Voando Alto
1 O Beco Diagonal
Notas iniciais
Hoje é o dia em que eu vou com a minha mãe para o Beco Diagonal, nós vamos de carro porque encontraremos meu pai no Caldeirão Furado e depois partimos para a casa dos meus avós. Estava deitado na minha cama, já arrumado olhando para o teto e pensando em como seria o dia de hoje, enquanto esperava minha mãe chamar. E depois de uns quinze minutos:
— Arthur, querido, vamos indo. — chamou ela aparecendo na porta do meu quarto.
— Só estava te esperando mãe.
— Bom, sendo assim, vamos. Hoje será um grande dia! — falou ela sorrindo e eu levantei.
Meu quarto estava no segundo andar da nossa casa, que fica no número 19 da Rua das Margaridas no bairro Stratford, em Londres. A casa era uma herança da família da mamãe, mas eu nunca conheci ninguém deste lado da família pois todos tinham morrido nas duas Guerras Bruxas. Mas meus pais não gostavam de falar muito disso.
Tudo o que eu sabia era das histórias que eu li em livros e nos jornais antigos. Alias papai tinha uns recortes antigos do Profeta Diário, e em um deles estava uma foto de alguns jovens bruxos e bruxas ao lado do Ministro Kingsley Shacklebolt, a matéria dizia, que os jovens bruxos, que lutaram na famosa Batalha de Hogwarts daquele ano, receberam uma concessão do ministro para trabalhar como aurores no Ministério.
Bom agora meu pai era o sub chefe do Departamento de Educação Magica, ele era muito importante pois era quem escolhia os candidatos para o cargo de professor em Hogwarts. Ele sugeriu que o antigo auror e atual professor de Herbologia, Neville Longbottom, se tornasse o diretor da escola após a decisão da professora McGonagall de se aposentar, depois de muitos anos na escola. Mas o professor preferiu continuar como vice diretor, o cargo foi então ocupado pelo professor Horácio Slughorn, antigo amigo do famoso diretor Alvo Dumbledore, e professor de Poções em Hogwarts.
Eu estava pensando exatamente sobre isso, os professores do meu primeiro ano em Hogwarts, quando ouvi o barulho da porta do carro bater, tínhamos chegado ao Caldeirão Furado. Minha mãe bateu no vidro traseiro onde eu estava sentado e acenou para eu sair.
— Vamos querido, você ficou o caminho inteiro quieto e agora está colado no carro é? — perguntou ela abrindo a porta traseira. Eu sorri e disse:
— Não estou colado mãe, só estava pensando em Hogwarts. Não percebi que já estávamos aqui.
— Pois já chegamos e agora está na hora de comprar sua varinha! — ela falou animada, e eu me lembrei como eu estava ansioso por isso.
Sai do carro bati a porta e fui em direção a entrada da estalagem. Quando entrei, minha mãe veio logo atrás de mim, vi meu pai sentado conversando com uma mulher branca de cabelos ruivos que estava usando um avental.
— Susana! Quanto tempo. Este deve ser o jovem Arthur, você era um bebê da ultima vez que nos vimos. — disse ela levantando assim que nos viu, meu pai se levantou e sorriu.
— Boa tarde Ana, realmente faz muito tempo. E sim, este é Arthur, o garoto mais tímido que você vai conhecer. — mamãe disse isso rindo, pois eu estava grudado nela.
— Ora, não tem problema, eu era tão tímida quanto ele nessa idade. — respondeu a mulher passando a mão sobre meus cabelos — Ele é um belo rapaz, alto e loiro como o pai, mas ele tem o seu belo nariz, não é Susana. — os três sorriram para mim neste momento e eu fiquei com mais vergonha, provavelmente corei, pois senti minhas bochechas queimando.
— Obrigado Ana, ele realmente é um belo rapaz. — disse meu pai.
— Mas e Neville, como está? Ainda por aqui? — perguntou minha mãe.
— Não, infelizmente não. Ele foi convocado mais cedo este ano para recepcionar os dois novos professores. — respondeu Ana Longbotton, ela é a esposa do professor Longbotton.
— Claro, claro. — disse minha mãe. — Ana foi muito bom revê-la mas agora precisamos ir andando.
— Verdade. Precisamos comprar os materiais de Arthur. — completou meu pai.
— Ah com certeza queridos. Voltem depois para uma rodada de cerveja amanteigada e um suco de abobora para o nosso pequenino. — ela disse isso sorrindo e eu sorri de volta, adoro suco de abobora.
