Você é minha droga
16 Dor no quê?
Pov Clary:
–Ah... – eu ainda estava tentando recuperar meu fôlego. – Eu... Vou dormir.
–Não. – disse ela. – Escute, se ficou chateada comigo e por isso decidiu sumir o dia inteiro e pelo que está vestindo, foi até a uma festa só para me provocar não vai adiantar nada Clary!
–Não... Eu só... Queria me divertir num dia de sábado. – falei. – Como qualquer adolescente.
–Quem era o dono do carro que lhe deixou aqui?
–Carro? Que carro? – balancei a cabeça de um lado para outro e minha trança foi junto.
–Clarice Krueger não minta para mim, sou sua mãe. Aliás, era o Joe?
–Quem? – perguntei franzindo a testa. Como minha mãe sabia dele? Ah... O dia que ele veio se despedir. Droga outra vez. – Não.
–Outro? Nossa. Você tem dois namorados? — perguntou surpresa.
–Joe não é meu namorado! – falei.
–Aliás, ele disse para eu te avisar que ia viajar e ficar uns dias foras. Então se não é Joe, quem é?
–Um amigo, da festa que fui ofereceu carona. Anne sumiu com um cara e fiquei sozinha, então resolvi vir embora.
–Você bebeu?
–Não.
–Transou com alguém?
–Também não! – olhei-a incrédula. – Mãe eu não fiz nada porque ainda sou uma adolescente responsável e que não quero poluir meu corpo com drogas, sexo e álcool. – alertei. – Falando nisso amanhã eu vou bem cedo à missa, porque eu to precisando me confessar.
Corri para as escadas.
–Clarice você está muito estranha! – gritou ela. – Muito.
Quando cheguei ao meu quarto fechei as cortinas, tranquei a porta e apaguei a luz deixando apenas o abajur acesso. Enquanto eu me despia, eu pensava. Como eu tinha beijado meu irmão e no fundo, no fundo eu não queria admitir, havia gostado. Eu estava morrendo de vergonha e não queria sair de casa nem para ir para igreja. Se eu contar isso ao padre ele vai me mandar para o inferno. Deitei-me na cama e puxei as cobertas. Acabei encontrando meu celular debaixo do cobertor. Peguei-o e disquei o número de Anne, era para isso que melhores amigas existiam.
Ela atendeu no primeiro toque.
–Clary! – disse aliviada. Tudo ao seu redor estava silencioso e deduzi que não estava mais na boate. – Eu te liguei milhões de vezes.
–Esqueci o celular em casa.
–Você está na sua casa? – gritou ela furiosa. – Não acredito...
–O que aconteceu? Você e Santiago sumiram.
–Amiga você tinha razão, é cedo demais para pensar em sexo.
–Você o quê? – gritei me sentando na cama e ficando totalmente boquiaberta. – Você não fez? OU fez?
–Eu quase fiz.
–Anne não existe “quase”, ou você fez ou não! – falei ficando totalmente furiosa. MEU Deus.
Eu me segurei e respirei profundamente para ouvir sua resposta. Eu e Anne tínhamos feito nossos votos de castidade no mesmo dia e olhe só, ela havia pecado.
–Eu fiz. – ela começou a chorar ou choramingar, que era um barulho horrível. – Eu to sozinha no meio da rua porque eu fugi de Santiago e acho que estou perto da velha fábrica de sorvetes...
–Amiga... – sussurrei.
–Eu devia ter te ouvido. – ela realmente estava chorando.
Levantei-me e comecei a procurar algo para vestir. Coloquei minha calça de pijamas e uma regata e destranquei a porta do quarto enquanto Anne apenas chorava do outro lado da linha (haja créditos).
–Calma, ouça eu vou te buscar! – falei descendo as escadas e minha mãe me olhou totalmente desconfiada quando eu surgi na cozinha. – Me espera! Não faça nem dê mole para nenhum estranho! Tchau!
