Notas iniciais
Eu espero que gostem, tentei fazer o mais parecido com meio do episódio mas não lembrei bem das falas rs
Procurei no google mas não achei o nome da cidade em que Elena diz que gostaria de morar, se alguém souber comente nos reviews!

Elena Gilbert

Ele havia me feito aquela proposta e eu não sabia o que responder. Ao menos nem conseguia processar as palavras de Damon. Tomar a cura comigo? Desde quando ele pensava naquilo? Aquilo não passava na minha mente.

—Então Elena? — os olhos de Damon estavam vidrados nos meus. Eu não sabia o que responder. Não conseguia nem pensar.

—Eu... hã...

No mesmo momento, o telefone dele tocou, então aproveitei a deixa e fugi.

—Você o deixou falando sozinho? — a cara de espanto de Bonnie só me deixava mais culpada. Eu tinha feito tão mal negócio? O arrependimento me corroía.

—Eu... fiquei sem reação. Você já imaginou o Damon fazendo uma proposta dessas? É o Damon Salvatore.

—Elena, ele quer te proporcionar isso. Uma vida humana. E quer partilhar com você dessa vida. É a primeira vez que ele não tá sendo egoísta. — ela o analisou, e até então eu estava concordando, mas na parte do egoísmo, levantei a sobrancelha cética. Nós sabíamos porquê da proposta dele. — Ok, talvez ele esteja sendo egoísta, mas Elena...

—Ele não quer isso, Bonnie. Não vou obrigá-lo.

Eu conhecia Damon o suficiente para saber que ele não queria ser humano de novo, eu sabia, todo mundo sabia. Ele amava ser um vampiro, e de fato, não sabia até onde aquela conversa toda ia levar. Eu o amava mais que minha própria vida, mas ao mesmo tempo, a chance de ter uma vida de verdade era muito tentadora.

Passei o dia todo com Bonnie e Jo pensando nos preparativos do casamento e do chá de bebê. Esse também era um ponto que me fazia pensar bastante na cura. Quando descobri do bebê de Jo e Alaric, fiquei muito feliz por eles, mas depois um sentimento estranho me corroeu. Eu conhecia bem aquele sentimento, era o mesmo que me corroeu quando vi Damon com Rebekah logo após o baile de Ester Mikaelson, e quando chegou aos nossos ouvidos sobre o bebê de Haley — a garota lobisomem. Mesmo no meio daquela loucura que era nossas vidas, ela havia encontrado um motivo para lutar pela felicidade. Até mesmo Damon percebeu meus sentimentos.

—Como você acha que poderia ser o nosso futuro, senhorita Gilbert? Como você nos vê daqui a cinco anos?

Sorri, eu nunca havia brincado daquele jogo com ele. Damon não gostava de pensar em como seria nossas vidas se não fôssemos vampiros, ele gostava da nossa realidade. Me aconcheguei nele, e comecei a pensar; eu podia ver nossa vida.

—Bem, estaríamos bem longe de Mystic Falls, um lugar tranquilo, Denver talvez. Moraríamos numa casa grande, e eu faria residência em um hospital por alguns anos, e você trabalharia num bar.

—Você vai me fazer de Matt Donovan na sua fantasia? — a cara dele de indignação me fez cair na gargalhada.

—Dono do bar, que tal? — Damon concordou com um olhar, e rindo.

—Melhorou. Filhos?

—Hum, dois talvez, pra fazer companhia um ao outro quando estivéssemos fazendo coisas mais interessantes. Parece bom pra mim.

Ficamos em silêncio por uns minutos, olhando o nada, fantasiando a vida que eu havia acabado de inventar. O dia estava quente e o céu azul. Era um dia perfeito pra fantasiar com Damon. Era uma vida que nunca teríamos, mas era ótimo ter pelo menos um vislumbre da uma vida humana com ele.

A minha mente estava cada minuto mais confusa, e se eu continuasse a pensar naquilo, eu teria um colapso a qualquer momento. Após uma noite mal dormida no campus de Witmore, fui com Bonnie e Caroline para os preparativos do casamento de Alaric e Jo.

