Vivendo nas Sombras
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Já era noite e eu estava caçando quando ouvi alguém se aproximar. Me virei bem rápido para ver quem era. Soprou uma brisa em minha direção, mas eu não reconhecia de quem era aquele cheiro. Seria de um novo integrante de outro clã?
De qualquer forma, era melhor me esconder. Pulei em cima do telhado mais próximo e fiquei lá para ver quem era o estranho visitante.
Era uma mulher alta com longos cabelos escuros levemente bagunçados e com olhos cor de escarlate. Parecia que ela estava a procura de algo ou alguém, ou ela apenas sentiu meu cheiro...
Seja lá quem ela seja, eu ainda estava com sede. Fui pulando pelos telhados para procurar alguma humano idiota. No caminho parei para pensar quem seria aquela moça e o que ela poderia querer aqui... Mas isso não era assunto meu, e teria que andar mais rápido se eu quisesse chegar rápido em casa.
Minha garganta começou a arder, como se eu tivesse engolido uma tocha, e eu percebi que já estava quase saindo do Brooklyn e isso não era bom. Então voltei e finalmente achei um velho aparentemente bêbado, e ao seu lado um cara que parecia ser seu amigo, mas era um pouco mais jovem, com cabelos loiros e bêbado também. Seriam esses mesmos, acho que os dois saciariam a minha sede.
Eu corri e afundei as minhas presas na garganta do velho antes que ele percebesse a minha presença. Seu amigo ficou aterrorizado e correu para longe de mim tropeçando em seu próprios pés. Coitado se ele pensava que ia conseguir fugir de mim! Quando o velho secou, pulei na direção do outro, furei sua garganta e o liquido doce invadiu a minha garganta acalmando a sede. O homem logo secou, igual o velho, mas eu já estava saciada.
Estava voltando para casa quando senti o cheiro de Helena, a líder do clã de Chinatown, e de Maria e Eliza também (as duas outras participantes desse clã). Era melhor que eu saísse dali, Peter não gostaria se Maria arrancasse outro braço meu e localizasse nosso esconderijo de novo.
Corri o mais rápido que pude, cheguei ao nosso esconderijo um pouco depois. Peter estava lá,em pé, imóvel como sempre, olhando para a janela. Seus olhos estavam vermelhos vivos e seu cabelo castanho claro estava impecável mas sua blusa estava rasgada e manchada de sangue.
__O que aconteceu com a sua blusa? — perguntei
__Encontrei Paul e Sofia — Outro clã do Brooklyn — enquanto caçava e eles arrancaram meu braço. Mas revidei e desmembrei Paul. Quanto a você Mariane, me parece inteira...— vi um dos cantos de sua boca se levantar em um meio sorriso. Ele havia me acolhido em seu clã de um só vampiro quando eu precisava, e Peter sempre foi muito gentil.
__ Por enquanto, sim. A noite foi calma até agora. Mas vi uma estranha. Ela não me viu, eu acho, e depois eu senti o cheiro do clã de Helena. Mas dessa vez Maria não sentiu o meu cheiro. — fiquei pensando naquela estranha que nem se deu ao trabalho de me seguir. Aquilo era estranho. Normalmente qualquer vampiro que eu conheça teria me perseguido e arrancado um de meus membros, mas também eu não conheço muitos vampiros.
Peter pareceu surpreso, não são muitas vezes que estranhos visitam Nova York sem querer arranjar alguma briga.
__Deve ser uma nômade ou uma semi-nômade. Mas seja lá quem for, acho que deve ir embora logo. — Peter refletiu por um minuto e depois continuou — Como ela era?
__Alta e com cabelos longos e pretos... — Nunca tinha visto Peter tão interessado em um nômade, então não pude resistir a perguntar. — Por que o interesse?
Ele me olhou por um instante, e logo senti o seu dom chegando. Pronto, em questão de segundos tinha me esquecido totalmente do que estava pensando!
__Por que fez isso?! Do que nós falávamos? — olhei-o com raiva. Odiava o seu dom, era tão...insuportável! Peter tinha o incrível dom de apagar os seus últimos pensamentos, fazendo-se assim uma péssima pessoa para conversar.
__Nós estávamos conversando sobre a crise mundial e você, pra variar, me irritou sobre alguma coisa inútil. — Eu sabia muito bem que ele estava mentindo, pude ver em seus olhos. Mas se eu falasse isso ele faria de novo, e de novo.
