Vivo Por Ela

8 Qual o seu problema?


Notas iniciais
Eu estava tão ansiosa pra postar esse, e nem sei por que... Beijos!

Elena estava decidida a desfrutar dos momentos com Damon sem estragar o desprendimento dele. Estava cada vez mais difícil manter a calma e não o bombardear com perguntas, mas ela sabia que se insistisse com o duque perderia tudo o que já tinha conseguido. Ela estava constantemente sendo interrogada por Sage e Kol, até mesmo Finn. Afinal era obvio pra todos que toda a nova postura do duque se devia a Elena.

Eles passavam horas juntos, na biblioteca lendo livros, fazendo as refeições juntos. Numa noite Elena teve a ideia de pedir aulas de piano e Damon não pareceu se opor, muito embora ele esteja se arrependendo agora, ao perceber o trabalho que teria pela frente. Mas não é como se ele se queixasse totalmente. A companhia de Elena o agradava também.

Quando Stefan chegou na mansão, como esperado, Elena estava eufórica para lhe contar sobre o irmão, ou melhor, para que ele visse toda a mudança com Damon. Ela segurou-se para não lhe escrever sobre isso. Elena era ciente do quanto Stefan gostava do irmão e tinha certeza de que ele ficaria feliz. Antes ele não conseguia imaginar o porque de tanta admiração e consideração, mas agora, conhecendo o duque um pouco melhor, Elena sabia que ele era um homem muito admirável. Inteligente, de valores e princípios muito bem formados e ela ficava a cada dia mais satisfeita com sua amizade.

–Você nunca ficou tão afobada para que eu chegasse a mansão. Nem quando Damon estava lhe deixando maluca. – Stefan indaga e Elena apenas sorri, sabendo que o duque certamente ouviu o que o irmão disse.

–Você sabia que falar dos outros pelas costas é sinal de péssimas maneiras? – a voz de Damon vindo das escadas faz Stefan olhar imediatamente na direção. – Eu sabia que andar com os monarcas daquela corte iria acabar estragando você. – Damon chega ao fim das escadas com seu sorriso torto e Elena apenas observa a reação do noivo, enquanto Damon observa a interação do casal diante dele. Braços cruzados e postura esnobe, ignorando por completo, a perplexidade do irmão.

–Damon... – Stefan tenta, mas os pensamentos estão meio perturbados. – Você... Nossa!

–É. Culpe sua noiva. Ela pode ser insistente. E se mete em muitos apuros. E claro, fica doente a cada dois palmos, você poderia ter encontrado alguém mais resistente. Nunca pensei que fosse tão ruim cumprir uma promessa.

Elena ignora as provocações de Damon, por que sabe que no fundo ele só está tentando orientar novamente o irmão, que está em choque e provavelmente a ponto de chorar.

–É... Quando você... O que você...

–Longa história. – Damon fala revirando os olhos. – Ela te explica. Que tal agora você tomar café conosco? – o tom frio e seco de Damon é habitual. Ele vai na frente e Stefan olha pra Elena.

–Quando isso aconteceu? E como?

–Eu te explico depois, com calma. Temos muito a falar. Por hora vamos tentar não fazer ele se sentir mais estranho do que ele é. Ele fica arredio quando a gente olha pra ele perplexos.

–É eu sei. Você tem que me contar como isso aconteceu.

–Eu vou. Agora vamos. Ele é impaciente.

Todos na sala de jantar os assuntos não param. Primeiro a doença de Elena, ela ainda está sob cuidados, depois as novidades de Stefan sobre o corte. A conversa dura muito mais tempo do que Elena gostaria. Damon não simpatiza muito com a coroa e Stefan, bancando o advogado do diabo, ou não, tenta diminuir as fortes críticas de seu irmão ao novo rei.

–Ele é inexperiente. Tenho certeza que todos aqueles conselheiros tem amais voz do que ele. E se eles forem iguais a você, em breve o país estará falido. – Damon fala tomando um gole de vinho.

