Vivo Por Ela

16 A metade - primeira parte


Notas iniciais
Como uma fênix, que ressurge das cinzas, aqui estou eu. Day, minha linda. Este é pelo seu aniversário, que foi ontem, mas só tive tempo de revisar hoje. Meninas que conhecem e acompanham a estória devem agradecer a Day, por seu amor e insistência a mesma e toda a pressão que foi feita para que eu postasse. Mas faço isso de todo o coração, e também aviso que aproveitando minhas férias vou tentar finalizar pelo menos uma de minhas estórias inacabadas aqui no nyah. Eu nunca desisto de nenhuma. Desfrutem do capítulo, que dividi em duas partes porque está enorme e só tive tempo de revisar uma parte do que corrigi ontem. Feliz aniversário Day! Juntas sempre seremos delenas maníacas. Te adoro!!! Boa leitura meninas!!!

Me perdi no espaço e tempo enquanto desfrutava dos beijos de Damon... Foi este pensamento que me fez sobressaltar-se, e jogá-lo pra longe de mim.

–Você perdeu totalmente a razão! — grito incrédula, com o corpo em chamas, embora tremendo como nunca antes. Ele me encara assustado, da ponta da cama, minha respiração está ofegante, eu salto da cama.

–Elena...- ele tenta, vindo em minha direção, dou um passo para trás.

–Fica longe. Mantenha-se assim, Duque. — ele me olha confuso. — Você quer permanecer aqui, ótimo! Quer morrer? Ótimo!!! Voltarei para corte amanhã mesmo. E você pode ficar aqui. Depois disso, prefiro que fique. Que fique longe de mim e de seu irmão. É a Stefan que amo, entendeu? Stefan! E isso não mudará.

Ele ouve tudo quieto, eu dou-lhe as costas e saio do quarto. Todo o caminho até minha cama foi percorrido sem sentir. Meus olhos queimam, e estou aos prantos. Há uma confusão e angústia tão grandes dentro de mim. Nunca me senti tão perdida, sozinha. Eu o odeio pelo o que fez, por me beijar daquela forma, sinto que traí Stefan, e, sinto que queria beijá-lo.

Não consigo falar com mais ninguém. Dispenso Sage, quando bate à minha porta, sequer me troco antes de dormir, e adormeço em prantos, medos e dúvidas.

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Eu faria qualquer coisa para que ela pudesse ficar ao meu lado, para continuar sentindo seu cheiro, seu gosto, sua pele. Como eu a desejo... Passei grande parte da minha vida desejando e sendo desejado. Quando finalmente senti algo mais profundo, pensei que era paixão, e por consequência, amor. Foi assim com Andie. Mas nunca foi antes como é com Elena.

Ainda consigo sentir sua pele contra minha, sua respiração hesitante, os gemidos e gestos de resistência. É perturbador. Principalmente quando olho pra minha cama e a vejo vazia agora, fico imaginando como estava minutos atrás e isso não melhora a sensação de perda.

É a Stefan que amo, entendeu? Stefan! E isso não mudará”

Suas palavras martelam em minha mente, entorpecendo meus sentidos, fazendo-me perder as noções de espaço e tempo. Ela me tira o controle de uma maneira que nunca me permiti, por nenhuma mulher. Eu deveria ter permanecido em meu quarto, em minha solidão, mas a deixei entrar, ela se esforçou pra isso. E mesmo agora, quando ela me repele, apenas a quero mais e mais. Que seja minha, para que eu seja só dela. Ela abriu a porta de meu coração, o fez ser um lugar melhor, quando eu não acreditava ser mais possível, renovou sentimentos que eu outrora achei nunca mais ser capaz de sentir, eu acredito no amor. Em meu amor por ela. Tão profundo e enraizado que pode se tornar letal. Mas que eu não posso mais resistir.

Quando me permito acordar, eu desço pelo corredor estreito da passagem secreta. Um mau hábito que nunca conseguirei perder, principalmente quando ela se afasta. Ela esta deitada em sua cama, dormindo, esforço-me para ouvir sua respiração, mas parece tão exausta e paralisada em seu sono, que isso é impossível. Eu realmente não posso, nem quero ir à corte. Dentre muitas razões, fora a que já citei, eu odeio as pessoas de lá agora. A futilidade, a falsidade, toda a política... Custo a crer que meu irmão encontre algo em comum com tal lugar, mas ao que parece Stefan se identifica muito bem com todo o clima da corte. Principalmente com a política.

Suspiro voltando a minha cama. Ela realmente é capaz de ir embora amanhã... Por mais que eu queira prendê-la comigo, não tenho o direito. Devo deixa-la partir, considerar que esta é uma batalha perdida, por hora. Elena é teimosa, tanto quanto eu. Se relutei esses meses para reconhecer o que sentia, imagino que ela possa até chegar a relutar mais, pois tem a meu irmão, e Stefan a ama, eu não tinha ninguém, e agora sinto que só ela me restará.

