Visco
1 Visco
Notas iniciais
As luzes de natal no 13º templo podiam ser vistas da oitava casa. Desta vez, pensou Milo, o grande mestre havia caprichado na decoração: “Também, a reencarnação de Atena ama essas coisinhas...” fazia caretas enquanto imaginava a adolescente pedindo para mudar a arvore de lugar.
Nunca foi de ficar muito animado com festas natalinas, mas, aquele ano, havia um motivo a mais para fazer o escorpiano desistir de ir a festa, pena, que o sempre intrometido do Afrodite insistiu que ele fosse, alegando que havia ajudado na decoração e queria que ele visse: “Mas Afrodite...por favor...” ainda lembrava do biquinho feito pelo pisciano, enquanto o empurrava para o banheiro, mandando-o se arrumar para a festa: “Vamos Milo, quero que todos vejam a decoração...você não é exceção, ouviu?”.
Naquele momento, estava na frente do espelho, tentando dar um nó na gravata: “Bem que o Camus podia me ajudar...ele sempre faz isso tão bem.” Mas logo lembrou-se que o francês não o ajudaria. Não ocorrera uma briga, mas desde o último perdão¹ pedido por Milo, o ruivo decidiu afastá-lo, dizendo que precisava de tempo para pensar no futuro: “Ora Camus, você pode pensar comigo...ah, vida...não consigo viver sem aquele francês metido a certinho.”
Por fim conseguiu dar um nó desajeitado na gravata, pegou uma escova em cima da cômoda, penteando os cabelos longos, alinhando os cachos dourados, olhou-se mais uma vez no espelho: “Estou pronto...como queria saber se meu ruivo vai à festa.”
Saiu do templo de escorpião, encontrando Mascara da Morte na escadaria.
– Boa noite Mask, como você está? – sorriu, estendendo a mão para cumprimentar o homem à sua frente.
– Buona Notte! Milo, io estou bem, mas e você? – apertou a mão do escorpiano.
– Ah Mask, indo, como pode ver. – após a Guerra Santa, acabara por iniciar uma amizade com Mascara da Morte, os dois gostavam de sair e beber juntos, além de arranjar casos de uma noite com as pessoas que conheciam nas noitadas. Mas já fazia meses que Milo não saía com o amigo para as boates de Athenas, havia se arrependido do que aprontava e queria ficar apenas com o francês...ah, mas ele nem ligou.
– Então quer dizer que o ruivo não voltou para você, Milo? – Mask perguntou, curioso.
– Bom Mask, segundo ele, nós dois não estamos separados, ele só quis um tempo. – suspirou, lembrando das palavras do aquariano.
– Quer minha opinião Milo? Acho que aquele cavaleiro está te testando, pra ver até onde você vai sem traí-lo novamente.
Subiram a escadaria, Milo ainda pensando em Camus. Passaram pelo templo de Sagitário que se encontrava vazio, com certeza, Aiolos já estava na festa. Continuaram Subindo, e, para amenizar aquele clima tenso, Mask começou a falar dos planos que havia feito para a festa. Milo assentia, fingindo prestar atenção às palavras do canceriano. Até que o monólogo tornou-se silencio novamente.
Já estavam à porta do templo de Capricórnio quando Milo virou para Mask e disse:
– Cara, eu não aguento mais...isso dói sabe, e...bom, pelo menos eu não o traio mais. Isso é bom, né? – tentou sorrir para o canceriano, segurando as lágrimas.
– Bom, é sim. – riu baixo – acho que eu não conseguiria ficar sem trair...é viciante.
– Todo mundo consegue Mask, é só parar para pensar no que você causa ao Dite quando o trai. Deve ser muito doloroso para o peixinho.
Nesse momento, ouviram uma risada baixa, em seguida, Shura saiu do corredor que dava para os seus aposentos e disse:
– Ora, ora. Vejam quem está dando lição de moral por aqui. Você e o francês ainda estão brigados, Milo?
