Vivo Por Ela

18 Me Traga Para A Vida


Notas iniciais
Hoje o capítulo é pequeno, mas a emoção... Deixo com vocês! Boa leitura!!!

Eu não faço ideia do que aconteceu esta noite, mas no caminho pra casa, chego a conclusão de que eu não quero saber. Eu avalio as possibilidade, ela me viu com Andie e toda a sua indignação veio à tona, seu ciúme, talvez... Não me importa! Ela me cobrou coisas que outrora rejeitou, me olhou com ódio, por não fazer ideia do que eu sou ou não capaz de fazer. Ela não compreende o que é alguém amar outra pessoa. Como poderia? Ela é noiva de um homem enquanto sente-se traída por outro. Não faz ideia do que é o amor.

Quando entro em casa, Andie me espera aflita na sala e vem até mim, com olhos assustados.

–Ela me viu? Ela... – ela hesita me deixando passar, eu caminho até os sofás e sento-me — O que aconteceu? Você está pálido e... – eu a encaro e ela senta-se diante de mim, com expressão indignada — Você chorou? –sinto meu sangue ferver – Oh meu Deus, Damon! O que aconteceu?

–Eu não faço ideia. – suspiro exasperado, afundando no sofá. – Ela estava fora de controle, me disse coisas... – ela parece não estar entendendo nada, mas presta atenção em cada palavra. – Havia raiva nas palavras dela, no tom. Era até mais que isso, era ódio.

–Ódio? – assinto e ela suspira. – Mas o que a deixaria com ódio? – apenas silencio, porque de verdade eu não quero pensar mais em tudo isso. – Posso fazer algo? – nego.

–Eu não sei se ela lhe viu, então perdoe-me. Mas se eu conheço bem Elena, ela teria mencionado. Não é como se ela gostasse muito de sua existência na terra.

–Eu sei. Sempre senti uma certa hostilidade vinda dela, na corte, mas nunca poderia imaginar que... – ela hesita e me encara confusa – Porque ela é assim comigo?

–É uma longa história. Uma que não quero comentar. Por hora, você só precisa saber que e senhorita Gilbert é propensa a abraçar causas perdidas e correr em defesa daqueles que ela acha desamparados e injustiçados. – ela sorri.

–Uma boa samaritana.

–Exatamente.

–Seu tipo ideal.

–Não nos damos muito bem.

–Bem, assustei-me de qualquer forma. – ela suspira — Porque você está assim, com estes olhos vermelhos? – pigarreio.

–Forcei um pouco a vista da direção e... Bem, eu não tenho o costume de dirigir à noite. Na verdade foi a primeira vez em anos que o fiz. – ela me olha especulativa.

–Como nossa leitura foi interrompida e toda esta adrenalina me deixou exausta, vou me deitar. Ficará bem? – confirmo e ela sorri docemente e se vai.

Eu me entrego às almofadas do sofá e tento por meus pensamentos em uma única linha de raciocínio: me afastar ainda mais de Elena.

Depois de alguns dias, em meio a leituras, conversas e outros interesses que Andie me inspirava, fui tragado a uma nova dinâmica entre nós. Uma que aparentemente era terrível, mas que eu, de certa forma, me sentia bem em meio a ela. Essa dinâmica se intensificou quando, numa noite, após retornar de um baile na corte, pelo aniversário de seu noivo, ela apareceu a calada da alta noite, me chamando a atenção por tentar entrar despercebida pela sala. Minha a voz a fez sobressaltar-se num susto.

–Nossa! Sou apenas eu, junto ao fogo da lareira.

–Pensei que estaria dormindo quando eu voltasse. – o tom de sua voz hama minha atenção, eu reconhecia muitas coisas em Andie,, uma delas, era o tom de sua voz quando acabara de chorara desesperadamente

–Me perdi na leitura. – digo, largando o livro no criado mudo ao meu lado e indo ao seu encontro. – O que tem? – ela desvia de minha direção, praticamente correndo até as escadas.

–Nada, boa noite, duque. – eu apresso meus pessoa até alcançá-la e seguro seu braço com firmeza. – Ah! – ela grita fazendo-me larga-la.