Damon Salvatore

Stefan havia me enfurnado naquele micro carro dele, e me arrastava só Deus sabe pra que lugar. Ele só murmurava qualquer coisa sobre eu não ter contado a ele sobre a minha vontade de tomar a cura com Elena. Será mesmo que ninguém entendia que eu queria ter uma vida com ela? E por mim poderia ser em qualquer lugar do mundo, em qualquer vida do mundo, e mesmo assim, eu seria feliz do mesmo jeito. Eu só precisava estar ao lado dela, e o mundo poderia explodir que não faria diferença pra mim.

—Onde estamos? — perguntei saindo daquela coisa de brinquedo, quando Stefan estacionou na frente de uma casa cinza.

—Você pode achar que tá pronto pra uma vida humana com Elena, mas eu vou te mostrar o que você não pensou. Hipoteca, imposto, contas, despesas, vizinhos... tudo que você nunca se preocupou e agora, se realmente quiser voltar a ser humano, terá que suportar.

Rolei nas órbitas. Sério mesmo que com aquele papo ele pretendia que eu desistisse? Só rindo mesmo! Enquanto entrávamos, meu querido irmão falou que aquela era a casa que ele morava quando eu "morri" e ele foi brincar de ser mecânico e ter uma vida normal. A casa era espaçosa, com cômodos amplos e arejados — Elena gostaria dessa casa, pensei —. Na sala tinha uma lareira e persianas na janela.

—Você já pensou como vai ser cuidar de uma casa, pagar contas, manter um casamento...?

—Gostei da casa, piso de madeira, espaçosa... perfeito para as crianças! — brinquei. Caminhamos entre os cômodos com Stefan fazendo uma lista enorme de coisas que supostamente eu não seria capaz de fazer ou suportar.

—E como você vai fazer pra arranjar um emprego? Não tem documentos, nada.

—As coisas são fáceis de falsificar, Stefan.

—Tá, mas você não sabe fazer nada, então como vai fazer? Digamos que você procure um trabalho; e quando te disserem não?

—Vou voltar pra minha casa, abrir minha linda geladeira de inox e pegar uma cerveja. — respondi sarcástico, realizando aquilo que eu havia dito.

Ele revirou os olhos procurando uma boa ideia em sua mente pra que eu mudasse de ideia. Hunf era inútil, eu nunca desistiria. Passei 165 anos da minha vida esperando por alguém que me amasse e me aceitasse do jeito quebrado que eu era, e Elena era essa pessoa. Eu tive que lutar pra conseguir a confiança dela, e agora tinha a chance de dar aquilo que ela tanto queria, e só o que todos queriam era que eu a deixasse viver sem mim. Mas ninguém cogitava que eu não podia mais viver sem ela.

Antes que eu pudesse registrar, as mãos de Stefan estavam nas minhas têmporas, e de repente, imagens tomavam conta da minha mente. Eu sentado numa banqueta na cozinha com um copo de uísque na mão. Elena chegava vestida num uniforme de hospital, e papéis na mão; parecia exausta.

—Toma um vinho comigo. — pedi.

—Desculpa amor, tô cansada, vou deitar. — respondeu dando um beijo na minha testa e subindo as escadas.

—Isso que vai acontecer, Damon. Uma rotina que você não vai aguentar. — a voz de Stefan soou na minha cabeça.

—Isso nunca vai acontecer! — rosnei.

Outra imagem tomou conta da minha mente. Quando abri a porta da casa, Elena estava sentada na mesma bancada que eu na outra visão, muitos papéis espalhados pela superfície lisa, e um computador ligado. Havia também alguns brinquedos espalhados pela casa, e ela nem olhava na minha cara.

—Se fosse pra chegar nesse estado, podia ter ficado no bar.

—Você queria que eu tivesse um bar. — resmunguei.

—Eu queria que você fosse o dono, e não o cliente. Você bebe mais que todos os bêbados daquele lugar.

—Nunca é o suficiente, né Elena? Você queria ser humana, eu te dei uma vida humana. Você queria que eu tivesse um bar, eu comprei a merda do bar. Você queria uma família, eu te dei dois filhos. Por que nunca tá bom? Por que nunca é o suficiente?

Ela largou os papéis na mesa e se virou pra mim. Era melhor que não fizesse; pura mágoa nos olhos castanhos que aqueciam o meu mundo.