Nós saímos um pouco depois das 4 e meia da manhã para procurar novas roupas, já que as de Peter estavam todas rasgadas. No caminho encontramos Kate e Rebeca na 46 Street, muito infelizmente. Ouvi um leve rosnado sair de Peter, Kate riu, e disse:
__Hum... O que temos aqui Rebeca? Ah, o que foi Pete, arrancaram o seu braço de novo? — Ela disse com um risinho em seus lábios e uma expressão irônica.
Me deu uma imensa vontade de pular em cima dela e lhe arrancar a cabeça, mas eu me segurei, e parece que Peter também. Como eu odiava encontrar outros clãs na rua, na frente de humanos! Parecia que eles sabiam que nós éramos diferentes e também parecia que tinham medo do que nós poderíamos fazer... Mas isso não importava naquele momento, eu estava tentando me controlar para não matar Kate e Rebeca, porque além do mais elas me matariam primeiro. Eu acho.
__Para que responder se você já sabe, não é Kate? — Kate tinha o poder de ver o passado quando via as pessoas.
__Mas ainda sim é bom ouvir você dizer. Mas você Mariane... Me parece intocada, não é mesmo? — Kate disse radiante. Rebeca por outro lado parecia tensa. Não sabia o que estava acontecendo, e nem o porquê de Peter não usar seu dom quando realmente era necessário!
Não respondi, apenas a fuzilei com os olhos. Vi Kate e Rebeca sorrirem ao mesmo tempo.
__Por que as perguntas?- Peter disse, querendo ir logo embora.
__Você logo descobrirá se for de fato esperto. — Rebeca falou e desapareceu com Kate na multidão de humanos.
__O que acha que é Mariane? — Pete parecia tão nervoso e curioso quanto eu.
__Não faço a menor idéia. — O que será que William, que era o líder daquele clã, estava armando dessa vez? — Coisa boa é que não é. Temos a última vez como prova... — falei me referindo sobre o ataque de recém-criados que ele fez à todos os clãs de Nova York. Vários vampiros morreram ou fugiram. Pelo menos foi o que Peter me disse, já que eu só o encontrei cinco meses depois que meu criador foi destroçado e queimado.
Eu ainda me lembro do dia em que fui transformada, é claro. Era noite normal em Kentucky, estava chovendo e minha mãe tinha me pedido para comprar leite para meus irmãos. Estava voltando para casa quando Eric, meu criador, pulou na minha frente e disse “Venho te observando faz tempo, e sei que você está cansada dessa vida” ele disse indo para trás de mim e cobrindo os meus olhos “isso não vai doer nada e, me considere seu salvador...” depois disso só me lembro de algo espetando na minha garganta e de queimar e gritar, mas ninguém me ouvia. Eric ficou sentado ao meu lado dizendo “Você vai me agradecer por isso, você vai me agradecer por isso...”. Eu de fato não gostava da minha vida humana mas com certeza preferia os meus irmãos chorando de madrugada, de ser tratada como uma empregada pela minha própria mãe e do meu pai chegar bêbado toda noite e me bater do que viver uma vida eterna em uma guerra eterna em Nova York.
Quebramos uma janela e entramos em uma loja de departamento. Peter escolheu suas roupas e eu acabei caindo na tentação e roubei também três sapatos para minha coleção. Dessa vez comprei um Louboutin, um Gucci e um Marc Jacobs. Pete comprou três camisetas novas, mas eu aposto que teremos que vir fazer compras novamente em duas semanas.
Fomos correndo para casa, mas insisti em parar na livraria, eu precisava de livros novos. Quando saímos de lá eu estava com minha mochila cheia de ótimos livros para passar meu tedioso tempo.
__Para que você precisa de tantos livros? Pelo amor de deus, você pode fazer qualquer coisa em Nova York, mas nããão, quer ficar trancafiada no apartamento lendo! — Peter disse avaliando o que eu faço diariamente, e me olhando duvidosamente.
__Masficando no apartamento eu não tenho que vir comprar roupas novas de duas em duas semanas. — sorri — Ei, vamos fazer alguma coisa então.
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__Tem certeza que quer fazer isso?
Nós estávamos já chegando no Brooklyn, indo para uma boate só para mostrar para Peter que eu também sei me divertir.
__ Desde que eu te conheço, ou seja nesses dois meses e meio, você nunca saiu para se divertir... — Admito que parte disso seja verdade. Eu nunca fui de sair muito nem quando eu era humana. — Mas eu não vou perder essa chance de ver vocêse divertir de verdade. Vamos, vamos! — um grande e lindo sorriso estampou seu rosto.
