Notas iniciais
Minha primeira fic de Hetalia! Ai que emoção!!! Depois de meses sem escrever, essa simples história surgiu me fazendo muito feliz. Ela é simples e até bobinha mas eu a amo pois representa não apenas meu amor pelo casal como meu retorno ao mundo das fics. Espero que vocês curtam tanto ler essa pequena one como eu gostei de escrever. Agradecimentos a Misuki Shu e sua beta por terem me ajudado com a betagem da fic. Boa leitura!

Tédio. Aquilo era um total e completo tédio, pensava Arthur Kirkland, um jovem homem britânico que havia ido estudar no país do tio Sam alguns anos atrás e por ali havia ficado. Não que ele tivesse se encantado pelo país e seus habitantes, longe disso, na verdade ele havia ficado em parte pelo ótimo trabalho que conseguira como professor em uma conceituada Universidade e em parte pelos amigos que havia conquistado.

Seus melhores e únicos amigos eram Francis Bonnefoy, um francês louco e promíscuo e Antônio Fernandes Carriedo, um espanhol alegrinho. Os Três eram o total oposto um do outro, mas incrivelmente haviam construído uma sólida amizade, contudo, diferente dos amigos o britânico não tinha se adaptado tão bem ao seu novo lar. Ele não tinha mais nenhum amigo, namorado ou uma vida social, o que era motivo de gozação para o francês e o espanhol. Fora uma carreira de sucesso, Arthur não teve a mesma sorte que os amigos que conquistaram todas suas metas, tanto a profissional como a amorosa naquele país.

E esse era o motivo dele estar ali, sentindo aquele tédio em mais uma festa odiosa protagonizada por Francis. Seus amigos estavam vivendo o mais perfeito momento de suas vidas e queriam que ele também vivesse, ou pelo menos era o que diziam, porém o Kirkland já começava a desconfiar que eles apenas o arrastavam para aquelas festas para terem motivos para rirem dele depois.

– Eu odeio festas... – Murmurou Arthur virando metade de seu copo de uísque garganta a baixo como se fosse água, pensando que se eles queriam motivos para rir ele daria. Encheria a cara e daria um vexame, afinal não era como se nunca tivesse acontecido.

– Isso porque você é um velho ranzinza.

Arthur não precisava erguer os olhos para saber de quem se tratava, conhecia o dono daquela voz muito bem, ainda assim, ergueu a cabeça, seus olhos verdes encontrando brilhantes e divertidos olhos azuis pertencentes a Alfred F. Jones, o mais odiável americano que ele conhecia.

Engolindo uma resposta malcriada, ele observou o homem loiro, não escondendo um sorriso de deboche quando o viu com seu inseparável copo de Coca-cola em mãos, quase perguntando ao americano onde estava o hambúrguer para acompanhar, porque aquele horrível copo de papel com certeza tinha vindo de algum fastfood das redondezas. Jones e seu vício em comidas gordurosas e nada nutritivas não eram segredo para ninguém.

–... — Arthur pela primeira vez desde que lidava com o loiro escolheu tratá-lo com silêncio. Não entendia o motivo de Alfred estar falando com ele já que o loiro costumava ignorá-lo, fora que as breves conversas que tinha com o americano acabavam em violentas discussões, coisa que não queria fazer no momento; por essas e outras elenão imaginouque Jones viria falar com ele hoje apesar de saber que o mesmo estava na festa. O britânico já tinha visto o americano circulando pelo local, a presença brilhante e espontânea de Alfred não podia ser ignorada, muito menos por ele. Sempre que via o americano seus olhos pareciam ganhar vida própria, nunca se cansando de observá-lo, tentando comparar o homem que Alfred havia se tornado ao garoto que ele havia conhecido anos atrás. Fora a aparência e o gosto por comida, Jones havia mudado da água para o vinho e Arthur às vezes não sabia como lidar com aquele fato. Ele adorou o Alfred criança, mas seus sentimentos pelo Alfred adulto ainda eram indefinidos.

– Não vai discutir hoje? – Perguntou Alfred com insegurança e uma quase timidez, enquanto sua confusão pela falta de reação de Arthur estava adoravelmente estampada em sua cara.

Arthur quase riu da expressão de Alfred, não acreditando que aquele era o senhor seguro de si e dono da verdade que ele conhecia. Naquele momento Alfred mais parecia um garotinho meigo e ingênuo lembrando-o da época em que eles haviam se conhecido. De repente um tipo diferente de sentimento o dominou, o tédio sendo substituído por pura nostalgia e era um sentimento tão bom, tão diferente da raiva que ele normalmente sentia quando estava com o loiro que ele quis mais.

Decidiu jogar com Alfred um tipo de brincadeira que fazia com seus alunos no primeiro dia de curso de psicologia que ele ministrava, um jogo de conversação visando arrancar reações específicas dos mesmos.

Com essa ideia em mente, ele se levantou da mesa com seu copo de bebida em mãos e se dirigiu para longe do barulho e olhares indiscretos da festa, indo para sacada do apartamento do francês, observando a bela paisagem e esperando, não ficando nenhum pouco surpreso quando viu Alfred se instalar ao seu lado. Alfred F. Jones era conhecido por sua mania de grandeza e egocentrismo, ele nunca admitiria ser ignorado daquela maneira.

– Não vai responder? – Novamente questionou Alfred.

– Por que deveria? – O britânico retornou a pergunta sem sequer olhar para o Jones.

– É o que você sempre faz – Resmungou Alfred, inquieto com a pergunta.

– As pessoas mudam – Murmurou Arthur, e mesmo não olhando para ele conseguia sentir a confusão do loiro. – Acho que cansei das nossas brigas inúteis – completou levando o copo de bebida aos lábios.

