Viver a vida
19 Emily
Notas iniciais
Enfim a verdade
“Três coisas não podem ser escondidas por muito tempo: o sol, a lua e a verdade.” Buda
Ficamos no Alasca, por mais quatro dias e depois da primeira noite, sentia como se Aaron quisesse falar algo, mas sempre que eu perguntava se estava tudo bem ou se ele queria conversar, ele apenas dizia que não era nada. Quando finalmente fechamos o caso, voltamos para casa, chegamos em DC por volta das dez e fomos logo para casa, fizemos todo o trajeto em silêncio e por mais que eu estivesse curiosa em saber o que ele conversou com Morgan enquanto achava que estava dormindo, eu não perguntei.
Chegamos em casa e senhora Parker, ainda estava acordada na sala de estar tricotando, ela nos desejou boa noite e foi para casa. Logo após ela sair, imediatamente fiz o caminho para o quarto das crianças, pois devido à dificuldade de comunicação não falava com eles há dois dias. Primeiro quarto que entrei foi o dos gêmeos, que se encontravam dormindo, me aproximei deles e dei um beijo de boa noite em cada um, depois fui para o quarto de Alex, que estava deitado na cama com o notebook no colo e com fones de ouvidos, ao perceber minha entrada no quarto ele imediatamente retirou os fones do ouvido “Espero que não esteja fazendo nada de ilegal garoto” ele sorriu “Mãe, meu nome é Alexander e não Ariane” ele brincou “O que você está fazendo?” “Assistindo filme e antes que a senhora pergunte, não tenho prova para amanhã, o filme já está quase acabando e está classificado de acordo com minha faixa etária” eu me aproximei sorrindo “Esse é meu garoto” e deu um beijo em sua bochecha “Mãe, já estou meio grande para isso não?” eu ri “Garoto, não importa a idade que vocês tenham, sempre serão meus bebês e sempre terão beijo de boa noite” ele riu. “Boa noite mãe” “Boa noite honey”. No quarto de Anne, eu a encontrei em sua escrivaninha digitando furiosamente, “O que esse notebook fez para você mocinha?” disse me sentando em sua cama, a observando se virar de sua cadeira “A professora de literatura passou um relatório para fazer em dupla, mas Andrew que gentilmente tinha proposto a fazê-lo para que eu pudesse me concentrar na prova de matemática, se esqueceu disso e foi jogar futebol. Então a professora ficou uma fera conosco, e nos fez escrever um novo relatório, além de uma redação de cinco páginas, sobre a responsabilidade, e claro tudo isso para amanhã” ela disse zangada. “Nossa” eu disse em tom de compaixão, “Tudo bem, já terminei o relatório e já estou na sexta pagina da redação” “Bom, então espero não ser chamada por sua irresponsabilidade e muito menos pelas palavras contidas nesta redação” “A culpa é dele mãe, eu já quebrei o galho para ele antes e ele fez o mesmo para mim” ergui a sobrancelha para ela “Uma mão lava a outra. E o que faz a senhora pensar que eu escreveria algo de ruim na redação?” ela sorriu docemente “Porque eu conheço você Ariane Elisabeth Hotchner e você realmente honra seu segundo nome, quando o assunto é palavras” ela sorriu “Vovó diz que é um dom” o dom da política, completo mentalmente “Então use seu dom para não difamar ninguém, e nada de duplo sentido nesta redação ouviu?” ela fez que sim com a cabeça. “E termine isso logo e vá direto para a cama” “Sim senhora capitão” ela disse, quando me aproximei dela para dar um beijo em sua testa, ela disse “Podemos manter isso apenas entre nós duas? Digo é uma falta grave, não vai acontecer de novo e papai já se preocupa com tanta coisa, não precisa se preocupar com isso né?” Essa é minha menina, e as vezes isso me dá medo. “Ok, mas só dessa vez” ela sorriu e me abraçou “Te amo mamãe” “Também te amo sweet”.
