Vizinhos
19 Motel assombrado?
Notas iniciais
P.O.V Do Beck
Assim que entramos no motel, o pessoal ainda estava na recepção, as meninas estavam sentadas num banco comprido. Robbie, Sinjin e André estavam de pé encostados na parede, somente Freddie conversava com o recepcionista, eles estavam falando em espanhol, e eu só consegui entender poucas palavras.
O lugar era mal iluminado, paredes com a pintura descascando, o piso encardido, tinha tanta poeira ali que começou a irritar meu nariz... Olhei para cima, vi várias teias de aranha espalhadas, uma mais grande do que a outra.
— Consegui dois quartos, galera! — Freddie se aproximou de mim balançando duas chaves em chaveiros, ambos com formato de coração.
— Só dois? — Jade indagou fazendo careta.
— Um quarto para as meninas. Outro para os meninos. — Explicou.
— Não dá para descolar um quarto só para nós dois? — Sam entrou na conversa, abraçando-o por trás.
— Não! Dois quartos já são o suficiente, vamos só tomar banho e vazar, não é mesmo? — Sustentou o meu olhar. Logo saquei que ele não queria pagar por mais um quarto.
— Claro! O Freddie tem razão! — Entrei na dele.
— Merda! Você tá fugindo de mim? — A loira o soltou e deu a volta, para poder o encarar. — Eu quero ficar à sós com você. Não somos namorados? Por quê não podemos tomar banho juntos, Benson? — Cruzou os braços.
— Sam, não é nada disso, é só que...
— Eu não quero mais saber! — Disse o cortando. — Vem, Jade, você não queria tomar banho? A ideia foi sua. — Pegou uma das chaves e saiu puxando a morena para uma escadaria velha.
— O NÚMERO DO QUARTO É 33! — Meu amigo gritou.
— E o nosso é 34? — Chutei.
— Errou. 32. — Mostrou o número no chaveiro.
— Gritou o número para elas por quê acha que elas são burras ou não veriam? — Perguntei.
— Não! Gritei porque estava com vontade de gritar... Não posso mais não? — Sorriu, sarcástico.
— Ei, não desconta a raiva em mim não, eu sei que tua namorada te tira do sério, mas eu não tenho culpa não! — Puxei a outra chave da mão dele e segui para a escadaria.
[...]
P.O.V Do Freddie
— O que tanto conversava com esse esquisito? — André me perguntou, apontando para o cara da recepção.
— Esquisito e maluco por sinal, ele tentou me colocar medo dizendo que esse motel é assombrado. Ele disse que o falecido dono, o tal de Carlitos Pico Grande assombra os quartos e gosta de ver a mulherada tomando banho, e que o fantasma do velho tarado aparece nu nos banheiros... Dá para acreditar nisso? — Falei em voz baixa para não assustar as meninas.
Tori, Trina e Cat passaram por nós, todas sorridentes. Trina piscou para mim.
— Sinistro, cara, sinistro... — Assentiu.
— O que estão cochichando aí? — Robbie se aproximou com Sinjin.
— Nada, nada não... Vocês não vão subir? Ou vocês não gostam de tomar banho? — Desconversei.
— A gente toma banho toda semana. Duas vezes por semana, tá achando a gente com cara de porco? — Sinjin se ofendeu.
— Não, imagina... — Ironizei.
Cada um de nós carregava sua própria mochila, olhei para o André que parecia amedrontado.
— Está com medinho do fantasma tarado? — Prendi o riso.
— Claro que não! Eu sou muito macho... Hum. Não acredito em fantasmas não... — Disse sem firmeza.
— Sei, sei... — Abafei o riso.
Minutos depois...
— EU SOU LINDO E SENSUAL... MINHA MÃE ME CHAMA DE MAU... AS GAROTAS PIRAM NO MEU... AI, MERDA, ESQUECI A LETRA! — Robbie cantava/berrava no banho. — PAPAI ME ENSINOU A PESCAR... EU GOSTO DE ME... DROGA! ESQUECI A LETRA DE NOVO. — Ele cantava super mal. — A MINHA VIZINHA PARECE UMA... ALGUÉM SABE A LETRA DESSA MÚSICA? — O Shapiro era mesmo maluco.
— CALA A PORRA DA BOCA, CACETE! VOCÊ CANTA MAL PRA CARALHO! — Soquei a porta do banheiro.
Ele se calou... Depois de alguns minutos começavamos a ouvir o som de um choro engasgado.