O loiro bufou, tentando se acalmar, odiava ter que aguentar as brincadeiras de alguns cavaleiros sobre sua situação. Não bastava ficar longe do ruivo, ainda tinha que ouvir piadinhas ao seu respeito.
– Sabe que não estamos brigados Shura, Camus só pediu um tempo. – falou com a voz fria.
– Tudo bem escorpião, só estou brincando. Ah e, Mask, seu irresponsável, onde está a garrafa de vinho que você prometeu trazer? – começaram a caminhar em direção a próxima casa, Milo, subiu o resto das escadas calado, enquanto ouvia os dois companheiros de armas discutindo sobre uma garrafa de vinho que Mask havia esquecido.
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Passaram pela casa de aquário em silêncio, parecia estar vazia, e eles decidiram não chamar o guardião.
Chegando em peixes, encontraram um bilhete de Afrodite, avisando que não estava em casa, pois já havia subido para o 13º templo.
Finalmente estavam no local da festa, a decoração estava realmente deslumbrante, com lanternas e luzes coloridas por todos os lados. Dois guardas que estavam junto à porta, abriram-na, permitindo a passagem dos três cavaleiros.
Dentro do salão, havia uma mesa enorme, repleta de pratos exóticos, frutas, bolos, doces e um peru bem ao centro. Em um canto, havia uma bancada com bebidas e dois funcionários contratados por Saori para preparar drinks coloridos e chamativos.
Tocava uma música suave de fundo e o ambiente estava iluminado e descontraído. Perto de uma das janelas, uma árvore de mais ou menos três metros, havia sido montada, com várias estrelas, presentinhos e afins, pendurados nos galhos verdes.
Mask e Shura queriam provar os drinks oferecidos na festa, chamaram o loiro, mas Milo negou, dizendo que só provaria mais tarde. Os dois se despediram de Milo e se afastaram, deixando-o sozinho. Apenas por instantes.
Milo logo viu dois cavaleiros caminhando em sua direção, não queria conversar, mas por educação e por não ter mais tempo de fugir, decidiu ficar e esperar para cumprimenta-los.
– Oii Milo, ainda bem que decidiu vir né? – Afrodite foi o primeiro a falar, seguido pelo cavaleiro de áries.
– Boa noite Milo, é ótimo que tenha vindo. – o ariano sorriu, gentil.
Milo sorriu retribuindo.
– Boa noite Mu, também é bom te ver por aqui. – virou seu rosto para Afrodite e falou, com um ar irônico.
– Ah e Dite, eu não decidi vir, você me obrigou, lembra? – cruzou os braços.
– Pera Milo, você tinha que vir e ver minha decoração de natal. – sorriu, triunfante. – E aí, o que achou?
– Bom, devo dizer que ficou razoável.
– Como assim RAZOÁVEL? Eu trabalhei a semana toda nesse projeto, e você diz que está razoável? – Dite bradou, incrédulo.
– Estou brincando Afrodite, ficou realmente incrível, parabéns! – sorriu, descruzando os braços e dando um leve tapa no braço do pisciano.
– Aii! Seu idiota, não me bata assim...- se recompôs, passando a mão delicadamente nos cabelos, em seguida, fechou os olhos . – e eu já sabia que estava incrível, não preciso da sua opinião.
Milo arregalou os olhos.
– Como assim, seu peixe abusado? Não disse que eu tinha que ver a sua decoração.
– Ah Milo, aquilo foi uma desculpa para te fazer vir para a festa...escorpião burro. – Afrodite saiu, puxando Mu pela braço, sem ao menos deixar o escorpiano responder.
Milo passou a mão pelos cachos, procurando algum lugar para sentar. Avistou um sofá cor de vinho em um canto e começou a caminhar na direção do mesmo.
– Cara maluco. – falou de si para si, olhando em direção à porta de entrada.
