Vizinhos
6 Churrasco - Parte final
Notas iniciais
P.O.V Da Jade
— Uou! Calma aí, apressadinho! — Estapeei sua mão direita que subiu para um dos meus seios, apertando-o.
— Ops, foi mal... — Se afastou relutante.
Me sentei direito na pia, fechei as pernas e passei as mãos pelo cabelo.
— É, você não é gay... — Sorri e mordi o lábio inferior, sentindo os meus lábios formigarem, seu beijo tinha gosto de cerveja e bala de canela.
— Não sou mesmo. — Passou as mãos pelo cabelo e piscou para mim.
— Temos que voltar para lá, o André deve estar sentindo a... — Me calei quando ouvimos a gritaria vindo lá de fora.
— PAREM JÁ COM ISSO! — Sam gritava.
Desci da pia e nós dois corremos para ver o que era. Nos deparamos com o André discutindo com o amigo sacana dele.
Cat, Tori e Trina assistiam a discussão horrorizadas. Sinjin e Robbie estavam assustados. E Sam tentava arrancar a panela que os dois idiotas estavam segurando, um de cada lado.
— Solta, você já comeu muito! — O topetudo tentava puxar a panela pela pequena alça.
— Não, foi você quem comeu muito! — André segurava a alça também, tentando tomar a panela.
— A panela é minha, parem com isso. Soltem, não sejam ridículos! — Sam tentava em vão tomar a panela deles.
O cabeludinho me olhou confuso, eu também não estava entendendo nada.
— QUE PORRA É ESSA? — Gritei me intrometendo.
— Esses dois estão brigando pelo meu feijão. — A loira disse nervosa.
— O quê? — O moreno ao meu lado perguntou incrédulo.
— Isso é culpa da cerveja. Aonde tem bebida, sempre há briga. É um absurdo brigarem por feijão. Dois gatos brigando por merda. Ah, ninguém merece! — A Vega peituda disse indignada.
— Ei, meu feijão não é uma merda, se fosse ruim eles não estariam brigando. Minha comida é de lamber os beços! — Minha amiga se revoltou.
— Ah, coitada, aposto que você colocou alguma mandinga nessa gororoba. — Trina debochou.
— Escuta, aqui, Vega, pare de falar merda, sua intrometida! — Sam apontou para a vadia, a loira estava ficando vermelha de raiva.
— Fale direito com a minha irmã, sua oxigenada! — A Vega caçula avisou irritada.
— O quê? Oxigenada? Oxigenada uma ova! Cala a boca, magrela. O meu cabelo é natural, vadia! — A Puckett estava se controlando para não bater nas irmãs Vega.
— Se acalmem, garotas! Nada de brigas, por favor! — Beck tentou fazer elas pararem de bater boca.
O André e o amigo dele, Freddie, pareciam dois cachorros brigando por comida. Eles estavam atracados na panela de feijão, rosnando um para o outro.
— Solta! — Freddie dizia entre dentes.
— Solta você! — O Harris grunia baixinho.
— Sejam bonzinhos, rapazes, que tal dividirem? — A ruiva sem noção se aproximou sorrindo, nervosa.
— É, não precisa de nada disso. Somos vizinhos! Por favor, não briguem... — Robbie se aproximou sorrindo tão nervoso quanto a Valentine.
Sam continuava discutindo com as Vega. Aquilo com certeza não ia acabar bem. Sinjin roía as unhas, seus olhos estavam quase saltando de tão arregalados.
— Ei, cadela de olhos azuis, controla a sua amiguinha, eu não tô a fim de quebrar minhas unhas batendo nela! — Trina disse surtada.
— Como é que é? Me chamou de quê? — Fechei os punhos, alguém iria apanhar e muito.
— Além de chifruda, ainda por cima é surda! — Tori começou a rir.
A loira avançou em cima da Trina, as duas caíram na piscina.
— Chifruda? Eu? — Me indignei.
— O André não para de me chamar de gostosa, ele sempre olha para a minha bunda e grita 'Gostosa'. Ontem ele tentou me beijar! — Disse sorrindo convencida.
— Que bunda? Você é só pele e osso, mais osso do que pele! Se enxerga, garota! — Não acreditei nela.
— Eu sou magra, não sou balofa que nem você. Inveja mata, sabia? — Provocou.
— Vou arrebentar a sua cara, ôh magrela! — Corri pra cima dela.
[...]
P.O.V Do Beck
Sam e Trina estavam quase se matando dentro da piscina. Freddie e o tal de André estavam em pleno cabo de guerra, brigando por feijão. Robbie começou a chorar, ele sentou no chão e começou a se balançar, abraçando os joelhos. Sinjin se enfiou debaixo da mesa. E Jade pulou em cima da garota chamada Tori, as duas começaram a rolar pelo chão.
— Lá, lá, lá, lá... Lá vai o passarinho, lá, lá, lá, lá... Lá vai o carneirinho, lá, lá, lá, lá... Lá vai o peixinho... Hi, hi, hi, lá vem o unicórnio voando no... — A garota ruiva estava cantando quando foi atingida pela panela.
