Notas iniciais
AAEEEEEHOOO!!!Oiolaa gente, tudo bem? Bom, essa one-shot foi inusitada, sabe? Ela veio do nada. Eu estava deitada na cama já que não estou me sentindo muito bem, então comecei a escutar a música I Can See Clearly Now de Johnny Nash. A música é boa e me inspirou a escrever essa loucura, apesar de não ter muito a ver com o enredo da fic. BOM, ESPERO QUE GOSTEM MUITO DESSA PORRA, PORQ EU REALMENTE ADOREI ESCREVER ISSO! Antes de ler, comecem a imaginar um Akashi de cabelo preto... Sim, preto! Já imaginaram? Taí na cabeça? Então tá. Vão ler. Bjs na bunda! o/

–Você está bem?

–É... Acho que estou...

Disse meio cabisbaixo segurando o líquido que fizera parte de sua vida nos últimos dias, o café. O seu estado de aparência era decadente. Seus olhos estavam com fundas olheiras, sua boca estava seca e rachada, apesar de estar tomando litros e litros de café, e seus cabelos negros estavam totalmente bagunçados.

–Akashi, sério, err... A quantos dias não dorme? –Perguntou o jovem rapas que estava a sua frente, um amigo de faculdade. Tinha cabelos redondos e azuis, assim como seu cabelos.

–Antes de ontem eu dormi. –Deu de ombros, tomando mais café.

–Pelo amor de Deus, pare de tomar mais café, vai acabar morrendo! E o seu cabelo, a quantos dias que não o penteia?

–Uma semana.

–Uma semana!? Está brincando, né? –O rapaz se aproxima e põe os dedos entre os fios bagunçados. –Porra Akashi, meus dedos mal entram no seus cabelos!

O moreno de certa forma sentiu-se confortável ao ter seu coro cabeludo tocado por aqueles dedos finos e delicados do seu amigo... Akashi gostava do seu amigo. É, sentia-se um pouco estranho de admitir isso. Fazer o que...

–Espero que tenha escovado pelo menos o dentes. –Falou cruzando os braços.

–Então... Não garanto nada. –Sorriu de canto.

–Que nojo! Akashi, você precisa sair, precisa pentear os cabelos, largar o café, dormir um pouco, escovar os dentes... Vocês precisa viver! Vai entrar em depressão se continuar desse jeito! –Falou sério o azulado.

–Hunf, Acho que já estou Tetsuya... Acho que já estou. –Falou cabisbaixo.

Kuroko respira fundo pondo as mãos no rosto.

–Você precisa de uma vez superar essa demissão... Vai haver outros empregos bons, eu garanto. –Disse gentilmente, tentando fazer aquele rapaz se animar, nem que se fosse só um pouco.

–Não adianta tentar me reconfortar Tetsuya, eu fui demitido e os caras não querem me ver de volta nem pintado de ouro... Tudo culpa do Joseph, aquele imbecil.

–Vai continuar ponto a culpa nele? –Sorriu.

–E não deveria? Por causa dele fui despedido.

Akashi trabalhava numa editora, que para ele era o melhor emprego que poderia ter. Desde adolescente sempre queria trabalhar em um lugar onde a sua missão era cuidar de revistas, editar imagens e reportagens, escrever textos e etc. E por cinco anos teve seu sonho concretizado até semana passada, quando foi demitido. Acabou brigando com um funcionário e xingou o chefe no calor do momento.

Agora o moreno estava passando os dias em seu apartamento sozinho, sem dormir e tomando muito, mas muito café.

–Bom... Você que sabe... –Kuroko se levanta do sofá. –Tente se reanimar, amanhã eu volto pra gente sair.

–Hm, Ok... –Disse sem fitá-lo, terminando de tomar seu café.

Kuroko fecha a porta e vai embora, deixando Akashi novamente sozinho naquele apartamento pequeno.

O moreno agora ficava olhando para a TV desligada, sem reação nenhuma, sem saber o que fazer. Estava deprimido demais para tentar fazer alguma coisa... Já faz uma semana que estava nessa rotina, uma hora iria acabar morrendo.

Morrendo...

–Ninguém liga se eu morrer. –Bufou.