Não queria admitir para si mesmo, que estava esperando o amor da sua vida entrar por aquela porta, mas segurava a respiração, cada vez que a porta se abria, dando passagem a mais um cavaleiro. Naquele momento, os gêmeos haviam acabado de chegar, e, logo que o viram, vieram em sua direção “Ahh...mas uma vez, mas um virá perguntar por Camus e eu terei de explicar o porquê dele não estar ao meu lado...mas, onde está o Camus?” só aí percebeu que não o tinha visto em lugar algum durante o tempo em que estava ali. Estava tão preocupado em evitar perguntas, que nem mesmo se deu ao trabalho de procurar o ruivo pelo salão “Mas nem adiantaria procura-lo, ele nem ao menos me olha nos olhos” suspirou ao ver os gêmeos sentarem-se cada um de um lado do sofá, já fitando-o. Kanon foi o primeiro a falar.
– Oi Milo, como você está? – falou, já passando um braço pelo pescoço de Milo.
– Estou bem Kanon, e você...ou melhor, vocês? – disse, olhando de Kanon para Saga. Desta vez, Saga respondeu.
– Nós estamos bem Milo, continuaremos assim se o Kanon se conter com a bebida. – Saga recebeu um olhar reprovador do irmão, ouvindo-o falar em seguida.
– Ahh Saga, você é muito chato viu, veio falando disso o caminho todo, para de me encher. – fez muxoxo, enrolando um dos cachos de Milo no dedo.
– É porque não adianta falar Kanon, você sempre chega em casa bêbado. – voltou os olhos para os dedos do irmão no cabelo de Milo, este, apenas ouvindo a discussão dos gêmeos.
– Tá, tá Saga, eu já entendi. Humm – disse, virando o rosto para Milo – você está muito bonito Milo, acho que o Camus deve estar morrendo de ciúme de você – sorriu, desta vez, recebendo um olhar furioso do irmão, tanto pelo elogio como pela menção do francês.
Milo sorriu, sem graça, não sabia ao certo o que responder, mas decidiu falar logo, antes que os gêmeos percebessem.
– Obrigado, Kanon. E, não se preocupe com Camus, ele com certeza não deve estar com ciúmes de mim. – ponderou um pouco, antes de continuar- na verdade, nem aqui ele está ainda.
Kanon sorriu, voltando a mexer nos cachos dourados do escorpiano.
– Ora Milo, nós vimos ele lá fora conversando com o Shaka. Não foi, Saga? – ao ouvir seu nome, o mais velho dos gêmeos levantou-se do sofá, virando-se para o irmão e puxando-o grosseiramente pelo braço.
– Sim Milo, nós os vimos. – olhou para o irmão, com os olhos inexpressivos. – vamos Kanon, acho que já importunamos demais o Milo, deixe-o em paz, sim?
Kanon olhou para Milo, sorrindo.
– Bom Milo, nos vemos depois, acho que meu irmãozinho quer ter a primeira seção de amassos da noite.
– KANON!! – dessa vez, Saga o puxou de vez, quase o fazendo cair no chão. – Cale-se.
Milo sorriu para os dois, acenando. Sabia o quanto Saga era reservado, diferente de Kanon, que não se importava nem um pouco em demonstrar o que sentia pelo irmão em público. O relacionamento dos dois parecia tanto com o seu próprio. Sempre quis demonstrar para todos o quanto amava Camus, mas este o repelia todas as vezes que se aproximava “Ah Camus, como eu queria mostrar a todos o quanto eu te amo...mas você nunca deixa...” Olhou para a porta, vendo esta se abrir, prendendo a respiração ao ver o cavaleiro que entrara por ela. O francês, lindo, exuberante, maravilhoso, o seu francês acabara de entrar no salão, acompanhado do cavaleiro de virgem, com quem conversava baixo enquanto sorria para os presentes.
