Vizinhos
17 Viagem - Parte 1
Notas iniciais
No dia seguinte...
P.O.V Do Freddie
— E aí? Tudo certo? — Perguntei para o meu amigo que estava dando uma última checada no trailer.
— Sim. Fiz duas revisões nele dando uma checada geral. Está tudo certo, prontinho para cair na estrada. — Beck limpou as mãos numa flanelinha amarela.
— Beleza. — Sorri, minha bagagem já estava lá dentro.
— E lá vem os primeiros 'passageiros'. — Oliver disse risonho, apontando para Sinjin e Robbie.
Robbie estava usando um short verde, estava de boné azul e com uma camisa amarela com estampa de Bob Esponja, ele estava de tênis esportivos.
E Sinjin estava usando uma bandana, bermuda laranja e uma camisa com a estampa do Patrick Estrela. Eles com certeza combinavam as roupas. Os dois carregavam mochilas grandes.
O Robbie estava com uma bolsinha térmica.
— Bom dia! — Sorri para eles.
Beck apenas sorriu e acenou.
— Bom dia, amigos! — Sinjin abriu um enorme sorriso daqueles esquisitos.
— O que é isso aí? — Beck apontou para a bolsinha térmica. — Lanche para a viagem? — Indagou ao Shapiro.
— Ah, é suco de laranja. — Robbie abriu a bolsa e retirou de lá uma garrafinha infantil. — Também tem achocolatado, vitamina de banana, chá gelado e leite de soja. Vocês querem? — Apontou para as garrafinhas infantis.
— Não, obrigado. — Recusei.
Oliver também recusou.
— Quero leite de soja. — Sinjin aceitou.
"Credo! Eca! Leite de soja... Eles realmente são estranhos."
— Quer tomar com canudo ou chupeta? — Robbie perguntou pegando a garrafinha amarela.
— Chupeta. — O outro magrelo respondeu.
O amigo dele tirou a tampa e encaixou a chupeta para mamadeiras e entregou ao Sinjin. Beck e eu nos entreolhamos, segurando o riso.
O André chegou e apenas disso um 'Oi', logo foi se acomodar no trailer. Beck e eu não íamos muito com a cara dele. Sua bagagem era apenas uma mochila. E ele estava usando bermuda e camiseta, e um boné estiloso.
— MENINOS! UMA AJUDINHA AQUI, POR FAVOR! — Trina chegou gritando.
Ela e a irmã, Tori, vinham trazendo malas e mochilas. Trina puxava uma mala enorme de rodinhas. Tori fazia certo esforço com a dela. Corremos para ajudá-las.
— Uh, que braços fortes. Hum... Você malha muito? — Perguntou a Vega mais velha.
Ela estava usando um short bem curtinho, parecia uma calcinha boxer, saltos enormes e sua blusa era justa e bem decotada. Tori estava de saia jeans, regata e sapatilhas. Ambas estavam com os cabelos soltos.
Levamos a bagagem delas para dentro do trailer.
Cat chegou logo em seguida, estava vestida à caráter. Usando vestido com estampa xadrez, botas e chapéu de palha. Parecia uma mini-fazendeira. Usava maria-chiquinhas com lacinhos cor de rosa.
Só faltava Sam e Jade chegarem. Os outros já estavam acomodados e impacientes dentro do trailer
Chequei as horas. 25 minutos de atraso.
[...]
P.O.V Do Beck
— FREDDIE! — Ouvimos o grito da loira. — ME AJUDA AQUI, PALERMA! — Ih, ela estava nervosinha.
Segurei o riso, Jade vinha logo atrás. Freddie correu para pegar o pequeno Almôndegas. A namorada dele estava de short e camiseta, com uma blusa xadrez presa na cintura. Estava com o cabelo preso, arrumado numa trança lateral. E minha morena também estava usando short jeans, uma regata preta e ela tinha feito um rabo-de-cavalo. Estava simplesmente linda.
Muito linda, mesmo com aquela carranca enorme.