Ela tombou no chão desmaiada, voou feijão para todos os lados. Sujou até o meu cabelo... O meu precioso cabelo.
— AAAAAAHHHHHHHH! — Berrei, sentindo o caldo morno escorrer por meu rosto.
Vi um corpo boiar na piscina... E garota loira saiu de lá torcendo o cabelo, ela estava sem a parte de cima do biquíni. Robbie acabou desmaiando.
— A CULPA É SUA! — Meu amigo empurrou o rapaz negro de Dreadlocks.
— ELA MORREU! AH, MEU DEUS! VOCÊS MATARAM A CAT! — O garoto Sinjin estava gritando apavorado. — AAAAAAH! A TRINA TAMBÉM ESTÁ MORTA! — Apontou para o corpo boiando.
— AAAAAAAAAAH! FEIJÃO! AH, ESTAVA TÃO GOSTOSO! — O chifrudo, o tal de Harris, se ajoelhou e começou a lamber o resto do chão.
— PORRA! OLHA O QUE FIZERAM COM O MEU CABELO! — Gritei e parti para cima do meu amigo idiota que estava com cara de lesado, olhando para a loira que ainda nem havia percebido que estava pagando peitinhos. Ops, peitões no caso dela...
Minutos depois...
Depois de dar uma rasteira no Benson e um soco na fuça dele, o fiz levantar e me ajudar a retirar a garota que estava boiando, desmaiada. Tive que fazer respiração boca à boca, ela cuspiu um bocado de água no meu rosto. Foi nojento... Robbie despertou e logo em seguida, a ruivinha recobrou a consciência também. Sinjin tomou água com açúcar para se acalmar. E Tori perdeu algumas unhas postiças e alguns tufos de cabelo.
Sam e Jade sairam ilesas, elas eram boas de briga. Fiquei impressionado.
— Isso é pelo barraco... — A morena raivosa deu um tapa no namorado. — Esse é pela vergonha que eu passei... — Deu outro tapa. — E esse é por ter paquerado a Vega esquelética, seu filho da puta... — Deu um baita soco que o derrubou.
— Você é louca? — Sentou no chão olhando-a assustado. — Eu nunca...
— Ele é um safado sim! — A loirinha apontou para o rapaz que gemia baixinho, massageando o rosto. — Ele fica olhando para a minha bunda também! — O delatou.
— Para a minha também... — A ruiva que estava sentada no chão disse ainda atordoada.
— Meu Docinho de Coco, isso não é verdade. Elas são loucas! Eu só tenho olhos para a sua bunda! — Protestou.
— Foda-se! Não quero mais ficar com você, Harris! O nosso lance acaba aqui e agora! — A morena disse raivosa.
Sorri gostando de ouvir aquilo. Ela havia o dispensado na frente de todos. Oh, eu estava com o caminho livre. Eu iria ter aquela morena delícia só para mim.
[...]
P.O.V Da Jade
Cat, Tori e Trina foram embora, as Vega foram se queixando de dor. A surra que eu e a Sam demos nelas foi bem merecida. Fazia tempo que as piranhas estavam pedindo para apanhar. O Harris foi embora arrasado, ele até se humilhou, implorando para eu não fazer aquilo... Pra falar a verdade, já fazia um tempinho que eu queria dar um pé na bunda dele. Arranjei uma desculpa perfeita para pôr um fim naquele lance. Azar dele, quem perdeu foi ele. O pobre infeliz pensava que eu ficar com ele para o resto da vida, só pode... Iludido.
Sinjin e Robbie acabaram enchendo a cara. O topetudo parou de beber, ele não queria ficar chapado. Por outro lado, a minha amiga acabou bebendo até apagar... Ela adormeceu ali mesmo em cima da espreguiçadeira, devorando um pedaço de carne suculenta, ela sequer largou o osso.
Sinjin decidiu ir pra casa, ele foi cantando e soluçando, levando uma latinha de cerveja. Beck e eu almoçamos. O amigo dele recolheu a louça e começou a arrumar a bagunça.
Robbie acabou adormecendo e foi então que eu tive uma ideia de como sacanear a loira.
Minutos depois...
Não foi fácil, mas acabei conseguindo convencer o Beck a me ajudar. Ele topou relutante. Carregamos a Puckett e o Shapiro para o quarto dele. Despi a loira e ele despiu o imbecil. Claro que não o deixei vê-la nua. E claro que também não olhei para o Robbie pelado. Cruzes... Os cobrimos com o mesmo cobertor. Ele não olhou para a nudez da minha amiga e nem eu olhei para o Shapiro peladão. Fizemos tudo com rapidez e muita cautela.
— Isso é muita sacanagem, gente! — Freddie desaprovou, não gostando nadinha daquilo.
— A Sam já me sacaneou várias vezes, acredite. Ela ama sacanear com todo mundo. Ela "batizou" os Cupcakes, pronto falei. Ela já ferrou com todos os vizinhos, pode apostar. Samantha Joy Puckett é a rainha das pegadinhas! — Contei.
— Quê? O que ela colocou nos Cupcakes? — Beck indagou sério.
— Nada demais, apenas exagerou na manteiga e na gordura vegetal. — Respondi.