Guardei o celular no bolso.
–O que está acontecendo?
–Anne... Ela precisa da minha ajuda. – falei procurando as chaves do carro em cima da geladeira. – Está completamente sozinha na rua. Posso usar o carro?
–Ok. Vá ajudar sua amiga. Quero vocês duas aqui antes das dez.
–Mãe! Eu não vou pra festa, olha minha roupa. Vou buscar minha amiga! – ela me entregou as chaves e bufou.
–Ok Clarice vá e não me enche o saco!
Sai praticamente correndo de casa, e destranquei o carro entrando em seguida. Eu não podia demorar e não seria por isso que eu iria correr pelas ruas que nem uma louca. Eu não costumava dirigir e já tinha tirado a minha carteira e eu apenas dirigia em ocasiões especiais como esta. Depois de percorrer todo o bairro sul com BM Z3 de minha mãe, dobrei a Second Avenue e me deparei com o enorme armazém abandonado onde outrora fora a fábrica.
Anne estava sentada sobre dois tijolos. Parei o carro e ela veio correndo e pulou sobre o banco (carro conversível só podia dar nisso) e me abraçou me encheu de beijos por todo o rosto.
–Ai saí! – falei a empurrando.
–Desculpa amiga ter te abandonado na festa! – disse ela.
–Tudo bem, eu encontrei meu pai! – falei acelerando e querendo sair daquele lugar antes que a gente fosse assaltada. – E não me pergunte nada sobre isso.
–Ok! – respondeu ela. Parei num sinal e descansei as mãos sobre o volante. – Por favor, conte os detalhes.
Ela tentou sorrir.
–Sabe eu sempre imaginei que a minha primeira vez fosse a TOP. E tudo seria romântico.
–E você deitaria numa cama de rosas? Anne ai você já quer demais né? – revirei os olhos. E apertei o botão para que o capô do carro fechasse.
–Você pode passar na farmácia? – pediu ela.
–Ah não... – o sinal abriu e segui em frente.
–Por favor.
–Quero que me conte tudo o que aconteceu ta? Depois eu passo na farmácia. – ela assentiu com a cabeça.
–Então, chegando à boate ele me puxou para um canto perto dos banheiros e começamos uns amassos, normais de qualquer tipo de casal.
–Hum... – gemi concordando para que ela continuasse.
–Ai... Ele insistiu para fossemos para outro lugar.
–Sim, e vieram parar bem ali na fábrica de sorvetes?
–Se você não sabe, estamos a um quarteirão de distancia da boate! – disse ela se encolhendo no banco. A gente andou pelos becos atrás da boate e quando eu fui perceber já estávamos ali.
–Não acredito que perdeu sua virgindade na rua! – falei querendo rir, mas a situação não era engraçada.
–A gente parou no meio de beco e ele me agarrou, e voltamos aos amassos ai foi esquentando e ele me perguntou se eu queria...
–Fazer Sexo! – interrompi a olhando furiosamente. – Não acredito que disse sim.
–Eu disse ta legal? E daí?
–E daí? Ele te largou.
–Não foi isso.
–Foi o que Anne? – odiava quando ele ficava de graça e me contava as coisas parte por parte.
–Ele sabia que eu era virgem e de meu voto de castidade, ele disse que queria casar comigo...
–Eu não acredito... – bati várias vezes no volante e me odiei por não ter virado na esquina certa, droga. – Você caiu no pior, dos piores jeitos que os meninos arrumam para transar com garotas da castidade.
–Ele me deu um anel.
–Anne para se não eu vou tacar sua testa no vidro deste carro. E você vai pagar o concerto. – falei e logo em seguida avistei o painel de uma farmácia vinte e quatro horas. Suspirei e resolvi parar o carro lá.
–Então, eu deixei.
Parei o carro no estacionamento e desliguei o motor virando-me para encará-la.
–Anne, eu sinto muito que você tenha caído nesse conto idiota.