Com estes pensamentos eu adormeço, meio cansado, meio vencido, meio doente, meio inteiro, é uma sensação cada vez mais crescente em mim, se ela não está. Meio. Sou apenas metade do que posso ser.

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Na manhã seguinte, quando acordo, eu não faço ideia de que horas são, e sinceramente, não me interessa. Eu me arrasto até a janela, sentindo enfim, depois de todo o sentimento torpe que Elena me proporcionou ontem, o real preço de meu esforço em nossa briga de ontem. É como ter voltado de uma guerra. Sento-me próximo à janela e sinto o vento frio bater em meu rosto. Não sei quanto tempo fico assim até ouvir o já esperado som das batidas da porta.

–Entre Rebekah!

–Boa tarde, senhor! – eu viro-me assim que ouço sua saudação.

–Que horas são? – ela sorri e coloca uma bandeja com chá na mesinha a pouco mais de um metro de mim.

–Um pouco mais de uma da tarde. –eu me volto até a mesa, sentando-me e encarando a xícara fumegante de chá. – Minha tia sugeriu que lhe trouxesse o chá, para ajudar a aquecer seu corpo, e também para que possa descer para o almoço.

A encaro incrédulo, não há a menor possibilidade de eu sair deste quarto. Ela está arrumando minha cama, e quando se volta para mim novamente, sorri ao encontrar meu olhar no dela.

–O senhor tem visita. Devo dizer que há duas pessoas bem pacientes na biblioteca agora, conversando por horas, o esperando despertar. – ela sabe que tais comentários me deixaram intrigado, mas não quero saber a quem se refere. Ela suspira antes de continuar, perdendo um pouco do ar de riso.- A senhorita Gilbert não quis comer até que o senhor despertasse, então adiamos o almoço até que eu notasse alguma comoção no quarto.

Sinto meu coração paralisar por um ou dois segundos, quando solto a respiração, recorro à xícara de chá. Pensei que a estas horas Elena já estaria à caminho da corte. Eu não sinto a temperatura do líquido que desce por minha garganta, ou mesmo seu sabor, ela tem este efeito em mim, não há como evitar. Eu apenas assinto a tudo que Rebekah fala depois, não prestando muita atenção. Então ela ficou.

–Devo dizer que o senhor não vai descer? –a pergunta dela me trás de volta de minhas reflexões.

–Não! – é uma resposta tão afobada que ela recua a postura, surpresa. –Ah... Diga-lhe que me dê só mais alguns minutos. – ela assente já caminhando para a porta. – E Rebekah, com quem ela está? – a moça me encara um tanto séria e responde convicta e firme.

–Com o doutor Smith. – sinto um frio subir por minha espinha.

–Na biblioteca, você disse? – ela assente novamente.

–Por toda manhã. – assinto intrigado e a permito sair.

Ela ficou para falar com o médico e ainda insistir sobre a viagem, claro. Não sei ao certo por que sorrio com a conclusão, pois não vou voltar atrás. Tomo o restante do chá, sentindo enfim o calor que ele causa por todo o caminho que faz em meu corpo. Gemo. Quase me deixa febril outra vez. Ponho o roupão, e acrescento o sobretudo, não me importando em vestir algo mais apresentável. Eu não quero falar mais sobre a ida à corte, mas certamente quero vê-la. Com este sentimento eu desço as escadas até as do grande hall da mansão e caminho até a biblioteca.

Sons começam a invadir minha mente, mas um em especial, um que reconheceria à distância. O som da risada dela. Hesito um pouco em frente a porta, e como os risos não sessam, eu abro-a de vez assistindo à cena. Os dois param o riso de imediato, mas minha entrada os congela, congelando a assim a postura de ambos, onde o gentil e ousado doutor tem as mãos de Elena presas às dele. Posso sentir meu corpo tremer. Ele se põe de pé e vem até mim.

–Duque de Valeford. – cumprimenta cortes, estendendo sua mão.

–Dr. Smith. – retribuo o cumprimento agarrando firme sua mão e encarando Elena, que foge de meu olhar com as faces coradas enquanto encara as próprias mãos.

–Estivemos a sua espera. – ele diz, voltando-se para Elena, risonho.

–Por toda manhã, ao que soube. – falo forçando um riso e o acompanhando de volta as poltronas do lugar. – A que devo tamanho desprendimento de tempo? Dos dois, aliás. – friso encarando-a, mas ela não está olhando pra mim. O gentil doutor assume o mesmo lugar onde estava e eu sento diante dos dois.

–Acredito que saiba o assunto. A senhorita Gilbert pode ser bem persuasiva. – ele fala sorrindo para ela, com um certo tom de deboche. Ela devolve o sorriso.