–Deus! – me afasto erguendo as mãos, quando a vejo esfregar a região, trêmula e desnorteada, escorregando até os degraus onde senta-se já em prantos. – Andie? – eu chamo e ouço seus soluços. – O que aconteceu? – ela não responde, apenas abraça-se e esconde o rosto entre os joelhos.

Me abaixo indo ao seu encontro, hesito em tocá-la, mas ao final o faço, de leve, encostando minha mão direita em seu ombro, o que a faz pular novamente.

–Cristo, você está assustada. Olhe pra mim. – ela nega com a cabeça. –Me olhe! – ela pula novamente com meu grito, e tremendo mais que antes, aos poucos me encara. E é minha vez de sentar nos degraus da escada. Sua face está completamente marcada. – Mas o que... – o rosto angelical que encarei mais cedo, de saída para o baile estava completamente desfigurado.

–Aaron. – ela ofega, caindo em lágrimas novamente, baixando seu olhar.

–Ele bateu em você? – minha voz soa em meus ouvidos em um misto de fúria e incredulidade, mas extremamente baixa.

–Ele perdeu a razão. Está completamente paranoico e hoje esteve pior, durante todo o baile. – ela retoma um choro desesperado — Me expondo, com gafes e insinuações, descaro... E no fim... – ela não completa, mas não precisa. O som abafado de sua voz, escondida novamente entre seus joelhos me faz tremer de revolta.

Eu procuro seu olhar, levando minha mão até sua face, erguendo-a para mim.

–Conte-me o que houve. Não tem que passar por isso sozinha. Não está sozinha. Eu estou aqui. – ela engole me encarando – Estou aqui e não vou te deixar sozinha – ela hesita, mas depois, joga-se em meus braços, caindo em prantos ainda mais desesperados, se agarrando a mim. Tão frágil e a mercê das circunstâncias. E eu só consigo pensar em protegê-la. – Vou leva-la para cima. Venha. – ergo-a já em meus braços e a levo para seus aposentos.

Não conseguiria descrever os últimos dias com outra palavra a não ser tristes. Andie ficou tão traumatizada. Em todos os anos que convivemos nunca a vi assim. O que só aumentava meu ódio e inquietude. Fora o fato dela estar tão assustada que nem sequer queria regressar à corte. Mesmo depois de seus ferimentos estarem recuperados. Seu interior todavia, seguia quebrado e eu temo muito que nunca possa voltar a ser como antes. Ela não me contou muitos detalhes daquela noite, e o pouco que pode falar já me deixou queimando por dentro. Só que as coisas estavam saindo de meu controle, ela não comia direito, e estava definhando, eu não podia deixar.

Numa manhã, tive uma conversa franca com ela. Fui duro e enérgico, mas ela precisava da tal intervenção.

–Eu irei com você. – ela arregala os olhos quando eu proponho que ela aceite o convite para a festa dos 29 anos do rei William. – Você disse que me contaria mais sobre seu envolvimento com aquele calhorda assim que eu fosse à corte e notasse algo por mim mesmo.

–Damon, você tem suas razões para não ir. E nestes últimos dias tem abrido mão de muitas coisas por mim tem me dado apoio, mas não posso pedir mais nada, e depois de tudo, temo mais que q qualquer coisa envolve-lo em meio a tudo isto.

–Você a festa. Eu irei com você. Ele nunca mais vai tocá-la. Eu vou assegurar isso, e também, estarei ao seu lado para ajuda-la seja lá no que for que você esteja metida, porque me preocupo com você, e com meu irmão, quero os dois seguros e bem, sempre.

–Eu nunca vou poder agradecer tudo o que tem me feito. Cuidando de mim, Mantendo-me segura dentro dos muros de sua casa. E não posso...

–Vamos fazer isso juntos. Passei muitos anos sozinho, preso a medos e frustrações. Não desejo isso a ninguém, muito menos a você. Confio em você, quase cegamente. E por você e por quem amo, vou estar ao eu lado, todo o tempo. – ela suspira – Você vai? – ela abre e fecha a boca, e no fim baixa o olhar concordando.