–Do que está falando Damon? – Elena tenta se firmar na conversa.

–Seu noivo sonha com ideais democráticas dentro de uma monarquia. Eu acho que não preciso dizer mais nada. Stefan é tão inquieto com o governo quanto eu sou, porém, ele não consegue dizer não. Você deve saber que isso é verdade. Certamente você já conseguiu muita coisa dele.

–Bem se fosse verdade ele nunca teria me deixado aqui com você. – ela provoca e Stefan sorri.

–Sempre há exceções. Tudo isso seria facilmente justificado.

–E como você justifica o fato de eu dizer não a minha noiva irmão?

–Nessa situação é muito simples. Você sabe que ela não estaria melhor em outro lugar.

–Claro, deixe Elena sempre perto dos livros. É a coisa certa a se fazer. – eles riem e Elena sente-se presa numa espécie de piada entre irmãos.

–Por favor, me diga que você vai ficar mais tempo dessa vez, como prometeu. – ela pede.

–Na verdade está chegando a temporada de bailes reais. E eu adoraria levá-la comigo. – os talheres de Damon fazem um som agudo contra o prato. Ele colocou força demais no corte da fruta.

–Está falando sério?

–Claro. As mulheres e homens da corte precisam saber que sou comprometido.

–Principalmente as mulheres. – diz Elena.

–Eu não acho que seja uma boa ideia. – interrompe Damon, fazendo Elena olhá-lo instantaneamente — Não enquanto o doutor não disser que você pode sair daqui. Isso ainda não foi dito. – seu tom e seco e altivo. Ela bufa.

–Não terá problema Damon. – acode Stefan -Tenho certeza que na corte Elena será tão bem assistida quanto aqui. Os médicos são competentes por lá.

–Isso não é muito certo. De qualquer forma ela está sob os cuidados de Smith agora e não acho que isso deva mudar até que ele a libere. – Damon encara Elena e ela serra os olhos pra ele.

–Ora Damon, não fale tolices, não tem como você argumentar para que eu não acompanhe Stefan nessa temporada de bailes.

–Por que você não vem conosco irmão?

–Não fale bobagens. – bufa esnoba.

–As damas estariam extasiadas novamente. – brinca Stefan.

–Não encontrei a graça nisso irmão.

–Quando nós vamos a corte? – Elena retoma o seu ponto de interesse.

–A temporada só começa daqui um mês, mas adoraria que você pudesse voltar comigo antes, eu vou regressar em uma semana. – rosto dela se ilumina num sorriso, mas Damon enrijece na cadeira.

–Uma semana? – seu tom é sombrio.

–Isso! – Stefan diz sorrindo pro irmão.

–Stefan a nevasca ainda estará forte, é uma viagem de quase dois dias, mesmo de carro. Sua noiva não pode se expor ao frio. – ele começa a argumentar.

–Eu sei, estaremos dentro de um carro. – Stefan se defende e Elena assenti, achando o argumento de Damon falho. Ele nem deveria estar se metendo com isso, na verdade.

–Deve estar de brincadeira. – Damon se remexe, assumindo uma posição que mais lembra um juiz quando vai ditar um veredito.

–Precisarei levar muita coisa, mal posso esperar. – Elena ignora sorrindo pro noivo.

–Você não vai com ele. Não agora, não assim. – ela abre a boca em descrença. Ele não pode estar falando sério.

–Não fala bobagem Damon. – ele revira os olhos.

–Senhorita Gilbert, eu serei muito franco, não tem como você sair desta mansão até que a droga da neve derreta, o que será a daqui mais ou menos quinze dias, então eu sugiro que você resigne-se.

–Ela vai comigo Damon. – o tom de Stefan está mais firme desta vez. Realmente Damon não deveria se meter nisso.

–Não Stefan ela não vai. Não passei os últimos dias cuidando da saúde dela para você vir aqui e expô-la. Você não sabe o que ela passou. – a voz dele começa a alterar-se.