–Certamente. – digo no meu mais enfático tom de sarcasmo, e isso a faz me encarar enfim. Ela engole, o seu olhar tremula. Afundo os dedos no braço da poltrona abaixo de minhas mãos. Essa reação me basta por hora, e eu retomo meu foco com o doutor. – Mesmo assim necessito de um certo esclarecimento, não vejo o porque de uma manhã perdida para um assunto que já temos solução.

–Como eu acabei de frisar, o assunto não parece solucionado à ela. – ele volta a encará-la. – Vim a seu pedido, tentar mais uma vez dissuadi-lo. – solto um som tão sarcástico que não tem como ambos não me encararem.

–Pelo tanto que devem estar me esperando, sugiro que deixemos a conversa para depois da refeição, vocês parecem famintos. – eu friso a última palavra, migrando meu olhar ao do doutor e depois ao dela. Dele tenho uma resposta envergonhada, dela, recebo um olhar de reprimenda. Ergo-me e caminho para fora do local, sentindo meu corpo ferver, enquanto ouço o homem oferecer-lhe o braço e eles caminharem as minhas costas lado a lado.

Toda refeição é aborrecedoramente silenciosa. Quando terminamos, nos encaminhamos até a sala, eles sentam novamente, um ao lado do outro, eu fico de espectador do belo par diante de mim. Depois de segundos inquietantes de silêncio, ele começa.

–Duque, o senhor é o herdeiro da mansão Valeford, estou certo. – estranho sua pergunta, me inquietando um pouco no sofá.

–Sim, a mansão e os títulos pertencem a mim, estou curioso para saber no que isto lhe interessa. – ele sorri.

–Stefan detém os direitos ao título por alguma espécie de testamento, eu suponho. – enrijeço. Meu irmão não tem direito a título ou mesmo à mansão. Não diante do que determinou nosso pai em testamento.

–O duque me substitui em algumas posições diplomáticas, ele tem uma...

–Uma procuração. Estou ciente. – ele completa sorrindo. – Caso o senhor morra, acredito que seu irmão herde de forma direta seus títulos e posição. – percebo seu ponto, assim que menciona o palavra morte, olho para Elena incrédulo, mas ela não está me encarando, posso jurar até que a vejo tremer.

–Por determinação de meu pai, com minha morte, o título passará para minha esposa, caso não esteja casado, o rei em exercício decidirá sobre todas as posses e títulos. Certamente os fará ser de propriedade real, a muito são interessados nas terras deste vale. Em conclusão, Stefan não herdará nada, ao não ser o que eu determine em testamento, uma lista bem limitada, que meu pai foi meticuloso em escrever.

–Basicamente, com sua morte, seu irmão está desamparado?

–Totalmente. Ao menos de boa parte do que deveria lhe servir de direito.

–Interessante.

–Onde quer chegar, doutor? – pergunto sentindo um ódio correr por minhas veias.

–Não se ofenda, apenas estava me valendo de alguns benefícios em ser fico do administrador de seu pai. Estou a par de todo o processo. Recentemente confidenciei alguns pontos à senhorita Gilbert, ela estava curiosa, e como eu disse pode ser bastante persuasiva. – sinto o ar deixar de vez meus pulmões e sala girara à minha volta.

–Estou curioso para saber os motivos da senhorita. Não consigo supor mais nada, além do fato de estar preocupada com a posição que seu noivo assumirá após minha morte. Preocupação esta que acredito ser muito oportuna e de seu interesse. – estou queimando, a encarando com tanta fúria que chega a doer.

–Na verdade... – ele começa, mas eu interrompo.

–Quero ela responda. – minha voz sai baixa, soa sombria pra mim, o que me deixa satisfeito.

–Não me ofenda, duque. – ela responde ainda com o olhar longe do meu. – Supor que minha curiosidade nesta questão é de interesse financeiro é ultrajante. – seu olhar enfim encontra o meu.

–É o mais esperado. Não entendo que outro interesse teria. – ela abre a boca, mas a interrompo – Seu noivo estará bem assistido após minha morte, eu já cuidei disso com meu tabelião. Estou ciente de que todos nesta sala, inclusive ele, sabem de meu estado de saúde, e desde que eu me vi cada dia mais debilitado tomei minhas providências. Stefan é meu irmão, eu não o desampararia.

–Ninguém está sugerindo isso. – Elijah acode.

–Não entendi então, caro doutor Smith, os motivos de tão desagradável conversa.

–Acreditamos, senhor duque, que tais privações serão de menos importância para seu irmão. E a questão é que estamos curiosos em saber o porque de ter se preocupado em resolvê-las de maneira justa com seu tabelião, se com a mais importante ainda transmite total relutância.