— Cara, você magoou ele. — O outro magricela de óculos me olhou indignado.
— Fica na sua, Sinjin. — Beck o fuzilou.
— Vocês estão sentindo cheiro de desodorante vencido? — André farejou o ar.
— Não, eu tô sentindo fedor de catinga das bravas mesmo... — Oliver torceu o nariz.
Olhei para o Sinjin.
— Não sou eu, eu juro. Podem me cheirar! — Levantou as axilas.
— Sai fora, credo! — Fiz careta.
Farejei o ar e constatei que a podridão estava naquele quarto imundo... Fedia à defunto.
— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHH! — Ouvimos o berro de uma das garotas.
Cada pêlo do meu corpo arrepiou. Estremeci sentindo um calafrio percorrendo minha espinha.
Beck rompeu porta afora, com certeza a donzela em perigo era a Jade...
[...]
P.O.V Da Sam
— Mas que porra! Por quê gritou desse jeito, louca? Vai matar outro de susto, caramba! — Indaguei quando a West saiu do banheiro pelada e coberta de espuma.
Trina e Tori começaram a rir. Cat estava com a boca aberta e com os olhos arregalados ainda pelo susto. Jade havia gritado como se tivesse visto algum monstro saindo pelo ralo...
— Eu vi... Eu vi... Eu vi... — Ela estava com os olhos esbugalhados.
Parou no meio do quarto, pingando. Ensopada. Os cabelos escorriam.
— V-viu o-o q-quê? — Cat se encolheu na cama, tremendo.
— Para com a palhaçada, West, ninguém aqui quer te ver pelada, só porque você depilou a mini-Jade com cera quente, você fica aí se...
— EU VI UM VELHO PELADO NO BOX ME OLHANDO TOMAR BANHO! — Gritou.
— O quê? Que merda você tá dizendo? — Perguntei querendo rir.
— Ele era asqueroso... Todo enrugado... Com aquela "coisa" molenga pendurada... Sorria como se fosse... Um tarado. — Abraçou o próprio corpo e estremeceu.
— Uhum, sei... Acredito. Ele também apertou a sua bunda? — Zombei.
— EU NÃO TÔ BRINCANDO, PUCKETT! — Gritou comigo.
Ouvimos fortes pancadas na porta. Cat soltou um gritinho assustada. As Vega se encararam com medo.
As pancadas aumentaram e vimos a porta indo ao chão. Oliver invadiu o quarto. Jade correu para os braços dele.
— Tinha um velho me espionando no banho. — Contou.
— Emocionante! — Bati palmas sarcástica, achando aquilo tudo uma piada. — Vocês combinaram, é isso? Cadê as câmeras escondidas? — Perguntei quando ele tirou a camisa e colocou na minha amiga.
— Cadê esse velho maldito? Vou matar ele, se eu pegar esse...
— É um fantasma, Oliver. — Disse ela tentando nos convencer.
— Fantasmas não existem. — Falei.
— Existem sim, o cara da recepção me alertou e eu não acreditei! — Meu namorado apareceu com os outros garotos.
— Fala, sério! Eu tenho uma perguntinha... Quem massageou meus pés quando eu estava deitada usando a máscara de dormir? — Olhei para a Valentine e para as Vega.
Nenhuma delas respondeu.
— Oh, cacete! — Fiquei pasma. — Um fantasma fez massagem nos meus pés e a culpa é sua, West, foi você que nos fez parar aqui nesse motel assombrado! — Acusei.
— MAS ELE NÃO TE VIU NUA! — Berrou com raiva.
— Vamos cair fora daqui pessoal, antes que...
— Ninguém sai daqui sem almoçar, todos vocês vão ficar para o almoço... Alguém me ajuda a matar essa galinha? — Uma senhora gorducha entrou no quarto com um facão e uma galinha amarrada dentro de uma grande cesta de palha.
Cat desmaiou em cima do carpete imundo. As Vega se abraçaram gritando.
Jade fez careta olhando para a galinha que se debatia na cesta.
— Porra! — Oliver exclamou olhando para o facão.
— Ela vai nos matar... Tem cara de psicopata. — Sussurrei para o meu namorado.
— Mãe, estou morrendo de fome. O papai já chegou, ele também tá faminto! — O esquisito da recepção surgiu atrás dela.
— Calma, meu filho... Hoje nós teremos um belo banquete. — Disse a velha dando um grande sorriso podre e amarelado.
— Agora está explicado porque somos os únicos hóspedes aqui... — Freddie murmurou.
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