Notas iniciais
Bom... Espero que gostem!

“Cuide bem da sua irmã. Eu já volto.”

Aquele “já” durava quase cinco anos, pensava a garota de cabelos curtos e rosas e olhos verdes, enquanto fazia o cartão dos dias das mães para o colégio, no qual ela era Representante Principal.

–Já estão prontos, Maru? –Perguntou o jovem, Issac,outro representante, de cabelos espetados e castanhos e olhos verdes, escondidos por baixo de um par de óculos.

–Ainda não... Você sabe como isso é difícil pra mim!

–Eu sei, mas não fica assim não. Você sabe que eu já passei por isso...

A garota assentiu com a cabeça e voltou para as edições. Issac se retirou, e ela ficou novamente sozinha de novo. Porém Issac tinha perdido a mãe de uma forma menos cruel. Ele nem ao menos tinha conhecido ela.

Algum tempo depois, eles estavam terminados e ela precisava entrega-los à diretoria. Estava triste, embora se mostrasse forte, aquilo ainda não estava em seu nível. Era muita coisa pro seu pobre coração. Frio e sem sentimentos.

[...]

–Mas o que está acontecendo aqui...? –Perguntou com raiva a jovem.

Os meninos que estavam assustando uma pobre garota do colégio congelaram. Todos os meninos do colégio temiam Maru. A primeira mulher a assumir a direção e a primeira pessoa a por ordem naquele colégio, que ganhou a fama de pior colégio da região. Ele era dominado por meninos, tiranos, que faziam das meninas um bando de lixo. Até a chegada de Maru.

–N-não é nada! –Exclamou David.

–Só estamos parabenizando a Suzi por seu belíssimo... han...-Disse o Joe.

–É melhor sumirem daqui! Antes que eu fique irritada!

Os jovens saíram correndo em direção ao ginásio, tropeçando em varias coisas, inclusive neles mesmos.

–O-obrigada, Maru-chan!

–Não foi nada, agora volte para sala de aula.

–Ok!

–Ei, espere só um minuto! Entrega isso na secretaria por mim? Por favor.

–Pode deixar. –Suzi pegou o pacote onde estavam os cartões do dia das mães, já impressos, e caminhou pelo longo corredor.

–Colocando mais meninos pra correr, né? –Disse um garoto alto de pele clara, olhos incrivelmente azuis, cabelos negros como a noite e uma roupa que valia mais que a escola.

Franz era o único menino que não temia Maru. Ela tinha certa rivalidade com ele. Quem não teria? Ele não precisa se esforça que tirava nota máxima nos teste, era o melhor jogador da região, rico e ainda era muito bonito, causando atração em diversas meninas do colégio e partindo o coração das mesmas.

–Eu já disse que você não pode ficar andando por aí no horário de aula! VOLTE PRA SUA SALA, AGORA!

–Eu não sou surdo. E não estou a fim de ficar na aula. Vou ficar aqui com você.

–VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO! –Maru segurou em suas costas, empurrando Franz. –Vai ter que voltar mesmo forçado.

Porém o garoto não se mexeu e continuou ali parado, muitas tentativas de removê-lo foram em vão, por fim, Maru decidiu não se importa e continuar fazendo suas tarefas diárias.

–Você não vai estudar não?

–Eu sou a representante, tenho que checar a escola durante os primeiros horários. Minhas aulas são no recreio de vocês. –Dizia a garota checando umas folhas de papeis e carimbando algumas outras.

–Você não descansa?

–Não.

–Hum... Posso fazer uma pergunta?

–Não.

–Porque você odeia tanto os meninos?

Aquilo soou pesado nos ouvidos de Maru, a fez lembrar-se do passado, do sofrimento, daqueles espinhos de rosas...

–E-e... eu...

Maru saiu correndo e entrou em uma sala vazia e fechou a porta na cara de Franz. Ela nunca estaria preparada para responder isso. Mas ela sabia que sua irmã iria saber... Pela boca dela.