–Você está rodeando Elijah. – Elena bufa no sofá.

–Damon, sou seu amigo à anos, e me inquieta profundamente que você tenha resolvido todas as questões financeiras de seu irmão com o evento de sua morte e se recuse a mudar o quadro. Você reverte o testamento de seu pai, mas não quer reverter seu quadro de saúde? Acredito que Stefan estará mais feliz com o irmão ao seu lado, do que com os títulos da casa de Valeford. – entendo enfim toda a questão, e solto um riso de deboche.

–Que intervenção patética! – rosno, fazendo ambos me encararem surpresos. – Meu irmão à muito já resignou-se com minha posição. Ele estava fora do país, não pretendia voltar à propriedade, o fez por uma convocação real, estava praticamente esperando o dia em que uma correspondência chegasse até ele avisando de minha morte. Não me digam que não sei o que meu irmão sente ou possa sentir. Stefan está refazendo sua vida e em nenhum momento ele baseou isso em minha existência na terra. Ele tem uma noiva, um cargo de respeito na corte, não precisa de mim ou da fortuna de meu pai. Ele lutou por isso, pode sobreviver sem mim e já me mostrou muito bem como. – olho para ela para frisar meu ponto. – Ele tem uma razão para isso. – termino ofegante.

Ambos parecem suavizar, envergonhados. Elena fica de pé e afasta-se e Elijah é consumido pelo silêncio do local.

–Aprecio sua paciência ao longo destes anos Elijah, mas você sabe bem o que penso sobre tudo isso. A senhorita Gilbert talvez ainda tenha muitas conversas a tratar com meu irmão, para poder entender nossa dinâmica de relacionamento, e eu não posso exigir o mesmo do senhor. Mas posso voltar a frisar que de minha vida cuido eu. Não importa quais os motivos que regem esta conversa e intervenção, eles são inconsistentes, mal fundamentados, pelos dois. Não vou à corte. Por muitas razões que não posso mencionar e outras que tento esquecer a cada segundo que respiro. O ambiente pode fazer bem ao meu físico, eu não descarto isso, mas sei que não fará bem ao meu espírito e isso me basta para declinar até minha morte, se assim for.

Ele pigarreia, buscando o olhar dela, tanto quanto eu, mas ela está de costas pros dois.

–Receio que tenha perdido uma manhã mais produtiva. – falo olhando-o e ele me encara acenando em negação.

–Sou seu amigo.

–Estou ciente disto. – ele se põe de pé e estende a mão para mim.

–Devo deixa-los. Acredito que não tenhamos mais sobre o que tratar. Continue tomando a medicação que lhe receitei, por favor. – assinto e ele se volta para Elena. –Senhorita Gilbert. – chama, mas ela não se volta apenas responde de costas.

–Senhor Smith. Foi uma manhã estimulante. – Elijah se volta pra mim e acena com a cabeça antes de deixar o lugar.

O silêncio domina o cômodo. Depois de minutos infinitos eu me ponho de pé, e ela está imóvel. Eu não falo nada, não quero falar nada. Estou me sentindo indignado com a conversa e em como ela ainda se equivoca com respeito à mim. Sem mais demora levanto e caminho de volta ao meu quarto sem olhar para trás. Eu não quero vê-la.

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Quando Elijah se vai, as chamas queimando a lenha na lareira e nossas respirações parecem ser os únicos sons em toda casa. Meu corpo inteiro treme, eu mantenho minha postura firme, e de costas pra ele até que ouço seus passos se afastarem a uma distância segura, então meu corpo desaba no chão e eu estou em lágrimas. Não sei ao certo se de frustração ou revolta, porque ele continua sendo uma pessoa irritante, impetuosa e cheia rancores e equivocações. Tenho ganas de gritar e ao mesmo tempo de correr até ele e lhe dizer como está errado, mais uma vez.

Como pode pensar que seu irmão esperava o dia de sua morte? E eu? Como pode insinuar que meu interesse no tema era pura especulação financeira? Conhecendo-o, chego a pensar que seu intuito era me atingir como uma espécie de defesa a nossa intervenção, escolhendo atacar-me. Mas estando a cada dia mais segura de que o conheço mais do que ele mesmo admite, suspeito que em parte, seu coração fechado e cheio de mágoas pode chegar a crer de verdade em tudo o que falou, e isso me faz tremer. Não sei quanto tempo fico sentindo o chão aquecido pela lareira, mas ao fim de minhas lágrimas, me ergo e caminho até meu quarto. Ao bater a porta eu levo um susto tremendo ao encarar o homem diante de minha janela, olhando a escura noite que se aproxima.

–Você foi longe demais hoje. – ele começa. Eu caminho hesitante até a minha cama, quero manter a distância dele, mas também preciso de amparo, minhas pernas estão tremendo demais.