–Não é da sua conta Damon. Você está exagerando. – Elena responde.

–Exagerando? Você desmaiou mais vezes do eu posso contar, você tem dificuldades em manter a comida, ontem teve uma febre. Ainda não está em condições de viajar. – a fúria cresce no olhar e voz do duque. -Você não vai!

–Você está assim tão mal? – Stefan pergunta confuso.

–Ora, você não sabe os detalhes então? – Damon ironiza.

–Eu não vi necessidade que preocupá-lo. – se irrita Elena.

–Me preocupar? Elena? – agora Stefan está indignado.

–Damon, isso não é de sua conta. – Elena perde a paciência percebendo oq eu o cunhado acabou de fazer.

–Pergunte a ele se não é. – Damon desafia.

–Damon tem razão, eu disse pra ele cuidar de você. E se ele diz que você não está em condições de sair, então não está. – o tom de Stefan é familiar para Elena. É a palavra definitiva. E pelo sorriso de Damon, é obvio que ele reconhece isso também.

–Isso é ridículo! – ela protesta.

–Stefan pode ter todos os defeitos, mas ele sabe reconhecer uma causa perdida, aprenda com ele. – Damon está radiante.

–Quero ir com você no final da semana Stefan. – Elena fala ao noivo, mas abe que será em vão, no entendo, agora é mais para não estar perto do duque. Ela ainda não acredita no que ele fez. Sua raiva está crescendo.

–Você não me disse que estava tão mal assim.

–Quero ir com você Stefan.

–Você não vai. – Stefan fala firme.

–Run! E falando em não saber dizer não... – ela fala e levanta da mesa, encarando Damon com ódio.

–Elena... Elena espera. – Stefan tenta.

–Deixa! Isso passa, você a conhece melhor do que eu. Ela é teimosa.

–Ela não me disse que estava tão mal. Nem você.

–Achei que ela havia te dito.

–Fico feliz que tenha mudado de ideia quanto a deixar o quarto e na relação com minha noiva Damon, mas vamos deixar uma coisa bem clara: Não volte a falar assim com ela. – Stefan fala e deixa a mesa.

Damon apenas o observa sair. O que tinha começado com uma conversa descontraída que não tinha a anos com o irmão se transformou numa discussão, mesmo que indireta com ele e com Elena. Pra falar verdade, Damon nem sabia justificar direito o que fez, mas já havia feito. E ele não mentiu ou exagerou. Ela realmente está doente. O exagero talvez tivesse ficado na forma nada discreta de achar ser dono dela.

O resto do dia seguiu num clima estranho. Damon não encontrou mais o irmão e cunhada a não ser nas refeições. No outro dia, porém, as coisas pareceram bem diferentes entre os dois, mas acima de tudo, Damon sentiu as coisas diferentes entre ele e Elena. Ela estava realmente irritada. E era obvio que ela já estava bem com Stefan, mas não com ele. No jantar ele resolveu tirar tudo a limpo.

–Você tem que parar de bancar a magoada comigo. Obviamente isso não vai durara, então é melhor que você não prolongue. Não sou paciente.

–Essa é sua ideia de desculpas? Se custa tanto pra você assim, acho que indiferença é um preço justo a se pagar.

–Não fiz nada demais.

–Então não tem por que incomodar-se.

Stefan só escuta a conversa e nada diz. Elena por sua vez engata várias vezes conversas com ele, deixando Damon totalmente de fora de tudo, fazendo o possível para fazê-lo se sentir descontextualizado. Depois de um tempo ele sai da mesa, sem terminar o jantar e Elena bufa.

–Damon, não faz muito o genro que se desculpa. – diz Stefan ao notar Elena suspirar.

–Talvez ele devesse praticar. – diz irônica.

–Muito obrigado! – ele diz do nada e deixa ela confusa. – Eu sei que é estranho uma vez que estou dizendo, obrigada por ficar doente e preocupar meu irmão a ponto de o fazer deixar o quarto depois de anos, mas eu realmente sei que a sua maravilhosa companhia o tentou. – ela sorri e relaxa um pouco.

