Notas iniciais
Demorei, mas consegui finalizar antes do Natal Não foi betada, talvez um dia seja. Fanfic escrita para cumprir o desafio de novembro, do grupo ShinoKiba, no facebook Tema: “Meu namorado macabro” Linha: Shino Yandere (Palavras): Catarse, Veneta e Delírio (Frase): De todas as armas do mundo, agora sei que o amor é a mais perigosa, pois eu fui mortalmente ferido. (Orgulho e Preconceito) (Música): Every breath you take (The Police)

De todas as armas do mundo, agora sei que o amor é a mais perigosa, pois eu fui mortalmente ferido.

(Orgulho e Preconceito)

Há quase quatro meses aquele ritual se repetia. Kiba levantava na calada da noite. Discreto, tentava distinguir suas roupas misturadas às de Shino pelo chão do quarto, quando as reconhecia, deixava o cômodo em silêncio, julgando que ele ainda dormia.

No início Shino não se incomodava. Era apenas sexo! Foi o acordo feito após a primeira transa casual. O famoso e prático “amigos com benefícios”. Aburame e Inuzuka moravam em apartamentos vizinhos, ambos solteiros e na flor da idade. Enérgicos demais para ficarem sem sexo, ocupados demais para manterem relacionamentos sérios. Shino era diretor em uma das maiores escolas de Shibuya, e Kiba, um policial modelo pleiteando o cargo de delegado no departamento de polícia.

“Não vai se apaixonar, Shino. Sou gostoso ‘pra caralho, mas o lance aqui não vai passar de sexo...”

Shino recordava a primeira vez que ouviu aquela maldita proposta, e o pior de tudo, quando concordou com ela. Foi logo após o sexo mais incrível de sua vida. Okay, mas, por que agora o bendito acerto não fazia mais o menor sentido? Por que àquela altura da madrugada, quando Kiba se preparava para deixá-lo sozinho, não admitia que ele fosse? O entendimento veio assim que a mente respondeu os próprios questionamentos. Foi como ser atingido por um soco súbito na boca do estômago.

Aburame Shino havia se apaixonado pela primeira vez em trinta e cinco anos de vida.

No afã proporcionado pelo entender, agiu por impulso, como raras vezes costumava fazer. O professor acendeu o abajur e foi como se o policial tivesse sido pego em flagrante delito.

−Qual é o nome de sua mãe? − Queria evitar a fuga do larápio que roubou seu coração.

− Quê − Kiba perguntou confuso. Segurava as calças com a mão direita enquanto a outra estava espalmada na altura do coração externando o susto.

− Eu perguntei o nome...

− Eu entendi a pergunta, Shino − o interrompeu − Só não entendi qual é a dela. O que deu em você? − O rapaz ficou arredio de repente − Pensei que estivesse dormindo.

Shino agiu rápido, sentou-se no colchão e o segurou pela canhota. Kiba acalmou-se após o toque suave em sua mão. Acabou aceitando o convite mudo e sentou-se ao seu lado.

− Eu queria saber mais sobre você, coisas mais íntimas, além das coisas superficiais que já sei.

− Shino...

− Eu sei o que irá dizer, contudo, saber mais coisas um do outro, não irá atrapalhar em nada o nosso acordo.

Ledo engano. Só deu-se conta da bobagem que fez, no terceiro final de semana depois daquela conversa.

Every Breath You Take

Every breath you take

Every move you make

Every bond you break

Every step you take

I'll be watching you

Como pode ser tão inocente? Sim, atrapalhava (e muito) saber mais sobre Kiba. Era como uma faca com fio de ambos os lados. Podia ser útil, mas também o confundir e o cortar. Do jeito que acontecia agora enquanto esperava o outro voltar da cozinha com os aperitivos.

— Já vai começar o jogo, Kiba! – Shino chamou, a atenção voltada para a tela do aparelho do policial, que anunciava uma notificação no Line.

– ‘Tô indo! – O Inuzuka gritou em resposta. Estavam curtindo outra folga em sua casa que Shino já sabia como e onde terminaria. Uma final da B.Legue entre seus times preferidos, Kiba afirmando que o Sun Rockers Shibuya possuía técnica superior a do SeaHorses Mikawa, de Kariya; Cervejas importadas e deliciosos petiscos sobre o kotatsu… – Falta só dourar as cebolas.

– Tudo bem.

