Notas iniciais
Espero que gostem :)

Lá estava ele, bem bonito, cheiroso e com flores. O sorriso era encantador. Ele que já era bonito usualmente, estava maravilhoso. Qualquer garota em Jump City teria vontade de ser Ravena naquele momento. Ele lhe sorriu e caminhou até sua direção, lhe entregou um imenso buquê de rosas vermelhas. Mas a empata estava tranquila.

Aqualad: *estende a mão* Está linda.

Ravena: *lhe entregando a mão* Muito obrigada.

Aqualad a conduziu até o carro, mas antes da empata entrar no carro sentiu uma presença em seu quarto, o que fez seu coração acelerar e seus olhos voltarem para a janela de seu quarto. Um pensamento lhe invadiu a mente “será que ele viu meu recado?”.

Aquele dia havia sido tão atípico. Tentou falar com Mutano na hora que soube do horário do encontro. Tocou na porta de seu quarto, mas ele não atendeu, não sentiu a presença dele na Torre. Ficou preocupada em encontra-lo quase o dia todo, mas ele não apareceu. Foi então que antes de se arrumar decidiu escrever um bilhete, que fosse simpático, para lhe agradecer pela ajuda ao mesmo tempo em que lhe contava que não iria precisar mais do treinamento hoje.

No carro Aqualad liga o som, estava tocando uma música lenta. Olhou fixamente para ela. Ravena trocou olhares com ele, mas não ficou nervosa, nada explodiu, enfim o treinamento havia dado certo.

Aqualad: Eu queria ter te falado aonde iríamos, não queria te causar ansiedade.

Essa coisa de Ravena não querer ter celular atrapalha muito às vezes. Aqualad tentou entrar em contato desde terça-feira para marcar o horário que ele a pegaria e para dizer aonde eles iriam, afinal ele queria que ela se sentisse no controle da situação, podendo planejar a roupa que vestiria, por exemplo. Por causa dessa dificuldade de entrar em contato com a empata, só conseguiu passar o recado para Ciborgue, via Abelha na própria sexta.

Ravena: Tudo bem, por um lado foi bom, tive que me preparar para tudo *pausa* para onde vamos?

Aqualad: Pensei que podíamos ir comer alguma coisa. Tem um restaurante novo na cidade… *corado*

Ravena: É uma ótima ideia.

Pensou que ficaria nervosa, afinal não treinou um encontro num restaurante, porém se surpreendeu com sua tranquilidade. Justificou sua calma pelo fato de ter passado por treinamentos de encontros na semana. Isso era óbvio.

Durante o trajeto conversaram um pouco. Falaram sobre as preferências musicais de cada um, de filmes e cores favoritas. Aqualad contou um pouco sobre a sua história, como fora difícil aprender a controlar seus poderes e sobre como se sentia estranho na escola por poder falar com peixes. Ravena prestou atenção em tudo, riu algumas vezes, contou coisas de sua vida. Como ele era bonito. Educado. Simpático. E organizado. De fato, Aqualad era organizado.

Chegaram ao restaurante e tudo parecia orquestrado, desde o manobrista do carro ao maître. O novo restaurante chamado Clair de Lune, era especialista no cardápio francês. A decoração externa era muito bonita. Para entrar no restaurante havia um arco de flores e mini lâmpadas coloridas, deixando tudo com um ar muito romântico. Ao passar pelo arco foram recepcionados por um maître que os conduziu até a mesa.

Havia mesas internas e externas, no entanto toda a área interna de mesas era coberta por uma grande claraboia, deixando o céu exposto, de modo a fazer jus ao nome do restaurante, ou seja, todos comeriam sob a luz da Lua. As mesas eram redondas e a grande maioria era para dois lugares, sem sombra de dúvidas o público alvo eram os casais apaixonados.

Em cima de cada mesa um vaso comprido com uma única flor branca e de cada lado do vaso havia uma vela pequenina flutuando dentro um recipiente vasinho redondo cheio de água. As cadeiras de aço branco tinham belos desenhos em seu encosto.

A mesa do casal ficava do lado de fora. A noite estava fresca e não havia previsão de chuva. Como se Aqualad tivesse feito de propósito ao escolher o restaurante e o dia do encontro, pois a noite era de super Lua. Então lá estava ela imensa, branca e brilhante.

Aqualad puxou a cadeira para Ravena, tomando a frente do garçom. Logo se sentou e pediu um vinho branco, um tal de “Georges Duboeuf Chardonnay”. Era um vinho branco leve e refrescante. A entrada foi uma pequena porção de queijo Brie com mel e amêndoas. Uma delícia. Aqualad além de bonito, simpático, agradável e inteligente, tinha bom gosto.