–Você também. – minha voz sai chorosa, patética, e isso óbvio o faz me olhar, um olhar marejado, vibrante, cheio de sentimentos.

–Não consigo enumerar o turbilhão de sentimentos que transpassaram minh ‘Alma esta tarde. Foram perturbadores. Sua voz está baixa, ele se aproxima mais e me encolho na cama, praticamente fugindo até junto às almofadas, abraçando meus joelhos. –Não tenha medo de mim. – ele pede com a voz um tanto embargada.

–Acredite-me duque, no momento, tenho mais medo de mim do que qualquer outra coisa. – ele me olha confuso, engolindo. – Realmente acredita em tudo o que contou à Elijah na sala, ou só o fez para.... para...

–Para? – ele encoraja.

–Para me ferir? – ele baixa o olhar e deixa uma lágrima escapar, depois cede até a poltrona diante de minha cama e suspira.

–Sei que meu irmão me ama, sei que ele sofreu quando eu praticamente o fiz deixar este lugar, mas sei também que ele seguiu em frente. Então foram meias verdades. Quanto a você, eu não estava pensando direito. Eu não faço isso muito bem quando o assunto é você. Se insinuei aquilo foi para lhe ferir sim, eu não nego. A amo Elena, sei que não enraíza aquelas ambições dentro de si. É um dos motivos para amá-la tanto.

–Mesmo assim...

–Mesmo assim fui rude, e cruel. Não estava pensando direito. – ele quase desespera-se ao refrisar isso.

–No que estava pensando? – pergunto sentindo um tom mais forte e revigorado pela fúria que sua confissão me causou.

–Na mão dele junto à sua. – ele responde com um sorriso amargo. – Nas risadas, na ideia dele ao seu lado toda manhã, – seu tom se eleva – talvez assim você entenda um pouco como fujo da razão quando estou diante de situações parecidas.

–Vai renovar os motivos de não ir à corte? Poupe-me disto, duque. Sabe que os considero insuficientes.

–Você, eu não. – como nossas vozes estão altas ele suspira, soltando o ar, e parece ainda mais doente do que nunca antes. – Não quero voltar a discutir com você. Sinto que já não tenho mais forças. Eu subi aborrecido, indignado, mas tive tempo pra repensar, e vir até aqui, e não encontra-la e esperar por você. – meus olhos estão nos deles, as lágrimas ainda jorram nos meus, e os dele permanecem vibrantes e marejados, com um leve tom vermelho. – Meu irmão encontrou um motivo para seguir em frente, sem angustias. E por mais que eu relutasse eu também reencontrei uma razão pra viver. O problema é que você é o motivo dele e minha razão. E quando penso que não posso deixar de sofrer sem causar sofrimento ao meu irmão isso me parte a alma. Não sou indiferente ao que você ou ele sentem um pelo outro, mas não consigo evitar de desejar você só pra mim.

–Eu o amo. – solto ofegante e tremendo.

–Eu sei. E eu te amo. — ele sorri de lado, levemente, um traço de sua corriqueira arrogância, que tanto me irrita e apaixona.

–Eu sei. – ele me olha, quase que assustado.

–Então sabe porque não posso ir.- engole.

–Mas você sabe porque não posso deixar que fique? – pergunto quase soluçando. Ele desvia de meu olhar e deixa outra lágrima escapar.

–Você me ama. Não da forma que eu quero, mas me ama. – apenas assinto.

–Então, por favor. – minha voz vacila, e um choro cresce dentro de mim. – Eu... não posso deixa-lo aqui. Me cortaria ao meio.

Ao meio, como uma faca entrando no meu mar de percepção, essa ideia ilumina todo um lado escuro que tomava meu coração. Ele é metade de mim.

–Elena... eu...

–Por favor. Damon! Eu deveria ir. Deveria ter ido embora no momento seguinte que deixei seu quarto ontem, mas eu não pude. Dentre muitas razões eu não pude me imaginar longe de você sem que isso me corte.

–Você está pedindo algo muito caro. – ele fala com voz tremula.

–O que você pede é mais. Pede que o deixe aqui pra morrer. Eu lhe peço que tente suportar tudo para que viva. Pelo Stefan, por você, e por mim também. – ele cruza os braços e solta o ar de seus pulmões, seu queixo treme. – Por favor... – os soluços e espasmos se apoderam de mim. – Damon?

–Está bem. – ele diz, soltando os braços. – está bem, apenas pare de chorar. — Fala e não me encara. Meu coração vacila a batida, e um tremor toma todo meu corpo pra depois me paralisar.

–Você... vo... – não consigo formular frases.

–Mandarei um telegrama à Stefan, saímos depois de amanhã, quando eu resolver algumas questões aqui. – ele diz de forma mais firme e levanta de uma só vez caminhando até a porta, não me dando chance de reação.

