam-me assustadas fora do carro.
–Eu sei... – sussurrou Owen. Natacha já devia estar sendo presa por tráfico de drogas na saída do túnel, que pena que graças a mim a pobre garota havia se ferrado. – Bem, pelo menos agora seremos presos juntos.
–Pois é, saiba que amo a sua filha. – falei olhando para a imagem de Clary. Um dos policiais estava conversando ou talvez passando informações para ela e sua mãe.
–Eu também a amo. Foi melhor assim. – sussurrou Owen. — Agora vê que o crime não compensa?
–Vejo, mas se não fosse por ele eu jamais teria conhecido Clary. — sussurrei talvez para mim mesmo.
–Nem eu teria conhecido Marylin. — disse o velho e acabamos rindo apesar do ambiente estar escuro demais.
Mal sabíamos que era última vez, que veríamos nossas amadas.
Participação Especial, Pov Kevin:
Parei o carro diante a casa trancada. Yara saiu do Shelby vermelho e pôs as mãos na cintura enquanto analisava a nova residência. Num bairro pobre, a casa de cor azul e janelas brancas pareciam ser de um conto de fadas. O jardim na frente, cheio de flores.
–Kevin, eu não sei por que estamos aqui. – disse por fim me encarando. – Devia ter avisado a Clary.
–Se não deixássemos os EUA, seríamos presos juntos com as outras gangues. Eu não queria que você tivesse nosso filho na cadeia. – procurei a chave da casa nos bolsos. – E eu estou com uma puta raiva daquela vadia que acha que é minha irmã, mas na verdade não é nada.
–Ela vai ser presa, ela e Joe. – disse tristemente. Como Yara ainda podia sentir alguma coisa por aquele desgraçado.
–Ouça, espero que esqueça que um dia teve alguma coisa com Joe. – cuspi furioso. Caminhei para a casa subindo a escadaria que unia o jardim à porta principal. – Foi uma boa idéia avisar meu pai disso tudo, ele nos deu a chave e uma boa grana.
–Talvez ele não consiga chegar a tempo. – disse atrás de mim. Destranquei a porta e empurrei a madeira um pouco apodrecida. – Ficaremos sozinhos.
Neguei com a cabeça, ao passar pelo batente e ver a sala de estar. Janelas de madeira enormes iluminando o cômodo, um velho sofá rasgado e uma TV antiga que devia ser da época que a imagem era preto e branco. Acendi o interruptor, a luz era pior ainda.
–Meu pai tem negócios aqui no México, será fácil eu conseguir uma gangue para me unir. – olhei para ela. – Não se preocupe ficaremos bem.
–E se seu pai for preso?
–Problema dele, não é meu pai de sangue.
–Mas lhe criou. – retrucou chateada. – E deixou esta casa e dinheiro para nós.
–E todo o resto de sua fortuna para Clarice, aquela vadia vai levar tudo. E eu apenas isso. – sentei-me no sofá e Yara balançou a cabeça negativamente.
–Nosso plano não deu certo, olha como acabamos.
–Isto ainda não acabou se Joe e Clary acham que finalmente se livraram de nós, estão enganados.
–O que vamos fazer? – perguntou ansiosa, um sorriso brotou em seus lábios vermelhos como sangue.
–Vamos nos vingar, mas depois... Por enquanto vamos ficar por aqui. Eu quero de volta todo aquele dinheiro que perdi para aquela vadia.
–É por isso que eu te amo. – se aproximou de mim com um olhar malicioso, deixei que senta-se em meu colo. Não estava pesada apesar da gravidez. – Agora que estamos seguros... Você nunca me disse quem matou o irmão de Joe.
–Axl? – questionei confuso. Porque Yara me perguntaria algo tão fútil, ela assentiu com a cabeça e suspirei.
–Um Romeno que Joe matou em seguida. A gente havia saído da escola e encontramos os caras, brigamos e o irmão dele apareceu e matou um, eram três, o outro fugiu e o cara que ainda estava vivo acertou-o três tiros nas costas.
–Você não teve nada haver com isso?
–Claro que tive, fui eu que mandei os caras irem lá. – falei sorrindo satisfeito. – Agora me dá um beijo. – puxei algumas mechas de seu cabelo negro fazendo-a se aproximar.
Colou seus lábios junto aos meus. Enquanto nos beijávamos, eu não parava de pensar no quanto nossa vida acabou bem, sem desgraçados para matar, nem plano de vingança para executar. O que ninguém nunca soube, era que eu e Yara nos conhecíamos desde os meus onze anos. Ela sempre soube de tudo e meus motivos para acabar com os Touros, eram pessoais, Yara também tinha um ódio pessoal pelos Touros afinal, um deles matou toda a família dela. Doía cada vez que eu pensava nas humilhações que aqueles porcos me faziam passar. E o nosso plano, começou numa tarde em que decidimos que seríamos um casal rico. O dinheiro não veio o poder e a derrota dos Touros sim. Principalmente o fim, do reinado Slater.
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