Quando chegamos lá senti logo o cheiro de humanos misturado com bebidas e drogas. Todos se viravam quando nós passávamos, não sei o que eles pensavam de nós. Provavelmente deveria ser uma mistura de encanto e medo, eu acho.
Fui para o bar e Peter, bom, não sei aonde Peter foi parar. Rra melhor deixar ele se divertir e procurar algo para me distrair, como um humano inútil que eu acabaria matando no final da noite. Foi só pensar que um apareceu, vindo em minha direção um homem não muito alto, de cabelos pretos, olhos azuis como o céu e pelo cheiro, não tinha bebido muito.
__Oi — se sentou sorrindo e estendeu a mão para eu apertar. — Sou Tyler.
__Oi, eu sou Mariane. — apertei sua mão com um leve sorriso. Acho que ele era o único humano que eu já conhecera que não gritasse comigo ou me ignorasse, ele parecia simpático.
__Quer dançar? — ele me olhou esperançoso — Ou quer um drink? Eu pago!
__ Hmm... Decisão difícil, mas fico com o drink.
__ Dois martinis com bastante azeitonas, por favor. — Ele pediu para o barman, que limpava alguns copos.
Senti que ele me olhava, então me virei e sorri. Inalei o cheiro de Peter se aproximando, na verdade parecia que ele estava bem atrás de mim. Foi aí que eu virei para trás e deparei com Peter me encarando e prendendo o riso. Lhe dei um tapa no braço e ele se sentou do meu outro lado. Pediu um Blue Lagoon para ele. Tyler olhou para mim e perguntou:
__Quem é esse? — perguntou visivelmente envergonhado.
__ Meu irmão — foi uma péssima mentira, porque era óbvio que Peter não é meu irmão. Eu tenho cabelos ruivos, sou baixa e tenho sardas e Peter é alto, de cabelos castanho claro e sem absolutamente nenhum sinal no rosto. A única semelhança era a nossa cor pálida e nossas putras característas vampíricas — Que não deveria estar aqui. — completei.
__Peter. — estendeu a mão e apertou a mão de Tyler.
__Tyler. — o coitado me olhando com um ar de dúvida. Será que ele percebera que não somos nada parecidos?
Voltamos a conversar quando eu senti o cheiro de todo o clã de Wiliam, e Peter enrrijeceu ao meu lado. Tentei parecer o mais normal possível falando com Tyler.
__Acho que já esta na hora de irmos, não é Mariane ?
__Mas já? — falei e olhei as horas em meu relógio. Nossa, já era quase de manhã e nós precisávamos voltar antes do sol nascer. E claro, antes que Wiliam nos percebesse aqui. — Nos desculpe Tyler, mas nós precisamos mesmo ir. Dia desses nos encontramos por aí! — dei à ele meu telefone e sumimos no meio da multidão.
Conseguimos sair sem esbarrar no clã de Wiliam e fomos correndo para o nosso esconderijo. Quando chegamos, nos sentamos no sofá e Peter disse:
__Essa foi por pouco! Mas acho que Wiliam não iria querer nos expor. — ele então sorriu — Mas que mentira foi aquela sobre eu ser seu irmão, e por que você deu o seu telefone para o garoto?
__O que mais eu podia falar? "Ah, Tyler, esse aqui é o Peter, um adorável vampiro que me abrigou quando meu criador morreu destroçado!". Algo me diz que não ia dar certo! — falei sarcástica — E o telefone, bem, acabo de inventar o delivery de humanos!
Ele riu do meu sarcasmo e foi só falar no Tyler que meu celular estava tocando com seu número no visor. Na hora que o celular começou a tocar não se via mais um sorriso na cara de Peter, parecia que ele não gostava muito de Tyler. Fui atender e ele pareceu surpreso quando eu atendi, como se imaginasse que eu não iria atender.
__ Ei, Tyler. — olhei para Peter que me encarava.
__ Oi Mariane! Então, eu estava pensando se poderíamos nos encontrar hoje de noite no Central Park... — ele parecia inseguro, que fofo!
__Claro que sim! — pude sentir seu sorriso do outro lado da linha.
__Te vejo às 20 horas, pode ser? — Pete não parecia nem um pouco feliz com a proposta do meu novo amiguinho humano.
__ Por mim, tudo bem. Até logo então. — desliguei.
Olhei para Peter e ele estava em pé olhando para a janela. Por que ele não gostava de Tyler? Quem era aquela moça? Por que eu que tinha que virar uma vampira? Tantas perguntas! Quando alguém iria me dar as respostas delas?
Notas finais
Bjoos! u.u
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