Notas iniciais
Ai o primeiro capitulo pra vcs amores >

Estava chegando em casa, era um sexta-feira e estava louca pra cair na cama e dormir o fim de semana inteiro, ok, nem tanto! Eu andava com meus amigos da escola que me deixavam na esquina de casa. Dei tchau para eles e pegando as chaves que estava em minha bolsa quando ouço um grito, muito familiar. Era o de minha mãe, não acredito, meu pai tinha surtado outra vez! Sai correndo deixando a bolsa no chão da varanda e entrando para ver o que estava acontecendo, e era o que eu estava pensando, meu pai estava batendo na minha mãe!

- EU NÃO MANDEI VOCÊ COMPRAR MEU CIGARRO MULHER? – Meu pai estava gritando muito alto.

- Me desculpe, o dinheiro que eu tinha não era suficiente, só dava para comprar pão! – Disse minha mãe, desesperada.

- ROUBASSE, EMPRESTASSE, VENDESSE SUA ALIANÇA, MAS SEM MEU CIGARRO VOCÊ SABE QUE EU NÃO FICO! O PÃO FICA PRA DEPOIS! – e deu um tapa na cara da minha mãe

- PARA PAI, PARA! – Disse caindo lágrimas.

- SAI DAQUI GAROTA, ESSE PAPO É ENTRE EU E SUA MÃE, VAI JÁ PRO QUARTO ANTES QUE EU TE BATA TAMBÉM!- Tinha muito medo do meu pai, mas não iria deixar ele bater mais em minha mãe!

- NÃO PAI! EU NÃO VOU DEIXAR!

- você esta me desafiando é? – Ele falou mais calmo, com tom de vitoria

- Filha, por favor, vai pro quarto, fica fora dessa – Disse minha mãe, caída na chão.

- Não mãe – a ajudei a levantar – Eu vou te ajudar – Sussurrei

-AI que lindo! Que cena linda! Agora, parem com esse carinho todo e, Elise, vá agora comprar meu cigarro

- Mas eu..

- AGORA! VAI!!!

- Tá bom, já estou indo.

Eu não me conformava com o jeito que minha mãe obedecia meu pai. Ok, ele era forte e batia nela, que é indefesa, mas ela poderia denunciar né? Na verdade, eu não queria isso, no fundo eu não queria.

Não conseguia não amar meu pai pois tinha lembranças boas de quando pequena, ele era carinhoso e saia a passeios com a gente, ele sempre foi assim, bêbado, fumante e etc. Mas quando eu era pequena eu acho que ele tentava ser melhor, mas agora, essas lembraças aos poucos vão diminuindo e o ódio vai me possuindo.. Por um lado eu até entendo meu pai: Ele era o filho mais velho de 6, seu pai também era fumante, bebia e batia em sua mãe, uma vez meu pai fugiu mas foi pego por um caminhoneiro amigo de seu pai, que o levou para casa e meu pai apanhou a noite inteira! Anos depois meu avô deixou ele, seus filhos e minha vó e foi morar em outro lugar os deixando desamparados, meses depois veio a noticia que ele havia morrido, depois daí meu pai teve que cuidar de seus irmãos pois sua mãe adoeceu e logo morreu, meu pai começou a fumar com 14 anos. Sempre fico triste quando lembro dessa historia, mas, poxa, ele não precisava ser assim né? Ele deve pensar em como foi sua infância quando bate em minha mãe, mas ele podia ao menos tentar sem melhor!

Meu pai sempre é demitido dos seus empregos, por falta, por chegar bêbado entre outras coisas que nem gosto de citar. É por isso que eu trabalho numa loja de roupas perto de casa, na verdade, era para eu trabalhar lá para juntar dinheiro para fazer o curso de designer que eu tanto queria no exterior, mas né, como meu pai não para em um emprego é meio difícil eu juntar dinheiro! Minha mãe mal pode sair de casa, ela nunca foi ao shopping nem nada, só sai para ao mercado, é sempre mercado, casa, mercado, casa e por ai vai. É por isso que quando chego a casa sempre está limpíssima!

Quando não tem nada para fazer minha mãe faz tricô escondido do meu pai que iria estragar tudo! Quando ela junta uma caixa eu levo para a loja e vendo lá. Minha patroa é gente boa! Só que ela não sabe dessa historia toda. Meu pai *acha* que não precisa de ajuda, ele não aceita nada de ninguém, é um orgulhoso que só ele!

Bom, lá vai minha mãe indo comprar o cigarro com as moedas que achou em sua gaveta. Eu sai correndo, peguei minha bolsa e andei junto de minha mãe que me deu um abraço! Fui com ela até o mercadinho perto de casa.

- Mãe, pode deixar que eu pago, essas moedas não são o suficiente! – Disse

- Filha, é o seu dinheiro!

- E esse, é seu! Vai, deixa que eu pago!

- Então tá, mas prometo que quando eu tiver te dou!

Paguei e então fomos embora, chegando lá meu pai estava caído no sofá em um sono pesado, sussurrei para minha mãe não acorda-lo e ela concordou. Deixamos o cigarro na mesa e fui para o quarto, ela disse que tinha que passar umas roupas (não sei de onde ela tira tanto serviço de casa para fazer!) e foi para a lavanderia.

Entrei no quarto e me troquei colocando uma roupa para ficar em casa. Liguei meu notebook (que minha vó materna havia mandado para mim) e conversei com minha Best praticamente a tarde inteira!

Minha vó, Cida, era um doce! Ela morava em Santa Catarina, onde eu nasci, mas desde os 7 anos moro em SP porque meu pai achava que iria encontrar mais empregos por aqui! Meus avós maternos (Cida e Elton) não eram tão ricos mas faziam o máximo para ajudar. Não sabiam da historia toda (que meu pai batia em minha mãe) mas sabia que nossa situação financeira não era das melhores.

Notas finais
e ai gostaram? Comentem!