O amigo dele ficou calado, ligou a TV e ficou na dele. Ui, ele estava se doendo pela loira? Que gracinha... Babaca.
Fui pra casa, tomei banho, me diverti com minhas tesouras. Cochilei. Troquei de roupa. Fiz café. Assisti um filme de terror. E só depois fui para a casa dos vizinhos, e como previsto, minha amiga e o boboca do Robbie ainda estavam dormindo.
— E aí? — Perguntei ao moreno, eu não sabia o sobrenome dele.
— Em 5 em 5 minutos, eu tô indo ver eles... Caramba, acho que entraram em coma alcoólico. — Disse preocupado.
— Relaxa! A Sam é assim mesmo. Dorme pra porra. Tem sono pesado e o Shapiro...
— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHH! — Ouvimos um berro de arrepiar.
Eu sobressaltei assustada. Beck tapou os ouvidos. Seu amigo que estava dormindo no sofá, acordou assustado e acabou caindo no carpete.
A loira havia acordado. Ouvimos outro berro... Dessa vez era do Robbie.
Não demorou muito para a Puckett aparecer na sala correndo, apenas enrolada no cobertor, se descabelando toda.
— PUTA QUE PARIU! MAS QUE MERDA! QUE PORRA EU FIZ? CARALHO! NÃO! NÃO NÃO! ISSO NÃO ESTÁ ACONTECENDO! ESTOU SONHANDO, ESTOU SONHANDO! NADA DISSO É REAL! EU NÃO... ALGUÉM DÁ UM TIRO NA MINHA CABEÇA! — Corria dando voltas pela sala, surtada, gritando desesperada.
— ALGUÉM ME BELISCA! EU SÓ QUERO TER CERTEZA QUE ISSO TUDO NÃO PASSA DE UM SONHO! MARAVILHA! UUUUUUHUUUUULLLL! ACONTECEU! FINALMENTE ACONTECEU! YEAAAAH! UHUUUL! EU SOU FODA! TRANSEI COM SAM PUCKETT! — Robbie também apareceu na sala, comemorando, gritando eufórico.
— NÃO! EU QUERO MORRER! COMO VOCÊ PÔDE PERMITIR QUE EU COMETESSE ESSA CAGADA? — Ela avançou em cima de mim.
Beck prendia o riso, estava todo vermelhinho.
— A culpa não é minha. O corpo é seu, a vagina é sua, foi você que quis abrir as pernas para ele! — Corri para trás do sofá.
— PUTA MERDA! E SE ELE NÃO USOU CAMISINHA? JADELYN CHRISTINA WEST, AONDE VOCÊ ESTAVA? POR QUÊ NÃO ME IMPEDIU? — Ela já estava chorando.
— AH, CARAMBA! EU NÃO POSSO SER PAI AGORA! O MEU PAI VAI ME MATAR! — O idiota do Shapiro começou a chorar também.
Beck me olhou, eu já podia ver o arrependimento no olhar dele. Ele ia dar com a língua no dente. Estava sendo tão divertido... Implorei com um olhar para ele não falar nada... Eu ia confessar, mas só depois... Talvez no dia seguinte.
A loira desabou no sofá, soluçando. Robbie começou a passar mal.
— NÃO ACONTECEU NADA! VOCÊS APENAS DORMIRAM JUNTOS! NÃO ROLOU SEXO, EU JURO! SUA AMIGA E O OLIVER ARMARAM PARA SACANEAR VOCÊS! — O topetudo linguarudo nos entregou.
Ah, então o sobrenome do cabeludinho era Oliver? Interessante... Gostei.
— Como? — Sam ergueu a cabeça e me olhou chocada.
— Não vou negar. Foi uma brincadeira. Lembra do ovo cru no meu café? Isso foi revanche, loira! Estamos quites agora! Pensando bem, você me sacaneou várias vezes, né? — Ri sem humor.
Sam piscou ainda atordoada, balançou a cabeça e me olhou furiosa.
— Sua cadela! Como pôde fazer isso comigo? Foi uma brincadeira de muito mau gosto sabia? — Levantou.
Dei de ombros, soltando uma risadinha.
— Pois é... — Freddie concordou com ela.
— Calado! Você não tem moral pra me julgar! Seu Topetudo boca quente! — O fuzilei e depois olhei pra loira. — Esse safado não é gay! Isso mesmo, ele está apenas fingindo! — O delatei também.
Sam ficou pálida, voltou a desabafar no sofá...
— Tô indo gente, meu pai deve estar preocupado! — Robbie disse saindo de cena, ele estava apenas vestindo aquela sunguinha ridícula.
— Isso é verdade? — Minha amiga perguntou num fio de voz, encarando o safado fingido.
— Bem, é... Olha, eu... Pois então... Sabe... Eu... Eu... É... Enfim... — Riu nervoso, coçando a nuca.
— É verdade. O Benson não é gay! — O amigo dele o entregou.
— AAAAAAAAAAHHHHHHHHHH! — A loira gritou irada.
— Se eu fosse você, começaria a correr, futuro defunto! — O aconselhei.
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