Milo sentiu um enorme desejo de ir ao encontro do francês e abraça-lo diante de todos, mas o desejo deixou sua mente quando viu o indiano que o acompanhava, virar-se para o ruivo e depositar um beijo rápido em sua face, afastando-se em seguida, deixando o francês sozinho perto da mesa de jantar “Shaka, seu desgraçado, está se aproveitando do meu ruivo...eu não acredito nisso...como ele deixou-se ser beijado diante de todos? Mesmo sendo no rosto...eu nunca pude fazer isso...” sentiu uma lágrima quente escorrer por seu rosto, enxugando-a, antes que esta chegasse ao queixo. Decidiu por ir falar com o indiano, deixando para conversar com o ruivo depois, quando já tivessem jantado.
Andou rápido, na direção onde vira o loiro pela última vez. Passou um pouco perto de Camus, mas decidiu por não olha-lo, tinha medo de não conseguir seguir seu caminho se fixasse aqueles olhos frios. Viu o indiano entrar no banheiro e seguiu-o, encostando a porta devagar, logo após atravessa-la. Parou, olhando o virginiano soltar a faixa que segurava sua túnica e corrigi-la, amarrando-a mais apertado e virando em sua direção.
– Boa noite, Escorpião. – disse em tom sério, com os olhos fechados.
Milo respirou fundo antes de falar, mas logo respondeu.
– Boa noite, Shaka. – a voz de Milo saiu baixa, mas ainda carregava um certo tom de raiva contida.
– Não o perguntarei como está, já dá para perceber pela expressão impressa em seu rosto. – disse o virginiano, seco.
Ao sentir a indiferença nos atos e palavras do virginiano, Milo irritou-se, batendo com o punho na porta.
– Ora, pois se sabe como me sinto, então também deve saber o que vim fazer aqui, Shaka. – sua voz saiu trêmula, salientando a sua impaciência com aquele dialogo.
– Parece ter vindo me falar algo, só não consigo identificar o quê. – o virginiano falou, sem alterar a voz, indiferente a raiva refletida nos olhos do escorpiano.
Sem conseguir se conter, Milo avançou em direção ao indiano, segurando-o pelo pescoço e prensando-o contra a parede.
– Seu filho da mãe, não pense que eu sou idiota a ponto de não perceber as suas intenções com o meu ruivo, não o toque, ouviu? projeto de Buda! – falou perto do rosto de Shaka, ainda prensando-o.
Ao contrário do que Milo esperava, Shaka não se intimidou pelos seus movimentos bruscos, sem reagir, apenas respondeu, ainda calmo.
– Escorpião, VOCÊ está se fazendo de idiota ao achar que eu tenho alguma intenção em relação ao cavaleiro de Aquário. Saiba, que o único motivo de eu estar aqui nessa festa, é que Aquário e eu trabalhamos a semana inteira com relatórios do santuário, e por isso, o Grande Mestre praticamente nos obrigou a vir. – nesse momento, Shaka abriu os olhos lentamente, acalmando o cosmo e respirando fundo. Mesmo sem liberar seu poder ao abrir os olhos, deixou o cavaleiro de escorpião assustado, fazendo este se afastar imediatamente de si.
– A é, então me explica o que foi aquele beijo? Pois eu não acho que esse tipo de ato faça parte das ordens de Shion. – Milo quase gritou, ainda afastado do virginiano.
O indiano sorriu de lado brevemente. Em seguida olhou-se no espelho, vendo a marca das mãos de Milo em seu pescoço. Ligou a torneira e lavou as mãos, ainda em silêncio. Só quando já havia secado as mãos, foi que decidiu responder.
– Milo de Escorpião, aquele foi apenas um ato de afeto que tive com o SEU Camus, não desejei lhe causar fúria ou ciúme quando o fiz. Na verdade, nem imaginei que você viria, visto que o seu relacionamento com Aquário não anda muito bem. – frisou a ultima palavra, vendo o efeito imediato no rosto de Milo, que tornou a ficar rubro de raiva.
– Mas você se acha demais né Shaka? – aproximou-se novamente do indiano, com a voz perigosamente baixa. – Ouça bem, se por acaso eu souber que andou dando em cima do meu francês, eu juro que te mato.
