Você é como fogo,em meu coração de gelo.
5 Lágrimas e sangue
Notas iniciais
~PVO FRANZ ON~
Eu sentia que alguma coisa tinha acontecido com a Maru, por um susto derramei o cappuccino em cima da minha calça, mas mesmo assim corri pelo hospital até onde era o seu quarto, 5º andar, nº 302.
Quando cheguei lá, Maru estava caída no chão, muito, muito sangue em sua volta. Uma enfermeira tentava chamar um medico, porém não conseguiu, e foi pessoalmente procurar um. Então nós dois ficamos ali sozinhos.
Peguei Maru em meu colo, e comecei a acaricia-la. Minhas lagrimas escorriam pelos meus olhos e se misturavam em seu sangue. Meu coração doía muito, preferia ter levado um tiro, a dor não seria tão ruim. Com certeza.
O medico chegou rapidamente, e colocou Maru em uma maca. Levou-a para uma sala e ficou durante um bom tempo lá.
–Senhor Franz?
–Me diz que está tudo bem, por favor, me diz que ela está bem...
O medico soltou um suspiro e respondeu:
–Ela está bem... Mas... –Ele fez uma pequena pausa- Os pontos soltaram, e tivemos que costura-los de novo.
–Não foi nada grave, ainda bem! Posso vê-la?
–Ah sim, sim! Pode entrar, eu volto aqui pela manhã. Provavelmente, ela já poderá sair.
–Muito obrigado!
Entrei pela portinha branca do quarto, Maru estava mexendo em alguns lápis.
~PVO FRANZ OF~
~PVO MARU ON~
Eu ainda sentia dor, mas estava mais amenizada. Eu peguei alguns lápis e fiquei rodando-os só pra passar o tempo.
–Maru? –Aquela voz me acalmava, não sei por que. Franz.
–Franz... –Disse com a voz quase apagada.
Ele chegou mais perto e acariciou de leve minha cabeça. Olhou bem nos meus olhos e sorriu, dizendo com seu olhar que a raiva já tinha passado e que tudo estava bem.
–A dor está mais fraca.
–Que bom! Mas porque raios você saiu do quarto?!
–Eu fui procurar você... Achei que estava com raiva de mim.
–E-eu só e-estava... Deixa pra lá, é melhor. –Franz revirou os olhos e se sentou ao meu lado.
–Agora conta!
–Não faz esforço, Maru, isso não faz bem!
–Não quero saber! Vai, fala logo.
–Eu prometo que te conto depois, ok? –Ele pegou em minhas mãos. –Você precisa melhorar antes, agora vai dormi, já são 5h da manhã.
–O-ok... –Eu estava com tanto sono, que mal terminei a frase e adormeci.
Acordei lá pelas 15h, Franz estava com tudo pronto para irmos para casa. O medico já tinha passado e me dado alta.
Levantei um pouco tonta, mas fui tomar um banho. Vesti um vestidinho feminino e floral com um cinto marrom marcando a cintura e uma sapatilha do mesmo tom do cinto.
–Vamos? –Disse Franz, por trás da porta.
–Vamos. –Respondi.
Entrei no carro do Franz e seguimos em silencio até uma avenida bem movimentada. Ele parecia estar nervoso e olhava toda hora para mim.
–O que aconteceu com seus pais? –Franz disse rápido,como se tivesse segurado aquilo por anos,e enfim revelado.
–E-eles... Ah... Eu não posso esconder isso por muito tempo mesmo. –Disse entre soluços e lagrimas. – Todo mundo acha que minha mãe morreu em um acidente de carro e meu pai teve o corpo muito queimado e por isso não teve enterro... Mas, isso é uma grande mentira. –Franz me olhou com um pouco de surpresa, curiosidade e pena. –Meu pai era muito ambicioso e minha mãe muito rica. Eles foram forçados a se casar, só que minha mãe era apaixonada em outro homem. Eles se encontravam todas as noites, ele era bonzinho e brincava comigo e com a minha irmã, e nós, guardávamos segredo pro nosso pai. Ele era malvado e batia em nós quando desobedecíamos. Não como todo pai bate, ele batia com muita força e na mamãe também.
–Nossa... E porque ela não se separava dele?
–Bom... Foi essa atitude... Que a levou deste mundo. Ela já não o suportava, e decidiu se separar. Eles casaram por um contrato que dizia que meu pai perderia tudo se separasse, e como eu disse, ele era ambicioso e não queria perde aquela grana toda. Então na noite que ela ia assinar o termo de separação, meu pai... –Comecei a chorar e mal podia falar. –Ele chegou muito estranho em casa e então começaram a discutir e atirou em um vaso lá de casa. Foi quando ela percebeu que ele ia fazer algo, então me levou para o porão e disse: “Cuide da sua irmã, eu já volto.” Mas ela não voltou. Ele a esfaqueou e por fim atirou em sua cabeça. Eu vi tudo, tive que fazer anos de terapia. Só os policiais e eu sabíamos disso. Até agora.
