Notas iniciais
Agora sim começa a dirversão!!!Importante frisar que a estória se passa na década de 40, por isso a escrita um tanto quanto rebuscada, mas nada demais. Tudo para fixar a fic no tempo e no espaço.
Também a estória é bastante diferente da fic "Coraçao Ardente" que eu escrevo, ja que nesta eu sigo a saga tentando fazer justiça a Jake, e em V&I escrevo algo novo, diferente. Assim como a Lari.
Sinceramente espero que gostem
Boa leitura!!Nos falamos no final. *roendoasunhasprasaberoquevcsacharão*

“Gosto dos meus erros; não quero prescindir da liberdade deliciosa de me enganar.” (Charles Chaplin)

O tempo em Forks parecia mais frio que o habitual. Apesar de devidamente vestido com um de seus ternos de linho de corte sofisticado, Jacob sentiu um calafrio perpassar por seu corpo, e se perguntou se aquilo se dava, de fato, às baixas temperaturas da época. O lindo rapaz de traços indígenas travou um pouco o maxilar, acentuando as linhas perfeitas de seu rosto acobreado, enquanto estreitava os olhos escuros, que no momento estavam pensativos e distantes.

Olhou pela janela do escritório da Fábrica de Tecidos Black pertencente ao seu pai, Billy Black, e observou por alguns instantes o movimento incessante dos trabalhadores em mais um dia de produção. Billy era o único proprietário, e seu filho administrava o lugar com esmero invejável.

Jacob Black sempre soube o quanto o pai havia se dedicado para manter os negócios da família, mesmo em meio à sociedade preconceituosa da velha Forks! O fato de serem membros da tribo indígena Quileute servia para, no mínimo, serem considerados frutos de uma raça inferior. Não foram poucas as vezes que sofrera humilhação por sua descendência, o que não o tornou fraco, muito pelo contrário, gerava-lhe uma força interna devastadora. Era bem consciente de que o que não o matava, lhe fortalecia. Aprendera a conviver com isso, mas uma coisa era certa, odiava o bando de ricos aristocratas desse lugar.

Passou as mãos nos cabelos negros e curtos, sentindo a textura dos fios sedosos. Observou as nuvens nebulosas que traziam uma chuva fina e constante. A água que caia batia sobre a vidraça incessantemente, então soltou o ar quente pela boca. Estava cansado.

– Jake?

O rapaz virou-se para observar seu melhor amigo, Sam Uley, entrar no escritório. Sam também era índio Quileute, rapaz moreno, de feições bem desenhadas num rosto largo. Tinha altura destacável e era fisicamente forte. A tais características somavam-se uma seriedade inata, o que, entre outras razões, tornou-o braço direito dos Black na fábrica.

– Oi, Sam. – o cumprimentou, deixando escapar um riso. Estava aliviado, pois a presença do amigo sempre afastava pensamentos desagradáveis que teimavam em invadir a mente do rapaz quando estava só.

– Você já escolheu os tecidos?- Sam estava se referindo a uma nova entrega de tecidos finos que levariam a Washington — DC.

A fábrica tinha se expandido grandemente, sendo uma das maiores produtoras de tecidos do país, principalmente de seda e linho. Jacob às vezes não continha o riso de deboche, pois adorava observar como as pessoas mais abastadas de Forks produziam suas roupas de alta costura com os tecidos confeccionados pelos “bugres”, como se referiam a Billy e sua família quando iniciaram a empreitada. Mas, ao contrário destes que anteriormente os execravam, Billy não nutria preconceito quanto aos empregados da fábrica, e oferecia trabalho a qualquer um que estivesse disposto a laborar, independente de raça, credo, ou quaisquer distinções.

O rapaz atravessou a sala mobiliada com móveis de madeira maciça, que davam ao escritório um ar mais rústico e incrivelmente sóbrio. Observando-o se aproximar, Sam conjecturou que os olhos sérios de Jacob combinavam perfeitamente com seu escritório – ambos pareciam maduros demais para um rapaz da sua idade. Black pegou novamente as amostras de tecido, e passou-as pelos dedos delicadamente, para senti-las. Anos a fio dentro da fábrica deram a Jacob Black a destreza para identificar aquelas que seriam as melhores séries de tecidos produzidas.