–Nós vamos. – me diz olhando quase com uma súplica.

–Então vamos.

Como ainda tínhamos uma semana para data, quando Stefan veio me ver novamente, anunciei que iria. Aceitando o convite que ele havia me endereçado dias atrás. Não preciso descrever como ele estava radiante. Certamente Elena não dissera nada do que aconteceu.

–Eu não acredito que irá, de verdade.

–Já estava na hora. Todos já sabem que regressei. Não vejo melhor ocasião que no aniversário do rei. – ele sorri.

–Tem companhia? – seria uma pergunta idiota, se tal coisa praticamente não fosse um pré-requisito em bailes da corte.

–Não chegarei sozinho. — limitei-me a dizer e ele ficou um tanto curioso, mas assentiu.

..................

–O que você está fazendo aí no canto do quarto, como uma conspiradora? – ela sorri, fechando o caderno onde escrevia algo.

–Tem um diário? – ela nega e vem até mim, me indicando o sofá diante de sua cama par que sentemos.

–A rainha pediu-me um favor, meses atrás, quando falou sobre a festa. – ela explica – Confesso que, depois do que houve, eu não tinha a menor intenção de cumprir o que lhe prometi, mas mudei de opinião.

–Enigmática. – ela sorri, e eu a acompanho. Andie suspira e segura minha mão. – Nunca vou poder lhe agradecer o que fez por mim nas últimas semanas.

–Eu também tenho uma dívida com você, não esqueço disso. – ela me olha confusa.

–Dívida?

–Você me fez ver que eu não era tudo o que me faziam crer. – digo sorrindo ela revira os olhos.

–Ah, Damon, não recomece.

–Mas estou falando sério. Sua rejeição me fez amadurecer, em muitos aspectos, Estou lhe devendo.

–Pelo o que seu irmão falou, também lhe transformou numa pessoa amargurada. – bufo.

–Stefan exagera. – ela sorri como se me reprovasse, beijo sua mão e a deixo. – Não quero lhe atrapalhar mais, você estava aprontando algo. – ela sorri.

–Algo muito bom.

–Agora estou com mais medo. A espero no jantar.

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O grande dia chegou.

–A senhorita já está vindo, duque. – Jenna me avisa das escadas. Segundos depois, vejo Andie descer até mim, com um riso acanhado, eu a recebo segundo os melhores costumes burgueses.

–Pensei que nunca mais fosse vestir algo assim. – falo sinalizando para minha roupa, ela sorri.

–Lhe caem muito bem. Como quase tudo.

–Você começou a flertar cedo, madame. – sorrimos – Pronta? – ela firma.

–E você? Pronto para enfrentar os leões após estes anos?

–Você esqueceu quem era o rei de todos eles? – ela revira os olhos.

–Você sempre é esnobe quando está nervoso.

–E você é muito má educada reparando nisso. Vamos logo de uma vez.

O nosso carro para diante da entrada do palácio, eu respiro fundo antes de descer e oferecer o braço a condessa, me concentrando apenas em olhar para ela, e ignorar os demais olhares sobres nós.

Há muitas faces conhecidas, outras novas, mas os assuntos são os mesmos. Caminhamos ganhando o salão. Eu não quero me concentrar em mais nada, para manter minha frieza e cortesia ensaiada. Andie a todo tempo me olha, e sei que está rindo de mim por dentro. Eu quero gritar, mas vou segurar meus instintos.

Meia hora depois de chegarmos, conseguimos alcançar o grupo de pessoas de nosso círculo, eu tinha esquecido como tudo isso é exaustivo. Ou melhor, eu não me dava conta antes. Lá está meu irmão, sua noiva, o noivo de minha acompanhante e mais um par de conselheiros.

Eu notei que até colocar meu olhar sobre ela, não senti falta de Elena nos últimos dias. Agora há um vazio crescendo dentro de mim, me sinto carregado, e vacilante.

