Visões

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Esse é o primeiro Amigo Secreto do grupo ShikaTema BR que eu participo, e como minha amiga secreta não me disse o que realmente gostaria de ganhar, eu realmente espero que ela goste do presente.

“A diferença entre passado, presente e futuro é apenas uma persistente ilusão.”
— Albert Einstein

Gaara se preocupava com o futuro. Isso era um fato desconhecido das pessoas de sua vila e, também, de seus amigos. O futuro era algo que o assombrava desde o dia que Naruto mostrou que ele podia ter um. Depois disso, ele se preocupava com o futuro de todos os que ele gostava e, após tornar-se Kazekage, essa preocupação somente aumentou.

Essa sua inquietação era por todos os integrantes de sua vila. Seus cidadãos. Seus shinobis e kunoichis. O futuro de Suna como um todo. E o de Konoha, junto com todos os integrantes de lá, que Gaara estimava muito. O futuro do mundo shinobi, também.

Gaara tinha essas preocupações.

Acima de tudo, o Kazekage se preocupava com o futuro de seus irmãos. E com a felicidade deles.

Em específico, com a de Temari. Sua querida irmã mais velha que suportou tudo para ficar ao lado dos irmãos, mesmo nos piores momentos. Que ficou ao seu lado em sua época sombria e o amou verdadeiramente, mesmo quando tinha medo dele. Que foi leal à família e à vila, mesmo quando podia ir embora sem olhar para trás. Que nunca o odiou, nem por um minuto, nem quando ele matou a própria mãe.

Gaara só queria que Temari fosse feliz.

Afinal, ela merecia.

E, agora que a guerra tinha acabado, talvez ela finalmente conseguisse. Ele só podia esperar que sim.

Temari havia montado um grupo de busca e resgate para encontrar todo shinobi ferido e impossibilitado de se locomover e, também, para trazer os corpos dos mortos em combate de volta. Ninguém seria deixado para trás, foi o que ela havia dito, todos voltariam para casa. Era um trabalho pesado, porém necessário, e Gaara estava aliviado que sua irmã havia se voluntariado. Se ela estava no comando, ele não precisaria se preocupar.

A kunoichi organizou o trabalho em áreas e grupos de três. Os feridos deveriam ser levados às tendas da enfermaria, e os mortos deveriam ser tratados com respeito, e trazidos para uma área designada aonde representantes de cada vila estavam responsáveis por reconhecerem seus integrantes. Com essa organização, o trabalho poderia ser feito rapidamente e sem problemas.

Isso é, até o seu grupo se deparar com o corpo de Neji.

Tenten, que estava ao seu lado, não aguentou o choque. Poucos sabiam do relacionamento dos dois, que eles mantinham privado, mas Temari havia pego o casal saindo de um encontro uma vez. Na época, ela ficou com inveja dos dois, mas feliz por estarem juntos. Eles formavam um belo casal e era notável o quanto se amavam.

Talvez por se amarem tanto é que doeu tanto a morte do Hyuuga. Tanto em Tenten, quanto em si. Ela sentiu seu coração se apertar até encolher no momento em que a amiga gritou. Temari observou a morena descabelando-se, agarrada ao corpo ensanguentado do amado, desesperada. Sua visão ficou turva e ela sentiu-se sufocada, com falta de ar.

Aquilo era de mais.

Não estava suportando.

Precisava sair dali.

Balbuciou alguma coisa para o homem ao seu lado, esperando que ele tivesse entendido e assumisse em seu lugar. E saiu correndo.

Passou por galhos que rasgaram suas roupas e arranharam sua pele, passou por shinobis feridos e por grupos de busca que gritaram seu nome, ignorou até o seu irmão que a chamou com preocupação. Temari não poderia parar por eles, havia um objetivo em seu inconsciente que comandava seu corpo naquele momento.

Parou de correr somente quando reconheceu a silhueta masculina, de costas para ela, mexendo em uma mochila de suprimentos. Foi em sua direção, cambaleando, nervosa e, antes que pudesse perceber, abraçou-o por trás.

— Temari. — Shikamaru surpreendeu-se, virando o rosto para tentar olhá-la. — Está tudo bem?

Ela negou com a cabeça, enterrando seu rosto nas costas do garoto. Respirou lentamente, inspirando o cheiro do garoto, para tentar se acalmar.