–Dói muito... Não sei como as mulheres fazem isso e gostam.
–Ah... – eu tive que suspirar. – É por isso que fazemos um voto de castidade Anne, para ver se duramos até o casamento e depois do casamento. Por exemplo, se seu marido tem uma doença grave e fica sem poder transar por meses, e você tiver feito a castidade antes do casamento você vai agüentar ficar esses meses sem sexo, se você tiver dado antes é capaz de procurar outro para fazê-lo.
–Clary! – ela fez uma cara de ofendida. – Eu jamais vou fazer isso com meu marido!
–É um exemplo. – alertei.
– A gente não chegou ao final da transa. – disse ele olhando para a farmácia. – Eu não agüentei.
–Como assim? – perguntei.
–Eu não consegui relaxar nem deixar que ele me penetrasse por completo. – explicou ela.
–E?
–E ele ficou chateado, então nos vestimos e discutimos e eu o mandei ir embora, eu pensei que ele não ia, mas ele foi e me deixou ali sozinha, com frio e dolorida. –disse ela tão rápido que demorei em processar tudo o que tinha falado.
–Vou comprar algo para resolver isso para você. – falei descendo do carro. Ela me entregou sua carteira.
–Usa meu cartão, já que sabe a senha! – disse ela. Revirei os olhos e me afastei entrando na farmácia.
Foi quando percebi que eu estava de calças de pijama, cheia de mini-unicórnios e com uma regata bem decotada. Droga. Anne ainda vai me pagar por isso. Passei por algumas garotas que compravam camisinhas e me olharam como se eu fosse à louca, eu quis gritar louca é vocês, fiquei quieta. Ao chegar ao balcão o garoto que estava atendendo, me olhou de cima a baixo e sorriu de forma maliciosa.
–Em que posso ajudá-la. Veio comprar remédio para cólica ou TPM ou para se vestir melhor?
–Cale a boca, deve usar Viagra para levantar o que você não consegue! – falei totalmente irônica. – Agora, por favor, eu gostaria de um remédio assim... Que aliviasse a dor.
–Dor do quê senhorita?
–Dor! – repeti.
–Sim isso eu já entendi, mas existem vários tipos de dor. Dor na barriga, cólica, dor nas juntas.
–Dor! –repeti novamente. Respirei fundo.
–Assim eu não posso ajudá-la senhorita. – disse ele tentando ser educado, minha vontade era esganá-lo. — Qual dor?
–Dor de penetração! – gritei e todos na farmácia olharam para mim e as garotas das camisinhas riram.
–Ah sim... Temos lubrificantes se quiser... – ele sugeriu segurando o riso.
–Não é para mim! – alertei. – Para minha amiga, ela foi quase que estuprada pelo namorado e está me esperando no carro.
Ele se virou e pegou algum remédio na prateleira e me entregou. Fui até o caixa e entreguei o remédio para a garota que estava ali.
–Nossa deve ser bem grosso hein... – sussurrou a garota.
–Eu já disse que não fui eu! – avisei e taquei o cartão no balcão, ela o passou e eu digitei a senha na máquina.
–Tudo bem, toda mulher já passou por isso. Não precisa agir como se não fosse você...
–Mas que porra! Vocês são farmacêuticos ou fofoqueiros? – gritei e peguei a sacola com o remédio a força. Enfiei o cartão de volta na carteira e saí de lá desejando nunca mais ali pisar.
Quando entrei no carro joguei o remédio para Anne e saí dali o mais rápido que pude. Claro que o carro ajudou e muito.
–Que foi? – perguntou ela me olhando.
–Nunca mais Anne apronte outra dessa. – falei. – Nunca mais.
–Ta...
–Vai dormir lá em casa?
–Sim, eu liguei para minha mãe e ela deixou. – disse abrindo o remédio e lendo a bula.
Depois de um dia desses nós precisávamos dormir, e muito.
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