O encontro estava sendo muito agradável e controlado. Nada de toalhas voando, de sorvetes derretidos, aparelhos de som que não pegam. De fato a segurança que Aqualad proporcionava mantinha a empata com controle da situação. Nada flutuava ou explodia, mesmo quando ela ria.

Aqualad: Seu sorriso é muito bonito. *olhando-a nos olhos*

Ravena: Obrigada Aqualad. Tenho aprendido a lidar com minhas emoções, e acredito que às vezes consigo rir sem estragar alguma coisa.

Aqualad já havia feito o pedido dos pratos. Para ela um Canard a l’Orange e para ele Medallions a Moscandi. Os pratos vieram e eram deliciosos. Aqualad sabia se portar como um cavalheiro. Sabia conduzir um encontro.

Ravena: Vai a muitos encontros?

Aqualad: *se espanta com a pergunta* Porque essa pergunta?

Ravena: Está tudo tão bem organizado… você deve ter prática nisso…

Aqualad: Na verdade não.

A resposta de Aqualad deixou Ravena perplexa, afinal como ele poderia organizar tudo tão melhor do que o Mutano, sendo que não tinha tantos encontros na vida como o metamorfo?

Aqualad: Eu sou meio tímido, sabe?!

Ravena: Jamais imaginei isso.

Aqualad: É que eu realmente queria proporcionar um encontro perfeito pra você *segura a mão da empata que estava sob a mesa*

Ravena olha a mão dele sob a sua e não sente nada. Sem calafrios, suor, tremor…

Ravena: De fato, eu não fui a muitos encontros…

Aqualad: Quero que me diga se alguma coisa não estiver boa. *aperta a mão dela*

Ravena: *leve sorriso* Tirando o fato de eu não beber sempre e este vinho estar me deixando um pouco mole… está tudo perfeito… muito perfeito…

Aqualad: Não está acostumada a beber né. Eu devia ter pedido outra coisa.

Ravena: Imagina *boceja* desculpe… eu acordei muito cedo hoje… na verdade não dormi muito bem…

Aqualad: O que lhe furtou o sono? *pausa* Se não for perguntar muito…

Ravena lembra que dormira mal por causa da aproximação de Mutano na noite anterior e cora violentamente e sente seu coração palpitar.

Aqualad: Está tudo bem?

Ravena: Deve ser a bebida. *levanta-se* preciso ir ao banheiro.

Aqualad: Certo… mas qualquer coisa nós podemos ir embora.

Ravena: É só um mal estar… Já volto.

Corre para o banheiro e encara o espelho. Porque havia passado mal tão repentinamente? Será que foi o molho de laranja, a carne de pato ou vinho? De repente foi tomada por um sentimento que não soube nomear, uma sensação de que estava tudo errado e de que ela não deveria estar ali. Lavou o rosto e voltou para a mesa.

De fato havia acordado cedo naquele dia. Mas não foi nada além do seu natural, por mais que tivesse dormido mal. Levantou às 6h30, foi até a cozinha para tomar café. Bom de fato ficou encarando o pacote de leite de soja dentro da geladeira lembrando-se da noite anterior, da aproximação, da respiração quente, da mão dele em sua cintura. Lembrar dessas coisas a deixavam muito nervosa e desconfortável e por isso meditou grande parte da manhã. Então se não era o sono que a fazia bocejar, o que seria? Tédio? Não. Jamais. Com certeza era a noite mal dormida.

Aqualad: Pedi uma sobremesa, tudo bem?

Como ele era bonito e gentil.

Ravena: Claro. Só que vou parar com o vinho *afasta a taça de si*.

Aqualad: Pedi uma água para você também *olhando-a fixamente*.

Como ele era… ah… encantador.

O petit gateau chegou junto com a água. Estava simplesmente delicioso. Tudo. O clima, a companhia, a refeição… mas porque ainda assim sentia uma coisa estranha, errada?

Aqualad: Pensei que poderíamos dar uma volta no parque central antes de ir embora, o que acha?

Ravena: “Ainda bem que vim com uma roupa versátil, acertei hoje” É uma ótima ideia.

Aqualad pagou a conta sem sequer mostra-la para a empata. Sentia-se parcialmente desconfortável com a sensação de não precisar fazer nada. Ele levantou-se primeiro para puxar a cadeira para Ravena, novamente tomando à frente do garçom.

Entraram no carro e antes dele dar a partida, ficaram se olhando profundamente e em silêncio. Ele experimentou da imensidão dos olhos dela, mas ela não aproveitou o dele desta maneira. Nada, não sentiu nada, nem palpitações, nem nervoso, nem medo de explodir alguma coisa. Será que isso significava que ele era o cara certo?

