Vivendo Do Passado
12 Cap 12 - A Ligação de Ângela
Era a noite do aniversário de casamento das duas. Mickey chegara às 11h30 do fórum, e passara todo o resto do dia no escritório. Estranhara a falta de Lília, ao mesmo tempo que sentia-se aliviada. A presença de Lília sempre a deixava tensa, e suas aproximações, lhe pareciam impertinentes e lhe deixava um tanto quanto desconfortál. No entanto, era a melhor parte do seu dia. Em meses, seus unicos momentos de alegrias haviam vindo dela. E embora tivesse fugido dela todos esses dias, tudo o que Mickey realmente queria fazer era ter conversado com ela sobre todo o inferno que estaria vivendo em casa, com Olívia, e a confusão de sentimentos que estaria experienciando.
Mickey olhou para o relógio do computador, e decidira desligar a máquina e se preparar para sair. Precisava se adiantar para o seu aniversário de casamento. Tinha que compensar Olívia pelo desentendimento anterior.
No entanto, quando ela passou pela porta de sua sala, o telefone da recepção tocou. Logo que atendeu, e antes mesmo de conseguir falar, ouvira uma aflita voz feminina desconhecida na linha.
- Alô. Mickey se encontra?
- É ela. Quem gostaria?
- Mickey, pelo amor de deus, preciso de sua ajuda.
- Quem é você?
- Ângela. Sou amiga de Lília.
- O que houve? — Disse, sem piscar. O que poderia ter acontecido a Lília? De repente, sentira um peso nas costas, que não poderia ser arrastado nem por um caminhão. Ela esteve tanto tempo fugindo dela por um medo infantil e egoísta de cair em tentação que acabara se esquecendo dela, e da relação de amizade que elas haviam desenvolvido. No que ela poderia estar passando, do que ela poderia estar precisando. — Diga! — Repetiu, alterada.
- Eu a encontrei em um barzinho, ela estava totalmente bêbada, não parava de falar de você, e uns rapazes estavam tentando se aproveitar dela. Por sorte, a encontrei a tempo. A coloquei em um taxi de volta para casa, porque eu estava em compromisso de trabalho, e pensei que estava tudo bem mas agora ela me ligou e disse umas coisas horríveis.
- Que tipo de coisas? — disse, com a voz tremida. Só de pensar que algo poderia acontecer a Lília, o coração de Mickey palpitava violentamente.
- Eu to muito preocupada, Mickey. Ela me disse que ia se jogar de uma ponte, disse que nunca tinha sentido o que sente por você. E que você não quer nada com ela, porque é fiel a sua esposa. Que apenas você saberia aonde ela podia estar naquele momento. Que era um lugar importante para vocês. — contava, com grande aflição na voz.
- Um lugar importante para nós duas? — disse, confusa, sem ter nenhum lugar em mente. Elas saíram tantas vezes juntas, mas sempre em eventos ou situações de trabalho, ou em raras situações como nas caronas, ou nos almoços.
- Olha, eu não sei. Ela disse algo sobre ser um lugar do tipo "nosso". E eu não faço idéia do que isso significa. Mas ela garantiu que você saberia.
De repente, ela se lembrara. O restaurante. Elas almoçaram juntas tantas vezes no horário de trabalho, e tiveram aquele jantar na última vez que conversaram de verdade. Um momento especial para elas duas, certamente.
- Me lembrei de um lugar. Tem um restaurante nas proximidades do meu escritório. Ele fica em uma Avenida, e tem uma ponte na frente. Só pode ser lá.
- É, pode ser. Tomara que seja. Ela disse que ia se jogar da ponte para purificar a alma e o coração que está sofrendo. E depois desligou. Ela estava muito bêbada, Mickey, e realmente nunca a vi assim por ninguém. Então tenho medo que ela realmente faça alguma besteira, e que se machuque.
- Bom. Estou indo pra lá agora mesmo. Espero conseguir impedi-la de fazer alguma besteira.
- Obrigada, Mickey. Obrigada mesmo. E desculpe te incomodar, Lília me disse que hoje era seu aniversário de casamento em meio a todas as loucuras que ela me disse...
- É sim. Bom, não se preocupe. Vou pra lá agora mesmo. Não posso deixar que nada aconteça a ela. Nunca iria me perdoar se algo acontecesse.
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