Um sopro eufórico me escapa, ele aceitou ir à corte. Graças a Deus!

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No dia seguinte eu não o vejo, contra todas as recomendações de Elijah ele esteve saindo, resolvendo assuntos na cidade e na propriedade. Eu não estava disposta a reclamar de nada. Sage me ajudava a fazer sua mala e a minha, tudo estava pronto no final do dia devíamos partir logo ao amanhecer. Rebekah não parecia nada contente em nos ajudar, mas Sage sabia a manter em rédeas curtas.

Quando desperto na manhã seguinte, Sage está ansiosa e animada ao me ajudar a vestir-me. Está mais que comunicativa, e quando acaba, me direciona a saída do quarto, me instruindo a encontrar o duque para o café da manhã. Quando chego à sala de jantar, Damon já me aguarda, está silencioso, muito quieto mesmo, e isso de certa forma me causa tristeza, uma tristeza que anula toda a empolgação que estava sentindo.

Terminamos com nossa refeição, e ele dá as últimas instruções sobre tudo na casa, enquanto me despeço de Sage, Kol, Finn e Rebekah, em seguida, ele faz o mesmo, depositando um beijo na testa da moça, que praticamente vai ao chão com seu ato.

–Eu volto. –ele diz a encarando fundo, e ela sorri corando.

Ele caminha até mim, e então estende a mão para me dar apoio e subo no carro, que logo dá partida. Será uma viagem longa, e ao que parece, bem silenciosa.

Depois de alguns minutos de viagem, ele chama minha atenção.

–Não pretendo parar em nenhuma estalagem, embora planeje uma pausa no caminho quero chegar o mais depressa possível. – minha boca abre, é uma viagem de um dia e meio.

–Tudo bem, acredito que dará tudo certo. – ele assenti e se volta pra a janela no automóvel. O silêncio volta a reinar, os sons da estrada, a tarde chegando... Nós paramos para uma refeição, mas o silêncio nunca nos deixa.

Retomamos a viagem, e a noite não demora a cair, eu peço uma segunda parada e ele não se opõe, não nos demoramos muito, ele não quis comer, nem eu. É quando a noite começa a ficar alta que sua voz invade minha mente, forte e grave.

–Está com frio? – eu o olho, e ele está me encarando com um olhar profundo e tão azul quanto um oceano sob a luz da lua. Apenas consigo acenar positivamente, em afirmação. Ele move-se para mais perto de mim, afastando-se de sua janela e chegando mais próximo de onde estou, encostada à minha.

–Damon, o que você...

–Apenas quero que fique aquecida. – ele me interrompe, abraçando-me ternamente, me trazendo para mais junto de seu peito. Eu solto o ar de meus pulmões e tento relaxar, mas é impossível, porque sinto sua face vindo em direção a minha. Paraliso ao sentir sua testa encostar em minha face.

–Por favor... – suplico quase sem voz. – O que está fazendo? Ele respira em minha face, sem nada responder, me fazendo tremular. E então eu o sinto vibrar, e tudo fica tão quente, quente de verdade. Ele está com febre. Sobressalto-me com a descoberta. Ele me prende, levando seu outro braço até minha cintura e me segurando firme lá.

–Não tenha medo de mim, só quero manter você aquecida. – ele fala baixo, com voz aveludada.

–Você está com febre. – digo tremula, por mais que eu queira, não me sinto segura.

–Eu adoro seu perfume. – ele diz.

–Não acho que depois de todo um dia presa neste carro eu esteja...

–Me refiro ao seu perfume, de seu cabelo, — ele arrasta seu nariz por alguns fios de minha nuca – de sua pele. – fala ao pé de meu ouvido e meus olhos arregalam na direção do motorista, mesmo havendo um painel dividindo onde estamos de onde ele está, não consigo não inquietar-me.

–Ele pode nos ouvir. –ofego apavorada, Damon esfrega meu braço, e afrouxa minha cintura, me dando um certo espaço para me afastar e o encarar. – Não faça isso.

–O que estou fazendo? – ele me pergunta, ainda preso a mim.

–Você está com febre, sente-se bem? – ele afirma positivamente e sorri de maneira conspiratória. – O que?

–Não acredito que esteja quente por doença, Elena. Algumas febres são mais difíceis de conter. Como as que sinto quando fico assim tão próximo a você, em um pequeno espaço, por tanto tempo. – engulo, sinto meu corpo inteiro tremer e ele mantém um sorriso na face, desta vez mais esnobe, quase convencido. – Não vou fazer nada que você não queira. – me sobressalto o afastando.

–Eu não quero nada.

–Achei que estivesse com frio. – ele sorri novamente, suas mãos agora prendem minha cintura e braço, eu me contorço em volta de seu toque. – Porque tem tanto medo de mim?