—Eu quis isso tudo, Damon, mas você veio nessa comigo porque você quis! Nunca é o suficiente mesmo; eu tô estudando, tô tentando subir na minha carreira, e o que você faz? Bebe o dia inteiro, não vê as crianças, e eu ainda tenho que aguentar os seus chiliques de bêbado que não tem nada pra fazer. Você acha que isso é o suficiente?

Eu sabia que aquilo era só uma pegadinha de mal gosto da mente de Stefan mas mesmo assim tinha me afetado. Tinha me feito mal. Tinha me magoado. Porque por pior que eu fosse — e eu sabia o quanto eu podia ser — nunca faria nada pra prejudicar o amor da minha vida. E na ilusão do meu próprio irmão, o meu egoísmo chegava além do limite. Como se eu culpasse Elena pela minha sensação de impotência, só que o que ninguém pensava, era que ao lado dela, eu nunca seria impotente em área nenhuma da vida. Com Elena ao meu lado, me dando apoio e amor, eu sempre seguiria dando o meu melhor.

Uma outra visão veio, e essa era a mais arrasadora. Eu estava completamente sozinho na casa. Não haviam brinquedos, livros de medicina, não haviam crianças. Não havia Elena.

—O que você vai fazer quando ela morrer?

Na raiva, tirei as mãos de Stefan com força de cima de mim. Ele não tinha o direito de me torturar assim. Ninguém tinha. Eu seria feliz ao lado do meu amor e nada ia me impedir.

—Já chega! Eu não sei Stefan, o que eu vou fazer quando ela morrer, mas eu sei o que farei enquanto Elena estiver viva. Vou amá-la, e dar a melhor vida que eu puder. Vou apoiá-la na carreira que ela quiser seguir. Darei a família que ela quer ter, com dois ou quantos mais filhos ela quiser. — rosnei arfando ainda sentindo a dor daquela maldita visão. — Não adianta o quanto vocês tentem me fazer desistir. Não tô nem aí, já me decidi.

Stefan balbuciou algumas coisas, mas depois se calou. Ele era meu irmão e sabia quando eu estava sendo sincero e quando estava obstinado a fazer o que eu pretendia. Ele suspirou, foi até a geladeira, e abriu uma cerveja.

—Eu não quero que você se arrependa depois de alguns anos, Damon. Uma vez que você for humano, não terá como reverter.

—É aí que você se engana, irmão. — tirei um papel do bolso da calça — Não vou me arrepender. Não é Denver, mas acho que nos daríamos bem perto da praia.

—Você comprou uma...?

—Dois andares, três quartos, piso de madeira — pisquei sarcástico — e tem um bar na próxima rua. Localizada há exatos vinte minutos da faculdade de medicina e do principal hospital da cidade.

Stefan bufou com raiva e saiu na frente. Sério mesmo que ele achou que eu não estava preparado?

************************************

—Elena?

Ela estava linda, com um vestido lavanda na altura das coxas e os cabelos soltos. Abriu um sorriso assim que me viu, e veio caminhando na minha direção. Nesse momento foi como se o frasco no meu bolso queimasse minha pele, tamanho meu nervoso. Era agora ou nunca.

—Soube que você passou o dia com Stefan.

—Não se faça de santa, eu sei que isso foi culpa sua. — acusei. Ela sorriu amarelo, pedindo desculpas com o olhar — Eu sei que você tá com medo disso tudo, eu também tô. Mas eu te amo, Elena, eu quero uma vida humana com você.

—Não quer Damon, você só tá com medo e...

—Eu estava com muito medo mesmo Elena. Depois da tortura de Stefan, eu estava com muito medo mesmo. Saí daquela casa com uma insegurança maldita dentro de mim, mas aí eu estava saindo e vi uma coisa. Um casal chegando em casa.

Um casal estava saindo do carro que tinha acabado de estacionar na garagem vizinha.

—Você sabe que eu não posso comer essas porcarias! Quantas vezes já não te disse isso?! — o senhor saiu gritando. A esposa também saiu batendo a porta carro.

—Eu sei disso, George, há quarenta anos eu escuto você me dizer isso!

—Então porque não registra o que eu digo sempre e passa a fazer?

—Oras, seu...!