— Segura ele direito. Toma a bolsa dele. — Sam entregou a bolsa do filhote para o Benson.
— Quem é a coisa mais fofa do tio, hein? Coisinha fofa do titio, Beck. — Estendi os braços para pegar o Almôndegas.
— Para com isso, com essa palhaçada, Oliver! — Jade me repreendeu dando um tapa na minha cabeça.
— Ai, o que é isso, mulher? Tá de TPM? — Perguntei para ela que me ignorou e entrou no trailer.
— Ei! — Fui atrás dela.
— O que é? — Colocou a mochila no compartimento do bagageiro e se virou para mim, erguendo a sobrancelha esquerda.
— Esse short está muito curto. — Falei em voz baixa para não chamar atenção.
— É? E daí? Devo trocar de roupa só porque acha que estou mostrando demais? — Cruzou os braços.
— O Sinjin está babando e o Shapiro tá olhando também. Não tô gostando de nada disso. — Avisei.
— Problema seu. O que é bonito, é para ser mostrado. — Sorriu, provocante.
— Amarre pelo menos uma blusa na cintura como a Sam fez. — Eu ainda estava contrariado.
— Não, Oliver. Estou ótima assim. Quêm você pensa que é para me dizer essas coisas? — Indagou, séria.
— Ah, beleza... Vista o que quiser. Pode até ficar nua, eu não ligo... — Lhe dei as costas e fui ocupar o volante, com raiva.
Preferi evitar um briga. Logo encerrei aquela conversa que estava rumando para uma bela discussão.
— Aqui tem banheiro? — Tori perguntou.
— Você por acaso é cega? Olha ali a placa naquela porta. O que está escrito? — A West questionou, irritada.
— Banheiro. — A outra morena respondeu.
— É feminino ou masculino? — Indagou Cat.
— Tanto faz, ruiva, serve para todo mundo... — Falei.
Ouvi Sam e Freddie discutindo sobre alguma besteira.
— Todo mundo está acomodado? — Olhei para trás.
— Sim! — Todos assentiram, até a Tori gritou 'Sim' lá do banheiro.
— ABRAM A PORTA! EU CHEGUEI! — Alguém berrou esmurrando a porta do trailer.
— É o meu irmão. — Cat disse parecendo assustada. — Não deixem ele entrar! — Alertou.
Liguei o trailer, estava pronto para dar partida.
— ABRAM! ABRAM! ABRAM PRA MIM, AMIGUINHOS!!! — O irmão maluco da ruivinha continuava batendo na porta.
— ARRANCA LOGO COM ESSA LATA-VELHA, OLIVER! — Jade berrou, impaciente.
Dei partida, arrancando dali. Ouvimos um baque e um grito. Era a Tori que estava no banheiro.
— AAAHG! QUE NOJO! — A Vega gritou.
— O que aconteceu? — Trina perguntou quase gritando.
— Eu caí da privada... E me sujei. — Respondeu com a voz chorosa e abafada.
Sam começou a rir.
— Patética! — Disse Jade em voz alta.
[...]
P.O.V Da Sam
— Estou com fome. — Falei para o meu namorado.
— Novidade. — Murmurou.
— Quê? — Perguntei.
— Nada, meu anjo. — Desconversou. — Você não preparou nenhum lanchinho para a viagem? — Acariciou minha coxa direita.
— Lanchinho? A Jade me jogou para fora da cama. Só tive tempo para tomar banho, escovar os dentes e comer um pouquinho de cereal puro porque o leite acabou. Estou faminta! — Falei sentindo meu estômago implorar por comida.
— Tenho uma barra de cereal aqui. — Meu moreno tirou uma barrinha de aveia do bolso.
— Eca! — Bati na mão dele. — Isso não serve nem para enganar a fome. — Resmunguei.
— É só o que eu tenho, a primeira parada que o Beck vai fazer é para almoçarmos, sempre quis comer num restaurante ou numa lanchonete de beira de estrada. — Comentou sorrindo.
— Você vai pagar o meu almoço? — Perguntei alisando sua coxa.
