Visita Da Morte
1 Capítulo 1
Hoje a morte se aproximou de mim, sussurrou meu nome em meu ouvido. Sua voz era fria, suave e penetrante, tocou-me o ombro esquerdo, fez com que meu corpo paralisasse por completo. Disse pra mim que precisava me levar, mas não estou pronto, ainda não! Não sou de desapontar ninguém, mas tive que desaponta-la, hoje vou recusar o destino e vou ficar mais um pouco por aqui. Expliquei para morte que eu não pudia partir, pois ainda não fui feliz, não de verdade, e alguém que ainda não provou a sincera alegria não pode deixar este lugar, sair daqui tendo provado apenas o amargo da vida não seria justo. Minhas palavras fizeram com que a morte parasse pra pensar, pensar que talvez pudesse fazer uma exceção no meu caso, me dar mais um tempo neste lugar, para que eu parta tendo usufruído de alguma alegria. Em companhia da morte apreciei sua face, oculta e sombria, pude ver o medo que assola a humanidade, ver que a única certeza da vida é também a mais temida, a inevitável morte! Dona dos campos de pesadelos, onde os mais fortes temem e tremem, senhora do medo que assola os corações, imperatriz da agonia dos que perto dela chegam. Todo o fim é de seu domínio, todo acabar é sua obra. Aquela que frustra os sonhos de pequenos e grandes, que no fundo de seu abismo sombrio faz despencar a esperança de senhores e servos, a riqueza e a pobreza são levadas juntas como lembranças para seu baú. Levou pelo pescoço os grandes reis do passado, assim como leva-rá os governantes de hoje. Poderosa como o mais poderoso homem jamais sonhou em ser e deixou que eu ficasse por um humilde apelo meu. Suas palavras frias de despedida foram poucas, mais nunca as esquecerei, "aproveite o que lhe foi concedido, pois ainda virei te buscar"... (D.C.)
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