Vivendo ao perigo
1 Da água pro vinho.
Notas iniciais
Meu dia se caminhava igual a todos os outros, numa tarde agradável, começando o verão. O sol indo embora, os pássaros cantando e o dia acabando. Por alguns minutos deitei no terraço da minha casa, e fiquei apenas observando as nuvens indo embora, era estranho, porque nesse momento me deu uma certa tristeza, e uma espécie de sono, fora do normal.
Estava em um gramado, totalmente estranho porém agradável. Olhava ao redor e observava aquele local lindo, e ao mesmo tempo misterioso. Andei por horas ( pelo menos pareciam horas) e de repente surgiu uma certo corvo, minha cabeça começou a girar e quando dei por mim, estava em uma espécie de cativeiro, amarrado. Um homem me observava com algo na mão, parecia uma faca, ou algo bem pontudo e totalmente assustador. Mas não conseguia ver o rosto do individuo, mas dava pra saber que era um homem.
– FILHO, ACORDA!! — Meu pai me dando pequenos tapas na cara.
Acordei assustado, e soando que nem a Bruna Surfistinha em dias de trabalho.
– Que foi isso velho, pirou?- Acordei assustado.
– Olha ao seu redor, você está no terraço. São duas e meia da madrugada, e está congelando. Pirou? Quer pegar uma pneumonia? Vá logo para o seu quarto. – Saiu furioso.
Foi então que percebi, que acabei dormindo. Estava totalmente atordoado, e também aliviado de ter acordado daquele pesadelo horrível. Parecia tão real, que aquilo ficou em minha cabeça.
Desci as escadas, e tentei me distrair, aliás aquilo foi um sonho né ? Aliás o pior pesadelo que já tive, por alguns segundos ate imaginei que estava naqueles filmes do Fred, onde não consigo sair do pesadelo, e no final morro. Peguei uma garrafa de água na geladeira, e tomei de uma vez, logo depois fui ate o banheiro lavar meu rosto. Olhei no espelho, e fiquei tentando imaginar o rosto daquele ser, e do nada arrepiou toda minha cabeça e aquela tristeza voltou. Fechei os olhos e pensei, isso foi apenas um sonho horrível Rodrigo, apenas isso.
Acordei no dia seguinte as onze e meia da manhã, meu pai logo chegou me interrogando.
– O que deu em sua cabeça em dormir na varanda?
– Poxa pai, eu deitei um pouquinho lá e acabei pegando no sono. – Fui sincero.
– Ok Digão, da próxima vez que for deitar na varanda leve seu celular e Poe pra despertar. Não quero ficar vendo meu filho doente depois, internado numa UTI. – Saiu andando.
– Dramaatico- Esnobei ele.
Assim mesmo meu pai sendo totalmente dramático, ele estava certo. Alias não sei como do nada me bateu tudo aquilo, e tive o pior pesadelo e o mais real. Resolvi me distrair, e como era sábado fui no Ibirapuera, onde rola um evento agradável quase todos fim de semanas, e lá eu conhecia praticamente todo mundo, eu amo aquele lugar. Cheguei meio tarde, mas ainda estava lotado de ‘’ laranjinhas’’ e ‘’ Roxinhos ‘’.
– Mané. – Olhei pra trás e pude ver a Thay, uma amiga minha que pra piorar tem meu sobrenome. – Quanto tempo em ?
– Oi Manezona, por incrivel que pareça estou com saudades de ti. – Abracei ela.
– Eae, como anda sua vida? As gatinhas? O amor?
– Vai indo bem, alias a minha vida amorosa me lembra uma descarga, rapidamente leva o ‘’ amor embora.
Ela riu.
A Thay tem cabelos meio loiro, é baixinha e muito bonita. Certamente mexe com vários daquele evento, e era a que mais mexia comigo. Mas nunca ia dizer isso a ela, alias ela é muito sexy para um ser que dormiu numa varanda, e acordou molhado e tremendo de medo.