— Vou sim, princesa. — Assentiu.
— Eu já disse que você é um cara de sorte? — Beijei seu pescoço.
— Sou, é? Por quê? — Sorriu.
— Porque sou sua namorada. Olha pra mim, eu sou a garota mais legal dessa cidade. — Abri meu melhor sorriso.
— Com certeza eu sou o cara mais sortudo dessa cidade. — Concordou. — Me dá um beijo, minha linda. — Fez biquinho.
Segurei seu rosto e lhe dei vários selinhos.
— Meu lindinho. — Apertei suas bochechas.
— Eu mereço... — Ouvimos a Jade resmungar. — Podem ir parando com essa melação aí atrás! — Reclamou.
— Isso é inveja, West? — Trina a alfinetou.
— A única invejosa aqui é você, vadia! — Retrucou a minha amiga.
— Vadia? Não era eu que vivia enfeitando a cabeça do André. — Rebateu.
— Ei, o que a gente tinha não era nada sério, não houve traição nenhuma. — O Harris defendeu a Jay.
— Mas a Jade sempre foi rodada, isso você não pode negar... — Disse a Vega mais velha exalando veneno.
— Essa vaca me chamou mesmo de 'rodada'? — A West perguntou incrédula.
— Chamou! — Respondi querendo ver o circo pegar fogo.
— Escuta aqui, Vega, eu vou...
— PAREM JÁ COM ISSO, AS DUAS! — Oliver berrou dando uma brusca freiada.
Acabei indo para a frente, bati meus seios no assento e soltei um palavrão. O Almôndegas acordou e começou a choramingar.
— Mas foi ela que... — Minha amiga tentou explicar.
— Não quero saber quem começou ou não. Só quero que parem já com isso, ou terei que expulsar as duas do trailer? — Ui, ele estava mesmo bravinho.
— Você não se atreveria, Oliver! — Jade disse nervosa.
— Quer pagar para ver? — Ele a desafiou.
Ela não respondeu. Trina também se calou e ficou quietinha no canto dela.
O moreno deu partida novamente.
Cat estava brincando com um cubo mágico. Sinjin e Robbie estavam sentados lado à lado. Tori cantarolava. E o Harris estava quieto demais, vi que estava com os fones, provavelmente cochilando.
— Que tal animarmos isso? — Sugeriu, Robbie.
— Vamos cantar? — Sinjin se empolgou.
— Somos amigos e estamos na estrada, lá, lá, lá... — Cat iniciou a cantoria.
— Num trailer bem legal, a viagem vai ser longa, lá, lá, lá... — Robbie continuou.
— Fazendo uma viagem divertida, a paisagem é bonita, lá, lá, lá... — Sinjin desafinou legal.
— Isso é aventura, tudo pode acontecer, lá, lá, lá... — Tori entrou na onda.
— E o trailer vai andando, andando e andando, lá, lá, lá... — Trina cantou super mal.
— Se não calarem a boca, eu vou jogar vocês pelas janelas, lá, lá, lá... — Cantei.
[...]
P.O.V Da Jade
Horas depois...
— Primeira parada, vamos almoçar, pessoal! — Disse o Oliver após estacionar o trailer.
Havíamos parado para almoçar num restaurante, se é que eu poderia chamar aquilo de restaurante, de beira da estrada. Tori e Trina logo torceram o nariz quando descemos do trailer.
— Delícias da Tia Rosemary. — Li o nome do estabelecimento.
— Será que é higiênico? Eu não como em lugares infestados de moscas. — Trina logo avisou.
— Também não. — Disse a outra Vega.
— Moscas são perigosas. — Comentou Cat.
— Deixem de frescuras, vamos logo entrar, eu quero encher a pança! — Sam puxou o Freddie e foram na frente.
— Vamos? — Beck pegou minha mão direita.
— Vamos. — Assenti, eu estava muito faminta.
— Foi mal por ter...