Shino sabia quem era Sabaku no Kankuro, e o papel importante que teve (e ainda tinha) na vida de Kiba.

“...não foram tantos assim, apenas três. Naruto, que foi meu primeiro beijo, mas a gente só tinha treze anos e gostávamos das mesmas coisas, se é que tu me entendes. Hum... o Shikamaru, mas ele era muito problemático, aff! Jamais daria certo. Daí teve a fase de um beijinho aqui, outro acolá. Nada importante, na verdade. E depois de todas essas experiências veio o Kanki… “

"...e depois veio o Kanki…"

Odiou com todas as forças a primeira vez que ouviu aquele apelido carinhoso, principalmente por ter sido precedido de olhinhos brilhando, como se Kiba tivesse passado ao lado do cara, os momentos mais importantes de sua vida. Kankuro foi o primeiro e único namoro do Inuzuka, o relacionamento mais duradouro, só terminaram há três anos, pois o sujeito trabalharia no exterior, então ambos concordaram que seria complicado manter um relacionamento à distância, no entanto continuaram grandes amigos e esporadicamente conversavam pelo Line. Há dez dias, Kankuro havia voltado a morar no Japão, especificamente em Shibuya, desde então, aquelas malditas mensagens não paravam de chegar.

Todavia, sendo ele importante ou não para Kiba, Kankuro não iria atrapalhar sua noite, nem seus planos.

− Não precisa pressa − Era invasão de privacidade, principalmente se o policial soubesse que ele conhecia a senha do seu aparelho. Não sentia orgulho em saber, não descobriu de propósito e jamais havia feito aquilo que estava prestes a fazer − Se juntar folhas de manjericão às rodelas de cebola, a linguiça frita fica uma delícia. − Shino disse em voz alta enquanto destravava o celular do outro.

− Uau! Boa ideia. Ainda tem picles em conserva?

Shino não podia demorar, do contrário poderia ser pego.

− Na geladeira.

@ Kanki

‘Tá fazendo o quê?

~@Inuzuka~ ✌

Nada, e você?

@ Kanki

‘Tô indo para Ohari, ‘topa uma importada?

~@Inuzuka~ ✌

‘Demorô, em cinco minutos ‘tô aí.

O professor apagou a conversa assim que ouviu a movimentação na cozinha, ela indicava que Kiba havia terminado de preparar os petiscos.

− Não tinha picles na geladeira, mas. Tcharan! Tem edamame.

− Kiba, eu preciso sair por cinco minutos.

− O quê? Por quê?

− Voltarei logo.

Oh can't you see

You belong to me

How my poor heart aches

With every step you take

Shino adentrou o Ohari e não foi necessário muito esforço para reconhecer seu rival. O sujeito destacava-se no ambiente, além de alguns clientes o observarem com interesse. O restaurante oferecia cabines de vidro, em tempos de pandemia, uma opção interessante e segura, o local também era conhecido por seu famoso clima love in the air. Pretendia levar Kiba ali no próximo mês, mas por ora foi ao local apenas para resolver o problema iminente chamado Kankuro. O homem vestia um sobretudo de lã transpassado e na cabeça um gorro camoland, era mais jovem que ele, aproximava uns vinte e nove anos, a mesma idade do Inuzuka. Difícil de admitir, mas era um homem simpático. Caminhou até a cabine e sentou-se à frente dele, sem nenhuma cerimônia. Kankuro parou de beber a água que tomava ao notar a presença altiva a frente, olhou-o de cima a baixo. Querendo evitar mal-entendidos, se antecipou:

− Desculpe-me… estou esperando uma pe…

− Eu sei. − Shino o impediu de falar. Quanto mais cedo resolvesse o impasse, mais cedo voltaria para Kiba.

− Hein?

− Sou o namorado dele.

−Ãh? Namorado? De quem? Ou melhor, quem é você, cara?

— Já lhe disse quem sou…

Foi a vez de Kankuro falar:

— Oe! Eu te conheço, veneta?Isso só pode ser um delírio, pior que nem comecei a beber— resmungou, quase para si mesmo à última parte – Amigo, é melhor sair daqui, estou aguardando alguém e ele não deve demorar.

— Kiba não virá – A frase fez Kankuro relaxar num primeiro momento, conquanto, também o fizesse erguer a sobrancelha esquerda um minuto depois – Aliás, é para falar sobre isso que estou aqui, embora esse não seja o local mais apropriado para conversarmos.