– Engraçado. – Shaka fitou o reflexo de Milo no espelho. – Você vive dizendo que Aquário é o SEU francês, o SEU ruivo, o SEU companheiro, mas ele nem pode dizer o mesmo, pois tanto faz você estar com ele ou com qualquer outro quando sai para beber. – Shaka sabia que havia passado dos limites e que não devia se envolver no relacionamento dos companheiros de armas, mas não resistiu e acabou mostrando que sabia o que acontecia entre Milo e Camus.
Naquele momento, Milo estava prestes a atacar Shaka, quando ouviu a porta do banheiro se abrir e um Kanon afobado entrar, já desabotoando a camisa do irmão mais velho. Saga, que prestava bem mais atenção do que o irmão, tratou logo que impedi-lo de continuar e apontou para os dois na frente do espelho.
Kanon alinhou os cabelos com os dedos e falou.
– Oi gente, o que vocês fazem sozinhos aqui no banheiro hein? Acho que nem o Camus nem o Mu vão gostar de saber disso. – Kanon nunca foi de meias palavras, sempre dizia o que achava sem se importar com os outros.
Ao ouvir o nome do ariano, Shaka ficou completamente rubro, ao que Milo já estava se retirando do banheiro.
Antes de sair, Milo foi interrompido por Saga, que diferente de Kanon, havia sentido a tensão que se encontrava entre os dois.
– Está tudo bem Milo? – disse, segurando o loiro pelo antebraço.
– Sim, Saga. – o escorpiano falou, já se soltando da mão forte do geminiano.
– Tem certeza? – Saga insistiu.
– Sim, Saga. Eu tenho. Posso ir agora? – sem esperar a resposta, saiu a passos largos de dentro do banheiro, encaminhando-se para onde estavam servindo os drinks.
Saga virou-se em direção a Shaka e perguntou:
– O que aconteceu Shaka? – fechou a porta do banheiro, caminhando em direção onde estava o cavaleiro de virgem.
– Nada com que precise se preocupar, Gêmeos. – Shaka respirou fundo, puxando os cabelos para frente, tentando esconder a marca vermelha que ficara em seu pescoço.
– Shaka, você sabe o quanto é chato te ouvir chamando os cavaleiros pelas suas constelações? É tão difícil assim chamar meu irmão de Saga? Poxa, com os outros, tudo bem, mas se você chama “Gêmeos” não sei se é com meu irmão ou comigo, ou com os dois. Chama pelo nome... – foi interrompido por Saga.
– Cale essa boca Kanon! – o mais velho virou-se para o virginiano e continuou – Shaka, não é querendo me intrometer na sua vida nem nada, mas ouça, hoje é natal e devíamos estar comemorando...e não, brigando. – Saga se aproximou do indiano e afastou seus cabelos, deixando o seu pescoço exposto.
– Não se preocupe com isso, Saga. Está tudo bem. – Shaka falou baixo.
– Como assim Shaka, não se preocupe? – pôs uma das mãos no pescoço do virginiano, tocando a marca das mãos de Milo. – Isso é algo para se preocupar, você foi agredido por um irmão de armas, Shion não vai gos...
– Isso não é da conta do Grande Mestre, muito menos da sua. – o virginiano cortou a frase do outro sem nem se importar se estava sendo mal-educado. – Eu sei muito bem como me defender, não sou uma donzela frágil, ouviu?
– Eu não questionei o seu poder, só não acho certo, pessoas que deviam ser amigas, ficarem brigando entre si. Principalmente no Natal. – disse, se afastando do indiano e voltando para perto do irmão. – não quero interferir em nada, só quero ajudar.
– Agradeço a sua ajuda, mas não preciso. Tenham um bom natal, os dois. – Shaka disse simplesmente, se retirando apressadamente do banheiro sem olhar para nenhum dos gêmeos. Quando a porta se fechou, Kanon olhou para Saga e disse:
– Ei Saguinha, que tal se você der meu presente de natal agora? – sorriu , malicioso, passando as mãos no tórax do mais velho.