Nesse momento lagrimas já escorriam dos seus olhos, sua boca tremia e ela se via fraca. Não podia sair dali, o que os outros iam pensar? Era sempre essa pergunta que ela fazia antes de qualquer ação. Antes de qualquer passo. Antes de cada palavra. Maru acabou adormecendo por ali, sozinha, triste, cansada.

[...]

“Dip dip dip!”

–Han? Uma mensagem...?

“É melhor ter uma boa desculpa pro seu atraso, mocinha! Anda logo, lesma!!!

By.: Charles.”

–Ai meu bom Senhor! Que horas são? Já são 19h30minh, eu tinha estar lá as 15h00minh! Eu vou morrer... E tinha que buscar minha irmã no colégio! Ferrei-me!

Maru saiu correndo para o colégio onde sua irmã, Hinode, uma menina de cabelos naturalmente brancos e olhos verdes, como o da irmã, e pequenina, aparentava ter menos de cinco anos, que era sua idade atual, esperava-a a mais de duas horas.

–Onii-chan, onde estava?

–Desculpe o atraso... Depois eu explico, temos que ir ou eu vou me atrasar... E ficar sem comida novamente.

As duas saíram correndo em direção ao ônibus que esperava por pelos passageiros. Era muito velho e dava defeitos toda hora, porém era o único que seu dinheiro poderia pagar.

–Droga! Só tenho dinheiro para a ida!

–Onii-chan...

–O que foi?

–Eu tenho um pouco de dinheiro...

–Tem? Como conseguiu? Não vai me dizer que roubo...

–Não! Eu achei no chão da escola, mas são só umas moedinhas... Tome.

Maru sabia que era pouco e não dava nem para uma passagem, mas para não magoar a pequena Hinode, apenas agradeceu e guardou o dinheiro.

[...]

–Hoje eu aprendi que meu nome significa Pôr do Sol, Hi no De!

–Que legal! Um nome e um significado muito bonito.

–E o seu, onii-chan?

–O meu... Era o nome popular de uma espécie de rosa já extinta. Todas as rosas dessas espécies eram diferentes, elas não tinham formato de uma rosa normal, e sim, de lírios, suas pétalas eram escuras no interior e iam clareando nas pontas. E não tinha espinho algum, porém se tivessem contato com um espinho qualquer, adoecia.

–Combina com você!

Hinode encostou sua cabeça no ombro da irmã tentando descansar. Ela ajudava sua irmã nos serviços em casa, estudava e cuidava dos cachorros de seus vizinhos em troca de brinquedos, roupas ou comida. O que era demais para uma menina de cinco anos.

A viagem era longa e cansativa, eram muitas curvas e o ônibus não ajudava muito. E sempre tinham aqueles que ouviam musicas idiotas sem os fones, roncavam, comiam (às vezes coisas que nem cheiravam bem.) e os gritos do cobrador e do pessoal que não levava dinheiro para pagar o ônibus.

[...]

–Irmã, acorde! Já chegamos.

–O que? Estou tão cansada... Aaaaaah! –Espreguiçava e arrumava seu cabelo. –Meu corpo está doendo...

–Venha logo, eu já estou muitas horas atrasadas.

Maru puxou a irmã e saiu correndo quando lembrou que hoje era o único dia no qual ela não podia atrasar no trabalho. Mas Hinode sempre achava algo que a distraia e atrasava ainda mais a irmã.

[...]

–Até que enfim! Anda vá vestir o uniforme, que a patroa está se descabelando toda.

–E-eu posso explicar!

–Não quero saber, você é a empregada, não eu! –Disse o mordomo Charles enquanto empurrava Maru para seu vestiário.

[...]

–Hunf! Não pode se atrasar, mimimi, as visitas são importantes, mimimi, você é uma empregada não eu! Mimimi. –Reclamava a jovem enquanto servia a mesa de jantar. –Quem seria tão importante ao ponto de o Charles quase me matar?

–Ninguém menos que eu! –A voz ecoou na cabeça de Maru. Ela estremeceu.