Vivendo o luto
3 Negociação
Notas iniciais
Seaver entrou e se sentou calmamente, ela estava fazendo o possível para mostrar que isso não estava a afetando. Talvez não a afetasse da mesma maneira que os outros, mas ela ainda era sua mentora.
“Agente Seaver em um momento como esse não é sinal de fraqueza demonstrar seu luto” Ela me observava atentamente, Emily sempre disse que ela era uma boa ouvinte, sempre apta a aprender. “Eu estou tentando entrar em um acordo com tudo isso” Ela confessou “Nós não deveríamos morrer por causa desses monstros, nós deveríamos pega-los” Ela disse um tanto frustrada.
“Imprevistos podem acontecer” Eu disse a jovem agente, ela então disse “Isso é fácil para você dizer, você nem ao menos parece se importar. Senta aí e fala com a gente, parecendo que não perdeu um agente” Ela estava brava comigo? No meio de toda essa situação? Foi então que eu percebi, ela não sabia. Emily provavelmente nunca contou a ela e desde a saída de JJ a equipe não anda tão brincalhona como antes, provavelmente seja por isso que nosso relacionamento não tenha caído em discursão no jato e isso tudo aliado ao fato do funeral de Emily ter sido tão impessoal, só me faz parecer um chefe de equipe.
Levantei-me e fui até minha mesa, de lá retirei uma fotografia, enquanto voltava ao meu assento eu comecei “Os médicos me entregaram os pertences dela, isso estava no bolso de sua calça” Eu disse entregando a ela a foto. Era uma foto pequena, dessas de maquinas antigas que assim que batem imprimem, foi do primeiro dia dos gêmeos em casa, estava eu segurando Tony, ela segurando Ethan e Anne e Alex ao seu redor, estávamos tão distraídos com as crianças que nem percebemos Garcia tirando a foto. “O bebê que estou segurando se chama Anthony, ela está com Ethan, o garoto é Alexander e a menina chama-se Ariane” Ela ainda encarava a foto sem me olhar nos olhos, quando ela finalmente me olhou nos olhos eu disse “Eu não perdi apenas minha agente Seaver, eu perdi Emily, minha melhor amiga, companheira, mãe dos meus filhos” Ela me olhava em choque.
Após um tempo analisando a fotografia ela perguntou-me “Onde eles estão?” “Em um lugar mais seguro” Ela então olhou para mim com um leve sorriso “Sabe, a garotinha se parece com ela” pela primeira vez em dias eu sorri “É, ela parece”.

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