Vivendo Lunaticamente - hiatus
21 Uma briga de leve e um ponto final
Notas iniciais
POV LUNA
_O que você quer?
_Nossa Luns, assim você me magoa. — diz Math, que logo depois da um sorriso.
_ Ta, ok, obrigada. Pode me deixar sozinha agora? — pergunto. Como ráios ele ainda tem a cara de pau de vir falar comigo? Com certeza Julianna não sabe que ele está aqui.
_ Credo, o que deu em você? Tá brava comigo?
_ Meu melhor amigo desaparece, para de falar comigo e você ainda me pergunta o que deu em mim? Francamente Matheus... — respondo-o, não escondendo a mágoa.
_ Desculpa Luna, é que... eu sei que eu não tenho uma boa desculpa, mas eu não queria ficar longe e achei uma boa ideia vir falar conti... — acabo o interrompendo.
_ Falar comigo quando a Julis não está por perto? Como você é frouxo! Por que dessa palhaçada afinal? — digo.
Math não me responde de imediato. Depois de coçar a cabeça, olhar para um lado e para o outro e fingir uma tosse, ele finalmente responde:
_ Ela tem ciúmes de você.
_ De mim? Ok, por minha causa vocês se afastaram de todos? Você deixou seus amigos de lado porque uma garota que você acha bonita disse pra você fazer isso? Puta que pariu Matheus!
_ Eu não a acho apenas bonita, eu gosto dela!
_Gosta mesmo Math? Ou você se convenceu disso?
_ Me convenci? Luna, antes de falar você pensa no que diz? — Math me olha incrédulo.
_ Sim, se convenceu. Assim seria mais fácil comer ela sem se sentir culpado.
Visivelmente irritado, Matheus se levanta do sofá e fala num tom meio alto:
_ CULPADO?! Culpado? Luna, eu estou completamente satisfeito com tudo que fiz até agora em minha vida e você não tem absolutamente nada a ver com isso. E não use o termo comer, não com Julis. Vim aqui tentar ser legal contigo mas não dá!
_ Veio ser legal? E por acaso eu pedi por caridade? Matheus, eu não quero você aqui, eu não ligo pra você e quero mais é que você se exploda! Você e aquela vadia que você chama de namorada.
A essa altura eu já estava em pé, o que atraiu a atenção de Camila e Eduardo. Matheus jogou-me um olhar frio e foi embora.
POV MATHEUS
_ Veio ser legal? E por acaso eu pedi por caridade? Matheus, eu não quero você aqui, eu não ligo pra você e quero mais é que você se exploda! Você e aquela vadia que você chama de namorada.
Não posso acreditar que Luna foi capaz de dizer algo assim. Ela distorceu tudo! Argh, mulheres! Farto daquela conversa, vou embora. Volto pra onde estava e dou de cara com Julis me olhando como se eu tivesse cometido um crime.
_ Oi Ju. — tento beijá-la mas ela me dá somente um selinho.
_ Onde você tava? — ela pergunta.
_ Eu fui no banheiro, lembra?
_ Tava falando com ela não tava? — Julis quase grita. Pra que tanto escândalo?!
_ De quem você ta falando, Julis?
_ Eu a vi aqui, idiota. Você também viu e foi direto correndo pra ela não é?
_ Julianna de quem você tá falan...
_ DA LUNA DROGA! DE QUEM MAIS EU ESTARIA FALANDO? — se ela pensa que ia ser um daqueles casais que sempre brigam em festa, não, não vai. Pelo menos Luna não gritava por aí.
_ Primeiro: pare de gritar, essa conversa é entre você e eu. Segundo: E daí que ela ta aqui? Não estamos juntos? Pra que se importar com ela? Ou com o pessoal? Me diz uma coisa: por que nos afastamos deles? Qual o problema?
_ Porque... porque... porque eles torcem por você e pela Luna! Até a própria Luna torce por vocês dois, tá na cara que ela gosta de você e eu não podia deixar, ia atrapalhar nosso relacionamento, eu fiz por nós!