Lembrou-se de uma conversa que teve com Estelar na qual a amiga alienígena lhe dissera que ela sentia que o Robin lhe fazia voar e do quanto ela gostava de estar na companhia dele. Bom, Aqualad não a fazia voar e a presença dele não era tão essencial, mas por outro lado enquanto a tamarareana usava suas emoções para voar, Ravena não podia ter emoções para voar. Logo não sentir nada na presença de Aqualad deveria ser um bom sinal. E mesmo que não tivesse certeza disso, de uma coisa tinha certeza, o treinamento havia funcionado.

Ravena desviou o olhar dele e Aqualad entendeu que deveria dirigir. No caminho para o parque o herói contou sobre a viagem que havia feito à Paris e do quanto à cidade é romântica.

Aqualad: Eu poderia te levar um dia…

Ravena: É… não sei o que pensar agora.

Aqualad: *corado* Desculpe, estou indo rápido demais.

Ravena: *sorri e olha para ele* Não, não está… está no ritmo certo.

Estacionou o carro na rua e entraram no parque. Devido às arvores o ar era mais fresco, fazendo Ravena cruzar os braços. Aqualad então se aproximou e passou seu braço direito pelas costas de Ravena e trouxe-a mais perto de seu corpo. Ravena não sentiu nada.

Caminharam abraçados até um banco de frente a lagoa. Sentaram-se lá e ficaram em silêncio por algum tempo.

Aqualad: Eu gostei muito de hoje *olhando para a Lua*…

Ravena: Eu também *olhando para a Lua* Não achei que seria tão tranquilo e gostoso.

Aqualad: *olha para a empata* Senti medo de não sair tudo certinho… e eu errei com a bebida…

Ravena: *olha para ele* Não tem problema… acho que com o tempo eu vou acostumando com o efeito do vinho…

Aqualad: Com o tempo? *sorri* Então posso entender que você sairá comigo de novo?

Ravena: E porque não sairia? Está sendo uma noite muito agradável.

Aqualad: Ravena… *olha fixamente nos olhos dela*

Ravena: Oi? *Olha de volta*

Ficam em silêncio. Ravena entendeu o que aconteceria a seguir. Só restou a ela decidir se o beijaria ou não. Em uma fração de segundos pensou no encontro. Tudo sob controle, nada explodindo, nada não funcionando, nada dando errado. Com ele ao seu lado ela conseguia controlar suas emoções. Não era isso que ela queria? Bom, talvez fosse isso… talvez ela não se sentiria flutuando como outras garotas, mas também, ela era metade demônio… devia ser por isso… com certeza era por isso. E então se permitiu a entrega.

Aproximou-se e fechou os olhos, ele entendeu a deixa e se aproximou. Seus lábios se tocaram. Era incrível como não era necessário um guia para aprender a beijar, porque é praticamente instintivo.

A mão direita a segurou pela nuca, enquanto a esquerda se alocou na cintura da empata. Ela por sua vez imitou o gesto dele. As línguas deles se entrelaçavam e dançavam, orquestradas como todo o encontro. Completamente sob controle.

Enquanto o beijava, pensamentos invadiam sua mente, “Hum… não tinha me dado conta de como línguas são ásperas. Bom não é tão horrível, apesar de ser estranho. Será que é só isso? Acho que eu esperava mais, sei lá, fogos de artifício mentais, hahaha, como sou engraçada. Mas bem, acho que isso deve ser um beijo bom, afinal ele é todo perfeito, o beijo deve ser bom também. Mas preciso lembrar-me de agradecer o Mutano pelo treino, está saindo tudo sob controle e não como aqueles encontros fakes terríveis. Que beijo doce… será que ele chupou bala ou chiclete? Parece morango… não tutti frutti… não definitivamente é morango. Hum, ele tá apertando minha cintura, acho melhor diminuir o ritmo… será que é só isso? Eu gosto de morango…”. Os pensamentos pararam quando Aqualad se separou dela.

Aqualad: Me desculpe… *corado* é que…

Ravena: Hã… não… relaxa… você não fez nada que eu não tenha deixado.

Aqualad: Eu gostei muito de estar aqui com você… não pensaria em ninguém melhor para estar aqui agora…

Ravena: Tudo isso é muito novo para mim… mas acredito que qualquer garota que tivesse tido essa noite ao seu lado diria que foi incrível.

Aqualad: Hã… você quer continuar?

Ravena: O que?

Aqualad: Continuar isso… quer continuar me vendo?