O senhor foi marchando até a esposa, e os dois se encararam por um tempo, e aí pra minha surpresa, um sorriu pro outro. O sorriso mais sincero que eu já vi. Um sorriso de quem se ama.

—Só eu que vou cuidar de você, seu velho. Eu te amo.

Os dois se deram os braços, e entraram juntos em casa rindo e contando outras coisas.

—Eu olhei aquilo, Elena, e é aquilo que eu quero pra nós. Sei que não vamos estar bem sempre, mas se formos como aquele casal, sei que seremos o casal mais feliz da fase da terra. Eu quero ser como aquele casal.

Elena se soltou das minhas mãos e foi caminhando em direção a janela. Peguei o mesmo documento que mostrei pra Stefan e fui em sua direção.

—Dois andares, três quartos e um escritório pra você estudar em paz. Um bar na rua vizinha. Faculdade de medicina e um hospital a vinte minutos. — ela virou pra mim ofegando. — Nossa família pode começar Elena, é só você querer. Eu vou te apoiar em tudo que você quiser, menos que você me abandone. Isso não tem como fazer, Elena Gilbert. Esperei 165 anos por você, não posso te deixar ir sem mim assim.

Os olhos de Elena se encheram de água, e sorrindo me abraçou. Eu sorri também.

—Eu não acredito que você fez isso! — riu alto — Ah meu Deus, eu te amo Damon Salvatore.

Elena Gilbert

O casamento de Alaric e Jo foi lindo, mas quase que eu e Damon não chegamos a tempo. Nos perdemos por meio do celeiro, e quando vimos estávamos sem roupas. Foi bem proveitoso o que fizemos lá, mas depois tivemos que sair correndo. Jo chorou a cerimônia toda e quando acabou, fomos pra festa totalmente carregada a uísque e tequila — obra de Damon e Alaric.

No meio da festa, Damon me puxou de lado, e fomos até bem longe do tumulto da alegria matrimonial. Ele estava com olhos curiosos e ansiosos, e então fiquei nervosa também. Sabia o que viria. Era a hora. Damon tirou um vidrinho vermelho do bolso — a cura.

—A decisão é sua. — me incentivou.

Respirei fundo, tomando coragem. Peguei o vidrinho da mão dele, e seus olhos me encorajaram a ir em frente. Só eu, ele e a lua.

—Você vai sempre estar comigo?

—Pra sempre.

Havia tanta segurança em seus olhos imensamente azuis, que no mesmo momento meu peito se inflou de coragem. Respirei fundo mais uma vez, e abri o vidro. Tomei a cura toda de uma vez só. O primeiro momento foi nada demais, mas depois uma dor de cabeça torturante me atingiu. Minhas lembranças todas vindo de uma vez, fazendo com que eu tivesse a sensação que minha cabeça fosse explodir. Dei um gemido de dor, e logo Damon estava ao meu lado, me amparando.

—Elena? Amor?

—Minhas lembranças! — gemi colocando a mão nas têmporas. — Eu tô lembrando de tudo Damon.

—E é porque eu te amo, que eu não posso ser egoísta com você Elena.

—Eu não me arrependo estar apaixonada por você, Damon.

Um milhão de lembranças, situações, e um monte de imagens que eu tinha vivido com Damon que tinha esquecido. Eu tinha decidido esquecer porque eu não suportava a ideia de viver sem ele. E agora com aquele monte de lembranças na minha mente, eu entendia porque Damon queria tomar a cura comigo. Nós nos amávamos, independentemente de qualquer coisa. Nós atravessamos tantas coisas — sentimentos negados, gente querendo nos matar, o universo querendo nos separar —, não podíamos viver um sem o outro.

Trocamos um olhar com confiança, e então senti as presas de Damon no meu pescoço. Ele ficou um tempo imóvel, olhos vidrados; o medo estampado na sua testa.

—Será que funcionou? — ele perguntou meio assustado. Desatarraxei um dos meus brinco e espetei seu dedo. Logo o sangue brotou, e eu nunca pedi tanto pra um machucado não cicatrizar. E o universo deve ter me ouvido, pois não parou de sangrar. E naquele momento só o que podíamos fazer era nos beijar e sorrir. Tinha dado certo. E de repente, tudo que tínhamos a nossa frente, era uma vida inteira de humanidade.

Notas finais
Reviews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!