Eu pude ver nesse dia também varias outras pessoas, Felipe, João, Martinato, Lyu, Yokota... que estavam conversando sobre mulheres.
– Mano, eu não consigo parar de pensar na Sofia. Acho que vou pedir ela em namoro. – Yokota falava ofegante, dava pra notar que estava perdidamente apaixonado por Sofia Merino.
– Eu to de boa, alias eu sou o Nico. Um tremendo desgraçado — Vini riu, e olhou logo para meu rosto, que chegava na rodinha.
– Um grande desgraçado alias. – Todos começaram a rir – Eae galera!
– Eae Ro, chegou na hora certa! Quem é a pessoa que te deixa totalmente bobo? Felipe chegou dando um comprimento com a mão.
– Ah... Ninguém. Estou de boa. – Menti, alias estava bobo por uma Mané. Que alias também me chama de Mané.
– Te conheço Ro, tu ta curtindo alguém, fala logo mano – Lyu chegou com seus ursinhos de pelúcia, seria muito gay, se não fosse o cosplay que ele faz. ( Assim mesmo ele tem cara de gay).
– Ta, eu acho interessante a Thay, apenas. Ok? – Fiquei meio sem graça, acho que meu rosto parecia um tomate.
– Ok – Felipe falou debochando.
– Não vou falar Ok de novo, muita viadagem. – rimos
O evento aquele dia foi muito agradável, conheci pessoas novas, até participei do caça. Já estava todo mundo indo embora pois já escurecia, quando do nada senti uma agulhada meio que fatal na minha cabeça, e cai que nem um poste no chão. E pequenas imagens começaram a surgir, aquele mesmo homem do meu sonho aparecia, e novamente sem mostrar o rosto. Era meio bizarro porque eu conseguia ver varias pessoas de preto atrás dele. De repende simplesmente apaguei.
Acordei no ambulatório do parque, com varias pessoas em volta, minha cabeça doía demais porque cai de cabeça no gramado. Eu não sei se estava ficando louco, ou peguei trauma do sonho e começou vir direto em minha mente. Mas tava torcendo para aquilo não ser real, o cativeiro que via era horrível, e tinha muito sangue misturado com pessoas gritando.
– Mané? Mané? Hey! – Thay me deu um tapa na cara.
–Ai – Reclamei — Minha cabeça já esta batendo mais que escola de samba, e você faz isso ainda?
– Sempre dramático, esta melhor?
– Sim, estou. Só quero sair daqui. – Odeio hospitais, odeio mais quando eu estou na maca, parece que a qualquer momento vão me matar.
Fui pra casa meio cansado, e resolvi não falar para os meus pais sobre o ocorrido no parque. Tomei um banho quente, e fiquei meia hora pensando. Deitei e peguei o livro ( A namorada do meu amigo) e resolvi não pensar mais em nada, alias fiquei seis horas lendo, e mais uma vez fui dormir bem tarde.
Na manhã seguinte, acordei e já fui ver meu celular. Tinha varias mensagens, inclusive da Thay FREITAS. A maioria preocupados comigo, me senti meio idiota naquele momento, respondi todos, e fui tomar café. Quando voltei fui dar uma olhada no meu Facebook, e todos meus amigos do fandom escrevia, Luto. Luto.Luto. Claro que já me desesperei, porque obviamente sabia quem era a pessoa. Foi quando eu vi um texto mais concretizado, e bonitinho.
''Foi terrível amor, eu te amava tanto... Por que senhor? Por que ?
Por que tiraram sua vida? Eu juro que vou atrás dessa pessoa que te matou
isso não pode ser um ser humano, agora esta com Deus. Te amo. Muito.
#Luto Thomas Machado pra sempre em nossas vidas''
Naquele momento desabei de tanto chorar, Thomas era um grande amigo meu. Um cara da paz, meio idiota mas um puta amigo. E de repente leio isso? Comecei a tremer, e logo as imagens do cativeiro voltava, eu ouvia o grito de Thomas dizendo para não fazer isso, que eles sempre foram amigos. E apaguei novamente.
Descanse em paz Thomas.
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