Viver a vida
33 Aaron
Notas iniciais
Porque o amor, vem acompanhado do ciúme
“Sinto ciúmes de tudo o que é meu, e de tudo o que eu acho que deveria ser.” — Bob Marley
Graças a ajuda de Emily, conseguimos resolver o caso dos terroristas e isso foi há três dias. Desde esse dia, as crianças já chegaram e eu comecei a prestar mais atenção em Walker. O por quê? Não, não é ciúmes, é apenas um sentimento que não sei explicar, mas não é ciúmes. Deixe-me explicar.
Desde o primeiro dia que ele chegou, notei uma mudança no comportamento de Emily. De início não achei que as coisas tivessem muito haver, mas agora...
Quando ela chegou de Guantánamo, pensei que ela viria até mim, mas de acordo com Rossi ela tinha ido em direção ao escritório de Strauss, provavelmente entregar seu relatório. Esperei que ela passasse por aqui, mas não. Vi ela ir em direção ao elevador, mas também vi ela passando pelas portas da UAC acompanhada do tal de Walker e exibindo um pequeno sorriso, e eu conheço Emily a tempo suficiente para saber que aquele não era um sorriso falso.
Horas mais tarde, cheguei em casa, para encontrá-la sentada na varanda do fundo, conversando com Wolf. Eu havia trazido o jantar, comemos em silencio e a das três vezes que eu perguntei a ela se ela estava bem, duas ela respondeu sim, a outra ela fez que já estava dormindo.
E foi justamente naquela noite, que seus pesadelos ficaram piores. Além de palavras em outro idioma, ela gritou o nome de alguém, mas especificamente um John. Naquele momento eu não poderia perguntar a ela quem era, devido ao seu estado, então simplesmente a abracei o mais forte que podia e tentei fazer com que ela dormisse novamente. No dia seguinte, ela se recusaria a falar sobre isso.
Bati na porta de Dave e ouvi um “Entre” e assim eu fiz. “A que devo a honra Hotch?” apenas me sentei em uma cadeira a frente de sua mesa. “Como foi Guantánamo?” perguntei a ele “Existem três relatórios sobre isso” “Ao qual eu só posso ler dois” ele se manteve sério e continuou “Eu não vou dizer o que ela falou Aaron” suspirei, embora já tivesse uma pequena noção do que ela pode ter dito para que ele colaborasse. “Acho que Tara não gostou dela” comentei, Rossi deu de ombros “Ela conheceu Prentiss no ápice de seu mal humor. Se ela conhecer a Emily que todos conhecemos, logo ela muda de ideia” passei alguns segundos em silencio, não sabia se deveria perguntar a Dave, afinal ele não é só meu melhor amigo, Emily é como uma filha para ele, mas eu preciso saber. “O que você sabe sobre Walker?” ele me analisou por breves segundos, pergunto-me se ele desconfia do que eu esteja pensando. “Não muito” aposto que é o suficiente, mas ele não irá dizer, quem ele está protegendo eu não sei. “Você poderia compartilhar o que sabe?” Tentei, mas ele não sorriu e nem fez graça, ou seja “Não Aaron” “Okay, obrigado.” Eu disse saindo, mas antes que eu pudesse abrir a porta ele me alertou “Espero que essa pergunta não tenha haver com Emily”.
O resto da semana se passou tranquilo, Emily na academia, Alex e os gêmeos brigando por vídeo game e Anne começou a ver um profissional.