Iria tomar mais café, mas quando chegou a xícara até a boca e perceber que ali não saia mais nada, aborreceu-se, mais do que já estava.

Respirou fundo... Não estava a fim de prejudicar mais a sua saúde, enganando a fome tomando café e ficando com mais insônia.

–Não, não vou pegar mais café... Vou tentar dormir... –Disse para si mesmo levantando-se do sofá.

Andou até a cozinha para desligar a luz.

Acabou pegando mais café.

–Foda-se. –Disse, indo para o quarto.

Chegou em seu quarto com a xícara já vazia, tomou o café bem rápido, tudo de uma vez. Colocou a xícara na cômoda e se jogou na cama, sentindo a maciez dos tecidos que cobriam o colchão de molas. Fazia dias que não sentia a cama. Se dormia, dormia no sofá, e era por poucas horas.

E foi quando deitou-se na cama que sentiu os olhos arderem, a respiração ficar ofegada e o corpo relaxar de imediato. Céus, estava tão cansado, precisava tanto de uma noite boa de sono, mas tanto, que podia sentir que a qualquer momento iria morrer se não dormisse!

Rolou na cama para achar alguma posição boa, e fechou os olhos.

E dormiu, dormiu rápido, mais rápido do que achou que um dia poderia dormir.

Estava tão cansado.

E horas mais tardes, quando o sol já estava no topo do céu marcando as incríveis 12:00PM, Akashi abre os olhos. Ele era um rapas que não costumava a dormir até tarde, gostava de acordar cedo para organizar sua casa e deixar tudo limpo para aproveitar a tarde. Mas naquele dia acabou dormindo até mais tarde... Maldita depressão, realmente acaba e muda com as pessoas.

Rolou a cabeça para o lado, tentando enxergar o pequeno relógio que costuma ficar do lado da cabeceira, esticou os braços e o pegou, vendo as horas.

–Céus, 12:30PM!? Nunca dormi até esse horário... –Falou sentindo a voz sair baixinha e rouca, sua garganta estava seca igual a um deserto. Juntou as forças que havia recuperado durante o único sono e se ergueu na cama, sentando-se. Sentiu o corpo inteiro dolorido. Bocejou se espreguiçando.

Quando abriu os olhos, acabou avistando uma coisa muito estranha se movendo da sua parede até a porta do seu quarto. O sono era tanto que não emitiu nenhuma reação quando observou aquela coisa andando atravessando seu quarto.

–Mas o que... –Disse para si mesmo.

E foi quando sentiu seu cérebro dar um estalo e seu corpo inteiro se retrair e sentir a sensação de medo dominar seu corpo, tudo ao mesmo tempo, sentiu o coração doer com tudo aquilo, levou um susto tão grande que sentia que poderia ter um ataque cardíaco.

–MAS QUE PORRA É ESSA!!! –Gritou assustado, puxando os lençóis para cobrir uma parte de seu corpo.

A criatura era extremamente estranha. Parecia não ter ossos já que seu corpo era todo molenga. Não possua braços, mas tinhas duas perninhas curtas. Uma cabeça pequena com dois olhos redondos pretos, andava de forma desengonçada com aquele corpinho redondo e pescoço longo. Em desenhos animados aquela criaturinha seria fofa, mas na vida real... Ohh aquilo era tão assustador! Nunca tinha visto algo igual aquela droga!

E como se estivesse o ignorando, que de fato estava, a criatura andou até a porta.

Akashi, do jeito que era curioso, se levantou num pulo da cama e correu até a porta do quarto, segurando no batente. Olhou para a sala procurando aquele ser estranho, mas por incrível que pareça havia sumido.

–Estou ficando louco... –Disse baixinho, se esgueirando no batente da porta do seu quarto. Foi quando sentiu uma sensação ruim e olhou para o teto de sua sala, e viu uma outra criatura, não tão bonitinha igual aquela que havia atravessado seu quarto, mas uma criatura grande que ocupava boa parte do seu teto e era verde, com dois alhinhos pequenos e pretos.

–HAAAAAAAAAAAAAA!!!! –Gritou mais uma vez, se jogando no chão e se arrastando até o banheiro, se trancando.