– Seda e linho... .- ele os cheirou, um perfume amadeirado e seco. — Serão estes. – Jacob falou. Sam sorriu balançando a cabeça, concordando com a escolha dos tecidos classe A. — Fizemos um ótimo trabalho, Sam. – Black bateu as mãos nas costas do amigo acaloradamente, que devolveu o carinho com um sorriso de satisfação pelo trabalho bem realizado.

Sam, além de um bom amigo, que crescera junto ao filho de Billy, era também o substituto direto dos Black, assumindo a direção dos negócios sempre que necessário.

Na maioria das vezes, Jacob não apreciava o esforço exagerado do amigo, principalmente quando o trabalho era pesado e se estendia até tarde da noite. Para o jovem, aquilo não passava de um sacrifício desnecessário, afinal ele tinha uma família para quem deveria voltar todas as noites. A esposa de Sam, Emily, já havia lhe dado uma filha, a pequena Sarah, e esperava mais uma criança.

Jacob ressentia-se em seu íntimo da felicidade do amigo, apesar de ocultar tal sentimento. Não se tratava de inveja ou ciúme, pois realmente se alegrava com a união bem sucedida de Sam. Na verdade, o casal havia se formado com seu auxílio, já que Uley, apesar de seu porte firme, era inseguro quanto aos assuntos do coração. Como recompensa por sua intervenção, fora o padrinho do casamento, e congratulava-se internamente por ser ao menos em parte responsável pela felicidade alheia. A sua própria parecia perdida para sempre...

Toda essa contradição era fruto de sentimentos mal curados, resquícios de uma época que lhe causara rancor e ódio, muito ódio. De uma época em que julgava que seria capaz de desfrutar da mesma felicidade agora compartilhada entre Sam e Emilly. Mas tudo havia passado, e apenas as feridas haviam ficado, lembrando-o de que não tinha direito de cobiçar aquele tipo de satisfação, pois provavelmente não voltaria a provar dela.

Por isso não aprovava a dedicação excessiva de Sam ao trabalho, já que tudo o que mais queria era, assim como o amigo, ter uma esposa a sua espera em casa, a quem contaria o dia árduo de trabalho quando retornasse para seus braços, e com quem faria amor exaustivamente. Jacob balançou a cabeça levemente, como forma de afastar lembranças ruins e desejos tolos, os quais já tinha abandonado há algum tempo.

– Foi a melhor produção de tecido do mês. – animou-se Sam, encarando o amigo. — Poderíamos comemorar hoje à noite — propôs. — Um jantar no restaurante... Seu pai já até concordou. – enfatizou, já que sabia que o convite seria bem melhor aceito se o patriarca estivesse presente. Nos últimos tempos Jacob se dedicava exclusivamente ao trabalho, e se esquivava de todas as tentativas de distração intentadas por Sam.

– Não sei ainda... – ele franziu um pouco a testa. – Ainda tenho muita coisa a fazer. Descer nas linhas de produções, conferir...

– Ei, Jake!- Sam o interrompeu. – Amanhã cuidamos de tudo. Está na hora de relaxar. Você tem se doado muito desde que assumiu o controlo dos negócios. – o rapaz tombou a cabeça para o lado, ponderando por segundos as colocações do amigo. Era verdade, há quanto tempo não se permitia noites leves de boa comida e boa bebida... Quando não estava nas farras com mulheres que serviam apenas para aplacar seu desejo masculino, estava enfiado na fábrica trabalhando horas a fio. — Tenho certeza de que Billy não gostaria que você abdicasse de todo o resto em nome do trabalho, você sabe.

Claro que sabia, afinal o pai sempre fora o primeiro a dizer que ele extrapolava os limites do bom senso quando mergulhava no serviço, esquecendo-se da distração que qualquer rapaz da sua idade necessitava.

