Hoseok gostava de passear pelo parque com os olhos fechados. Os sons do vento chacoalhando os galhos das árvores e os pássaros cantando continuavam os mesmos.

Quase podia escutar a voz de Jimin também.

Infelizmente teve que abrir os olhos ao esbarrar em alguém. E tudo se desintegrou, voltando a ser apenas uma lembrança.

Algumas coisas haviam mudado, como uma pista de caminhada, alguns bancos e um parquinho. As únicas coisas que permaneceram intocadas foram suas lembranças de quando chamava os amigos para brincar.

Tudo havia mudado ao redor de Hoseok: seus amigos, sua escola, sua casa, sua cidade, tudo.

E onde ele havia mudado? Sentia-se o mesmo Hoseok de sempre.

Era hora de mudar.

Uma flor de cerejeira caiu em seus pés, ajoelhando-se a pegou delicadamente. Automaticamente lembrou-se de Jimin, o garoto do sorriso fofo, seu melhor amigo e parceiro que adorava a tal flor.

Sorriu pequeno e fechou os olhos mais uma vez imaginando o outro ao seu lado.

"Você gosta mesmo dessa flor, não é Jimin?"

"Claro, é tão bonita."

Hoseok sentiu os dedos de Jimin em seu braço. Mas assim que tentou tocar no outro não sentiu nada. Não havia ninguém.

"Hobi?"

"Diga."

"Será que já não está na hora de você me deixar ir?"

E o garoto deixou suas lágrimas caírem, ainda de olhos fechados. Sentia novamente os toques do amigo que se fora, sua voz o acalmando como sempre fez.

Sabia que nada daquilo era real.

"É a vida, não é? Não podemos viver apenas de memórias." Comentou o mais velho em meio às lágrimas, sorrindo fraco. "Mas eu não consigo esquecer".

As mãos quentes de Jimin fizeram um último carinho na face do amigo. Hoseok Imaginou o sorriso do baixinho, aquele que lhe acalmava.

"O certo não é esquecer. E sim guardá-las no coração e seguir em frente, se lembrando de tudo com carinho."

E então abriu os olhos, e Jimin não estava mais lá.

Olhou novamente para a florzinha na palma da mão esquerda. Apenas deixou que o vento a levasse para longe, com ela tudo o que o prendia ao passado e que o impedia de seguir em frente.

Hoseok estava livre.

Olhou ao redor mais uma vez com nostalgia, e foi embora com um sorriso no rosto.

Não só deu adeus ao amigo, como deu adeus a si mesmo naquela tarde.

As memórias ficaram ali intocadas, e a vida continuou.

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