–MAS QUE BOSTA ERA AQUELA, O QUE ESTÁ ACONTECENDO!?

Akashi ficaria louco, quer dizer, já estava louco! Ficar vendo aquelas criaturas estranhas do nada era loucura!

E foi quando estava jogado no chão do seu pequeno banheiro, que olhou para a pequena janela que ficava próxima ao chuveiro, viu um vulto passando por ali. Levou outro susto. Se levantou rapidamente e abriu a porta do banheiro, correndo para a sala, mas quando olhou para cima pra ver se a outra criatura ainda estava em seu teto, a mesma havia sumido!

Iria falar algum palavrão, mas quando olhou para a janela de sua sala, viu que do lado de fora, em cima de prédios, casas, voando, por cima de carros e pessoas, as criaturinhas e criaturas enormes andavam, rastejavam e voavam entre as pessoas. O mundo estava dominado!

Sua boca permaneceu aberta por longos segundos, não acreditando no que estava vendo.

E de repente, sua campainha toca dando-lhe mais um susto. Francamente, seu coração depressivo iria acabar parando de bater com essa sequencia de susto! Saiu de sua sacada e correu até a porta do apartamento abrindo-a e dando de cara com Kuroko.

–Olá Akashi-kun. –Disse acenando com um sorriso doce.

–HUUAAAAAAAAAAAA!!! –E gritou mais uma vez de susto ao ver o amigo. Um grito de boca aberta mostrando todos os dentes e gengiva, gritava em plenos os pulmões. Com o grito, Kuroko se assustou e gritou também.

–HAAAAAAAA!!! MAS O QUE-

–PUTA MERDA, CÊ TÁ COM DUAS CABEÇAS!!! –Disse desesperado, apontando para a cabeça do azulado.

–O que!? –Perguntou confuso.

Akashi pisca mais uma vez e a cabeça extra de Kuroko havia sumido, ele voltara ao normal.

–Akashi-kun... Você está bem?

–Eu, eu... –O moreno começa a olhar para os cantos confusos e soava frio, sentia que sua camiseta ficava molhada de baixo dos braços. –Eu não to bem, eu não to bem! –Falou indo para a sala sentando-se no sofá.

–O que tá havendo com você!? –Kuroko fecha a porta do apartamento e vai até a sala.

–Eu não sei! Eu to vendo um monte de bicho estranho aqui em casa... Eles estão por toda parte... –Akashi se vira para a janela e vê um monte de criatura flutuando. –Consegue vê-los? –Aponta para a janela.

Kuroko desconfiado olha para a janela também, mas não vê mais do que um céu azul com pouca nuvem. Tudo normal.

–Você não está bem, Akashi-kun.

–Você não os vê?

–Não...

–Deus, eu estou ficando louco!?

–Louco você sempre foi. –Sorriu.

–Sem piadinha Tetsuya, sem piadinhas. Não é o momento. –Bagunçou os cabelos negros nervosamente. –Eu não entendo por que estou vendo essas coisas! HAAAAAAAAAAA, TEM UMA BEM ALI!

Akashi grita mais uma vez, chamando a atenção de Kuroko que passa a olhar pro mesmo lugar que ele, mas não vê nada, apenas a pequena mesa de dois lugares do moreno.

–ESTÁ EM CIMA DA MESA, BEM EM CIMA DELA!

A criatura era redondinha.

–Mas Akashi-kun...

–SAI DE CIMA DA MINHA MESA, CRIATURA ASQUEROSA! –O moreno num impulso se levanta do sofá e balança os braços afugentando o pequeno monstrinho.

–Akashi-kun, você precisa ir no médico.

–Não quero! –Se virou bruscamente para o azulado.

–Você não está bem, você está vendo coisas, não percebe!? Precisamos ver o que se passa na sua mente.

–Não estou a fim de ir para um lugar onde a pessoa dirá que eu sou louco... Eu sei que sou louco!

–Mas-

–E se me mandarem para um manicômio? Sabe-se lá o que vão fazer comigo, sabe-se lá o que acontece naqueles lugares! Geralmente são centros de macumbas pesadas e cultos satânicos onde usam os pacientes para testes bizarros. Não quero ser uma vitima de teste bizarro, eu ainda tenho a minha consciência intacta, só vejo criaturas estranhas... –Falou rapidamente sem respirar.