Sabaku no Kankuro não chamaria aquilo de sorriso, estava mais para um erguer os cantos dos lábios (sinistríssimo por sinal) Engoliu em seco.

Since you've gone I've been lost without a trace

I dream at night I can only see your face

I look around but it's you I can't replace

I feel so cold and I long for your embrace

I keep crying baby, baby please

— Oe, Maldito. ‘Tá nos quarenta e cinco do segundo tempo. Onde você... c-caralho, Shino? – Kiba já tinha a munição preparada para quando o professor abrisse a porta, mas ficou sem palavras quando bateu os olhos nele. O professor trazia em suas mãos um delicado buquê de girassóis. Sua aura era tão clara e a expressão em seu rosto tão carinhosa, que fez dispersar todo o seu mau humor.

— Kiba, o nosso acordo, mesmo se você quiser eu não quero mais.

— Acordo? Que acordo? Do que 'tá falando?

–Amigos com benefícios. Eu não quero mais… Kiba, a gente se entende, se encaixa perfeitamente, se completa... Eu quero mais, preciso ter mais.

Deu voz ao que vinha atormentando sua mente há meses.

Enfim, a catarse.

— Shino? Isso significa...

— Quero que seja meu namorado – Shino chegou bem pertinho – Não aceito nada menos que isso – Colocou as flores em suas mãos.

Kiba estava emocionado, porém, não tão surpreso quanto o Aburame esperava.

— Pensei que jamais iria pedir.

— Isso significa que temos um novo acordo?

— O que acha?

Kiba colocou o buquê sobre o Kotatsu, Junto com os pratos e as latinhas vazias que jaziam sobre ele, afinal tinha sido abandonado, precisava extravasar em algo. Coitadinhos dos petiscos.

— Eu te amo.

Shino sussurrou em meio ao beijo que se iniciava, fazendo Kiba sorrir.

— Eu também.

Every single day

Every word you say

Every game you play

Every night you stay

I'll be watching you

Mais tarde naquela noite.

Kiba conseguiu desprender-se do agarre em seu corpo, que reparou, estar mais possessivo que o habitual. Shino, por incrível que pareça, dessa vez estava dormindo, não fingindo como pensava que ele não soubesse, nas madrugadas que saia na surdina. Olhou-o outra vez só para ter certeza, vai que... pescou o celular na mesinha de cabeceira e mandou uma mensagem no LINE, esperava não estar sendo inconveniente devido o horário, afinal Kankuro mal havia chegado em Shibuya e ele já o metia em seus rolos.

~@Inuzuka~ ✌

Adivinha?

@ Kanki está digitando…

~@Inuzuka~ ✌

Toc, toc.

@ Kanki está digitando…

~@Inuzuka~ ✌

Vai ficar digitando pra sempre, Shino vai acabar acordando.

@ Kanki está digitando….

~@Inuzuka~ ✌

Caralho, Kankuro. Quero te contar que o nosso plano deu certo. Adivinha quem saiu da área cinzenta chamada Bromance?

@ Kanki está digitando….

~@Inuzuka~ ✌

Shibuya tem um solteiro a menos.

@ Kanki

Tô feliz por vc, cachorrão. Só não esqueça de incluir no orçamento do enlace, o melhor tratamento dentário da cidade para o seu padrinho de casamento. Vou logo avisando que isso ficará bem caro, outra coisa, vê se maneira um pouquinho nos lines, (principalmente na madruga), nada pessoal.

Fui!

~@Inuzuka~ ✌

Kankuro?

@ Kanki visto por último às 03:20

~@Inuzuka~ ✌

Vai mesmo me ignorar?

Fim (ou não)

Enquanto isso, no aplicativo de mensagem do celular de Sabaku no Kankuro...

~@Inuzuka~ ✌

Deseja mesmo bloquear esse contato?

Sim ou não?

Sim, ao menos pelos próximos cinco anos.





Notas finais
B.Legue, é a liga de basquete Japonesa. Kotatsu, são mesas baixas, projetadas para serem posicionadas em pisos como o tradicional tatame. Eles são cobertos com uma colcha espessa e possuem um aquecedor embaixo. Espero que tenham gostado. A LINDA arte que ilustra o final dessa one foi feita pela Iara Sousa ( @ Rasqueria) e eu estou apaixonada demais.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!