–Por que nunca me contou?

–Ele ficaria irritado.

–Sabe que ele não tem sensibilidade com o sol, não é?

–Eu suspeitava, mas preferia aceitar. Foi difícil pra ele.

–Ele era tão vaidoso assim?

–Um pavão. – eles sorriem.

–Um dia você vai me contar direito tudo o que sabe?

–Bem, considerando que vocês não se matem, acho que você tem uma fonte mais bem informada sobre o assunto. Quando ele estiver pronto, é claro.

–Claro.

–Eu prefiro assim Elena. É assunto dele.

–Por isso amo você. É muito justo.

–Também te amo.

Como Damon não apareceu mais durante a noite, eles não tardaram a se deitar. De seu quarto Damon dedilhava as teclas de seu piano. Elena ouviu um som muito baixo e suave vindo da direção das escadas. Ela suspirou e resolveu subir. Hesitante, é claro. Afinal Damon lhe devia desculpas, não ela, mas ela tinha conseguido muita coisa, não ia recuar agora, e tinha a intuição de que era coisa certa a se fazer. Então pôs o seu roupão e caminhou a passos leves até a porta do quarto do duque. Bateu de leve.

–Não lembro de ter te chamado Rebekah.

–Não chamou. –ele ouve a voz dela e para o que está fazendo. – Posso entrar? – ele hesita confuso. Ela estava zangada, o que fazia ali? Ele levantou e foi até a porta a puxando devagar.

–Aconteceu alguma coisa?

–Sim. – ela diz e entra no quarto passando por ele. – Qual o seu problema?

–Do que está falando? – pergunta ele fechando a porta.

–Você só precisava pedir desculpas.

–Cansou de me ignorar e fingir estar com raiva?

–Não era fingimento e você sabe. Sabe que tinha motivos. Damon, você foi grosso.

–Ora, não me culpe por ser quem sou.

–Eu só preciso que você me peça desculpas.

–Precisa?

–Sim. Estou muito feliz com nossa amizade. Sua companhia me agrada e não quero perder por que você não consegue se desculpar. Significa muito para mim. Queria pensar que pra você é o mesmo.

–Você se super estima. Não confunda as coisas, eu apenas estava cuidando de você, como prometi. Sua simpatia nunca foi meu objetivo.

–Sério duque?

–Muito.

–Como quiser. Se você prefere assim. Fique aqui dentro outra vez. Não sinto a mínima vontade de dividir meus sorrisos com você.

–Nunca os pedi.

Ela não diz mais nada. Apenas respira fundo e encara suas mãos, um nó na sua garganta indica que logo irá chorar.

–A música era bonita. – ele diz finalmente e caminha devagar até a porta.

Damon permanece parado, suas mãos estão inquietas.

–Boa noite Duque. – tom dela atinge os ouvidos dele, mas mais perecem um faca cortando seu coração. Ele treme.

Fica parado por alguns segundos e quando toma o ar para falar com ele escuta a porta se fechar atrás de si, isso o faz virar de imediato. E a palavra que estava presa em sua garganta o sufocando e fazendo seu coração doer escapa, num murmúrio baixo e vencido.

–Desculpa.

...

A semana correu normal. Damon descia pra fazer as refeições, mas não trocava com Elena nada mais que frases de cortesia. Na véspera da partida de Stefan eles estavam na sala após o jantar. Os irmãos conversavam de maneira descontraída. Damon ficou assistindo o casal durante a semana e tentando não pensar no porque o fato de Stefan beijar Elena em sua frente o causava tanto desconforto. Ou quando ela escorregou na neve e ele quis correr até a ele e se certificar de que estava bem, mesmo seu irmão já estando por perto. Então, quando Elena foi levantar para ir até a biblioteca recolher um livro e não se sentir tão solitária em meio a uma conversa entre homens, não foi surpresa Damon se sobressaltar assim que a moça desequilibrou-se de volta pro sofá.

