Viva la vida
28 O Fortuna
Notas iniciais
– Há uma forma de nos libertarmos. É um bocado trabalhoso, e custaria minha própria vida, uma vez que este feitiço destruiria todo e qualquer demônio num raio de algumas milhas. Eu preciso apenas sacrificar uma virgem. — Ruby, a demônio loura que seguia Sam, como um cachorro perdigueiro, falou sem demonstrar nenhuma emoção na voz, a não ser uma certa irritação por ter se tornado babá de caçadores.
– Eu sou virgem...
Todos se viraram e observaram Nancy Fitzgerald, a secretária da delegacia de polícia. Solteirona encalhada e carola, mas muito doce e tímida.
– Não mesmo, querida. Não deixaremos que você faça isso. — Dean falou para a jovem.
– Mas, Dean... — Sam interveio.
– Aqui ninguém mata virgens, estão me ouvindo? — Dean assumiu seu lado durão e autoritário. Este sem dúvida era o momento certo para impor a lei e a ordem.
Sam aquiesceu.
– E o que pretendem fazer? Há centenas de demônios lá fora. Vocês serão exterminados. — Ruby reclamou.
– Pois morreremos lutando, mas não vamos desistir das vidas de ninguém aqui. Nós enfrentaremos estes demônios com o que temos em mãos: Armas, paus e pedras. — Dean explicou.
– Pois divirtam-se tendo suas tripas mastigadas e seus ossos roídos. Eu estou caindo fora. Vejo vocês no inferno.
Dizendo isso, Ruby se retirou da delegacia de polícia que estava sitiada por uma horda de demônios.
Eles se prepararam para a batalha que ocorreria a seguir. Primeiro deram patuás de proteção a todos os funcionários da delegacia, para que não fossem possuídos por um demônio. Sam desenhou armadilhas para demônios em cada entrada da delegacia. Dispôs carreiras de sal nas janelas e aberturas naturais. Utilizou o rosário de Nancy para benzer garrafas d'água que seriam usadas contra os demônios. E por fim gravou uma fita com ladainha de exorcismo.
Dean se ateve com a artilharia pesada. Foi até o Impala e apanhou suas armas com balas de sal. Distribuiu elas entre os funcionários da delegacia, entre eles, Nancy e o Detetive Henriksen, o agente do FBI que dedicara sua vida na caçada aos irmãos Winchester. Eles eram procurados como fraudadores de cartão de crédito, arrombadores de túmulos de cemitério, e incriminados em meia dúzia de mortes obscuras e ou intrigantes.
Quando finalmente o pior aconteceu, e os demônios invadiram a delegacia, eles resistiram como puderam. Os demônios eram mais fortes, mas eles tinham se apegado a suas vidas e as defendiam com unhas e dentes. As armadilhas prenderam alguns, mas não todos. A água benta apenas os feriam, mas não os destruíam. Nem todos tinham armas de bala de sal, mas todos chutaram, morderam e arranharam. Quando tudo parecia perdido, a ladainha de exorcismo foi tocada e ecoou pelos alto-falantes da delegacia, fazendo com que um a um os demônios fossem mandados ao inferno.
Quando tudo acabou e os civis sobreviveram, Sam e Dean se retiraram para sua jornada nas estradas da América, em constante caçada ao sobrenatural e fuga das autoridades policiais.
Canção: O fortuna (Carl Orff)
O fortuna,
Velut luna
Statu variabilis,
Semper crescis
Aut decrescis;
Vita detestabilis
Nunc obdurat
Et tunc curat
Ludo mentis aciem,
Egestatem,
Potestatem
Dissolvit ut glaciem.
Sors immanis
Et inanis,
Rota tu volubilis
Status malus,
Vana salus
Semper dissolubilis,
Obumbrata
Et velata
Michi quoque niteris,
Nunc per ludum
Dorsum nudum
Fero tui sceleris.
Sors salutis sorte,
Et virtutis
Michi nunc contraria,
Est affectus
Et defectus
Semper in angaria;
Hac in hora
Sine mora
Corde pulsum tangite,
Quod per sortem
Sternit fortem
Mecum omnes plangite.
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