Vivendo Lunaticamente - hiatus
24 Dança, gente estraga prazer e beijos
Notas iniciais
POV LUNA
Math guiou-me para uma parte onde já havia algumas pessoas dançando. A música dessa vez não era uma versão do karaôke, mas sim a versão original, com a voz do cantor ecoando pela lanchonete. O moreno envolveu minha cintura com seus braços, puxando-me para si. Apesar da minha timidez, coloquei meus braços ao redor de seu pescoço. Íamos devagar, o famoso "para um lado e para o outro". Nenhum de nós ousava pronunciar uma palavra, apenas sorrisos tímidos apareciam de vez em quando, seja em minha face ou na dele. Lentamente, suas mãos foram subindo até meus braços, deslizando por eles até chegar em minhas mãos. Matheus girou-me lentamente, de forma que ficasse atrás de mim, meus braços cruzados em frente ao meu corpo, de mãos dadas com as suas. Podia sentir sua respiração, meio acelerada eu diria, em meu cabelo, afinal, ele era bem mais alto que eu. Podia sentir olhares conhecidos em nossa direção, mas ignorei, não iria estragar aquele momento me preocupando com gente alheia. Math girou-me novamente, um pouco mais rápido dessa vez e me puxou rapidamente, o que me fez olhar para cima. Encarei aqueles olhos negros, eles pareciam me hipnotizar. Ele também me encarava, estava tão perto que estava praticamente me abraçando. Contínuamos a nós fitar, reparava em cada parte de seu rosto: olhos que pareciam ser capazes de observar tudo e todos; o nariz um pouco largo, não muito; a boca meio rosada, entreaberta; a pele pálida; os cabelos relativamente grandes, bagunçados. Sua expressão era séria, quase como se estivesse me perguntando algo. Girou-me novamente, rápido, puxou com urgência, parecia que não queria ficar um segundo sequer longe. Não conseguia desviar o olhar, nem ele aparentemente. Math parecia abaixar mais sua cabeça a cada segundo, o que me fez começar a erguer a cabeça, até nossas testas se tocarem. Sorri com esse ato, o que o fez sorrir também. Ah, esse sorriso... sorriso torto, sexy, que parecia dizer algo como "Sério? Jura? É mesmo? Interessante.". Debochado. Outro giro, meus braços novamente cruzados, mãos dadas. Seu queixo apoiado no topo de minha cabeça. Folgado! Bufei, o que o fez dar uma risada. Outro giro, seus braços seguravam-me de modo firme, colando meu corpo ao seu. Senti uma mão por baixo do casaco, seus dedos acariciando minhas costas. Íamos mais rápido agora, para um lado e para o outro. Testas coladas novamente. Respiração de ambos acelerada. Ele cantarolava junto com a música (Wanna be yours, I wanna be your vacuum cleaner, breathing in your dust, I wanna be your Ford Cortina, I won't ever rust, I just wanna be yours, I just wanna be yours, I just wanna be yours, Wanna be yours). A música acaba e, lentamente, seus braços soltam minha cintura. Puxo levemente os cabelos da sua nuca (o que? Ele ficou me provocando o tempo todo com esses sorrisos e esses olhos) antes de deixar meus braços deslizarem preguiçosamente de seu pescoço. Matheus aparentava que iria dizer algo quando alguém começou a bater palmas. Olhei em direção ao barulho e não era ninguém mais ninguém menos que Julis. Maravilha, tava demorando.
_ Puta merda viu Matheus! Não basta logo sair de uma e começar a catar outras, tem que descer o nível também. Não tinha ninguém melhor não? Essa anã não consegue sequer te beijar sem ajuda de um banquinho. — diz Julianna, para logo depois soltar uma gargalhada irônica. Em parte, eu temia ser razão. Não conseguia mesmo alcançar o rosto de Math.
_ Com quem eu to ou deixo de estar, não interessa a você. E, se alguma hora eu "desci o nível", foi quando estava com você. — rebate Matheus, com aquele típico sorriso debochado. Ok, achei isso fofo.
_ Comigo? É mesmo? Bem, não sou eu quem era uma gosma até o ano passado. — ela fala. Pera só um momento, como ela...? Ah não! Não! Não! Não! Julis caminha até o telão onde está o karaôke, pega um controle e aperta um botão. Começa a passar aquele maldito vídeo daquela maldita festa. Posso ouvir risadas ao fundo. Luto contra as lágrimas para não me escaparem dos olhos, mas é ínutil, já estava chorando.
