Viva la Vida
1 Viva la Vida
Notas iniciais
Esse é o primeiro cap, como dá pra ver, e as coisas vão começar! Qualquer erro ortográfico, me avisem, por favor. Espero que gostem e, se assim for, deixe sua marca com um review bem lindo (a iludida).
Maya
Faz tanto tempo que eu estou dentro desse avião quase desmaiando de sono que nem tenho mais ideia de que horas são. De madrugada? Quase de manhã? E aquele cara dormindo e babando do meu lado é meu irmão mesmo ou só uma alucinação?
Enfim, já deu pra sacar que eu não estou com a mínima condição de viver nesse momento.
Com os olhos fechados, tateio o bolso do banco à minha frente em busca do celular que deixei lá no início da viagem.
Tiro ele de lá meio zonza de sono e aperto o botão de ligar, vendo (ou tentando distinguir a forma dos números) a hora. Depois de uns segundos eu concluo que são umas quatro e meia da manhã e que ainda tenho umas dez horas de voo pela frente, já que se a memória não me falha, nossa chegada está estimada para às duas da tarde, em Londres.
Sim, estou indo para Londres. Eu e meu irmão, na verdade. Vou fazer intercâmbio durante um ano lá, e meu irmão está indo, segundo ele, pra terminar a faculdade. Na verdade, tenho uma teoria muito bem fundamentada de que meus pais pediram pra ele ir comigo porque acham que eu ainda sou "muito nova e indefesa" pra andar sozinha "em uma cidade cheia de louco e gente que vende chá". Como aparentemente vender chá é uma ameaça em potencial, eles devem ter feito a oferta/implorado ao meu irmão para que viesse junto comigo, e Henrique (meu irmão) aceitou, já que ele não é bobo nem nada, aproveitando para terminar a faculdade e ainda ter acesso a novas oportunidades de ensino.
Mas eu não fiquei triste ao saber que meu irmão vinha comigo, até porque eu e Henrique temos o que eu acredito ser a melhor relação irmão-mais-velho/irmã-mais-nova de todo mundo. Eu o amo e sei que o sentimento é recíproco.
Ele, além de ter o que as meninas classificam como "um rostinho de tirar o fôlego", é uma das melhores pessoas que eu já conheci. Tá certo que ele é meio chato às vezes, sendo sarcástico demais, mas ao longo dos anos pude perceber que seu humor ácido é uma forma de lidar com as dificuldades que ele encontra.
Sinto Henrique se mexer ao meu lado, e abro só uma fresta entre meus olhos para ver seus movimentos. Apesar do meu sono, acho que atingi aquele estado de cansaço em que você está tão esgotado que não consegue dormir, nem se mexer, nem viver: apenas existe. Entre meus olhos semicerrados, meu olhar encontra o de Henrique, que se vira para mim com uma cara de sono meio fofa e pergunta com a voz grossa de sono e rouca:
-Não consegue dormir, Maya?
Seus olhos verdes estão inchados e o cabelo amarronzado está completamente bagunçado.
Grunho em resposta:
-Não — falo.
Eu poderia explicar que estou quase morrendo de sono apesar de não conseguir dormir, mas como eu não teria forças nem pra comer um churros se me dessem um agora (e olha que churros é minha comida preferia), dou essa resposta vaga mesmo.
—Quer que eu conte uma historinha pra você? — pede ele sorrindo e com os olhas quase fechados.
Levanto meu punho e dou o soquinho mais fraco da história dos universos no meu irmão, que só ri um pouco mais e passa o braço por meus ombros, me puxando para perto dele no banco do avião.
Depois de um tempo, ouvindo a respiração ritmada dele, finalmente caio no sono
Acordo com um cutucão sentido que um trator passou por cima de mim e depois contratou um elefante pra terminar o serviço.
Abro os olhos (que parecem estar grudados com Super Bonder) lentamente, e por alguns momentos vegeto na mesma posição, entre a consciência e o sono, que é uma mão que me puxa e eu não consigo evitar dorm...
