Vitta
4 Processo
Notas iniciais
O velório foi... doloroso. Não podia ser de outro jeito.
Eu chorava abraçada á minha mãe. Vera a mãe de Dan soluçava, e Carlos, seu pai, tentava consolá-la. Raquel estava presente, imersa em pensamentos, e pela primeira vez, não me incomodei com sua presença. A angústia era demasiada para permitir qualquer outro sentimento.
Não acompanhei o enterro. Eu não suportaria, mesmo tendo consciência de que já não era mais Dan ali. A lembrabça da Morte carregando sua alma ainda era muito clara.
Fiquei sentada no banco do pátio da peuqena igreja de São João do Sul, pensando no que acontecera há alguns dias.
“Sou a única certeza da vida. Sou o oposto dela.”
Aquelas palavras faziam minha cabeça girar em um turbilhão de tristeza e confusão.
— Sinto muito – disse uma voz familiar, porém sem o usual tom de malícia a que eu estava habituada. – Sei que você gostava muito dele.
Raquel nunca havia sido gentil comigo. Virei o rosto lentamente, ainda atordoada com tantas coisas.
— Obrigada – murmurei entre lágrimas. Não fui capaz de pensar em algo melhor para falar.
— Eu também gostava muito dele, e não gostava de você porque você conseguiu conseguiu fazê-lo gostar de você e eu não. Mas nunca tetei interferir pois não seria forçando que eu conseguiria alguma coisa.
— Humm... Acho que você acabou tendo sorte, afinal, não deve ser tão difícil pra você, não é.
— Errado. Eu não tive chance de aproveitá-lo, ser amada por ele, e você pode ter uma lembrança agradável de seu tempo com ele.... eu não tenho nada.
Não me seguei. Desabei novamente em lágrimas e soluços, enquanto as lembranças vinahm inevitávelmente. Seus olhos, seu rosto, sua voz, seu toque. Tudo que eu sentiria falta.
— Desculpe! Eu não queria...
— Tudo bem, é só que... eu não consigo aceitar.
Comecei a tremer. Apesar de ser o começo de Março, o vento frio chicoteava as árvores me causando calafrios.
E comecei o processo de luto e superação.
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