Vivendo Intensamente!
3 O Estranho
Notas iniciais
[DAMON]
Como eu amava Vegas! Todos têm suas memorias de Vegas. Algumas boas, outras ruins... Minha melhor lembrança foi quando vim pela primeira vez. Foi onde percebi que queria mostrar meu corpo e receber dinheiro em troca disso. As pessoas que faziam isso a minha volta estavam claramente felizes ali! Eu bebia e enlouquecia vendo aquelas mulheres absurdamente sensuais dançando e fazendo movimentos que eu considerava impossíveis na época... Como eu era ingênuo! Dizem que a dança é seu corpo mostrando tudo o que não se pode fazer na cama.
Los Angeles ficava a umas 5 horas de Las Vegas então eu calculava que eram cerca de 3 da madrugada. O que esses loucos pretendiam fazer a essa hora eu não sabia mas já que eu estava aqui iria tentar aproveitar cada segundo. Amanhã de manhã, claro. Eu não sabia nem o hotel que ficaríamos. Mas eles estavam pagando, eu não tinha nada a ver com isso.
Quando cheguei em frente a um hotel enorme e cheio de pessoas arrumadinhas e mulheres de salto alto eu me senti momentaneamente inferior a todos ali. Eu não tinha o dinheiro que eles tinham, com toda certeza.
–Damon? Ta acordado ne, cara? Olha só, a gente precisa descer e deixar os fortões ali fora levarem nossas coisas pros quartos. – Eu não acredito! Esses idiotas pagaram uma fortuna pra a gente ficar nesse hotel? Eles são uns imbecis! Aposto que foi Klaus que pagou por tudo! Filho da mãe!
– Olha só... Eu vou descer mas eu definitivamente não me encaixo nesse lugar!
– Deixa de ser idiota! O Klaus ta dando essa viajem pra gente por sua causa! É você que não sabe viver longe daquele antro de velhas sem vergonha! – O Matt tava tentando me culpar pelo meu próprio constrangimento? Isso é bem injusto, cara...
Saio do carro com a maior cara de pau que consigo e entro no hotel com o ar de superioridade que tenho sempre um pouco abalado pelos olhares dos homens engomados que estão por ali. Eu sei que estão fofocando sobre minhas roupas normais e sobre a forma que ando. Mas foda-se. Não são melhores que eu só porque eles tem dinheiro sobrando e não sabem nem onde gastar tudo isso. Estão todos bêbado, provavelmente por já ser tão tarde da noite, e não lembrarão de mim amanhã.
Vou para o meu quarto o mais rapidamente possível, tranco a porta atrás de mim e me jogo na cama. Sei que eles querem encher a cara e pegar umas prostitutas por ai mas hoje não vai ser o dia que vão em fazer pagar para ter alguém na minha cama. Tiro os sapatos e minhas roupas e durmo apenas usando cuecas box.
“Você já deveria estar acordado e aproveitando a cidade, sabe disso! Levanta esse corpo maravilhoso da cama e vai lavar a cara!”
Abro os olhos de vagar e sinto o sol queimando meu rosto. Como eu queria ter o controle das cortinas na mão agora mesmo! Tomo um banho rápido e saio pelo resto do dia com os três patetas. Bebemos, jogamos, tomamos banho de piscina como umas mulheres incríveis... Poderia dizer que foi a quinta-feira mais normal que já tive se não tivesse acordado as 9 da manhã.
A noite chega e cá estou. Procurando alguma roupa descente para poder sair para os lugares luxuosos que Klaus frequenta. Deveria ter pensado nisso enquanto arrumava as malas porque agora tudo o que tenho é um terno que paguei com meus últimos trocados durante a tarde. Tento me arrumar da melhor forma que consigo e vou para o bar do hotel sozinho. Logo eles vão chegar e...
“Não pode ser... Caroline? E aquela empresária que vive nas revistas de publicidade... Eleonor? Não consigo lembrar o nome dela mas com certeza não vou esquecer nunca de como ela é linda e de como queria minhas mãos naquela cintura nua agora mesmo! Quanta ousadia em um vestido só... Não posso deixar que elas me vejam ou nunca conseguirei me aproximar dela! DROGA! Ela viu!”
A última vez que estive em Las Vegas tive um caso relâmpago com uma garota que se chamava Caroline. A garota tinha sérios problemas de auto estima e era minha melhor chance de me dar bem. O problema é que ela achou que teríamos algo sério depois disso. Me ligou por semanas, falava que me amava e no fim acabou me adiando por ser um “cretino, sem vergonha, aproveitador que só queria sexo e a manipulou”. Não nego que fui realmente tudo o que ela me acusa ser... Mas eu estava realmente bêbado quando transamos e ela estava extremamente vulnerável em um vestido curto e bêbada. Ela vai estragar toda e qualquer chance que tenho de me aproximar da amiga se puder.
Observo de canto enquanto elas se afastam das escadas e se sentam o mais longe possível de mim. Caroline senta de costas e vejo os olhos de Eleonor pousarem em mim. Ela deve estar falando tudo. Minhas chances já foram reduzidas a zero.
[ELENA]
Caroline, que havia me forçado a ficar com ela perto do bar começou a me falar de um homem que a fez mal enquanto estava por aqui a uns dois anos mas eu não conseguia me concentrar no que ela falava. Eu só tinha olhos e ouvidos para o homem que me evitava.
Eles parecia estar sozinho. A cabeça estava abaixada, eu não conseguia ver os olhos dele mas estava um pouco inclinado para a nossa direção. Ele bebia o que parecia ser whisky.
–Caroline... Será que podemos parar de falar um pouco sobre o seu relacionamento frustrante e beber alguma coisa? Estamos aqui pela diversão.
Pela primeira vez desde que saímos das escadas ela ri e concorda comigo inclinando a cabeça.
– Certo! Mas onde estão sua irmã e a amiga dela?
Ela tem razão, sumiram.
– Devem estar em algum outro canto do salão. Não se preocupe com isso.
Eu falava enquanto eu mesma estava preocupada com as duas.
– Dois Martini por favor. E capricha que hoje é a despedida dela! – Caroline estava delirando já. O que queria dizer com isso?
– Caroline! Desde quando vou me casar?
– Despedida da sua vida entediante e chata!
Ela ria enquanto falava e eu apenas sorri sabendo que não duraria tanto quanto ela esperava. Passo os olhos de novo pelo lugar onde ele estava e não vejo mais ninguém. Deve ter encontrado os amigos em algum lugar...
– Olá meninas!
Me assusto com a voz da Rebekah atrás de mim e quando me viro fico mais surpresa ainda. Ela está acompanhada de Katherine e quatro homens lindos! E o pior de tudo: ELE estava entre esses homens e me olhava com um sorrisinho leve em um canto dos lábios e as sobrancelhas cerradas. Ele era lindo! Mas Caroline pareceu não gostar das companhias.
– O que diabos você está fazendo Katherine?
Ela definitivamente não estava nem um pouco feliz. Raramente vi ela com tanta raiva no olhar... Que se dirigia ao... Ao cara que me olhava descaradamente!
– Será que você pode se acalmar? São só alguns caras que conhecemos enquanto vocês corriam pra cá. Eles são legais e convidamos eles para uma festinha hoje na suíte de festas depois que sairmos daqui.
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