_ SUA VADIA! VOCÊ NÃO TINHA O DIREITO! EU VOU ARREBENTAR ESSA TUA CARA! — ouço-me gritando. Tudo acontece muito rápido. Eu grito, Julis debocha de mim, vou em sua direção e acerto um soco em seu rosto, fazendo a cair no chão. Caio em cima dela e começo a desferir diversos tapas e socos. Matheus me agarra pela cintura e me arrasta pra fora dalí. A última coisa que eu vi foi meus amigos olhando confusos para mim. Não vejo mais nada, começo a chorar ainda mais.
POV MATH
Lembra quando eu disse que tem gente que sabe como estragar momentos? Então. Estava tudo indo tão bem! Aqueles olhos verdes me encarando com carinho, aquela expressão de quem estava me analisando, tudo perfeito pra eu começar a me desculpar... pra caralhuda da Julis estragar tudo! PORRA! Não satisfeita em me interromper, ela ofende Lunis e ainda a humilha. Eu bem que queria tê-la deixado socar Julianna, mas isso ia acabar dando problema para ela. Cams, Duda, Edu, Luis e até mesmo Nico olhavam confusos. Ela não havia contado para ninguém?
Arrastei-a até a uma praça deserta próxima dalí. Sentados em um banco de concreto, Luna ainda chora apoiada em meu peito. Como é horrível vê-la assim, e por minha culpa. Pra começar, se eu nunca tivesse começado a negar meus sentimentos por ela, nunca teria namorado a porcaria da Julianna. Só aceitei namorar Ju por estar assustado. Já havia gostado de umas garotas antes, mas com a Lunis era diferente. Por que eu me sentia tão atraído por ela? Por que eu tinha vontade de abraça-la e beija-la? Por que tinha tanta vontade de conversar com ela, nem que seja para ouvir como eu sou estúpido? Por que era interessante até mesmo observá-la, seja sorrindo, falando, andando...? Isso me assustou pra caralho, eu não sabia o que fazer e nem sabia ela se sentia assim também. Quando ela me beijou naquela noite da boate foi, nossa, foi como se eu tivesse esperança. Esperança que desceu pelo ralo na manhã seguinte, que ela nem ao menos lembrava daquilo. Passei um fodendo mês ao lado daquela criatura chata, que eu não gostava merda alguma, por estar assustado. Eu nem mesmo sei o porquê de ter ficado irritado quando Luna disse que eu só gostava de transar com ela. Talvez porque ela estava certa, novamente. Talvez se eu não tivesse sido um menininho covarde, Julis não teria mostrado aquilo. Eu nunca tinha visto o vídeo. Ver aquele garoto tão próximo dela me deixou com uma pontinha de ciúme... até aquela gosma cair nela, o que me deu uma tremenda raiva. Mas... como Julis achou aquele vídeo? Tudo bem que estava na internet, mas ela não tinha pista alguma. Ou tinha?
– Math... — murmura Luna. Quase não a ouvi. Olho para ela no mesmo instante. Puxo um lenço do bolso e começo a passar delicadamente pelo seu rosto, limpando as marcas pretas*. Seus doces olhos verdes estavam vermelhos e um pouco inchados. O nariz, cheio de sardas que iam até as maçãs do rosto, continua delicado, mesmo vermelho e levemente inchado. Os lábios avermelhados e finos tremiam vez ou outra. Alguns fios de seu cabelo ruivo estavam em seu rosto, tirei todos. Continua linda. Comecei reparar nela agora. Ela estava sentada em meu colo, as perna ao meu lado, no banco. Um braço estava ao redor do meu pescoço, enquanto o outro estava apoiado em meu peito, junto com a cabeça, minha mão posicionada de forma que ela não pudesse cair. Era leve, também, era magra. E eu não ligo pra isso, porque ela é bonita assim. Não precisa de uma bunda gigante que provavelmente a essa hora já teria deixado minhas pernas dormentes. Nem de coxas mais grossas que meus braços. E apesar de eu ter um grande fraco por peitos (peitos são peitos, cara), não me importava se ela tinha pouco. Pela primeira vez, podia assumir com todas as letras para mim mesmo que eu gostava dela do jeito que era. Magrela, controladora, irritada, justa, carinhosa, realista, briguenta, teimosa, lerda. Lunis era Lunis, e eu a amava mesmo assim. PERA, AMAVA? Ok, calma, ok Math, eu sei que isso é novo mas calma, respira.
– Math? — chamou-me Lunis, um pouco mais alto agora.
– O-oi. Fala.