Desci a procura de Aaron, ele estava na sala, com um copo de whisky em mãos. Sorri ao vê-lo assim, definitivamente eu também precisava de uma bebida, mas não algo tão forte como whisky, pelo menos não hoje. Estava indo em direção a cozinho quando ele diz “O vinho acabou” eu suspirei, sentei ao seu lado no sofá, ele me ofereceu seu copo e eu tomei um gole, “Se você quiser eu busco uma dose para você” fiz que não com a cabeça, ficamos ali por mais um tempo e ele refez a pergunta “Você está querendo me embebedar Aaron?” Ele sorriu “Não, embora não seria ruim” Dei um leve tapa em seu braço, e ele riu “O que? Não tente nem negar, você fica mais relaxada quando está embriagada” “Entre outras coisas” eu completei “Eu gosto do entre outras coisas” ele disse e eu lhe lancei um olhar repreendedor, ele tomou o ultimo gole de sua bebida, e com as mãos em minha cintura me guiou ao seu colo, fiquei lá sentada o encarando, enquanto ele fazia o mesmo comigo. “Você é tão bonita” ele disse e eu ergui a sobrancelha para ele “Só uma dose e você já está bêbado Aaron?” ele riu, fazendo com que suas covinhas aparecessem ah como amo essas covinhas, “É preciso bem mais que um copo de whisky para me deixar bêbado meu amor, você sabe disso. E não preciso estar bêbado para dizer a minha esposa o quanto ela é bonita” rolei os olhos, enquanto ele passava a mão pelo meu rosto, mesmo em um momento tão íntimo, posso ver uma certa escuridão em seu olhar, não é luxuria, seria medo, culpa talvez? “Não perfilar em casa Em” ele disse, me lembrando nossa antiga regra, lhe lancei um olhar culpado e ele disse “Podemos fazer coisas mais divertidas em casa” ele disse acariciando minhas costas, “Tipo o que?” eu murmurei em seu ouvido, “Podemos ir lá pra cima e eu te mostro” ele diz, “Você ainda está de castigo Aaron” ela bufou e me encarou “Serio Em? Assim você acaba com o clima Emily” sorrio maliciosamente para ele “Você sabe o que tem que fazer para sair do castigo” e me levantei de seu colo, e ele apenas ficou ali me encarando com uma cara de frustração, antes de subir as escadas, me virei e disse a ele “Aconselho você a tomar um banho antes de ir pro quarto de hospedes. Um banho frio” e me virei, ouvi ele bufar e dizer “Você é cruel Emily” não posso mentir ao dizer que realmente um sorriso um tanto maléfico se formou em meu rosto.
No dia seguinte, estava em minha sala na academia, quando ouço uma batida, digo o habitual “Entre” e não me deixo de me surpreender quando vejo Aaron ali, com uma sacola. Achei que ele estaria com raiva de mim, já que hoje quando desci para o café da manhã havia um bilhete dizendo que ele tinha ido malhar e me encontrava mais tarde. “Almoço?” ele perguntou, “Acho que vem bem a calhar” eu disse. Acabamos por comer na minha sala mesmo, após terminarmos de comer estávamos nós dois sentados no meu pequeno sofá e ele fez uma nova pergunta “Você está muito ocupada?” ergui a sobrancelha “No que você está pensando Hotchner?” mas ao contrário do que pensei, ele não sorriu, nem mesmo um meio sorriso, isso me fez franzir o cenho “Alguma coisa errada?” ele me olhou fixamente “Você pode sair agora?” olhei entre ele e minha mesa "Collins não está com muita pressa para aqueles arquivos mesmo".