–Amor? – Stefan chama preocupado, observando a moça pálida ao seu lado e Damon está inclinado no sofá, pronto para pôr-se de pé ao menor sinal de necessidade.

–Eu... está tudo bem, só... Uma tontura. – ela diz levando a mão a testa, que agora Damon percebe meio suada. Ele engole e aperta com força os braços da poltrona onde está.

–Talvez seja melhor ela deitar Stefan. – ele diz ao irmão que o olha de testa franzida.

–Claro. – ele diz e toca a testa de Elena, sua palidez é nítida de uma maneira inquietante. – Você está gelada.

–Tudo bem, eu ia pegar um livro, mas estou cansada. Vou deitar, é melhor. O dia foi longo. – ela diz, voz abatida.

–Claro amor, eu levo você. – Stefan diz e a pega no colo.

–Estou bem, posso andar...

–Sh! Estou com você.

Damon apenas assiste a cena do casal deixando a sala e permanece onde está. Toma uma ou duas doses de uma bebida forte. Não gosta de beber, mas por algum motivo é o que quer fazer.

Na manhã seguinte quando Stefan desce para o café, Damon não se surpreende por Elena não estar com ele. O Jovem duque explica ao irmão que ele preferiu não acordá-la, mas fez questão de se despedir como deveria na noite passada. E renovando os pedidos ao irmão ele se despede logo após o café. E novamente só Damon, Elena e os empregados estão na casa.

Damon não a vê ou houve o resto do dia, mas está ciente que Sage e Rebekah estão a servindo no quarto, certamente seja melhor ela ficar lá, se está indispostas, ele pensa. O dia se arrasta e sua vontade de ir até ela é quase incontrolável, mas ele se detém. Ela precisa de descanso. E ele não está certo de que seria uma boa ideia.

Voltando para o seu quarto, ele hesita na porta do dela. O esforço será tremendo, ele repete para si mesmo. É por meu irmão, ele mente contra seus verdadeiros pensamentos. Preciso vê-la! Saber como está.

Suspira e chega a porta, bate de leve, um som que mesmo acordada Elena não ouviria, mas ela ouve e o convida a entrar. Damon suspira a abre a porta. Ela está sentada na cama, escrevendo algo num caderno.Imediatamente o fecha ao ver o duque, e arruma sua postura na cama.

–Aconteceu alguma coisa? – ela pergunta sem o encarar.

–Só querendo saber como se sente.

–Estou bem, só cansada. Nem se preocupe. Sage e Rebekah cuidam bem de mim. Seu irmão não terá do que se queixar.

–Bom, no momento estou mais preocupado com suas queixas.

–Não entendi.

–Eu vim me desculpar pelo outro dia, sei que é bem tardio, mas eu... Bem, me desculpe.

–sabe o que dizem... Antes tarde do que nunca. Está tudo bem. É só isso?

–Creio que sim.

–Então se não se importar, estou cansada.

–Não me importo. Boa noite senhorita Gilbert.

–Boa noite Duque.

Droga! Mil vezes droga! – é o que Damon pensa ao deixar o quarto.

Eles continuam se vendo, fazendo as refeições durante o dia, dividindo o espaço da biblioteca, mas sempre lidando com um vocabulário curto e formal. Nada além de boas maneiras.

Numa tarde Elena entra na biblioteca e Damon apenas a observa.O silêncio entre os dois o inquieta a dias e então ele resolve mudar isso.

–Desistiu de aprender piano?

–Não, eu só não me sinto disposta, no momento.

–Entendo.

–Teve notícias de meu irmão?

–Ele chegou bem na corte. Está ansioso para que eu vá.

–Tenho certeza que sim. – ela responde sem o olhar, encarando as páginas do livro que lê. Damon se permite observar as feições daquela mulher. Elena é realmente muito linda. – Você está animada, não?

–Sim, de fato. Adoro bailes.

–Percebo.

–Você poderia ir comigo. Stefan ficaria contente.