–N-nossa... e-eu estou sem palavras... s-sinto m-muito.
–Tudo bem... Aquele homem maldito, desgraçado, nojento... AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARGH! EU TENHO ÓDIO DELE. ÓDIO!!!
–Agora eu entendo porque você tem tanto horror dos meninos. Mas...
–Mas nada! Você não sabe de nada! –Minhas lagrimas escorriam pelo meu rosto.
Franz se calou e seguimos o restante do caminho, calados, e paramos em frente ao uma mansão enorme e aparentemente de alguém milionário ou bem mais que isso. Minha irmã estava me esperando em frente a essa mansão com um sorriso encantador.
–Seja bem-vinda à minha casa!
–E-essa é sua “casa”, Franz?
–Uhum... –Franz puxou minha mão e foi me conduzindo até a entrada da mansão.
–Irmãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! –Hinode veio correndo em minha direção.
–Estou tão feliz em vê-la! –Sorri e abracei-a. — Já está tudo pronto pra irmos?
–Irmos? Aonde?
–Como assim “aonde” Hinode? Para casa!
–Você está pensando em voltar pra casa depois de tudo o que aconteceu?
–Claro! Não acha que eu vou ficar aqui, né? Sua mãe me odeia.
–Não é verdade... Tá bom, ela te odeia, mas você não pode ir pra lá, você contou aquilo e...
–Foi em outra casa. Agora quer ficar calado, por favor? –Peguei minhas coisas e as malinhas da Hinode. –Até amanhã na escola.
~PVO MARU OF~
~PVO FRANZ ON~
–Você vai ficar aqui! –Peguei no braço da Maru e a puxei. –Só essa noite, por favor.
–Não Franz! Me deixa ir!
–Você acabou de sair de um hospital! Está toda machucada, será que podia deixar de ser mandona e orgulhosa uma vez na vida?! –Gritei para Maru, a mesma arregalou os olhos e ficou sem palavras.
–T-também não precisa g-gritar. –Hinode intrometeu-se no assunto.
–Está bem eu fico... Mas se fizer minha irmã chorar de novo... Eu arranco esse seu cabelo fio por fio. –Ela estava com um olhar assassino e um sorriso psicopata. Aquilo dava medo.
–O-ok...
Maru entrou na minha casa e se direcionou ao quarto de visitas e parece que ficou um pouco impressionada com o tamanho da minha casa.
–Não precisa se preocupar com minha mãe.
–Não? Por quê?
–Porque ela ficara seis meses fora. Viagens de negócios.
–Oh... De qualquer forma é só por hoje que eu ficarei aqui. Não sei como me convenceu a fazer isso. –Murmurou a ultima frase enquanto subia a enorme escadaria.
–O jantar será servido mais cedo hoje... Mas eu estava pensando...
–Pensando em quê? –Maru arqueou uma sobrancelha e virou-se delicadamente em minha direção.
–Nada. Depois eu falo.
–AAAH! Chega de “Nada. Depois eu falo.”!
–Hinode, vai brincar lá fora, está uma tarde linda! –Disse à Hinode, que na mesma hora saiu correndo para o jardim. Dirigi-me para perto de Maru. –Você... Aceita... Er... Jantar comigo hoje? -Maru me olhou espantada e depois soltou uma gargalhada alta.
–Eu? Jantar com você? –Não se conteve e riu muito, novamente.
–Não vejo graça nenhuma. –Retruquei com uma expressão irritada.
–Bom... –Disse mordendo os lábios e olhando para o lado. –Eu acabei de sair do hospital, não posso fazer esforço. E além, disso, nem morta! –Riu novamente, eu realmente não vejo graça nenhuma!
–Que seja! –Sai batendo os pés, muito irritado. Quer saber? Ela é uma má agradecida! Depois de tudo que eu fiz, ela ainda vem zombar da minha cara? Essa birra dela é muito idiota! Ninguém tem nada haver se ela e o pai não se gostam ou sei lá o que!
Virei-me por um instante e vira Maru paralisada me olhando, talvez estive surpresa pela minha reação, virei novamente o rosto, mas parei quando a ouvi chamando meu nome.
–O que foi? –Perguntei sem olhar para ela.
–Eu acho melhor... Ir embora.
–Peça ao mordomo ajuda com as malas. –Se ela quer ir, que vá! Mas... Ela pode piorar e... – Quer dizer, melhor não. Por favor, fica. –Maru apenas assentiu e começou a subir as escadas.
–Quem sabe, um dia, nós não jantaremos juntos? –Disse com um sorrisinho no rosto. Meus olhos brilharam. Ela já estava na porta do quarto, sorte que ela não foi embora.
A noite passou rápido, e eu preferi não sair do meu quarto, jantei lá mesmo. Dormi olhando a chuva fina e fria que me fazia sentir vivo. O vento batia nas janelas que iam do teto ao chão e fazia a cortinas roxas balançarem um pouco. Adormeci.
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