— Deixa pra lá. — O interrompi. — Não quero um cara que abaixe a cabeça para mim. Quero um cara que me enfrente também. E hoje você provou que não é um bobalhão sem voz ativa, e eu gostei disso. — Admiti.
— É mesmo? — Pareceu surpreso.
— Sim. — Respondi.
Finalmente entramos no pequeno restaurante. Havia mesas redondas espalhadas. O balcão estava quase todo ocupado. E o menu do dia estava na parede, não tinha cardápios ali.
— Eu vou querer costeleta com molho agridoce, arroz com milho, salsichas grelhadas, sopa de feijão, macarrão com molho vermelho e bolo de cenoura, de sobremesa. — Sam dizia olhando o menu.
— Tudo isso? Já calculei aqui, e tudo vai dar 34 dólares e 45 centavos. Não vou gostar mais 30 dólares apenas numa refeição, Sam. 12 dólares no máximo, incluindo a sobremesa. — Avisou, sério.
— Deixa de ser pão-duro, Benson. Com 12 dólares só dá para comprar a sopa de feijão, a salada, o bife à milanesa e uma fatia de pudim. — Minha amiga reclamou.
— Posso comprar a costeleta também, mas vamos dividir, ok? — Tentou amansar a loira que já estava carrancuda.
— Tenho cara de quem divide comida? — Ela perguntou, irritada. — Quero refrigerante também. — Avisou.
— O suco é mais gostoso e mais saudável. — O Benson disse, ele queria comprar suco só porque era mais barato.
A loira tinha razão sobre ele ser mão-fechada.
— Ótimo. Compre pra você então, eu não quero... — Retrucou e os dois começaram a discutir.
Minutos depois...
Juntamos quatro mesas e nos reunimos lá atrás. Robbie e Cat eram vegetarianos. Eles pediram apenas ensopado de legumes, e empanados de beringela e creme de abóbora. Trina e Tori estavam de dieta, as duas pediram frango grelhado e salada. André pediu uma porção de tirinhas de peixe frito, arroz com ervilha e salada de batata.
Sam devorava a costeleta assada com farofa de bacon. Estava toda lambuzada de molho de churrasco. Freddie comia o bife à milanesa com macarrão, ele comprou refrigerante para ela e suco para ele.
Beck já cuidava do corpo e havia começado a praticar exercícios. Peixe grelhado com salada foi o que ele pediu. Café e torta de frango foi o meu pedido.
— Como conseguem comer esses pobres animais? — Cat perguntou chorosa observando a Sam começar a roer os ossos da costeleta.
— Com a boca, oras... — Respondeu a loira de boca cheia.
— Isso é costeleta de porco? — A tonta perguntou inocentemente.
— Não, minha jovem. São costeletas de javali selvagem. — Dona Rosemary que servia uma mesa próxima respondeu.
Era uma simpática senhora gorducha, dona do restaurante.
— Usamos carne de caça aqui, carne de javali no lugar da carne porco. Coelho selvagem no lugar de frango. Peixes de riacho fresquinhos. E a carne bovina na verdade, é carne de veado. — Dona Rosemary disse naturalmente. — Ah, e essas verduras, legumes, e frutas são aproveitadas, pegamos na feira e o resto vocês já sabem. — Piscou e sorriu, se retirando dali.
— Eca! — Trina fez careta.
— Acho que vou vomitar! — Tori cobriu a boca.
— Que legal! Acabei de comer uma fatia de torta de coelho! — Sorri, irônica.
— Hum... Pelo menos o javali estava delicioso. — Sam sorriu, sua boca estava toda suja de farofa de "bacon".
Eu nem queria saber o que usaram no lugar do bacon.
Pagamos pela comida e nos mandamos dali. As Vega enojadas. Sam, satisfeita. Freddie e Beck, indignados. Sinjin, incrédulo. André, nauseado. Robbie e Cat, chorando com pena dos animais que serviram de caça. E eu, com raiva por ter comido coelho pensando que era frango.
Eu ia escolher o lugar onde iríamos comer na próxima parada.
Fale com o autor