–Akashi-kun, bote logo a sua roupa e vamos ir no médico.

–Não!

–Por mim... –Disse colocando as mãos no peito e fazendo um olhar de cachorro pidão. Era golpe baixo, Kuroko não sabia que Akashi gostava dele!?

O moreno põe as mãos na cabeça e começa a bagunçar ainda mais seus cabelos nervosamente.

–Tsc, tá bom, tá bom. –Bufou irritado.

–Isso, obrigado... Agora vá se arrumar, estou te esperando...

Akashi dá meia volta e anda até o seu quarto. Quando entra lá dentro ele dá mais um grito de susto, chamando a atenção do amigo.

–Está tudo bem!? –Perguntou Kuroko, um pouco preocupado.

–E-estou... Estou... Era só um bicho que tava na minha cama mas... Mas já sumiu... –Murmurou.

Kuroko respira fundo. O que diabos estava acontecendo com ele?

Na ida até o neurologista foi bem conturbada. Akashi ficava o tempo todo levando susto a cada vez que encontrava uma daquelas criaturas andando pela rua. Kuroko bem que tentava controlá-lo mas toda hora o moreno via um daqueles bichos em cima das pessoas.

Chegaram no consultório e ficaram na sala de espera para serem atendidos. Estavam sentados na cadeira uns 30 minutos, seriam os próximos.

–Vai ficar tudo bem, só precisa ser confiante. –Disse o menor tentando tranquilizar o amigo.

–Eu sei, eu sei, eu não tenho medo dessas coisas. –Cruzou os braços. –Acho que vou pegar um pouco de café.

–Akashi-kun, chega de café! –Disse Kuroko segurando seu braço.

Akashi resmunga alguma coisa que Kuroko não entendeu, e senta-se na cadeira novamente. Ele passa então a observar a sala de espera com um monte daquelas pessoas esperando a sua vez chegar. E mentalmente, Akashi ficava pensando consigo mesmo: “Tsc, aquela velha gorda está esperando o quê? O teste de diabete? E olha praquele cara, com aquela cabeça deve ter câncer... “, ele era um rapaz maldoso, muito maldoso.

Foi quando iria falar mal de mais uma pessoa, mas aí olhou para o canto e perto do bebedouro viu mais uma das criaturas, de vez tinha um corpo grande e gordo da cor vermelha. Levou mais um susto, mas se controlou ao máximo para não gritar. Estava tão nervoso.

–Akashi-kun.

–HAAA, QUE FOI!? –Disse alto de uma vez só, assustando o resto da sala.

–Vamos? A nossa vez já chegou.

–...Vamos, vamos... –Disse indeciso em olhar para a criatura, ou olhar para o Kuroko.

Akashi se levantou devagar da cadeira e seguiu Kuroko até a sala do médico.

Chegando lá, Akashi e Kuroko são recebidos pelo médico e sentam-se em frente a mesa.

–Em que posso ajudar? –Disse o doutor.

–Meu amigo está tendo alucinações. Queríamos ver se há alguma coisa de errado com ele. –Disse Kuroko.

–Hmm, vejamos... O que tem a dizer, jovem? –Olhou para o Akashi.

–Não me mande a um manicômio... –Disse por fim.

O médico, com aquela frase só pode ficar alguns segundos calados tentando não rir.

–Ok, vamos lá. Deite-se naquela mesa e faremos um exame em você ok? Vamos ver se tem alguma coisa errada em seu cérebro.

Akashi se levanta da cadeira e vai até a mesa do exame e se deita.

–Tente ficar relaxado, ok? E não pense em nada. –Disse o doutor.

Passou-se vários minutos dentro daquela sala fazendo a consulta com o doutor. O mesmo fez várias e várias perguntas ao Akashi e o mesmo respondeu com calma. E no final, o médico contatou que não havia nada de errado com ele. Que era apenas estresse.