Ela está linda e descontraída. Caminhamos até ele, e sinto que estou quase arrastando Andie comigo. A encaro sem entender, e levo uns segundos para formar o entendimento sobre sua hesitação.

–Estarei com você. – digo e ela assenti, me seguindo até lá.

–Duque de Valeford, eu não acreditaria se não estivesse vendo. – Lord Aaron me cumprimenta, com toda sua máscara de aristocrata.

–Conde. – aceno – A donzela precisava de companhia. – falo, olhand para Andie.

–Certamente. Obrigado por acompanhar minha noiva até a festa. Ela é umas das estrelas da noite. – encaro Andie confuso e ela apenas me solta um riso nervoso.

–Oh! – digo, e Andie vai para o seu lado, cumprindo bem seu dever de noiva.

–Duque, meu senhor. Elena. Senhores – ela diz, cumprimentando à todos. O que me lembra que tenho que fazer o mesmo. Meu olhar vai até Elena, mas ela não está me olhando.

–Senhores. Senhorita. – digo estendendo a mão e ela oferece a sua para que eu beije. O toque me arrepia. Como está linda.

–Estávamos para fazer uma aposta sobre sua vinda. Se eu tivesse aceitado, teria causado a falência de Lord Aaron. – diz Stefan, trazendo à tona os já conhecidos risos forçados da corte.

Depois de mais algumas conversas vazias, e de encontrar com o rei, me vi dividido durante a noite entre olhar Elena e meu irmão e zelar por Andie com seu noivo. A festa estava como eu esperava. Como meu pai costumava dizer, com toda a pompa e circunstância esperada. Eu me abstive da bebida, tentando manter-me focado.

Ver Elena dançar com meu irmão, vê-los bem juntos, se divertindo, esfregando na cara de toda corte seu amor. Bem estampando-o em minha cara seria melhor para definir. Era cansativo e... Sinceramente machucava demais. Mas eu conseguia me desprender, quando tentava focar em Andie e seu violento noivo. Houve uma surpresa no meio da noite.

–Gostaria de agradecer à todos pela presença. E dizer-lhes que, ao meu pedido, uma de nossas mais conhecidas fontes de prazer, decidiu presentear meu marido, o rei, com uma apresentação. Acredito que todo na corte sentem saudades de ouvi-la. Com vocês, meus senhoras e senhoras... A Condessa de Madsi.

Ouço aplausos calorosos e sei que estou sorrindo largamente. Andie canta maravilhosamente. E há anos que não tive o prazer de lhe ouvir.

–Obrigada. Bem, receio estar... Bem, faz algum tempo que não faço nada igual. Mas recentemente tive uma nova inspiração. – ela diz olhando diretamente pra mim e me deixando curioso. – mais aplausos e então tudo silencia, e sua voz começa a ecoar pelo salão, acompanhada dos instrumentos.

Como pode você ver dentro dos meus olhos, como se fossem portas abertas?

Levando-o até meu interior

Onde eu me tornei tão entorpecida?

[...]

Congelada por dentro sem o seu toque

Sem o seu amor, querido

Só você é a vida entre os mortos

[...]

Solto o ar de meus pulmões... Como ela canta divinamente. Sou invadido por uma emoção sem igual. E nem noto quando começo a me aproximar de onde ela está. Seus olhos estão no meu. E a emoção e entrega de sua voz parece aumentar. Sendo seguida por mais alguns cantores, que formam um coro com sua voz.

Acorde meu interior

Acorde meu interior

Chame meu nome e salve-me da escuridão

[...]

Traga-me para a vida

Oh meu Deus! Isso foi divino. Eu não paro de sorri e de aplaudi-la. E eu sei, que aquela canção foi para mim, mas eu a escutei de uma maneira... Era como se ela saísse de meu coração, como se eu estivesse cantando para outra pessoa, mas nunca seria como Andie a cantou para mim.

Notas finais
A música que Andie canta, na verdade é um trecho de Bring me to life - Evanescence. Só que eu coloquei como se ela tivesse escrito, e claro, quero que vocês imaginem que a interpretação dela na festa é a mesma que a deste vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=kYN_KrHkll0