– Aii Kanon, mas você só pensa nisso? – apesar da queixa, Saga retribuiu o sorriso, segurando o irmão pela cintura e beijando-o.
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Milo sentou-se no mesmo sofá onde estivera minutos antes, com um drink na mão. Olhava o movimento e tentava não pensar em Camus ou em Shaka, mas era difícil “Buda intrometido, acha que pode me dar lição de moral...eu não acredito que o Camus contou para ele que eu o traí...tá que não é segredo, mas...pensei que meu ruivo seria mais discreto...e já fazem meses que eu não saio durante a noite...só esperando aquele francês chato...e ele fica lá com o indiano filho da mãe...” perdido em suas divagações, Milo não sentiu as horas passarem, só voltou a realidade, quando ouviu a voz levemente rouca de Shion no microfone, anunciando o jantar. Levantou-se do sofá onde estava, caminhando lentamente até a enorme mesa, sentando-se ao lado de Aiolos que sorria, animado.
Sentiu o jantar passar do mesmo jeito que o resto da festa, monótono. Sorria e cumprimentava os companheiros, tentando ser educado, mas ao ver seu amado conversar com os outros, ficava se perguntando se ele sabia da dor que estava sentindo “Talvez não...talvez dessa vez, eu tenha percebido o quanto o amo tarde demais...”.
Quando o jantar acabou, decidiu ir embora, já estava se dirigindo à saída quando sentiu o braço ser segurado. Virou-se, frustrando-se um pouco ao olhar para que o havia segurado.
– O que foi, Dite? – falou baixo, tentando ser calmo.
– Por quê está indo embora, Milo? – Afrodite falou em um tom sério, sem brincar ou tentar diverti-lo.
– Não tenho motivos para permanecer aqui, o que mais eu poderia fazer se ficasse?
– Milo...porque não toma um vinho e tenta se divertir um pouco. É natal. – acariciou o rosto do amigo delicadamente.
– Dite, não dá! Eu passei a noite toda tentando fazer isso...em vão. Ele nem ao menos veio falar comigo. – falou em tom magoado, baixando a cabeça.
– Pera Milo, você sabe que o Camus sempre foi reservado. Porque você não vai falar com ele?
– Ah Dite, faça-me o favor. Pra quê eu vou falar com ele? Pra ele dizer que eu não presto e que não me quer mais? – usou um tom de ironia, tentando esconder a dor que sentia ao tocar nesse assunto.
– Milo... – sorriu, tentando passar confiança. – Por quê não segue o meu conselho...olha, ali.
O pisciano apontou para uma janela aberta, onde podia-se ver as luzes do vilarejo vizinho, algo muito chamativo na verdade, mas o que realmente importava, era o homem parado a observar. Camus estava sozinho, olhando para a cidade enquanto tomava lentamente uma taça de vinho. Lindo, perfeito, irresistível. Milo não queria se aproximar, havia passado a festa toda pensando no que fazer e decidiu deixa-lo finalmente. Mas ao ver aqueles cabelos ruivos, realçados pelas luzes coloridas, sentiu um desejo profundo de se aproximar.
– Sim Dite, o Camus está ali. Mas não sei se devo falar com ele. – fitou as luzes além da janela também, como eram belas, assim como o ser que as olhava, distraído na janela. Decidiu por ir, o lugar onde estava não tinha ninguém, se o ruivo o desse um fora, nenhum curioso perceberia. – Tudo bem Dite, eu vou.
– Milo...boa sorte! Espero que a ocasião te ajude. – cruzou os dedos teatralmente.
– Ocasião?
– Sim, Milo, seu burro. É natal, tudo pode acontecer... – sorriu.
– Tá certo Dite, obrigado. – retribuiu o sorriso, virando-se e caminhando em direção à janela.
