Notas iniciais
Continuação (ela já está postada no Social Spirit - estou colocando as atualizações aqui porque vi que tem três amores seguindo) Obrigada!!

E dormiu bem… quando abriu os olhos demorou a entender onde estava, “Azarath” *suspirou*. Havia se lembrado dos acontecimentos da noite anterior. Mas no quarto não restava nada da infusão preparada por Jason antes de dormir, nem mesmo sua xícara. Porém, ao lado de sua cama, um bilhete:

“Bom dia querida. Espero que tenha conseguido dormir e descansar. Quando acordar me procure. Amor, Dallan”

Ravena: Ele continua me protegendo acima de tudo *volta a se deitar, olhando para o teto* Ai Ravena o que você está fazendo?

Dallan: Falando sozinha? *Parado na porta*

Ravena: Um pouco… *olha para ele e senta-se na cama* Encontrei isso *mostra seu diário*

Dallan: E o que seria?

Ravena: Você nunca viu?! *olha desconfiada*

Dallan: Jamais olharia algo que não me pertence. O que é?

Ravena: Um diário… acredito que eu tinha uns sete ou oito anos. Te desenhava muitas vezes comigo…

Dallan: Você foi uma menina adorável, querida.

Ravena: Ontem você disse que eu era brincalhona, é sério? Não me lembro muito dessa época.

Dallan: Uma das mais sapecas *sorri*, adorável. Tivemos muito trabalho com você. Uma criança que gostava de sentimentos, dos seus e dos outros. Se alimentava disso, pelo menos é o que parecia.

Ravena: E hoje o que eu sinto? Se vocês me ensinaram a não sentir, porque eu sinto… algumas coisas?

Dallan: Não te fazer sentir seria impossível! Fui contra esse plano por muito tempo. Eu acreditava que você seria muito mais poderosa se continuasse a se alimentar de seus sentimentos e usasse isso a favor do bem… mas pelo jeito, fui vencido.

Ravena: Por quê?

Dallan: Tinham muito medo de você querida. Eu também. Mas não conseguia acreditar que uma criança apaixonada por filhotes poderia um dia se tornar um demônio. *silêncio* Então fui o responsável por criar Nevermore.

Ravena: O que?

Dallan: Eu não queria tirar toda a sua humanidade. E sentimentos são humanos. Mas ao mesmo tempo seus sentimentos poderiam matar e destruir *silêncio*… sabe, uma magia aqui, outra ali… prendi suas emoções em um mundo paralelo, e tranquei-as num espelho *Ravena o olha seriamente* você poderia ir lá, poderia senti-las, poderia controla-las… me pareceu a ideia perfeita…Fiz isso no seu nono aniversário…

Ravena: Por isso não tive mais diário? Por isso não me lembro desta época?

Dallan: Talvez. Entenda nossas memórias são diretamente ligadas às emoções. São as sensações que sentimentos que definem que memórias vão permanecer e quais vão embora. Mas nesse processo de prendê-las numa outra dimensão, acho que algumas memórias se perderam… e eu sinto muito *olha cabisbaixo*.

Ravena: Se você as separou… você pode junta-las novamente?

Dallan: Não querida. Não é tão fácil. Como Nahimana disse ontem, as vezes é mais perigoso voltar do que seguir em frente… talvez eu as perdesse para sempre.

Ravena: Não quero perde-las.

Dallan: Terá que sentir coisas, ativar suas emoções, colocar ordem na casa, entende?! Querida, estarei aqui, como sempre estive para te ajudar. No fundo eu sempre acreditei que você não era aquele demônio que todos temiam.

Ravena: Eu sei… está no meu diário *sorriso tímido*

Dallan: Bom, quer me ajudar com as crianças?

Ravena: Crianças?

Dallan: Eu cuido delas durante as manhãs, as ensino a meditar.

Ravena: Bom, não tenho muitos planos pra hoje…

O Monge 1 saiu do quarto, deixando Ravena sozinha para se trocar. A empata colocou um vestido longo, soltinho e branco. Era estranho se ver sem o peso de um uniforme. Hoje sua batalha seria contra crianças. Talvez a batalha mais difícil, isso era certo. Saiu em direção ao salão de meditação. Imaginou que Dallan estaria lá por conta do barulho.

Ao adentrar a sala, uma zona! Eram muitas crianças… talvez oito? Ou dez? Não paravam quietos. Andavam, corriam, gritavam… terríveis. Como ele pretendia ensiná-los a meditar?

Dallan: Crianças, a tia Ravena chegou *as crianças param por instantes e a olham*

Ravena: Oi *ríspido e seco*

Lili: Você vai meditar com a gente? – perguntou uma menina de aproximadamente seis anos.

Ravena: Hum… depende do que vocês chamam de meditaç…*foi interrompida*

Dallan: Vai sim *as crianças ficam alvoroçadas*

Ravena: Como pretende meditar neste desespero?

Dallan: Só errei uma vez… e foi com você… depois nunca mais me permiti o erro de segurar as crianças. A doçura, leveza, inocência delas. Não mais…

Ravena estava perplexa. Seria impossível, a seu ver, meditar com tanto barulho.

Dallan: Bom meninas e meninos. Agora que já ficaram bem agitados… quem se habilita a ensinar a tia Ravena a meditar?

Ravena: Me ensinar? Mas eu já sei…

Poli: Eu ensino! – prontificou-se uma garotinha de oito anos, que se aproximou de Ravena. Olha, primeiro você tem que se agitar.