— Ei — chamou, virando-se totalmente para ela e apertando mais o abraço. Havia algo errado, ele sentia em seu coração e não a soltaria até que ela estivesse bem. — Seu coração está batendo rápido.

— Sim — concordou, baixinho.

— Por que? — Shikamaru notou as lágrimas acumulando nos olhos da loira e, automaticamente, levou sua mão para o rosto de Temari com delicadeza.

— Estou com medo — gaguejou, assustada.

— Por que você está assustada? — perguntou, colocando uma mecha dos cabelos loiros atrás da orelha da ninja. Temari escondeu o rosto em seu peito, mas Shikamaru percebeu a vermelhidão em seu rosto.

— Porque eu gosto de você.

Shikamaru também corou, surpreso. Apesar disso, não se mexeu. Nada daquilo era o habitual de Temari, que não costumava ser assim tão carinhosa — ou sincera — com ele e seus sentimentos. Algo de muito terrível deveria ter acontecido, para que ela ficasse tão transtornada assim. Ele não sabia o que, mas seu coração estava bem apertado, como se sentisse a mesma dor que a garota estava sentindo.

Ela poderia estar morta naquele momento.

Ou ele poderia não estar vivo.

A guerra poderia ter acabado com qualquer futuro que eles dois poderiam ter. Como destruiu para muitos casais e famílias pelo mundo.

Mas Shikamaru e Temari ainda estavam ali. Eles eram sortudos.

— Vamos sair quando tudo isso acabar — decidiu. — Ou podemos jogar shōgi um dia — completou, quando ela não respondeu.

Temari o soltou para olhá-lo, não acreditando que ele estava falando sério. Era de Shikamaru Nara com quem ela estava conversando. O homem que faltava compromissos com as pessoas e, muitas vezes, evitava pois eram atividades cansativas.

Mas ele não estava brincando. Seu rosto era sério, decidido. Suas bochechas coravam levemente e ele até parecia um pouco nervoso, possivelmente pelo silêncio da kunoichi.

Temari sorriu, lavando qualquer traço de inquietação que sentia até aquele momento.

— Só não vai chorar igual um bebê chorão quando eu te vencer — provocou, acotovelando suas costelas e rindo.

— Você é muito problemática. — Shikamaru sorriu, enquanto passava um braço pelo pescoço de Temari e a puxava mais para perto de si. Ela corou violentamente, mas não tentou escapar.

Era algo que ambos poderiam se acostumar, pensaram juntos.

Ao longe, dois homens viam o casal abraçado. Gaara e Kankuro, que haviam ido atrás da irmã quando a viram sair correndo, perceberam que não havia mais razão para se preocuparem. Temari estava bem. E, no futuro, ela também ficaria bem.

Naquele momento e por um curto período, Gaara poderia jurar que ele tinha visto as costas de sua irmã com o símbolo do clã Nara.

Talvez ele estivesse enlouquecendo.

— Gaara? — ouviu a voz de Kankuro o chamando de volta a realidade. — Cara, estou te chamando há um tempão. Você tem certeza que está bem? — perguntou, coçando sua cabeça. — Você parece um maníaco encarando Temari e Shikamaru.

— Estou bem — assegurou, rapidamente. — Só estava perdido no passado.

— Esquisito — resmungou, baixinho. — Vamos, Temari nos chamou porque queria contar algo importante para nós e atrasamos por conta dos seus deveres. Se demorarmos mais, ela vai ficar furiosa. Gosto muito da minha vida como ela é, comigo vivo, muito obrigada.

À sua frente, na parte externa da casa dos Nara, sua irmã e o marido abraçavam-se de lado. E, por um momento, Gaara visualizou uma criança pequena segurando a barra da roupa de Temari.

E ele sabia qual era a novidade que a irmã queria contar.

Notas finais
Eu sei que eles dois ficaram com personalidades um pouco diferentes do que eles realmente são, mas eu quis mostrar um pouco a fragilidade emocional que as pessoas sentem após uma guerra. Mesmo a pessoa mais forte (Temari) e mesmo a pessoa mais tranquila (Shikamaru) sentem o impacto que uma guerra causa em você. O trauma inicial. Alguns conseguem superar com o tempo, porém outros não.

Se ficou muito ruim, por favor, me avisem. Eu refaço, vou ajeitando, escrevo tudo de novo.

Realmente espero que minha amiga secreta tenha gostado (mas se não, pode falar que eu escrevo outra coisa hahah)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!