–Não tenho medo de você. – respondo o encarado um tanto irritada e ele sorri.

–Verdade, você me disse que tem mais medo de você. Eu não entendi no momento, mas agora faz todo o sentido.

– O que quer dizer? – ele me solta, se afastando enfim, e me deixando respirar com certo alívio.

–Tem medo de não resistir ao que sente por mim. – eu bufo.

–Você vai retomar a mania de dizer o que sinto? Não combinamos não fazermos isso um com o outro? Cada um sabe o que sente e o outro não está autorizado a supor nem concluir coisas a respeito. – ouço seu riso abafado.

–Sim, como quiser. – ele volta a encarar sua janela, embora esteja mais próximo a mim que a ela. Me acomodo melhor no banco do carro, que de repente, passou a ficar extremamente desconfortável. – Pode deixar se quiser, usar meu colo como travesseiro. – ele sugere, com voz distante e sem me encarar.

–Estou bem, obrigada!

Mais silêncio nos atinge, e a noite vai ficando mais fria, encarando a estrada escura e o céu tortuoso por nuvens, aos poucos minha mente entorpece e eu me perco, despertando sobressaltada em seus braços. Ele está ao meu redor, me amparando, seus braços em volta de mim, fortes e protetores, eu praticamente deitei sobre ele. Sua cabeça está tombada para trás no banco, e sua boca levemente aberta. Me esforço para não acordá-lo e tento mover-me sentindo uma pequena dor no braço esquerdo. Damon desperta meio sobressaltado também, me encarando confuso.

–Tudo bem? – eu afirmo enquanto ele me solta e posso me apoiar melhor, meu pescoço dói um pouco também, esfrega as mãos e fecha uma fresta da sua janela que ainda estava aberta. A noite ainda está alta. Ele bate no painel do carro que começa a descer devagar. – Como está Haward?

–Tudo bem senhor, parece vir uma tempestade à frente, mas estou firme. Gerard está dormindo agora para me substituir mais tarde.

–Tudo bem.

–Senhor. – o vidro volta a subir e Damon fecha as pequenas cortinas, e é como se estivéssemos em um quarto, só nós dois. Entendo o que ele me disse mais cedo, sobre estar em um lugar pequeno ao meu lado, por tanto tempo, eu sinto igual. Nunca fiquei assim antes, é incomodo.

–Devemos chegar amanhã perto da hora do almoço. – ele fala de repente.

–Certo.

Mais uns segundos de silêncio, e quando estou quase adormecendo outra vez ou o som de sua tosse, ele geme ao final.

–Tudo bem? – ele afirma que sim, mas continua tossindo. – Damon!?

–Fiquei muito tempo exposto ao frio quando adormeci com a janela meio aberta, mas está tudo bem. – eu o ignoro e toco sua testa, está fervendo.

–Sua febre não baixou, pelo contrário. – resmungo. — Tenho certeza que Sage deixou seus remédios em minha bolsa. – começo a buscar na pequena maleta que peguei, sinto seu olhar em mim. – Aqui. – digo estendendo as capsulas para ele. – Um antitérmico.

–À seco? – ele desafia risonho e eu o encaro.

–Não provoque. – ele sorri e joga duas na garganta, me devolvendo o frasco depois. – Tenho certeza que Stefan preparou um belo aposento para você na corte, com tudo o que você mais gosta. Ele falava disso sempre. – puxo uma conversa mais amena.

–Não ficarei na corte. – diz de maneira natural e eu o encaro incrédula.

–O quê?

–Eu tenho casa na capital. Pretendo voltar para esta propriedade, não para os aposentos que o rei me designar na corte.

–Eu não sabia.

–Ou o que? Teria ficado lá ao invés de com meu irmão?

–Exatamente. – falo quase que eufórica e ele me encara sorrindo. É inevitável não sorri também.

–Bem, você é convidada a ir lá sempre que o ambiente for sufocante demais. – sorrio e me sinto relaxar.

–Stefan não se oporia.

–Tenho certeza de que não.

–Ele confia em você como meu guardião. – jogo a afirmação e ele me encara, entendendo a intenção. Engole e desvia o olhar perdendo o ar risonho.

–Não darei motivos para ele voltar atrás nisso. – estremeço.

–Assim espero.

–Fique tranquila. – ele diz me encarando, e sinto mágoa em seu olhar.

–Damon...

–É melhor você voltar a dormir. – diz secamente sem me encarar.

...........................

Quando eu acordo, o dia já está claro, Damon está ao meu lado, mas em uma distância considerável. Por alguma razão me sinto desconfortável, desarrumada, envergonhada e inquieta.

–Bom dia! – falo sem jeito, evitando seu olhar e tentando por ordem em meus cabelos. Sinto uma pontada, meu corpo inteiro dói, e minha nuca reclama. Das outras vezes sempre paramos para dormir, mas desta vez a viagem cobrou seu real preço.