Domingo de manhã, acordei e a observei dormir tranquilamente. Havia sido uma noite tranquila, sem pesadelos. “Pare de me encarar Aaron” ela murmurou ainda com os olhos fechados, “Eu não estou encarando” eu disse em seu ouvido, ela sorriu “Sei...” ela continuou com os olhos fechados por alguns minutos, até que ela teve que perguntar “Que horas são?” olhei no relógio “Quase nove” ela gemeu em desacordo, eu tinha uma noção do porque “Calma as crianças vão demorar pelo menos mais meia hora para acordarem” Deixei que ela adormecesse novamente, para então me levantar e começar a preparar o café da manhã. Quando estou quase acabando ela aparece, ela se senta em um dos bancos da bancada e me observou servir uma caneca de café para ela. Não mais do que dez minutos depois, as crianças desceram, já discutindo algo. Eles sentaram para comer e assim nós dois fizemos, “Por favor não me digam que vamos assistir a mais filmes de heróis” Essa era Anne, creio que deve ter haver com o fato de termos Assistido a uma maratona de filmes de super heróis na noite passada. “Mas hoje é liga da justiça Anne” Tony protestou e eu já havia prometido levar eles, se eu não estivesse trabalhando no domingo. “Ei Anne, deixemos eles assistirem ao filme e nós vamos dar uma volta no shopping” Emily disse e instantaneamente um sorriso aparece no rosto da minha única filha, eu já prevejo saindo do shopping carregando inúmeras sacolas.
Após assistirmos ao filme, encontrarmos elas e almoçarmos, saímos do shopping, com algumas sacolas claro. Nem um profiler é capaz de entender mulheres e sapatos.
Já em casa, estava na varanda com o cão, enquanto ouvia alguma briga das crianças no andar de cima. Logo Emily apareceu, ela se sentou ao meu lado e eu perguntei “Devemos interferir?” “Eles já estão ficando grandes Aaron, eles podem resolver isso” ela disse “Ainda bem que a fase das mordidas passou” disse me recordando de quando eram pequenos e a facilidade que os caçulas tinham em morder os mais velhos. “Já pensou onde estaremos daqui oito anos?” ela perguntou baixo. “Espero que vivos” eu disse e ela riu “Quero dizer que daqui a oito anos até mesmo os caçulas já terão ido para a faculdade. Alex provavelmente já terá se formado” Ela meditou em voz alta “Assim eu espero” eu disse e ela me olhou séria “Eu vou sentir falta disso” ela disse apontando para o andar de cima “Calma Em, ainda vai demorar” ela me fuzilou com os olhos “Aaron!” eu ri “Alex sempre irá te visitar, Anne sempre virá para pegar algum sapato seu emprestado e os gêmeos sempre que precisar de roupas limpas” ela riu, as crianças pareceram se acalmar lá em cima e assim ficamos sentados em silencio por um tempo.
Resolvi então perguntar a ela algo “Você já conhecia Walker antes?” senti ela ficar um pouco tensa, mas fiz que não havia observado. “Por que você quer saber?” ela me perguntou com seus grandes olhos curiosos, percebi então que seu lado interrogador estava assumindo “Por que estou curioso” eu disse. “Se você estivesse curioso, você teria pedido a Garcia para pesquisa-lo” Bem, eu havia pensado nessa possibilidade “Você está com ciúmes Aaron” ela declarou me encarando. “Eu tenho motivos para ficar com ciúmes Emily?” Ela bufou, ela está brava “Não Aaron, pelo amor de Deus você não tem motivos para ter ciúmes” Ela não respondeu minha pergunta, ela estava na defensiva “Onde você o conheceu?” ela se levantou “Nós fomos parceiros” ela cuspiu e foi para dentro.
A noite, ela estava brava comigo. Ela estava fazendo o jantar em silêncio, mas sua expressão não era das minhas amorosas. Após o jantar, fiquei de limpar a louça. Quando entrei em nosso quarto, ela estava penteando o cabelo. Ela me observava do reflexo no espelho e começou “Foi há muito tempo Aaron, você não tem motivo algum para ter ciúmes” ela disse, me aproximei dela a abraçando por trás “Esqueça isso por favor, você se lembra onde o ciúme nos levou da última vez” Ela disse e se desvencilhou do meu abraço, indo para a cama.
Ela já havia dormido, mas eu permanecia acordado. Era paranoia minha? Por mais que eu odeio admitir, no fundo eu sempre sinto um pouco de ciúmes quando se trata dela. A verdade é que ela é tão incrível que eu tenho medo que ela me deixe, sim parece o papo de um cara inseguro, mas as vezes eu me sinto assim. Creio eu que isso seja culpa do amor, porque o amor vem acompanhado do ciúme.
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