Vivo

3 Capítulo III


Notas iniciais
Hey, people!!! Feliz Natal pra vocês!!! Só consegui postar hoje e não na sexta-feira como pretendia... Obrigada a todos que estão acompanhando!! Até semana que vem!!

Capítulo III

Papai está ouvindo... vamos fazer barulho... saiba que estamos aqui...

“Ela está aqui mesmo!”, Shiryu constatou com alegria. Depois de ter ouvido a voz dela pela primeira vez, ele alternou consciência e vazio, clareza e névoa, e já não sabia bem se tinha sido real. Nesses momentos de consciência só ouviu os bipes das máquinas do hospital ou vozes estranhas que ele não compreendia bem, o que estava reforçando sua ideia de delírio. Mas agora ouvia Shunrei de novo, mais claramente que antes, como se a conexão estivesse melhorando.

“Vai ver anoiteceu e eles foram dormir em algum lugar...”, ele pensou. “Agora já deve ser dia outra vez e eles voltaram. Mas onde será que eu estou?”, perguntou-se, preocupando-se com a mulher e o filho. Queria saber se estavam bem instalados, afinal Shoryu ainda era um bebê. Ouviu a risadinha dele e lembrou como isso iluminava seu dia. Chegava da lavoura cansado, mas era sempre recebido com um sorriso amoroso da esposa e as risadinhas de contentamento do filho.

Tinha o soldo que recebia da Fundação, podia sustentar a família com ele, mas a agricultura era sua paixão, expurgava seus pecados trabalhando duro na terra. Começou a cultivar produtos orgânicos e se orgulhava de produzir comida de qualidade para sua família. O excedente da produção era vendido e a renda guardada numa poupança para investir nos estudos de Shoryu.

“Valeu a pena o esforço”, pensou, sentindo-se feliz. Pelo que se lembrava da visão que teve do futuro, Shoryu se tornaria um bom homem, estudaria, teria uma esposa adorável e os dois lhe dariam netos.

Ele ouviu a voz de Shunrei outra vez.

Eu sei... me ouve... te amo muito... felizes... nosso filho... questão de tempo.

“Eu também te amo, Shunrei”, ele queria responder. Queria tanto abraçá-la e beijá-la. Queria dizer que também amava o filho e continuaria lutando para ele crescer e ter aquele futuro maravilhoso.

“Talvez se eu desejar com muita força...”, Shiryu pensou, e procurou concentrar-se, buscando dentro de si uma força que ele sabia que possuía, só precisava reencontrar. Então ele começou a sentir um calor, como se o líquido que o envolvia estivesse esquentando rapidamente e tornando-se menos viscoso. Encontrou forças nas profundezas da sua mente e tentou mover-se, mas parecia que seu corpo pesava toneladas. Mesmo assim ele continuou tentando e sentiu como se uma das mãos tivesse tocado algo no fundo do líquido. E ele quis agarrar isso com força. Ele precisava segurar! Era sua chance de sair e ele não ia desperdiçá-la!

Continua...