Viver a vida
22 Aaron
Notas iniciais
Não será hoje
“Ainda não estou preparado para perder-te. Não estou preparado para que me deixes só...Não estou preparado hoje nem nunca o estarei. Ainda te Necessito.” Pablo Neruda.
Estou no escritório preenchendo um relatório, quando Dave entra sem bater, rapidamente ele se senta à minha frente e me olha com expectativa. “O que foi Rossi?” ele me analisa, antes de dizer o que realmente está acontecendo “Existe um boato rolando pelos corredores do FBI” volto o olhar para ele “E qual seria esse boato?” “Estão dizendo que Prentiss assumirá a UAT” “E você não perguntou para sua namorada?” Ele fez uma cara de indignado “Ela iria ficar brava por mim estar dando ouvidos a fofocas” “E eu não?” ele deu de ombros “Também, mas os métodos de punição dela são mais severos” balancei a cabeça, como se isso pudesse apagar o que acabei de ouvir “Emily ficará a frete da Antiterrorismo temporariamente” Ele não pareceu muito surpreso com a revelação “Temporariamente?” “Bem foi o que Strauss disse a ela” voltei a preencher meu relatório “Você não está com ciúmes, está?” antes que pudesse responder, Garcia entra na minha sala desesperada, será que ninguém mais sabe bater?
“Senhor, a segurança do embaixador foi comprometida” ela disse em expressão de pavor. “Vamos Rossi” disse me levantando, por sorte Reid e Morgan estavam lá em baixo, saímos todos em direção ao esconderijo do irmão da minha esposa. Chegamos ao local, que já estava cercado pela SWAT, “Quem está no comando?” perguntei. “Capitão Howard” o homem disse oferecendo a mão para um aperto, eu aceitei e fui logo ao ponto “SSA Hotchner, qual a situação?” “Provavelmente quatro suspeitos, pegamos um quinto em uma van estacionada no final da rua. A segurança do embaixador foi abatida, não sabemos o estado dele” “Irão entrar?” “Cercamos a casa e estamos tentando contato” Nisso ouço meu celular tocar e olho no visor: Emily. Será que ela tem um radar para situações ruins? “Hotchner” eu digo e ouço ela sussurrar “Aaron, árabes, estamos no porão” Merda. Ela tinha que tá lá? Por que os Prentiss parecem atrair terroristas? “Capitão, o embaixador e a irmã estão no porão” “Irmã!? Me disseram que era apenas um protegido” respirei fundo “Ela também é uma agente, e nossa prioridade é tirar os dois de lá. Vivos” Nisso ouço dois homens da SWAT dizerem “Senhora, a senhora não pode passar aqui” tentando inutilmente barrar o caminho de uma senhora de cabelos chocolate “Dois!?” ela tinha que ter uma audição tão boa? Fiz sinal para os dois deixarem ela se aproximar, ela então se aproxima furiosa, juro que se o olhar dela matasse, certamente eu estaria morto. “Você contou a Emily? Tínhamos um trato!” “Senhora” o capitão tenta acalma-la “Senhora nada. Meus filhos estão dentro daquela casa” “Elizabeth, Emily é a melhor chance de Elijah sair de lá vivo” Mal fechei a boca e ouvi o barulho de tiros.
Invadimos o local, com a SWAT na frente. A equipe de Elijah havia sido abatida, mas conseguiram atirar em um. Vasculhamos a casa e encontramos Emily e Elijah saindo do porão, ela com a arma na mão, e a expressão um tanto sombria, já Elijah tinha um corte no lábio, creio eu que tenha brigado com um dos suspeitos, ela se aproximou me entregando sua arma “Descarreguei ela, quando entraram no porão, atingi dois e Elijah deu uma surra no outro” a equipe da SWAT já tinha ido verificar o porão, peguei a arma dela e entreguei ao Dave, depois dos relatórios, ela a teria de volta, sem importar com quem estivesse ali, me aproximei ainda mais dela e a abracei, abracei tão forte e ela retribuiu, era como se meu mundo dependesse daquilo “Você está bem?” “Vou ficar” ela respondeu. Quando nos afastamos ela deu um pequeno sorriso. Foi então que não sei como, Elizabeth apareceu atrás de nós “Fiquei tão preocupada com vocês dois” Até mesmo a embaixadora, tinha uma expressão de aflição no rosto. Os dois se aproximaram e abraçaram a mãe, ouvi ela murmurar “Qualquer dia desses vocês ainda me matam”.
A noite no mesmo dia, após interrogar o suspeito que sobrou, transferir Elijah para a casa dos pais, entregar a arma de volta a Emily e ainda jantar em família, estávamos deitados em nossa cama. Ela está com a cabeça em meu peito e a mão direita agarrada em minha camisa, enquanto eu estou com uma mão em suas costas “Hoje foi um dia agitado” eu comecei “Um pouco” ela disse, “Tem certeza que você quer voltar para a Antiterrorismo?” perguntei a ela, foi quando ela levantou a cabeça para olhar nos meus olhos “Aaron, esse é o nosso trabalho, eu sei lidar com isso.” enquanto ela dizia isso, não vi nem um flash de medo em suas emoções, apenas aquele brilho em seu olhar, o brilho de determinação e então sei o que é certo, não posso negar que ela realmente queira fazer isso.
Após alguns minutos em silêncio, ela aproxima nossos lábios e nos beijamos e ali naquele beijo lento e demorado, eu a agarro o máximo que posso, afinal necessito de sua presença, de seu calor, de seu perfume, de seu amor. Prolongo tal ato o máximo que posso, na manhã seguinte sei que teremos que seguir por unidades diferentes, mas até lá, ela ainda é minha, ela ainda estará comigo e ela sabe que eu preciso dela.
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