Seguimos para o fundo da loja, passamos por uma porta e paramos em frente a uma parede de tijolos. Meu pai tirou a varinha do bolso do paletó e bateu em três tijolos, de repente a parede começou a abrir e formar um portal. Do outro lado do arco era possível ver o Beco Diagonal, um conjunto de vielas abarrotadas de lojas de vários artigos e objetos do mundo bruxo. Lá se encontrava tudo desde livros simples, à animais e varinhas ou até mesmo artigos estranhos da Travessa do Tranco.
— Vamos Artie. — falou papai me estendendo a mão. Eu segurei a mão dele e minha mãe segurou minha outra mão, nós seguimos pela rua a frente, algumas pessoas passavam por nós e muitas crianças corriam de uma loja para outra.
— Que tal primeiro o Olivaras? — sugeri ansioso.
— Você deve estar ansioso pela sua varinha não é? — falou meu pai sorrindo. — Tudo bem, vamos nos separar para agilizar, Susana acho que você poderia escolher as vestes dele, eu vou para a Floreios e Borrões e você pode ir escolher sua varinha querido.
— Acho uma ótima ideia amor, mas a Madame Malkin provavelmente vai querer tirar as medidas de Arthur. Vou comprar outra coisa que sei que ele vai adorar. — ela me olhou sorriu e beijou me na testa. — Até daqui a pouco querido.
— Tchau mãe. — respondi, então ela seguiu em direção a uma loja que eu não conseguia ver.
— Então é isso. Vou comprar seus livros e te encontro no Olivaras daqui a pouco. — falou meu pai entrando na Floreios e Borrões.
Eu tive que andar mais alguns metros até chegar na entrada da antiga loja de varinhas. Ao passar pela porta ouvi o barulho de um sininho e um velho apareceu de repente no balcão.
— Olá! Sou o Sr. Olivaras e imagino que você veio adquirir sua primeira varinha, certo senhor? — disse o homem de cabelos muito brancos e uma barba rala mas bem branca também.
— Boot. Meu nome é Arthur Boot. E sim senhor eu vim comprar minha varinha. — respondi.
— Bom, senhor Boot, saiba que é a varinha que escolhe o bruxo e a sua já deve ter te escolhido. Vamos ver se é essa aqui.
Ele abriu uma caixa retangular e me entregou uma varinha branca e reta, com detalhes circulares no cabo. Eu segurei a varinha e nada aconteceu.
— Vamos, teste! — disse o senhor Olivaras.
Eu apontei a varinha para uma mesinha e as gavetas voaram dela com um estrondo.
— Não! Não! Com certeza não é essa. — falou ele pegando a própria varinha e consertando a bagunça. — Espera um momento, Boot certo? — ele saiu de trás do balcão subiu em uma escada e pegou outra caixa, desceu voltou e estendeu-a para mim. — Agora sim.
Quando ele abriu a caixa a varinha dentro dela era completamente diferente da anterior, parecia um galho de uma arvore, longo com um cabo bem entalhado e duas cordas de madeira para separar o cabo do corpo da varinha, que era envergada do meio para a ponta, fazendo uma curva.
Segurei o cabo da varinha e no mesmo instante faíscas vermelhas sairão da ponta da varinha. Fiquei surpreso e o senhor Olivaras sorriu.
— Ótimo! É uma bela varinha esta que o escolheu. Está é feita da madeira de espruce, o interior é de pena de fênix e possui 35 cm com uma surpreendente inflexibilidade. Você deve ser um jovem bem seguro dos seus poderes e com certeza tem um dom nato. Essa é uma varinha bem difícil. Mas acredito que você conseguirá a sua lealdade.
Eu fiquei um tempo olhando para minha varinha e processando tudo o que ele tinha dito. Foi quando minha mãe entrou na loja segurando uma gaiola com uma coruja branca dentro.
— Vejo que já tem a sua tão desejada varinha, Artie. E agora tem uma maneira de se comunicar com seus pais quando estiver em Hogwarts. Olá senhor Olivaras.
— Como vai Susana? Vejo que muito bem, seu filho tem um belo futuro pela frente se souber usar bem sua varinha.
— Tenho certeza que sim!- respondeu minha mãe.
— Obrigado pela coruja mãe. Eu adorei!
Ela pagou pela varinha e nós saímos da loja, encontramos meu pai com os livros e fomos comprar o resto dos materiais e as vestes da escola. Mas eu não conseguia tirar as palavras do senhor Olivaras da minha cabeça, mesmo enquanto íamos para a casa dos meus avós.
Notas finais
Próximo capitulo vem logo em seguida com a viagem de trem e a seleção.
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