–Estresse? Tá bom, ele só disse isso por que realmente não sabia o que estava acontecendo e queria que a gente fosse embora logo. –Falou Akashi irritado enquanto andava pela calçada da rua junto a Kuroko.

–Deve ser difícil do nada encarar um problema como o seu... –Falou o azulado.

–Obrigado pelo elogio. –Pigarreou o moreno.

–Ora essa Akashi, é verdade. Não sabemos o que há de errado com você... E aí, como eles são? –Perguntou curioso.

–Tem formas estranhas e são feios... Mas seriam bonitinhos se fossem de algum desenho infantil. Parecem pokémons. –Falou.

–E está vendo algum agora?

–Estou. Vários deles em todas as partes. Em cima de prédios, em cima das pessoas, em cima de carros, andando e voando... Tem um no seu ombro.

–Serio!? –Kuroko olha para o seu ombro e passa a mão sobre o mesmo. –Não senti nada.

–Lógico que não sentiu, é só eu que vejo tudo nessa merda! Ahh, que não aguento mais... –Disse irritado.

–Calma, você pode se acostumar com eles, o que acha?

–Posso até tentar...

–Agora vamos a um psicólogo.

–O que!?

Akashi sempre achou que psicólogo era pra gente doida que sofria de depressão e queria se matar. Olha só que ironia, agora estava com doido com depressão e estava em um psicólogo... Só não queria se matar... Pelo menos por enquanto.

–Próximo! -Disse uma mulher.

–Sua vez, Akashi-kun.

Akashi se levanta da sua cadeira e vai até uma sala onde a decoração transmitia calma. O moreno senta em sua cadeira e fica numa sala a sós com uma mulher, já que Kuroko não pode entrar junto.

–Olá senhor Akashi, tudo bem.

–Mais ou menos. –Respondeu cansado.

–O que se passa, quer me contar? –Disse a moça calmamente, com um caderninho e uma caneta na mão.

–Eu to vendo várias coisas estranhas que ninguém mais pode ver...

Disse aquilo olhando para um monstro que estava no lustre se balançando.

–O quê, por exemplo?

–Monstrinhos estranhos... Eles não tem forma definida, não possuem ossos... E tem olhinhos redondinhos bonitinhos na cara.

–Entendo. –Dizia anotando no caderno.

–Teve alguma frustração na infância?

–Eu não... Sempre fui mimado.

–Teve alguma frustração no ultimo mês?

–Fui demitido.

–Ohh, entendi, entendi. E você gostava muito desse emprego, né?

–Demais...

–E quando você começou a ver essas coisas?

–Hoje de manhã. Acordei com um bicho atravessando meu quarto, eu levei um susto...

–Uhum...

–A propósito, tem um em cima da sua cabeça.

–Hã, o quê!? –A moça fica meio tensa com os ombros eretos.

–Calma, ele já sumiu. –Disse sem expressar nada.

–E você parece que já se acostumou com eles, não é?

–Acredito que sim, sei lá... Ainda me dão mesmo, mas acho que me acostumo. Vejo que eles não irão me fazer mal, eles nem prestam atenção em mim. –Bufou.

–Hm... Acho que você está com depressão.

–Está me dizendo o que eu já sei.

–É um distúrbio mental, acredito que seja temporário.

–Espero que sim... Espero que sim...

Realmente estava cansado de ficar andando de um lado para o outro e se encontrar com aquelas criaturas estranhas andando por aí. Monstros que pareciam ser bonzinhos, não faziam mal a ninguém. Mas eram monstros de acordo com Akashi.

O moreno depois que saiu do consultório de psicologia, foi até uma loja de produtos de cabelos para comprar uma tinta junto a Kuroko.

–O que estamos fazendo aqui? –perguntou o azulado.

–Se for pra eu ser um louco, que seja um louco de verdade! Vou pintar meu cabelo de vermelho. Vermelho vivo, tão vivo que parecerá rosa! –Falou convicto e confiante.

–Está ficando maluco?

O moreno se virou segurando uma tinta de cabelo e passou a encarar Kuroko, arqueando uma sobrancelha.

–... Sério? –Falou Akashi...

Kuroko permaneceu calado.

Akashi passa pelo azulado e vai até o caixa, pegando a pequena fila e pagando a tinta de cabelo.