– Desculpe por sentar em cima de você. E molhar sua camisa. E te fazer me arrancar de cima da Ju e me trazer pra cá. — ela disse tão rápido que demorei para processar um pouco. Lerdeza pega, viu.
– Tudo bem. Pra isso que servem os amigos, não é mesmo? — QUE PORRA FOI ESSA QUE EU FALEI? Que mané amizade! — q-quer d-dizer... — não termino o que ia falar, Luna me beija. Outra vez. Cara, ela tem mais atitude que eu!
Parecia com o nosso primeiro beijo. Calmo, suave, diria que ela estava com vergonha. Sinto que ela estava prestes a se distanciar, porém, coloco minha mão em sua nuca, aprofundando o beijo. Era doce e intenso, tinha o ritmo perfeito. Melhor do que eu imaginava, aliás. Não que eu imaginasse como seria beijar Lunis, claro. Ok, talvez em imaginasse.Não lhe toquei em nenhum lugar que eu sabia que ela não gostaria, mas acariciava suas costas com uma mão e seu rosto com a outra. Lu, que a essa altura já estava com as duas mãos em minha nuca, ora puxava levemente meus cabelos, ora passava as mãos por ele. Perdi a noção do tempo ali. Beijávamos, e quando faltava ar, parávamos por alguns segundos, segundos estes que ou ficávamos nos olhando, rostos colados, lábios se roçando ou com eu partindo para o pescoço dela, inalando o seu perfume, beijando-o, dando leves mordidas. Paramos quando ambos estavam definitivamente sem ar. Ninguém disse nada. Apenas sorrisos bobos estampados em nossos rostos. Acho que nenhum dos dois estava preparado para acabar com o beijo tão rápido, porque ficamos dando selinhos até começarmos a nos beijar novamente. Por mim, poderia ficar a noite inteira desse jeito, mas, como eu disse, sempre tem alguém para atrapalhar. Em uma dessas pausas para respirar, enquanto eu traçava uma linha de beijos do pescoço até a boca de Luna, o seu celular tocou.
– Deixa tocar, por favor. — digo, com o rosto enterrado na curva de seu pescoço.
– Não posso... é o Nico... deve estar preocupado. — diz Lunis, entre suspiros. Eu nunca disse que pararia mesmo sendo atrapalhado.
– Como assim ele liga pra você preocupado e não pra mim? Que gente legal.
– Por acaso... foi o senhor... que saiu de uma... lachonete... num estado deplorável? Acho que... não. Quer parar com isso? — fala a ruiva, se afastando. Maldito Nico, logo agora. Bufei. — Nico? Sim, eu to bem. To perto da lachonete, na praça. É, essa deserta. Não, com o Matheus. Ahn, digamos que sim. -ela cora violentamente- Para com isso! Não tava! Para! Não precisei de preservativo! Claro que não, porque eu não fiz... isso. — não consigo evitar uma gargalhada. Nico acha mesmo que eu faria com Lunis numa praça? Primeiro que no estado que ela saiu, seria se aproveitar dela. Segundo que eu a levaria num lugar muito melhor que um banco de concreto. Não que eu pense em transar com Luna, não mesmo... quer dizer... quando ela estiver pronta, talvez. — Tá, tá Nico, eu já to indo. Manda um beijo pra todos, eu explico amanhã. Até daqui a pouco.
– Ele realmente me acha sujo a ponto de fazer com você numa praça? — pergunto, com falsa indignação. Luna, vermelha como um pimentão, não me responde. Quer dizer, se um soco no peito for considerado uma resposta, tá valendo.
– Vamos. Temos que voltar. Nico está nos esperando lá para irmos para o dormitório juntos. — a garota diz, se levantando do meu colo.
– Ok, ok. Mas antes, me deixa completar o serviço. — digo e dou meu melhor sorriso torto. Puxo-a para mim e a beijo calorosamente. Continuo minha linha de beijos, deixando um chupão perto de sua orelha. Suas mãos foram direto para o meu cabelo e ela começou a bagunçá-lo. Eu envolvi sua cintura e a puxei pra mais perto. Os beijos de antes eram calmos, mas este, este era feroz, cheio de desejo. Mas como tudo o que é bom dura pouco, tivemos que nos separar em busca de ar. Ela continuou com seu rosto colado ao meu, e a única coisa que podíamos ouvir eram nossas respirações ofegantes.
– O que foi isso? — a menina perguntou com um sorriso nos lábios, que estavam inchados.
– Só o começo. Vamos, Nico deve estar querendo nos esfolar vivos! — respondi. Passei meu braço por seus ombros e a puxei para perto. Podia me acostumar com isso. Com Luna ao meu lado.
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