Vivo Por Ela
13 Eu não sei!
Notas iniciais
Os lábios frios e trêmulos dela, foram capazes de me presentear com o beijo mais cálido e intenso que já tive a chance de dar em alguém. Mas tudo foi tirado de mim muito rápido, e por ela mesma. A agitação de suas mãos contra meu peito aumentou e segundos depois, eu estava distante de sua face, seus olhos arregalados.
–Você... Está maluco?! -é um grito. — Como ousa? — ela rosna em indignação- Por quem me toma? — seu olhar está oscilando entre firme e trêmulo. E eu mal sei o que dizer.
–Me perdoe. — falo enquanto recuo um passo.
–Porque fez isso? — ouço seu tom exigente, enquanto tento organizar meus pensamentos.
–Eu não sei. — a encaro e sou o mais sincero possível, eu acho.
–Não sabe? — seu tom aumenta. — Acaba de beijar-me!
–Percebi. — respondo.
–Não seja insolente comigo agora.
–Desculpe.
–Nem passivo. — reclama.
–Por Deus! O que quer que eu diga? — ela é irritante e não ajuda.- Eu não sei porque a beijei. Eu só...Fiz!
–Só fez? — pregunta com ironia. — Ótimo! -me dá as costas e busca o cavalo.
–O que pensa que está fazendo?- fico a observando montar no cavalo.
–O que você acha? Estou me pondo o mais distante possível de você.
–Não faça isso. — avanço ficando na frente do animal.
–Saia de minha frente, duque.
–Vamos terminar esta conversa.
–Não estou interessada. Está frio, vai escurecer e o senhor mesmo disse que não sabe o que dizer.
–Você me fez uma pergunta, Elena.- digo agarrando as rédeas do cavalo.
–E você escolheu respondê-la com um beijo que nem sabe justificar.
–O qual você correspondeu. — ela arfa.
–Eu não...- hesita.
–Sabe que sim. — desvia seu olhar do meu. — Vamos conversar. — depois de segundos intermináveis ela me encara.
–Certo. Mas na mansão.Onde está quente e de onde não deveríamos ter saído. Você está doente. — ela termina agitando o cavalo contra mim e eu solto as rédeas para que ela siga de volta a mansão. Seguindo-a logo depois.
.....
Na biblioteca, quando voltamos, ela senta em uma das poltronas, com uma feição irritada, desconfortável e não me encara. Suspiro. Não sei bem o que dizer.
–Respondendo a sua pergunta. O que eu estava tentando dizer... — tenho que interromper, por uma pequena crise de tosse. Malditos pulmões! -Perdão.- pigarreio e continuo. — Apenas quis dizer que minha decisão de não ir corte, naquela ocasião, foi o fato de não ter sua atenção só para mim e que, aqui, na mansão, mesmo que você não queira, ela é só minha.
–Isso não explica o que você...
–Não terminei. -aviso e a vejo, novamente desviar o olhar do meu, suas pernas sacodem como as de uma criança contrariada. — Sim, sua atenção me importa, sua ausência me adoeceu e tudo isso me dão pista de que algo dentro de mim cresceu, com respeito a você.- ela me olha agora, olhos confusos, e engole. — Muito mais do que deveria, ou do que eu pudesse imaginar. E... -paro,mais tosse.- Argh!- reclamo, mas continuo. Ela está atenta a cada palavra dita. — Para lhe ser bem franco senhorita, mesmo já tendo-a ofendido com o beijo que lhe roubei, receio está a ponto de uma nova ofensa, não sei, mas... Eu não sou bom com palavras. Sou mais objetivo.- respiro fundo. — Apaixonei-me por você. — os olhos dela arregalam mais e ela se põe de pé.
–Como?- ofega.
–O que ouviu. — falo ainda sentado, não é como se eu pudesse mover-me muito agora.
–Está caçoando de mim? — eu bufo.
–Pareço estar usando de jogos com você? Acho que já me conhece o bastante. Não faço o tipo que conversa sobre o que sente, a menos... -paro.
–A menos que o quê? -pergunta cruzando os braços.
–A menos que esteja me deixando doente.
–Então realmente me culpa por sua doença. — ela birra, mas está esquivando do assunto e isso me irrita.
–Eu estou culpando meus sentimentos. — aumento o tom de voz e ela para-Que me são angustiantes, errados e até libertinos, como você viu. Culpo meu desejo. — levanto indo em sua direção, ela recua um passo — Culpo meu irmão,por ter deixado você aqui comigo e culpo você sim, por ser você e me fazer sentir isso outra vez. Esse nó na garganta,esse calor no peito,esse medo de perder. Você é culpada sim, senhorita Gilbert. Culpada,- suspiro — porme fazer sentir amor outra vez.-paro bem perto dele, seus braços permanecem cruzados, sua postura trêmula, mas firme. Lágrimas molham sua face e sua boca abre levemente. Meu coração palpita tão forte que acho que posso ouvi-lo. É um caminho sem volta.
No silêncio que agora reina na biblioteca, estamos apenas nós dois, meu medo, minha angústia. Fale algo!
–Você está errado. — ela diz e sai do local, me dando as costas tão rápido que mal tive chance de assimilar o que falou. É com o som da batida da porta que eu cedo ao chão.
–Meu Deus!
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O caminho da biblioteca para o meu quarto foi turvo e mais longo que o normal. Mas no fim, eu estava segura atrás da porta trancada do cômodo.
Cada palavras, cada olhar estavam indo e vindo, formando um rio de tormenta e confusão.
Paixão? Amor?
Como? Quando? Porquê?
Nada fazia sentido... Os lábios dele nos meus daquele jeito.
Ele só pode estar maluco... O calor de suas mãos fortes em minha nuca.
Não podemos fazer isso com Stefan... Ele me ama. Damon me ama!
Sucumba na cama e deixo as lágrimas tomarem conta de mim.
O que está havendo comigo?
Estou com raiva porque ele me beijou ou porque eu o interrompi?
A angústia é por saber de seus sentimentos, que o próprio considera errados, são reais ou pelo fato dele pensar assim sobre o que sente por mim?
Eu gostei de ouvir?
Stefan!
Não! Não. É errado!
Tento acalmar as batidas de meu coração. Minha garganta queima, meus lábios estão secos.
Damon beijou-me! Ama-me!
E o que eu sinto?
–Eu não sei. — respondo minha própria pergunta em voz alta. E é como que minha voz me trouxesse de volta da tormenta que minha mente infligia. Tanta confusão. Tanta perguntas.- Eu simplesmente não sei.
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