Por um momento o barulho abafado da festa era o único som que era ouvido na sacada. Arthur estava pronto para se virar e ver as reações que aquela conversa provocou em Alfred quando o mesmo voltou a falar.

– Você... está bêbado Arthur? Quantas fadas há aqui nessa sacada? – Provocou Alfred.

– Por que me seguiu Alfred? – O britânico rosnou, engolindo uma resposta malcriada, odiando o fato de que mesmo que tenham ficado muitos anos sem se verem, Alfred ainda parecia conhecê-lo muito bem e sabia perfeitamente como deixá-lo irritado. Queria continuar com o jogo, por esse motivo não deixou a raiva dominá-lo.

– Porque quis. A festa estava um tédio, você é muito mais divertido – Declarou o Jones com voz de zombaria.

Arthur mordeu os lábios para não gritar com Alfred. Ele não queria provocar uma briga, queria ver o Alfred tímido, meigo, confuso e infantil, não o cínico, debochado e irritado, esse ele costumava ver todos os dias na faculdade, pois Alfred frequentava a universidade que dava aula e eles pareciam estar sempre se esbarrando apesar do lugar ser imenso. Entretanto, ser sério e sensato com o idiota do americano não estava dando o resultado que ele queria, então resolveu usar inocência.

– Como assim eu sou mais divertido? Para mim você parecia estar se divertindo muito com as suas amigas – Ditou Arthur calmamente, o fato de Alfred sempre estar cercado de garotas onde quer que estivesse não passava despercebido aos seus olhos sagazes.

– Sabe como é... Já tinha animado aquelas garotas com a minha maravilhosa presença, no momento você está precisando mais do meu heroísmo do que elas – Alfred usou seu tom cínico.

– Sei... – Concordou Arthur quase revirando os olhos de frustração pela pronta e esperta resposta. — Mas sabe o que acho? Acho que na verdade você prefere mais minha doce companhia a delas – Provocou o Kirkland.

– E se for? – Perguntou Alfred, ganhando um franzir das enormes sobrancelhas de Arthur, deixando-o com uma expressão cômica que o divertiu terrivelmente, nublando com o riso a expressão que ele pretendia manter séria.

– Então eu diria que você está louco. Se bem que louco você já é – Continuou irritado Arthur quando viu que Alfred não apenas não havia caído em suas provocações como estava invertendo o jogo gloriosamente.

– Não sou eu quem jura que vê e fala com fadas – Alfred zombou com uma gargalhada.

– Pelo menos eu não acredito que o planeta vai ser dominado por ETs – Contradisse Arthur com os olhos apertados de raiva, perdendo o controle de vez e já partindo para ignorância, preparando-se para inevitável briga que acontecida sempre que trocavam mais do que meia dúzia de palavras.

– Quando acontecer, você vai pedir o meu perdão de joelhos – Ditou Alfred com a convicção de uma criança.

– Oh... Você é louco, com certeza. E eu achando que você tinha largado o grupo de jovens mulheres porque no fundo está apaixonado por mim – Debochou Arthur zangado, apenas querendo ver o americano perder o controle, porque a raiva de Alfred era melhor do que seu cinismo, e foi com um sorriso adornando o rosto que ele ouviu Alfred engasgar. – Então é verdade... Você está apaixonado por mim? – Continuou a provocar cheio de diversão.

– Demorou a perceber Arthur – Ditou Alfred, virando-se para encarar Arthur com seriedade.

Arthur encarou de volta esperando com sua boca cada vez mais aberta Alfred apontar na sua cara e rir, dizendo que era uma piada, mas isso nunca aconteceu. Tudo que ele viu na expressão do Jones foram seriedade e desafio. Alfred falava a verdade e, conhecendo-o como conhecia, Arthur sabia que o americano teria claros argumentos para convencê-lo que suas palavras eram reais e aquilo o chocou quase tanto o que aconteceu a seguir.

Com uma agilidade que o pegou desprevenido, Alfred o puxou colando suas bocas, apertando os lábios com força contra o seus, em um beijo áspero e necessitado. Porém, tão rápido quanto veio a boca, afastou-se, deslocando-se para o seu ouvido e sussurrando:

– Agora que me forçou a isso, vou ficar esperando que assuma a responsabilidade meu velho – Falou Alfred se afastando, virando-se novamente para a sacada.

Arthur de repente entendeu as provocações sem sentindo de Alfred e o motivo do loiro sempre estar ao seu redor mesmo parecendo odiá-lo, assim como percebeu que o loiro não mudara tanto quanto ele imaginava. Se ele tivesse visto a verdade que sempre esteve na cara de Alfred, teria entendido o motivo por trás das ações do Jones, mas o mais incrível de tudo é que passado o choque ele começou a pensar que não seria tão ruim assumir a responsabilidade pelos sentimentos do americano.

– Ganho em meu próprio jogo – Kirkland riu com ironia, rodando os olhos e rindo de si mesmo, também se virando para olhar a frente da sacada.

Alfred nada disse sobre o seu comentário, contudo, o imenso e satisfeito sorriso que o Kirkland viu brotar no rosto do outro confirmou que ele concordava. Juntos eles continuaram a observar a paisagem da sacada, dando tempo ao um ao outro, apenas aproveitando a tranquilidade do momento, pelo menos até a próxima briga ou um novo jogo de provocação, pois ambos sabiam que aconteceria pelo menos até que eles resolvessem aquela história, assim como sabiam o resultado, afinal Arthur havia entendido que no jogo que começou ele era meramente um iniciante enquanto Alfred já dominava.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Agradeço desde já por terem chegado até aqui. Se puderem deixem um comentário e façam essa autora em sua reestreia feliz.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!