–Você só pode estar de brincadeira.

–Na verdade não estou.

–Não me interessa senhorita.

–Bem, é um pena. Sendo tão jovem, talvez alguma dama da corte lhe interessasse.

–Não procuro esse tipo de coisa pra mim.

–Deveria.

–Não acho.

–O que quer dizer?

–Nada demais. Você é jovem. Deveria casar, ter filhos, assim como em breve seu irmão fará, comigo.

–Estou bem assim, obrigado.

–Bem, eu acho que seria muito bom pra você. Depois que eu e Stefan formos morar em outro lugar, você ficará sozinho de novo. Rebekah em breve irá casar também. É jovem, bonita. Só lhe restará Sage e seu marido, nem mesmo Kol pode ficar aqui para sempre.

–Você ficou faladeira do nada, para me incumbir de arrumar uma esposa? – Elena apenas dá de ombros.

–Tenho certeza de que meu irmão irá morar aqui.

–Bem, eu certamente não irei. E considerando que Stefan tem problemas em dizer não.

–Ele já te disse não.

–Exceções. Mas elas não passam disso, certo?

–O que quer dizer Elena?

–Redescobriu meu nome? – Damon fecha os olhos impaciente. – Vou dormir, está tarde.

Mal a moça se levanta e começa a andar e sente mãos firmes a puxando, seus olhos pulam e um pequeno grito escapa de sua garganta.

–Fiz uma pergunta. – ela apenas consegue encarar o par de olhos azuis que queimam diante dela.

–Está me machucando. – ela diz assim que possível e ele afrouxa o aperto contra seu braço.

Eles se encaram por mais uns segundos. Olhos nos olhos, um duelo silencioso onde nenhum quer ceder, mas é um momento de devaneio que Elena é pega de surpresa, o olhar a atinge num lugar fundo, a faz desviar brevemente seu olhar pros lábios do duque e então o mundo parece sacudir um pouco e as coisas ao redor giram levemente, tornando tudo instável.

–Elena... – Damon chama voltando a apertar o braço da moça. – O que foi?

–Eu... – sua voz vacila, o chão está se movendo. – Não consigo...

–O que? Não consegue o que? – ele agarra os ombros dela dessa vez, e sacode devagar, o olhar de Elena está perdido, atordoado.

–Está tudo... Girando... – é a última coisa que ela fala antes de desmaiar. Damon vai ao chão acompanhando seu movimento.

–Elena! Elena?!

Nenhuma resposta.

Elena não acorda até o médico a examinar. Esperando no corredor Damon tentar não invadir o quarto. Tudo está demorando e dessa vez ele está muito preocupado.

–Smith. O que ela tem? – o médico mal consegue passar pela porta e já é atalhado pelo duque.

–Ela está com uma infecção nos pulmões Duque, isso explica as febres que vem sentindo, a fraqueza e desmaios.

–Como ela está?

–Eu a mediquei, dei alguns antibióticos. Mas ela não deve sair da cama. Pelo menos não pelos próximos dias. E agora com toda certeza nenhum tipo de brisa fria. Tem que ficar aquecida e longe o máximo que puder de qualquer exposição. Não podemos deixar que evolua para uma tuberculose. – o nome faz os olhos de Damon arregalarem. – Eu deixei todas as recomendações sobre alimentação com sua governanta. Se ela piorar você me chama. Por agora só basta ministrar bem a medicação e acho que ficará tudo certo.

O médico vai embora deixando o duque sem chão. Agora mais do que nunca Elena precisava se cuidar. Ele iria garantir isso. Por ela, pelo irmão. Por ele mesmo. Ela ficará bem! – ele repete para si mesmo, em um tom silencioso quase que desesperado. Ele não pode perdê-la e não vai.

Notas finais
desculpem os erros eu não revisei, dediquei o tempo que tinha pra revisar e terminar os caps da maratona de minha outra fic... xeru. vou tentar postar as mais esperadas amanhã. farei o possível.