– Tudo bem. – sorriu de leve, mostrando uma linha de dentes brancos e perfeitos, que se destacava em comparação com o brilho da pele marrom acobreada. – Mas primeiro vamos fechar essas encomendas. — exigiu.

– Claro. – respondeu Sam, agora satisfeito e aliviado com a concordância de Jacob.

Sam sentou-se do outro lado da mesa e ambos discutiram a forma da entrega de todo o material, bem como a melhor maneira de transportar a carga, e todos os demais trâmites. Mesmo com o alcance atingido pela fábrica de Tecidos Black, Billy não abria mão do empenho pessoal do filho em cada bom negócio fechado. Era isso, segundo ele, a alma eficaz e poderosa da empresa.

Na verdade, toda a fábrica era herança do seu avô, Ephraim, índio Quileute, que a duras penas tinha iniciado o legado, e deixado para que o filho desse continuidade. Não esperava o velho índio que o negócio fosse expandido tão brilhantemente por seus herdeiros. Teria ficado feliz, se não tivesse morrido tempos atrás.

Jacob se lembrava das histórias contadas pelo pai, quando dizia que os antepassados de seu avô percorreram praticamente o mundo, chegando ao Japão e lá descobrindo os melhores ovos de bicho-da-seda, os quais davam os melhores fios. Billy Black contava toda a façanha com orgulho, e o jovem Jacob a guardava com o mesmo sentimento.

– Pronto. Podemos ir agora. – falou Sam, assim que terminaram o balancete.

Jacob levantou-se, soltando o ar forte pela boca. Esticou-se levemente, como se espreguiçasse, e puxou a blusa branca de mangas compridas cuidadosamente até a altura do cotovelo. O terno já havia sido retirado anteriormente para facilitar as horas de trabalho.

– Jake, tio Billy quer vê-lo agora. — falou uma garota de pele morena e traços indígenas, de beleza natural, quando entrou na sala sem ao menos bater na porta. Os trejeitos da jovem, que atendia pelo nome de Leah, não correspondiam aos usualmente utilizados em um ambiente de trabalho. Além da maneira de falar informal, a moça escorava-se à porta despreocupadamente, encarando o jovem índio de maneira sedutora, como era do seu feitio.

Leah era filha da governanta da residência dos Black, Sue. Moravam em uma pequena propriedade nos fundos da grande casa, e desde a morte de seu pai, com o intuito de ajudar no orçamento familiar, foi levada para ser secretária pessoal dos Black. Jacob sorriu para a jovem, a quem tratava como mais uma irmã postiça.

– Algo aconteceu? Ou o velho só está sentindo saudades minhas. — Jacob perguntou, com o tom de brincadeira que costumava tratar a moça. Apesar de um pequeno sorriso de satisfação brotar dos lábios dela, sua expressão fechou-se quando percebeu a presença do amigo de Black, a quem ela tão bem conhecia.

– Ele apenas pediu para lhe chamar. Não me deu nenhuma explicação. – respondeu evasivamente, enquanto enrolava uma mecha de cabelo entre os dedos.

– E por que deveria dar alguma explicação a você, garota? – Sam replicou, indignado com a forma com que Leah tratava os donos da fábrica. Ele sempre fora um exemplo de profissional, e exigia o mesmo de todos os empregados ao seu redor. Todos, exceto uma.

– Ora, seu intrometido... – Leah respondeu-lhe, mas foi interrompida por Jacob.

– Diga a Billy que estou a caminho, Leah. Obrigado. – interveio, antes que assistisse a mais uma troca de farpas entre os amigos.

Leah encarou Sam de cima a baixo, que apenas rolava os olhos diante de tamanha demonstração de infantilidade. A moça deu as costas e foi embora com passos firmes.

– Não sei por que seu pai contratou a Leah. É nítido que ela não é uma boa profissional! – murmurou Sam, aborrecido.