Apoiou o braço na janela, olhando para as luzes do vilarejo ao longe. Hesitou, sentindo um estranho nervoso ao abrir a boca para falar. Respirou fundo, mas antes de dizer qualquer coisa, ouviu a voz baixa do amado.
– Boa noite Milo...pensei que não viria falar comigo. – falou baixo, bebendo um pouco de vinho, sem olhar para o escorpiano.
– Eu pensei que não me quisesse por perto. – baixou a cabeça, um pouco triste.
– E porque eu iria querer ficar sozinho no natal, se tenho namorado? – finalmente o olhou nos olhos, ensaiando um sorriso.
– Eu pensei que estávamos brigados, Camus... – se aproximou só um pouco, enrolando uma mecha lisa dos cabelos ruivos nos dedos, apreciando-a.
– Eu nunca disse a você que estávamos brigados, só pedi um tempo.
– Mas você não disse quanto tempo. Camus, eu estou fazendo tudo certo agora, nem saio mais com os meninos, nem... – foi interrompido pelo amado.
– Shhh... não quero brigar hoje, Milo. Só quero aproveitar esse tempo.
Sentiram o cosmo do cavaleiro de peixes se elevar, olharam para trás um pouco assustados, mas o viram apenas criando algumas rosas e as entregando aos convidados. Milo sorriu, voltando a olhar para o ruivo.
– Vejo que está bem, Camus. Já arranjou até amizade com Shaka né? – deixou uma pontinha de raiva transparecer em suas palavras.
– Milo, eu já disse que não quero brigar hoje. E quando disse que queria aproveitar...eu me referi a aproveitar com você.
Milo sorriu ao ouvir aquilo, era o que queria, aproveitar o tempo com o ruivo, mas queria deixar algumas coisas definidas primeiro.
– Camus, eu também quero aproveitar...mas não só hoje e sim o resto da minha vida. – suspirou, antes de continuar. – Esse tempo longe de você, me fez perceber o quanto é importante pra mim.
Camus o olhou e sorriu.
– Não precisa contar...o Afrodite já me disse tudo. – bebeu mais um pouco do vinho.
– Ah, mas que intrometido...
– Não reclame Milo, foi por causa dele que eu soube que você anda bem comportado nesses meses. Isso é bom.
– Ahn, então devo agradecê-lo. Mas e... – não terminou de falar, pois sentiu algo estranho ‘enganchando’ no seu cabelo, olhou para cima e viu um visco. Estranhou a situação, pois não nasciam viscos ‘do nada’ como havia acontecido com aquele. Estava pendurado na decoração de natal, mas não era sintético, acabara de nascer diante de seus olhos. Suspirou e virou-se para olhar a paisagem na janela, aquilo devia ser algum cavaleiro desenvolvendo o cosmo descontrolado na hora errada. Não tinha tempo para aquilo.
Camus também olhou para cima, estranhando a planta nascendo ali, na sua frente. Logo suspeitou, olhando para os lados, avistando o cavaleiro de peixes sorrindo e o olhando, ao lado de Mu e Mascara da Morte. Então era ele que estava fazendo aquilo. Mas ele concentrava o cosmos em rosas e não em viscos. Estranho. Continuou olhando para o pisciano, até que este fez um biquinho e tocou nos lábios, o incentivando a beijar Milo. Então era isso, esse era o motivo do visco. Logo, olhou para Milo novamente, este, fitava as luzes ao longe, sem prestar atenção na festa ou em si.
– Milo... – falou baixinho.
– Hm...sim Camus. – voltou a olhá-lo, sério.
– É...você sabe o que se deve fazer quando se está em baixo de um visco no natal não é? – sorriu, olhando-o nos olhos.
– Érr...não Camus. – foi sincero. – O que é?
– Bom, dizem que se deve beijar a pessoa que estiver com você se passar em baixo do visco no natal.
Milo o olhou para Camus, ainda confuso.
