Vitta
16 Inquieta
- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhh – os gritos, imagino, foram ouvidos em toda a pequena cidade de Laguna – Vitta! Que saudades! – ela me abraçou, e as lágrimas caíram em meu rosto sem pedir permissão.
- Thaís! – falei com os olhos marejados – Ah meu Deus, como você mudou, amiga, tenho tanta coisa pra te contar!
Entramos no pequeno estabelecimento de mãos dadas, sem nos importarmos com os olhares que passavam por nós repetidamente.
Contei-lhe tudo que havia acontecido desde que saí de São João do Sul. O acidente, como tomara minha decisão de mudar de cidade, o reencontro com a Morte, a descoberta de sua identidade e tudo mais. E Thaís me falou de sua vida, seu noivo, Tay, e fiquei surpresa quando me deu os detalhes.
- Tay é mais velho que eu, tem 23 anos. O pai dele é sócio do meu tio, ele também trabalha na Kleinn. Nós estamos noivos. Meu pai vai dar uma festa de noivado no próximo sábado, quer ir?
- Claro, vai ser ótimo. Mas como eu vou daqui pra lá ?
- Eu levo você. Eu vou vim pra cá na quinta, e vou voltar na sexta. E segunda eu tenho vir de novo. Você volta comigo.
- Então tá certo.
- Aaai, a gente vai se divertir tanto! – ela disse isso, e me abraçou.
Estava olhando distraída pela porta de entrada da sorveteria, quando Jessica passa. Eu acenei para ela e ela se juntou a nós.
- Jessica, essa é Thaís, minha amiga lá de São João do Sul – apresentei-as.
- Oi, Jessica – disse Thaís.
- Oi – respondeu ela.
O resto da tarde se passou agradável. Jessica e Thaís se deram mais do que bem, viraram quase amigas de infância. Fiquei muito feliz que minhas amigas se entendessem
- Então, quer ir na minha festa de noivado também ? – Perguntou Thaís em expectativa.
- Hum, eu não sei. Minha mãe não me deixa sair muito, ainda mais que é em outra cidade.
- Convide-a também – sugeriu.
- O quê ? – perguntou Jessica, surpresa. Fiquei um pouco chocada também.
Quando ela ia responder, um belo carro preto parou em frente ao estabelecimento e ela levantou-se alegando que era seu motorista.
- Espero vê-las semana que vem.
- Nós estaremos lá – Jessica respondeu por mim.
- Claro – confirmei.
Os dias foram passando lentos e tediosos. Minha rotina era igual: de casa para a escola, da escola para casa, depois trabalho e casa novamente.
Jessica queria comprar vestidos na quarta-feira á tarde, mas eu tinha trabalho, não podia simplesmente deixar Maria Eugênia na mão.
- Jess, eu não posso ir – tentei argumentar
- Mas, por que ?
- Já disse, eu trabalho.
- Você não pode faltar ? É só um diazinho.
- Isso seria descontado do meu salário, que não é muita coisa, e eu não teria dinheiro pra comprar vestido nenhum.
- Então tá né – falou cabisbaixa – Pelo manos eu posso escolher um vestido pra você ?
- Pode – disse sorrindo – mas não vai comprar nada muito caro, hein.
- Claro – disse risonha – pode deixar, você vai ficar linda. – me limetei a rir, ela era muito persuasiva.
Depois da escola, voltei para casa e almocei, depois fui para a livraria. No caminho, notei que ventava e nuvens escuras tingiam o céu de cinza.
Abri a porta de vidro com madeira vermelha, e o sino pendurado acima do batente soou. Maria, sentada no balcão, ergueu os olhos, me fitando por cima dos espessos óculos de grau.
- Boa tarde, Vitta, chegou cedo hoje.
- Boa tarde, Mah. Eu me apressei um pouco, acho que vai chover.
- Claro, claro. Precisa de alguma coisa, querida ?
- Não, obrigada. Pode deixar que eu assumo daqui.
- Então está bem, vou indo. Tchau!
- Tchau.
Fechei a loja mais cedo, pois a tarde inteira, apenas terês garotas de mais ou menos 12 anos entraram e levaram apenas uma revista.
Estava atravessando a rua, quando começou a chuviscar, me apressei pelas ruas, a fim de evitar a tempestade que, evidentemente, estava a caminho.
Quando estava passando por uma das avenidas principais da cidade, vi uma coisa, no mínimo, inusitada. Um grande banner de uma pet shop que abrira recentemente, o banner dizia: O gato que sorri, e ao lado, a foto de um gato branco que parecia sorrir [N/A: gente, isso existe de verdade, só que não em Laguna, é em Criciúma, eu acho isso muito engraçado, por isso, coloquei aqui]. Eu ri com o banner cômico, pois um gato sorrindo não é uma coisa que se vê em qualquer esquina.
Cheguei em casa, tomei banho, jantei com vovó e fiz os deveres da escola. Fui dormir mais cedo do que de costume, pois estava incomumente cansada.
Eu estava em uma festa, uma festa muito elegante. Via mulheres com belos vestidos longos, homens de smoking, crianças zanzando pelo jardim decorado com flores silvestres, tecidos, e luzes ambiente.
Havia alguém ao meu lado, mas não consegui ver quem era. E duas moças, que deduzi não serem muito mis velhas do que eu caminahvam juntas, atravessando o jardim.
Uma delas era Jessica, estava com um belo vestido rosa-chá até os joelhos, e a outra, era uma garota loira, magra e esguia, usava um vestido vermelho, mas que não era vulgar. Elas estavam chegando perto da rua, indo em direção ao estacionamento, do outro lado. Quando de repente avisto uma figura movendo-se rapidamente por entre os postes de luz. Reconheci-o quando seu manto escuro ficou visível na luz de um dos postes. De repente tudo foi ofuscado pelo brilho intenso vindo do asfalto. Gritei, mas era tarde demais.
Acordei ofegante, assustada pelo sonho sinistro. Olhei para o relógio de cabeceira, que marcava 2:58 da manhã. Levantei-me e fui até a cozinha beber água, na intenção de me acalmar. Não funcionou muito bem, o máximo que consegui foi fazer a pulsação frenética em meus ouvidos se acalmarem um pouco, mas não o suficiente para me fazer ficar mais tranquila. O sonho havia me deixado muito inquieta.
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