Vitta

7 Busca


Notas iniciais
espero que esteja bom

Ouvi a campainha e corri para a porta.

— Thaís! Vem, anda.

Levei-a ao meu quarto para que pudéssemos conversar em paz.

— Feliz aniversário, Vitta.

— Você lembrou. Obrigada!

— Escuta, minha mãe não o viu lá. Eu perguntei

— Sim, nós vamos ao hospital agora.

Descemos a rua em direção ao pequeno hospital no fim da minha rua. Nós entramos como voluntárias. Ideia de Thaís. Era ótimo que ela fosse tão esperta.

— Aqui, vem – chamei-a aos sussurros.

Uma velha senhora estava deitada na cama de hospital, visívelmente em seus últimos minutos. Nos sentamos num sofá próximo á parede e ficamos esperando.

De repente a senhora abriu os olhos.

— Oooh vocês vieram. Por que a demora?

— O que? – sussurramos juntas.

— Vocês vieram me trazer paz, agora só falta ele chegar.

— Quem? – agora estávamos assustadas. Mas ela gemeu e fechou os olhos novamente. Ficamos atônitas. Como ela sabia disso?

Em seguida ficou mais frio, e ele abriu a porta suavemente. Senti Thaís começar a tremer ao meu lado.

— Você aqui? O que quer? – ele me encarou surpreso.

— Não sei. Mas, porque o espanto?

— É que geralmente, não se espera que as pessoas busquem a Morte. – ele disse num tom sarcástico. Eu suspirei, ele tinha razão. Isso me incomodou. Mas precisava saber mais dele.

Eu tinha me esquecido de Thaís ao meu lado quando ela falou baixinho.

— Por que ficou tão frio? E eu estou cansada, vamos embora.

Olhei-a confusa. Estaria ela alheia ao fato de que estava na presença da Morte? Parecia que sim.

— Ela não pode me ver – ele disse de repente.

— Por que?

— As pessoas não podem me ver. Mas ao que parece você é uma estranha exceção. Até hoje não consigo entender isso.

— Vitta, vamos logo – reclamou Thaís quando não lhe dei uma resposta.

— Humm... vá na frente, eu quero ficar aqui um pouco.

— Ok – ela foi em direção á porta, quando de repente a Morte fez menção de ir atrás dela.

— Ah – ela arfou, quando finalmente notou-o.

— O que você vai fazer? – indaguei.

— Vou matá-la. Eu quero sua alma.

— Não – corri até Thaís, e me pus entre eles, e para a minha completa surpresa, ele recuou um passo.

— Saia da minha frente – ele rosnou.

— Não. Vá embora — Thaís se encostou na porta, e eu a adverti.

— Não se mexa.

A Morte agora me encarava com raiva. De repente, ele cambaleou, recuando alguns passos, depois virou-se e caminhou até a senhora enferma que nos observava, ergueu as mãos e deixou-as pairando sobre ela até que um ponto de luz surgiu e eles desapareceram.

— Por essa eu não esperava – disse Thaís depois de um minuto em choque. Ela me abraçou apertado.

— Obrigada. Eu fiquei com tanto medo.

Eu ainda estava sem reação. Afinal, por que ele recuara? Por que desistiu?

Mas ao mesmo tempo eu estava feliz, pois acabara de salvar minha melhor amiga. Essa era minha recompensa. Isso não aplacava o fato de que eu estava com medo. Não por mim, mas pela amiga que acabara de salvar.

Eu diria a ela que a partir daquele dia eu seguiria sozinha nessa busca. Eu iria encontrar um destino desconhecido sozinha. Não me arriscaria a perder alguém novamente. Ainda mais sabendo que a culpa por isso seria minha.

Enquanto saíamos do quarto, eu fuquei pensando em como contaria a ela sobre minha decisão de polpá-la do perigo. Começaria devagar? Comentaria sobre o que acontecera? Seria objetiva? Diria logo que não queria fazê-la passar por aquilo novamente? Ou mentiria? Arrumaria uma desculpa qualquer que fosse mais convincente, e que fizesse com que ela não usasse seus árduos argumentos?

Eu seria objetiva. Sabia da discussão que isso resultaria, mas queria que ela pensasse no assunto, queria que ela visse as coisas como eu via.

Não seria fácil. Teria de encontrar um jeito de convencê-la a sair disso.

Notas finais
cade os reviews ?