Ravena: Me agitar?

Poli: Sim, como você vai se acalmar se não estiver agitada? – puxou a empata para fora da sala segurando-a pelo pulso direito.

Ravena ao sair, puxada, da sala olhou para trás e então viu crianças sentando-se, umas em posição de lótus, outras de indiozinho, outras estavam deitadas… aos poucos ficando mais quietas…

Ravena: E como você pensa que vai me agitar?

Poli: Podemos desenhar… ou jogar algum jogo… podemos brincar de mímica.

Ravena: Mímica? *pensativa* Qual o seu nome?

Poli: Poliana, mas gosto de Poli.

Ravena: Poli, eu tenho uma amiga que gosta muito desse jogo *falou nostálgica*.

Poli: Sua amiga? Então vocês devem jogar muito, você deve ser muito craque.

Ravena: Na verdade, eu nunca joguei com ela.

Poli: Porque? Jogar é tão bom! Agita a cabeça… você não acha?

Ravena: É exatamente por isso que eu nunca joguei.

Poli: Bom quem começa?

Ravena: Hum… você quem sabe… pode começar se quiser.

Ravena tinha muita dificuldade de acertar as imitações de Poli, enquanto a garota era muito boa. Neste momento sentiu raiva de não ter jogado com a amiga tamaraniana, afinal estava perdendo para uma menina de oito anos.

Poli: É tia Ravena, desse jeito não vamos meditar hoje.

Ravena: Mas você já está bem agitada…

Poli: Mas você não está… *pensa em silêncio, porém inquieta* vamos cozinhar!

Ravena: Precisa mesmo?

Poli: Sim! Vamos cozinhar uma comida nova… a gente vai ter que inventar…

Ravena: Eu só sei fazer waffles.

A garota a puxa novamente pelo pulso, levando-a para a cozinha do templo. Remexe os armários retirando muitos ingredientes, sem se importar se eles poderiam ser misturados. Jogava ingredientes diversos numa vasilha… azeite, farinha, terra, ervas, leite…

Ravena: Não sei se ficará muito bom…

Poli: Vai ser uma grande meleca *rindo*

Ravena olhava aquele preparo que também lhe lembrava Estelar, que não era a melhor pessoa na cozinha. Passaram a tarde juntas. Aos poucos Ravena ia se soltando, colocando ingredientes estranhos na mistureba de Poli… um pouco de cabelo roxo, pasta de dente… pararam em alguns momentos por conta de uma guerra de farinha. Ravena nem perceberá que estava rindo…

Poli: Acho que já podemos meditar…

Ravena percebeu o quanto estava agitada. Seu coração palpitava forte, faltando-lhe o ar. A barriga doía de tanto que havia rido. Não conseguia entender como iria se concentrar naquele momento.

Ravena: Ah, mas agora vai ser difícil… eu acho Poli…

Poli: Eu gosto de meditar deitada, é muito confortável…

Ravena: *respirando mais fundo* mas você vai acabar dormindo, não?!

Poli: E daí? A ideia é relaxar!

Ravena olhou docemente para a garota que se aconchegava no chão. “prefiro ficar sentada”. Colocou-se em posição de lótus, mas era muito difícil manter a concentração. Lembrava-se das brincadeiras da menina, lembrava do seu próprio chá mais gostoso do mundo, estava muito difícil…

Dallan: Acho que ela adormeceu…

Ravena: Não consigo me concentrar… *abrindo os olhos* Nunca vou conseguir me acalmar… como você vai ensinar ela?

Dallan: Que bom… às vezes a recreação é a melhor meditação… *coloca-se em posição de lótus ao lado dela* você parece menos tensa do que hoje de manhã.

Ravena: É… — A empata não poderia mentir, de fato estava mais relaxada e tranquila. – Mas, com certeza não estou descansada.

Dallan: Mas se estivéssemos em perigo, com certeza estaria mais tranquila para pensar e agir… porque está em paz consigo mesma.

Ravena: Isso é loucura… Como faz com todas as crianças?

Dallan: Temos regras… brincamos, agitamos, meditamos… e depois é a hora da limpeza.

Ravena: Justo.

Dallan: Mas mocinha, hoje você agitou junto… limpará junto… *sarcástico*

Ravena: Não é justo!

E assim se cumpriu. Após uma hora de meditação, ou de soneca para algumas crianças, todas levantaram e junto à Ravena começaram a limpar a bagunça que haviam feito. As crianças pareciam ficar tão agitadas limpando quanto bagunçando. Ravena não pode esconder um sorriso ao ver as palhaçadas das crianças. Sentia que se quisesse poderia machuca-las, mentir para elas… elas acreditariam… porque eram inocentes, ingênuas… mas Ravena não queria engana-las. No final todas foram embora…

Poli: Tia Ravena, amanhã eu volto… você vai agitar comigo de novo?

Ravena: *abaixando-se na altura da menina* Vou sim, mas se prepare porque eu vou treinar muito hoje na mímica… *sorriu*

Poli a olhou encantada e espontaneamente lhe deu um abraço muito apertado e um beijo no rosto.

Poli: Até amanhã então… amiga Ravena.

“Amiga Ravena…” como sentia falta de ouvir aquelas palavras…

CONTINUA…

Notas finais
Raiva? Ódio? Curiosidade? Fala aê...