Vitta
14 Coincidência ?
Meu aniversário de 17 anos estava bem próximo, eu havia arrumado um emprego na livraria da cidade. Era um bom emprego, trabalharia de segunda á sexta na parte da tarde, o salário não era lá essas coisas, mas pra mim, estava de bom tamanho.
Era segunda-feira, meu primeiro dia, vestia um jeans preto, flanela e all star. Uma mulher de uns quarenta e cinco anos, chamada Maria Eugênia, me mostrou como funcionava tudo, e o que eu tinha que fazer. Ouvi tudo com atenção, embora não me parecesse complicado, já que nos dias de hoje pouquíssimas pessoas lêem livros.
O dia foi muito tranquilo, tive que atender apenas duas clientes, que compraram somente uma revista de horóscopo cada uma. O resto do dia, passei fuçando os arquivos da biblioteca em busca de algum título que me interessae, achei vários, mas não me dei ao trabalho de procurá-losnas muitas prateleiras que haviam. Enquanto lia os títulos dos livros, me lembrei do último natal, que passei apenas com vovó e Ruffos, pois meus pais alegaram ter uma importante viajem de negócios
Me lembrei de quando leguei para mamãe para saber quando eles viriam:
*FLASHBACK*
- Boa tarde mãe, quando vocês vêm para o natal?
- Humm... querida, nós não poderemos passar este natal com vocês. Eu e papai teremos que ir até a Bolívia resolver uns problemas urgentes da empresa, e eu acho que você não gosta desse tipo de viajem.
- Mas, o natal é daqui a dois dias, vocês não podem ir depois? – perguntei chateada.
- Infelizmente não, temo que seja de extrema importância.
- Mas mamãe, você pelo menos não pode ficar? Pelo que sei, você não se envolve nos problemas da empresa. – já estava extremamente chateada, quase brava.
- Humm... eu... – ótimo, agora ela estava gaguejando – querida, dessa vez não vai dar, aceite, eu e seu pai estaremos de volta em duas semanas.
- Ok, até mais então. – falei grosseiramente e desliguei sem me despedir.
Naquele natal, eu fiquei extremamente ressentida, não entendia o que era tão mais importante do que a família. Depois daquele dia, não falei tanto com meus pais.
*FIM DO FLASHBACK*
Fui retirada de meus devaneios por um senhor de idade que entrava pela porta de vidro da livraria, acionando a sineta pendurada acima do batente.
- Boa tarde senhor, o que deseja?
O senhor ficou olhando as prateleiras, escolheu um livro de crônicas e foi embora, logo depois fechei a livraria.
Cheguei em casa, e vovó estava no sofá, com uma peça de crochê inacabada pousada no colo e os óculos no meio do nariz. Sorri quando constatei que havia dormido. Coloquei a mesa para o café e fui chamá-la, o resto do dia correu como de costume, ela me questionnou sobre meu primeiro dia de trabalho, e sobre a escola.
Quando o relógio soou, anunciando que eram dez horas, me retirei e fui dormir.
Estava caminhando no bosque atrás da minha casa, estava escuro e as árvores pareciam um pouco borradas, fazia frio, muito frio. De rerpente ouço passos bem á minha frente, avanço um pouco e veju uma grande clareira em meio ás árvores, mas o que me surpreendeu foi a imagem á minha frente: A Morte andava de costas para mim, carregando um corpo em seus braços, quando ele se virou um pouco, pude ver o rosto da pessoa que ele carregava, era eu. Comecei a correr em direção a ele, mas meus pés ficaram pesados e eu não conseguia me mover, então, desesperada comecei a gritar, mas estava sem voz. Morte se virou para mim e então....
Acordei assustada, apavorada com meu sonho, me levantei e fui ao banheiro, lavei meu rosto e depois fui á cozinha beber água, olhei o relógio, marcava meia-noite e três minutos. O mesmo sonho. Na mesma hora e na mesma data. Um calafrio percorreu meu corpo quando percebi a estranha coincidência. Voltei para o quarto, me deitei e dormi novamente.
Era uma manhã de sábado nublada. O clima estava agradável, nem muito quente, nem frio. Estava tomando café, quando vovó acordou e saiu do quarto, ela passou pela cozinha indo direto para a porta de um quarto que não era usado.
- Vovó? – chamei.
Ela sobressaltou quando ouviu a minha voz.
- O que a senhora está fazendo aí? – perguntei, afinal, era costume dela ir direto tomar café quando saía de seu quarto.
Ela sorriu, e caminhou até a mesa.
- Eu... er... estava... procurando uma coisa – ela disse e se sentou.
- O que era? Talvez eu saiba onde está.
- Nada! Quer dizer nada importante – decidi não tocar mais no assunto, não devia ser importante mesmo. Vovó tomou o café apressada e entrou no quartinho, logo depois, saiu com um pacote prateado brilhante.
- Feliz aniversário! – ela entrou na sala cantarolando. Sorri para ela. Ela se sentou no sofá ao meu lado e me entregou o pacote.
- Obrigada, vovó, não precisava.
- Ah, precisava sim. Anda, abre.
Abri o pacote e vi um camisete preto com detalhes vermelhos e uma saia de cintura alta jeans.
- Obrigada vovó, é lindo. – Falei sorrindo, minha avó tinha muito bom gosto.
Logo depois ouvi a campainha tocar e fui atender a porta.
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