Aaron estava dirigindo há alguns minutos, quando finalmente estacionamos. Estamos em um condomínio, ao saímos do carro, olho ao redor, uma casa sem nenhum carro, um jardineiro podando a grama, sem falar no ar suspeito da rua, pergunto a ele “Quem vocês estão escondendo?” ele não me responde, apenas anda em direção a porta e toca a campainha, logo uma mulher na faixa de uns trinta anos vem abrir, ela apenas diz “senhor” e nos guia a uma espécie de escritório, então vejo dois homens jogando baralho, o que está de costas é Morgan e o outro, com cabelos escuros e olhos azuis, eu conheço muito bem “Elijah!?” digo saindo de trás de Aaron e ele finalmente percebe a minha presença. “Em? O que você está fazendo aqui? Aaron tínhamos combinado apenas de sua equipe saber.” Agora as coisas estão começando a fazer sentido. “Ela está na equipe”.
Antes que uma briga possa surgir, interfiro “Alguém pode por favor me explicar a situação?” olho entre Aaron e Elijah. “Nenhum abraço antes irmãzinha?” ele diz se levantando da cadeira onde estava e se aproximando de mim, nos abraçamos, mas ainda assim sou capaz de dizer em voz baixa, apenas para ele escutar “Anos sem conversar, não se resolvem com um abraço”. Quando nos afastamos reparo um pouco mais no meu irmão mais velho, seus cabelos negros, começaram a adquirir alguns fios grisalhos, ele está começando a ficar ainda mais parecido com papai.
“Resumidamente fui ameaçado por terroristas e estou em uma espécie de proteção” eu o encarei, enquanto Garcia que saiu de não sei onde disse “Qual o problema dos Prentiss e terroristas?” olhei um pouco assustada para a madrinha do meu filho “Apenas ameaças não fazem com que você fique escondido” eu disse. Ele olhou para mim, com um pequeno sorriso “Bem não, mas começaram a explodir meu carro oficial, e a embaixada” Franzi o cenho, eu não sabia em que país ele estava “Marrocos” ele disse antes que eu pudesse perguntar. “Bem depois dos ocorridos, entrei em proteção” ergui a sobrancelha para ele, essa não parecia ser a verdade completa, no entanto poderia me contentar com ela, por enquanto.
Aaron decidiu nos dar um tempo a sós, então levou Garcia de volta para a UAC e deixou Morgan encarregado de me levar embora depois. Quando estávamos apenas eu e Elijah em seu escritório, ele me ofereceu uma dose de whisky a qual aceitei. “Mamãe sabe?” perguntei “Você acha que meu carro explodiria e ela não saberia? Em, ela quase teve um infarto, quando me neguei a voltar para os Estados Unidos” eu ri, “E papai?” ele fez que sim com a cabeça. Fiquei em silêncio por alguns segundos “Não fique brava com Aaron, eu pedi a ele que não contasse a você” “Por que?” ele me olhou com aquela cara de cético “Você já tem seus problemas Em, não queria que ficasse preocupada, além do mais estávamos a tempo sem nos falarmos” “Não estávamos brigados Eli” ele riu “Em, desde que você nasceu nós brigamos” sorri com a memória de nós dois crescendo no exterior, ele foi o melhor irmão mais velho que eu poderia ter. “Nossa última conversa não terminou bem” lembrei a ele “Eu sei, e peço desculpas por isso Em. Eu estava tão furioso com você por ter forjado sua morte, mas agora entendo as circunstâncias que te levaram a fazer isso” fiz que sim com a cabeça. Conversamos por mais um tempo, até chegar a hora de nos despedimos, nos abraçamos mais uma vez “Senti sua falta, maninha” ele disse e eu respondi “Também senti sua falta Eli”.
Quando sentei no banco do passageiro Morgan me perguntou “Academia?” fiz que não com a cabeça “UAC” eu disse. O caminho foi silencioso, pelo menos até ele me perguntar “Você e seu irmão estão bem?” eu sorri, “Estamos como deveríamos estar”.
“Amor entre irmãos é eterno, pois sempre supera até as piores brigas” Autor desconhecido
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