– Como assim, beijar? Tipo, qualquer pessoa?
– Não né Milo, você escolhe se quer beijá-la ou não. – o francês se aproximou do loiro, quase encostando seus lábios nos dele. – O que acha? Quer me beijar, Milo?
O loiro sorriu, fitando aqueles olhos profundos e frios, mas que naquele momento revelavam o desejo de seu amante. Desceu um pouco o olhar, observando os lábios finos do amado, querendo acaricia-los com os seus.
– Sim Camus, eu quero. – fechou os olhos, se aproximando e sentindo o toque macio dos lábios do francês. Enlaçou sua cintura, puxando-o para si, aprofundando o beijo, invadindo a boca do ruivo com a língua, sentindo o gosto do vinho.
Passaram um tempo se beijando, matando a saudade, sem se importar se alguém os via, algo raro vindo de Camus.
Depois de um tempo, apartaram o beijo, o ruivo encostando a testa na do amado, de olhos fechados.
– Milo, eu te amo. Volta pra mim. Não preciso de tempo para pensar, isso não vai mudar. – deixou as lágrimas rolarem livres por seu rosto.
– Camus, eu sempre te amei. Agora, mais que nunca, pois nesses meses, eu percebi que é você o único que me completa. – enxugou as lágrimas dos olhos do amado, sorrindo. – Vamos Camus, quero dormir com você hoje. – puxou-o, andando em direção a saída.
– Ahh tá certo, Milo. – caminhou, seguindo, completamente corado.
Foram caminhando, até que Camus parou, segurando o grego.
– Sim, meu amor. Algum problema? – perguntou, curioso.
– Não Milo, só quero me despedir. Você espera? – perguntou, sorrindo.
– Sim, claro. – soltou a mão do ruivo, deixando-o ir.
O ruivo caminhou até onde estava Afrodite, sentado perto dos presentes que havia ganhado de seus admiradores.
– Afrodite, eu...- foi interrompido pelo animado cavaleiro de peixes.
– Não precisa me agradecer, Camus. Depois de todo esse tempo, eu tive de fazer algo para aproximar os dois novamente. Já não aguentava mais ouvir o choro do Milo.
– Ah, eu...Afrodite...como...?
– Ah sim, a ideia do Visco foi uma técnica que aprendi na Groelândia. Nunca me serviu de nada, então nunca havia usado. Só que hoje até que eu ajudei bastante né, eu...- parou de falar ao sentir o abraço do cavaleiro de Aquário. Sorriu, abraçando-o também.
– Obrigado, Afrodite.
– Não tem de quê, Camus. Já estava enchendo o saco ver vocês separados, sim? – afastou-se do amigo, ainda sorrindo.
– Sim, é verdade, me desculpe. Eu só quis agradecer.
– Tudo bem, bobinho. Agora vai aproveitar a noite com seu escorpião, vai! – apontou para Milo que já esperava impaciente.
– Sim, sim. Claro. – se despediu, indo em direção ao amado.
Milo olhou-o um pouco irritado.
– Por quê estava abraçando o Dite, Camus? – perguntou quando saíam do salão.
– Ah Milo...é uma história interessante...- começou a contar sobre a origem da história do Visco e como aquele costume se espalhou, começando mais um de seus monólogos, que apesar de não entender, Milo amava ouvir.
Foram passar a o resto da ‘festa’ no templo de Aquário, finalmente teriam uma noite juntos depois de todo aquele tempo, ainda mais essa noite sendo a de natal. Com certeza seria perfeita, principalmente por causa de uma plantinha aparentemente inofensiva, mas que fizera a diferença naquela ocasião tão especial. Bom, da plantinha e de um certo cavaleiro metido a cupido.
Notas finais
Hmmm, gente, que cês acharam? dá pra usar?
Na verdade, eu não gostei muito do fim, dava para trabalhar mais, mas...enfim, tá aí né...por favor não me matem. Bjs, espero que tenham gostado.
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