Ravena: Acho que pode ser uma boa ideia. Eu quero te ver de novo.

Aqualad: *abre o sorriso imenso* Eu também quero te ver de novo… e de novo… e de novo…

Abraça a empata e a beija novamente. Mesmo que tenha sido pega de surpresa, nada explodiu. Novamente pensava que fora uma boa ideia treinar. Beijaram-se mais um tempo e ele levantou.

Aqualad: Melhor te levar para casa *sorriso bobo* não quero que enjoe de mim.

Ravena: Acho que está tarde, e preciso meditar… sabe… muitas coisas hoje.

Voltaram para o carro de mãos dadas e rindo muito sobre as coisas. Aqualad era muito engraçado, sabia fazer piadas ótimas sobre acontecimentos trágicos de sua vida. Ao redor olhares curiosos, garotas chateadas ao ver o belo rapaz acompanhado e garotos chocados e bobos ao ver a beleza sempre escondida de Ravena. Amanhã possivelmente eles seriam o assunto da cidade. Mas nem isso a preocupou. Como estava tranquila. Pensava que poderia viver assim para sempre.

Ao chegar na Torre se despediram com outro beijo.

Aqualad: Você precisa de um celular, como vou falar com você?

Ravena: Acho que terei que providenciar um… mas… a gente se vê…

Aqualad: No seu tempo… quando você quiser.

Ravena saiu do carro, porém Aqualad não deu partida enquanto não a viu segura dentro de casa (como se ela não fosse uma super heroína). Antes de entrar Ravena acenou para ele que piscou os faróis e deu partida no carro. Ao entrar ficou encostada na porta por alguns segundos segurando o buquê imenso, até ser encontrada por Estelar e Abelha.

Abelha: E ai?

Estelar: Amiga Ravena me conte tudo.

As garotas olham o buquê.

Abelha: Ele é incrível não é? Olhe essas rosas.

Estelar: Onde ele te levou?

Ravena: Calma! Deixa eu organizar meus pensamentos. *pausa* Bom… sim… ele é um cavalheiro. Me levou no Clair de Lune…

Estelar: Ahhhhhhhhhhh

Abelha: Ahhhhhhhhhhh

Estelar: Não acredito… o Robin não me faz isso.

Abelha: E o Ciborgue diz que é muito frufru… *cruza os braços*

Estelar: Que sorte amiga Ravena…

Abelha: Ele é um fofo! Eu sabia…

Ravena: Bom… foi um jantar legal, não imaginei que seria tão legal… *caminha abrindo espaço entre as garotas histéricas*

Estelar: Foi só isso? Legal?

Ravena: Bom… depois fomos dar uma volta no parque…

Abelha: A-i me-u De-us!

Estelar: E????

Ravena: Bom… é isso que vocês querem saber… sim a gente se beijou *as duas garotas gritam*

Abelha: Ele é muito gato né… mas beija bem?

Estelar: Abelha! Ele é seu companheiro de time…

Abelha: E daí… ele é bonitão mesmo…

Ravena: Bom… foi… foi meu primeiro beijo…

Abelha: Não acredito… que lindo…

Estelar: O primeiro beijo com um cara tão gatão…

Ravena: Não sei muito de beijos, mas acho que foi bom…

Estelar: Acha?

Abelha: Estelar, ela deve estar tímida… não vai contar os detalhes… a gente demora para se soltar…

Ravena: Eu preciso de um banho e de meditação… *estende as rosas para as garotas* Vocês podem cuidar disso para mim, ele acertou em quase tudo… não gosto muito de rosas.

Abelha: *pegando o buquê* Boba… são rosas.

Estelar: Ok. *olhar malicioso* vamos assistir um filme, se quiser depois se juntar a nós…

Ravena: Claro… *sai em direção ao banheiro* Aliás… não o Mutano está em casa?

Abelha: O Mutano? *ri* Até parece… na sexta?

Ravena: Hum…

Ravena caminhou até o banheiro. Entrou e se sentou na tampa do vaso sanitário, encostando sua cabeça na parede e fitou o teto. Foi tomada por um angústia, ficou preocupada com Mutano… ela devia ter tentado falar com ele antes do encontro? Será que ele não viu o bilhete e ficou esperando ela? Será que ele estava com raiva dela? Até que pensou “Ou será que na verdade ele tinha esquecido que tinha marcado comigo e foi pra balada como o plano original dele? Será que ele está com alguma garota? Ela deve se vestir melhor que eu, e ser mais descolada também… mas também não sei porque isso importa… ele só me ajudou com os encontros porque foi o jeito que ele encontrou de se sobressair em relação a mim… ou será que ele se magoou? Será que ele não viu o recado? E se ventou e o recado voou… acho que seria melhor esperar ele acordada e perguntar sobre o bilhete”. Que sentimento ruim e estranho. Porque toda vez que o metamorfo vinha a sua cabeça ela era tomada por sensações estranhas e desconhecidas? Se despiu lentamente e entrou em um banho gelado.

