Viver a vida
35 Aaron
Notas iniciais
Pesadelos que se repetem
“A História se repete. Esta é das coisas erradas com ela.” Clarence Darrow
Acordei de manhã Emily estava dormindo tranquilamente ao meu lado, nem parecia que ela havia novamente tido pesadelos durante a noite. Fiz como de costume: levantei, tomei meu banho e comecei a fazer o café. Quando já estava tomando minha dose matinal de café ela apareceu na cozinha. “Bom dia” ela disse e eu respondi. Ela se serviu de café e assim ficamos em silêncio. Meu relógio já marcava seis e cinquenta, coloquei minha caneca de café na pia e fui me despedir dela. “Até mais tarde” eu disse e lhe beijei. Ela correspondeu, era nosso primeiro beijo real em dois dias, mas havia algo de diferente nesse beijo. Não era preguiçoso como seus beijos matinais, muito menos urgente como os de saudade, era lento como uma despedida, era quase que melancólico. Afastei-me dela e ela deu um meio sorriso “Eu te amo” ela disse “Eu também te amo” respondi.
A manhã se passou lenta e assim foi a tarde. Sem casos urgentes, apenas colocando os relatórios em dia. Exceto uma reunião depois do almoço com Strauss para discutimos sobre os gastos da UAC. O dia estava tranquilo e isso foi suficiente para despertar um sentimento de que algo vai dar errado.
Fiquei no trabalho até depois das cinco. Cheguei em casa e vi que Alex estava entretido em seu notebook, Anne estava lendo algo que não está em inglês, os gêmeos estão no quintal brincando com o cachorro. Ao invés de encontrar Emily, acabo encontrando senhora Parker começando a preparar o jantar. “Boa noite senhora Parker” eu digo fazendo ela notar minha presença, ela responde sorrindo. “Emily ainda não chegou?” perguntei e ela respondeu “Ela ligou há meia hora avisando que não sabia o horário que estaria chegando em casa”. Após o jantar ficar pronto, convidei senhora Parker para jantar conosco. Após isso ela foi embora, lavei a louça enquanto Anne secava e depois assisti a um filme com as crianças.
Após eles já estarem na cama, ela ainda não havia chegado. Tentei me convencer que ela provavelmente deve estar trabalhando em algo importante e tentei dormir, mas não consegui. Por algum motivo a sensação ruim de mais cedo voltou a me atormentar. Desci ao escritório que dividimos e resolvi pegar um livro para ler. Olhei o relógio e já passava das onze, continuei com o livro por mais uma hora até que percebi que não conseguiria ficar em paz até saber notícias dela. Peguei meu celular e verifiquei, não havia nenhuma mensagem ou ligação dela. Considerei apertar o número 1 em minha discagem de emergência, mas então um pensamento me veio à mente: E se ela estiver lidando com algo delicado? Ela deu informações evasivas a senhora Parker. E se eu ligar e ela achar que eu estou com ciúmes? Provavelmente, porque ela estará trabalhando com Walker. Optei por não ligar. Em algum momento acabei cochilando.
Estavamos dirigindo o mais rápido que podia, mas para mim tudo passava em câmera lenta. Invadimos o armazém e eu agi como se estivesse no piloto automático, cheguei onde Morgan disse que ela estava. A visão que eu vi, fez meu coração se quebrar. Ela estava no chão, um pedaço de madeira estava em seu abdômen, ela estava pior do que quando Cyrus a espancou há alguns anos. Morgan estava agarrado a mão dela dizendo que iria ficar tudo bem. Instantaneamente me ajoelhei ao seu lado, ela estava perdendo a consciência, ouvi ela murmura um “Me desculpe”. Os paramédicos não demoraram a chegar, mas para mim pareceu uma eternidade. Pulei dentro da ambulância atrás dela, sem pensar duas vezes. Doyle, aquele filho da mãe havia fugido e eu prometi a mim mesmo que iria pega-lo. Durante o caminho até o hospital, os paramédicos a perderam duas vezes.
Acordei de meu pesadelo, eu estava suando, esse foi um pesadelo cruel, eu o havia tido todas as noites durante os sete meses em que ela esteve escondida. Havia muito tempo em que eu não o tinha. Olhei o relógio e já era cinco. Levantei da posição desconfortável de dormir sentado e fui procura-la. Não a encontrei acabei então ligando para ela. Três vezes. Três vezes que caíram na caixa postal, isso não estava certo. Ela não ignoraria minhas chamadas por três vezes. Decidi então ligar para Garcia, espero não parecer muito paranoico.
“Garcia” Ouvi a voz sonolenta da minha analista. “Preciso de um favor” eu disse “Qualquer coisa, bossman” já que ela disse “Preciso que você rastreie o celular de Emily” “Hotch? Eu estou em casa. Você realmente quer fazer isso?” “Garcia algo está errado. E eu sei que você consegue rastrear da sua casa” Ela suspirou “Me de alguns minutos” ela disse. “Estranho” ela disse “O que?” “O celular está no capitólio. O GPS diz que ele está lá há horas” “Quantas horas Garcia?” ela ficou em silencio “Pelo menos dez” Isso está errado, sem pensar desligo o celular. Me visto depressa enquanto ligo para senhora Parker pedindo que ela fique com as crianças. Lógico que não compartilho minhas suspeitas, apenas digo que surgiu um caso.
Fui até o capitólio e vasculhei a área que Garcia havia dito. Peguei meu celular e liguei novamente, ouvi o celular tocar, ele estava no meio de alguns arbustos. Engulo em seco, enquanto ligo para Garcia, “Reúna a equipe” agora era oficial “O que aconteceu?” Era diferente, mas é um pesadelo de qualquer forma e o pior é que é real “Emily está desaparecida” Garcia gaguejou algo e eu desliguei. Fui direto para meu carro, precisava chegar logo a UAC, pois eu não suportaria encontrá-la na mesma situação que há seis anos.
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