–Não vamos demorar tanto. Será questão de poucas horas agora. – ele fala muito sério.

–Como você está?

–O remédio que você me deu fez efeito rápido.

–Que bom.

–Quer parar em algum lugar? –ele oferece.

–É possível?- ele me olha enfim.

–Se quiser.

–Eu quero. – ele assenti e bate no vidro a nossa frente, que desce imediatamente.

–Gerard, uma parada.

–Sim, senhor duque.

Poucos metros depois o carro para, numa rua com alguns estabelecimentos, sinto todo meu corpo encolhido, precisando se expandir.

–Vou esperar você aqui. Haward vai acompanha-la. – ele diz com seu tom magoado, e eu entendendo que ainda tem a ver com que disse ontem. Não quero provocar mais, então apenas assinto e desço. Caminho até um hotel, e falando com o rapaz na recepção, faço tudo o que necessito, antes de deixar a estalação e caminhar de volta ao carro. Não sem antes encarregar Haward a nos trazer um bom café da manhã.

Quando volto ao carro, ele está lendo, bem concentrado.

–Haward foi comprar alguma comida. – digo ao sentar.

–Não tenho fome.

–Bem, você vai comer. – sinto finalmente seu olhar sobre mim outra vez e o encontro desafiador. – Não jantamos ontem. E tanto quanto seu irmão confia em você para cuidar de mim, confia em mim para cuidar de você. – ele bufa rindo com sarcasmo, o ignoro.

–Como quiser, senhorita Gilbert.

–Não provoque, duque.

–Não estou.

–Dá para mudar um pouco o humor no resto da viagem? É meio complicado manter uma boa digestão na estrada, não quero piorar aproveitamento de minha refeição, com este clima tenso e agressivo.

–Agressivo? – está incrédulo.

–Agressivo sim. – ele bufa e se vira para mim.

–Ora, pode me dizer porquê? – abro e fecho a boca algumas vezes.

–Você sabe a que me refiro. – ele nega.

–Não, não sei.

–Já pedi para não provocar. – rosno.

– E eu já disse que não estou. – bufo, é inútil.

Quando a refeição chega, demoramos pouco a comer, não estou com o menor apetite. As últimas horas são infinitas, mas enfim vejo os muros do palácio, e logo Stefan a nossa espera. Como esperado, Damon não desce do carro, se despede do irmão ainda às porta do mesmo, e se vai. Eu me aconchego nos braços de meu noivo, enquanto vejo a carruagem se afastar.

–Você fez uma boa viagem?

–Na medida do possível. Seu irmão é péssima companhia, ainda mais não querendo estar aqui. – ele sorri e beija minha testa, me guiando para dentro.

–Você fez um bom trabalho o convencendo.

–Estou exausta. – ele gargalha.

–Venha. Vamos entrar. Tenho muito a lhe contar.

Eu queria relutar mais com Damon, não posso negar que estou extremamente curiosa para saber quem irá cuidar dele neste tempo aqui na corte. Duvido que alguém o faça com mais determinação que eu e isso me incomoda, porque ele é ruim em seguir regras, mas insiste em manter as suas. Ele arrumou um jeito de vir aqui e ainda sim não ter que se expor as coisas que o incomodam. Foi uma boa solução, eu não posso negar. Ele me parece instável para estar diante de mim e seu irmão. Toda àquela aproximação no carro, e como me segurava a si, sem dúvida é a melhor opção.

–Elena? – Stefan me encara curioso. – Você está ouvindo – diz risonho. E me dou conta de que já estou em minha habitação, nem ao menos sei como cheguei aqui.

–Desculpe, estou cansada. Só quero banhar-me e dormir.

–Sim, eu briguei um pouco com meu irmão. Deve ter sido uma viagem puxada, mas você o conhece. Mesmo tentando dissuadi-lo do contrário...

–Sim, eu sei.- ele sorri e vem até mim, me dando um beijo casto.

–Você está suada. Vou deixar você descansar, vejo-a no jantar talvez, se já estiver acordada. – assinto e ele sai.

“Eu adoro seu perfume”

“Me refiro ao seu perfume, de seu cabelo, de sua pele”

As palavras me causam arrepios. Eu não posso fazer isso, e não vou. Amo Stefan e ele me ama, e embora eu ame Damon, nunca será como ele quer. Ele mesmo disse, ele sabe e eu sei. Isso basta por hora.

Notas finais
Amanhã, mais ou menos no mesmo horário eu posto a segunda parte. E vou retomar as demais fanfics ainda por estes dias. Minhas férias duram até 24 deste mês e até lá vou buscar horários para revisar os textos e postar. Vou me organizar meninas. Beijos!