Espera... Luns o que? Julis está errada, ela nunca ia querer nada comigo! Tudo bem que ela tinha lá suas crises de ciúmes e me tratava com carinho, mas é só. Ué, será que a Luna contou do beijo? Não, ela nem lembrava. Ou será que lembrava? Se lembrava, por que agiu como se nada tivesse acontecido?
_ Lunis o que? Óbvio que não, você tá agindo como uma louca, para de falar besteira. Olha, eu gosto de você, mas também gosto dos meus amigos. E eu não vou mais ficar longe.
_ Seus amigos? Ha-ha. — Julianna deu uma risada sarcástica e sem vida — você acha mesmo que vão te aceitar de volta? Você os abandonou pra ficar comigo. Já temos nossos amigos, não precisamos deles. Afinal, você tem a mim.
De repente dizer que eu gostava dela já não parecia mais tão verdadeiro. Que garota mais... argh. Eu briguei com a Luna por isso? Mas ela tem razão, eles não me aceitariam de volta. Mas ela tá enganada se acha que eu desistiria deles assim tão facilmente.
_ Posso não tê-los mais ao meu lado, mas vou tentar reconquistá-los. Porém, por enquanto, eu não tenho nem mais você. To terminando contigo Julianna. Juro que quando dou o fora em alguém, eu não sou ruim ou frio, mas não com você, você merece. Boa vida pra você.
Dito isso, dou meia volta e caminho em direção a saída. Ouço-a chamando meu nome, mas não me dou ao trabalho de me virar e ver. Preciso pensar e ver como me desculpar com a turma. E de um jeito ainda melhor de me desculpar com a única criatura de meio metro que um dia já ligou realmente pra mim.
POV LUNA
_ Lunis, aquele era o Matheus? — Pergunta-me Duda.
Solto um suspiro e afirmo com a cabeça. Só agora havia caído a ficha de que eu tinha brigado com ele. Todos nós achamos melhor encerramos a noite por ali, antes que a situação ficasse pior. Saímos a procura do resto do pessoal: encontramos Luis com alguns colegas perto de onde estávamos, ele logo se juntou à nós; Nico estava em um canto pouco iluminado com uma garota (essa criatura não era gay? Ele com certeza vai me explicar depois); Edu foi quem nos encontrou, estava com os cabelos bagunçados e com alguns chupões no pescoço, Nico fechou a cara na hora (mas...?) .
Seguimos os seis pela rua, estava um pouco frio e Luis me emprestou a sua jaqueta (ele estava com um casaco por baixo) e, pela primeira vez, reparei direito em Luis: não era magro nem gordo (já tive oportunidade de vê-lo sem camisa, me surpreendi quando vi que ele tinha alguns musculos), era alto e tinha o cabelo meio grande e liso, cor de mel. Seus olhos eram castanhos, mas agora por causa da pouca iluminação pareciam ser negros. Ele tinha em seu rosto uma expressão de sono, como em todos os outros dias. Enquanto o fitava, lembrei-me de que ainda não tinha me desculpado com ele pelo dia da boate. O puxei para frente e pedi desculpas baixinho, ele pareceu ter entendido e abriu um grande sorriso fofo e disse algo mais fofo ainda:
_ Nha, tudo bem. Não é como se eu não tivesse gostado, mas entendo. Na verdade, eu que deveria ter pedido desculpas, se eu não tivesse sempre acobertando o Fe, aquilo nunca nem teria chegado perto de acontecer. Você é uma boa pessoa, óbvio que nunca ia ligar pra ele e ele ficou puto com isso. Me sinto em dívida com você, e se precisar de mim, estou aqui.
E assim foi a minha noite de aniversário. Apesar de ter brigado com o Matheus, percebi que escolhi muito bem meus amigos e que não seria grande coisa sem eles.
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