-Maya, tem churros! — abro os olhos abruptamente e me sento ereta no banco.
-É o que? — pergunto, de repente desperta e disposta a lutar com um samurai por comida.
Olho para Henrique, agitada, mas não ganho um churros, e sim um olhar divertido e um sorriso que tenta conter a si mesmo.
Demoro alguns segundos para processar que ele provavelmente me trolou com a coisa do churros, mas quando percebo e levanto a mão para bater nele, ele é salvo pela aeromoça, que aparece com o carrinho de comida e rouba minha oportunidade de bater em Henrique, aquele burguês safado.
Meus pensamentos de vingança vão embora, já que minha cabeça foca totalmente na comida e a raiva diminui um pouco quando Henrique, ao ver que eu não captei nada do que a aeromoça falou em inglês com sotaque britânico fortíssimo, me salva e responde por mim, pegando a comida.
Passo os próximos minutos vendo que nem uma condenada e então o piloto anuncia que vamos pousar.
É só nesse momento em que me dou conta de que já são umas duas da tarde e que aquela comida não era o café da manhã, e sim o almoço. Conclusão: eu perdi uma refeição porque estava dormindo.
A raiva ressurge e me viro para meu irmão de repente, o olhando com olhar mortal.
Ele me encara e pergunta:
-Porque você tá me olhando assim?
-Você não me acordou para o café da manhã — falo pausadamente. Eu sei que ele estava acordado na hora do café porque Henrique tem sono leve, se um mosquito voar na frente dele no meio da noite, ele vai se pôr de pé em pose de lutador de sumô para derrotar o coitado do inseto.
-Ah, sobre isso — ele faz pouco caso, passando as mãos no cabelo desgrenhado — você tava dormindo e ontem de madrugada você tava com uma cara tão horrenda que eu achei melhor te deixar descansar — ele dá um sorriso inocente.
Tento me fazer de brava, mas falho miseravelmente e logo ele está passando a mão no meu cabelo, me fazendo rir.
O avião então começa a descer e eu quase morro de dor no ouvido, mas sobrevivo.
Henrique, já acostumado com aeroportos, me guia até o despache das malas (e, como sempre, as nossas são as últimas), e então, carregados de peso e cansados, vamos para a área em que nossa host family deve estar nos esperando.
Sim, meio óbvio, temos uma host family. Pegamos uma empresa generosa e meus pais conseguiram com que ficássemos em apenas uma família, e não em três ou quatro, como é o caso da maioria dos intercambistas que ficam um ano fora. Meu irmão vai passar três meses comigo na casa da família pra ver se eles são gente boa mesmo e se eu me adapto bem, mas depois vai alugar um apartamento pra ele, porque como ele já tem 22 anos e está no último ano da faculdade de medicina (ele é meio que um prodígio e passou na UFSC com 17 anos, logo após se formar no Terceirão), é bem provável que ele só volte pra passar uns meses no Brasil pra resolver a graduação e a formatura da faculdade e depois volte pra a Inglaterra, já que ele sempre teve o sonho de morar aqui e já tem empresas de saúde inglesas contatando ele.
Então, depois de três meses, sou eu por mim mesma naquela casa, mas acho que vai dar tudo certo. Eles me pareceram bem legais via Skype e agora que dou uma travada enquanto ando pelo aeroporto ao avistá-los ao vivo e a cores, tenho a certeza de que eles não só serão legais comigo, mas também tenho a sensação de que essa será a melhor viagem da minha vida.
Notas finais
Se você chegou até aqui, obrigadaaa, e o quê que custa deixar um review, né? Me deixa feliz e só leva uns minutinhos.
Bom, vou tentar postar o mais rápido possível o próximo capítulo, mas como a escola aconteceu na minha vida há alguns anos (triste realidade), minhas previsões de postagem são de uma a duas vezes por semana. Vou me esforçar ao máximo pra cumprir essa frequência, e como os capítulos sempre vão ser longuinhos, acho que não tem problema.
Obrigada mais uma vez, deixem reviews (ok, vou parar de encher o saco), e beijos.
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