Algumas horas depois, passou em uma lanchonete para forrar o estomago, estava morrendo de fome. E nem na hora de comer teve sossego, quase teve que dividir o lanche com mais um monstro que ficava do seu lado. Saiu da lanchonete e foi direto para casa, se despediu do Kuroko e foi para o banheiro, tomando mais um susto ao entrar no cômodo e ver em cima da privada a mesma criatura que esteve em seu quarto. A ignorou, pois a mesma havia sumido.

–Quer saber? Foda-se tudo...

Pegou a tinta de cabelo e pintou-se. E até que ficou bem. Cabelo vermelho combinava consigo de verdade!

Sorriu. Estava se sentindo bem depois de uma semana de pura depressão.

–Akashi-kun... Akashi-kun... Acorda!

Estava tão cansado, tão cansado. A voz que surgia em seu subconsciente mostrou-se real, fez seus olhos de forma cansativa abrir-se. Quando deu por si, estava deitado em sua cama. Akashi vira o corpo cansado para o lado, e encara o rapaz jovem de cabelos azuis lhe chamar meio preocupado.

–T-testuya? –Disse com a voz rouca e seca.

–Akashi-kun, quer me matar do coração!? Eu liguei aqui várias vezes e tive que arrombar a sua porta.

–Que horas são? –Perguntou sonolento.

–São sete da noite... Você dormiu direto desde ontem a tarde! Você está bem?

–Eu... Eu... –Akashi estava confuso, muito confuso. Ele se levanta e senta-se na cama, olhando ao redor. Ainda estava em seu quarto. Ele toca seu cabelo e olha no espelho, o mesmo ainda continuava preto. Ué, não havia pintado?

–Akashi-kun? –perguntou Kuroko.

–Eu acho que tive um sonho...

–Sonho? Heh, aposto que sonhou mesmo. Você dormiu demais!

Sonho. Então tudo foi um sonho!?

–Como se sente? Quer comer alguma coisa? Sente-se melhor? –Kuroko pergunta, pondo as mãos no ombro do mesmo que ainda estava meio desnorteado.

–Sabe Kuroko... Eu não estou me sentindo mais depressivo. Eu não estou com vontade de tomar mais café, eu não me sinto mais triste, eu... Eu nem ligo mais para a demissão... –Falou com um leve sorriso no rosto.

–Sério? Que coisa boa, Akashi-kun.

–Eu estou com vontade de dar uma volta... Quer ir comigo?

–Vamos, claro... -Disse num sorriso.

Akashi, totalmente diferente de antes, se levanta de sua cama e vai direto para o banheiro, fazer a higiene que a tantos dias não fazia. Se sentia tão bem agora.

Saiu de seu apartamento, e foi andando pela calçada junto a Kuroko. Estava aliviado por não estar vendo mais aquelas criaturas estranhas andando pra cima e pra baixo lhe perturbando. Estava feliz por saber que não estava louco.

O moreno e o azulado andam até uma praça e sentam-se num banco.

–Espero que procure um novo emprego. –Disse Kuroko.

–Semana que vem eu procuro. Estou a fim de descansar. –Disse olhando para os prédios a sua frente. –Sabe Kuroko...

–O que foi?

–Se um dia eu dissesse que estou a fim de você... Isso é hipotéticamente, ok? O que você faria... ? –Perguntou, sem nenhum pingo de vergonha.

Kuroko o encarou um pouco surpreso. O conhecia já fazia alguns anos e sabia que o mesmo era de fazer perguntas sem sentido a qualquer momento. Akashi sempre foi diferente das outras pessoas, e gostava disso.

–Eu diria que você está ficando louco. –Respondeu, sorrindo.

Akashi não fica triste nem feliz com aquela resposta. Esperava algo assim vindo de Kuroko. De repente, olhando em direção a rua, perto de uma lata de lixo, Akashi vê uma criatura branca de corpo desengonçado andando em linha reta e depois sumindo.

Ele sorri.

–É, talvez eu seja louco, mesmo...

Notas finais
Gostou? Gostou. Não gostou? Não gostou. COMENTE! Me ajuda demais da conta :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!