Tentava traduzir o que estava sentindo. Por Azar, como era difícil. Passou três anos em Azarath para lidar com sentimentos e emoções, mas não aprendeu nada sobre essa coisa estranha… não sabia nem se tinha nome… logo justificou que deveria ser um sentimento demoníaco que humanos não conheciam por não ter esse sangue em suas veias.

No banho demorado lembrava-se do encontro… mas não do encontro com Aqualad e sim dos encontros estranhos com Mutano, mas não percebeu que estava lembrando-se disso. Seus pensamentos voavam e se perdiam nas lembranças de um rapaz verde atrapalhado, improvisando tudo, esquecendo coisas, com certeza não tinham sido encontros tediosos. Bom talvez ainda precisasse da ajuda dele… será?

Saiu do banho e se enrolou em uma toalha, vestiu a mesma roupa (menos a calcinha), pois não havia passado no seu quarto para buscar o pijama. Enxugando o cabelo ouviu uma gritaria do lado de fora, resolveu sair, caminhou pelo corredor quando deu de cara com Robin e Ciborgue carregando Mutano. Seu coração disparou imediatamente e sentiu as pernas amolecerem.

Ravena: O que aconteceu?

Mutano: AHHHHH VOCÊ?! E AI? E O SEU ENCONTRO COM AQUELEZINHO?

Ravena: Você está bêbado Mutano *assustada*

Mutano: JURA? SABE QUANTAS EU BEIJEI HOJE?

Robin: Chega Mutano.

Ciborgue: Vamos tomar um banho amigão.

Mutano: DO-ZEEEEEE. DOZE ME TIVERAM, DAS MUITAS QUE QUISERAM…

Ciborgue: Chega.

Mutano: SABE QUANTAS GÓTICAS LEVARAM UM CHUTE?

Ravena: Você precisa de um banho Mutano.

Mutano: OITO! O-I-TO.

Robin: Vamos.

Mas Mutano se remexia, se revirava e contorcia. Queria falar com Ravena.

Mutano: ELE TE BEIJOU? ELE QUIS TRANSAR COM VOCÊ?

Ravena: *corada* Mutano você está descontrolado.

Cibogue: CHEGA Bro.

Arrastaram o homem verde para o banheiro, usando muita força. Ravena ficou paralisada por um tempo, não conseguia juntar todas as informações que acabara de ouvir. Doze? Oito? Isso são 20 garotas. Mas o que isso importa? Era melhor ir meditar para esquecer a cena que acabara de ver.

Ao entrar ainda atordoada no seu quarto se depara com um cheiro muito gostoso. Um perfume masculino bem envolvente que lhe lembrava do metamorfo. Sentou-se na cama e algo no chão lhe chamou a atenção, caminhou até a coisa. Era uma flor. Uma única flor. Provavelmente colhida, porém cortada da maneira certa para que pudesse ser plantada. Rapidamente envolveu sua magia em objetos que foram até ela, um vasinho, terra…

Olhava apaixonada para florzinha. Era uma begônia, rosa. A flor que a empata mais gostava no mundo, porque ela podia ser bela e viva mesmo quando cultivada em locais fechados e sem Sol. Ela se sentia como uma begônia. Uma fitinha verde amarrada ao caule da florzinha delicada.

Ravena: *sussurrando para si mesma* Mutano… desta vez você acertou… acertou muito *sorrindo*.

Enquanto plantava com o máximo cuidado, sorria singelamente lembrando-se de muitos anos atrás, quando ainda tinha 15 anos. Lembrava-se de estar cultivando begônias como aquela em seu quarto quando Mutano pivete entrou correndo e derrubou seu vaso da janela. Não conseguiram salvar a plantinha e desde então o quarto dela se tornou proibido para todos os titãs. Ele prometeu que um dia a recompensaria… mas Ravena jamais imaginou que ele estava falando a verdade.

Ravena olhava a plantinha torcendo para que ela não morresse, pois para ela isso significava que a amizade deles não ia morrer, por mais que ele estivesse com raiva de tê-la esperado, já que não viu seu bilhete, deduziu. Não precisou meditar. Deitou muito feliz. Mais feliz com a begônia do que com o beijo. Mas, novamente, não se deu conta disso.

CONTINUA…

Notas finais
Fofo? Ansiedade? Morte? Fala aê...