– Não seja tão severo com ela, Sam. Leah amadureceu bastante desde a morte de Harry. Além disso, está se saindo muito bem aqui na fábrica. – retrucou Jacob, sabendo que a aversão de Sam à moça não estava relacionada ao trabalho.

Os dois haviam tido um breve namorico durante a adolescência, que durou tempo suficiente para se odiarem eternamente. Logo Sam percebera que a garota o usava apenas na tentativa de causar ciúmes a Jacob. Mas Leah nunca soubera lidar com rejeição, então quando o rapaz pôs um fim no relacionamento, a inimizade entre ambos nasceu e frutificou.

Sam deu de ombros, não querendo dar mais atenção ao assunto do que a necessária, e ambos se levantaram para ir embora.

– Talvez seu pai queira discutir algum ponto a mais sobre a encomenda. Vou terminar de organizar o restante da papelada e nos encontramos no hall.- ele propôs.

– Se não houver imprevistos, estarei lá em alguns minutos. – o jovem concordou, cruzando a porta com passos largos. Ao chegar à sala do pai, bateu levemente na porta e entrou sem cerimônia.

– O senhor me chamou?- inquiriu assim que visualizou o rosto austero de Billy.

– Sim. – fez um gesto com a mão para que o filho se aproximasse.

O índio patriarca estava sentado por trás de uma grande mesa oval, sempre utilizada para reuniões. O jovem notou que existia alguém mais na sala. Não o tinha reconhecido imediatamente, até se aproximar e enxergar o rosto altivo e soberbo de Melfin Collin. A expressão de Jacob endureceu-se como pedra. Sentiu uma raiva súbita golpear com rapidez seu organismo, ao ponto de cada parte do seu corpo tremer inconscientemente.

– O que esse homem está fazendo aqui? – perguntou rispidamente. Jacob o odiava. Odiava tudo o que representava, sua riqueza torpe e seu falso moralismo.

O velho apenas bufou, remexendo-se inquietamente na cadeira quando viu o filho do dono da fábrica, mas decidiu ignorá-lo, afinal era só um fedelho que acabara de sair das fraudas.

– Meu negócio deverá ser com você, Billy Black, e não com ele. – apontou.

Seu tom de voz era pesado e trôpego. Era nítido que havia bebido mais do que um gole de conhaque. Melfin Collin há muito era considerado um velho irresponsável e beberrão. Sua família, entretanto, parecia ignorar a situação constrangedora em que se encontrava, tudo, é claro, pela honra que já não existia, pelo menos não para os Black. Jacob o encarou. No olhar do velho havia desprezo, no do jovem índio, ódio.

– Pai, não tratamos de negócios com essa escória. – falou firmemente.

Billy levantou a mão com um gesto para que o filho se contivesse, e voltou-se para Melfin Collin.

– Gostaria de saber o que levou o Sr. Collin a vir aqui. – falou Billy tranquilamente. Embora suas palavras fossem dirigidas a Jacob, ele encarava o velho decadente que se sentava com a postura ereta de um verdadeiro aristocrata. – O que você tem a nos dizer, Collin?

Ele soltou um pigarro longo, retirou um lenço do bolso, passando-o no rosto num gesto de nervosismo. Mesmo sendo improvável, uma vez que Forks estava mais fria do que o normal para a época, o velho parecia suar.

Jacob atravessou a sala, ficando de pé ao lado de Billy, cruzou os braços e respirou fundo. No íntimo também esperava pelo que o velho maldito e sem escrúpulos teria a dizer.

– Er...- endireitou-se mais uma vez na cadeira e encarou pai e filho, mas seus olhos acabaram fugindo, fixando-se em algum retrato dos antepassados dos Black preso à parede, numa tentativa de conter toda a vergonha que sentia ao proferir aquelas palavras. – Eu preciso de um empréstimo. — sua voz saiu fraca e baixa.

O índio mais jovem encarou-o meio segundo antes de falar.

– Não somos banqueiros, Collin. Procure um banco. — soltou com um riso irônico. – Ou talvez um agiota, já que sabemos que não possui mais crédito em banco algum do país. – as palavras de Jacob tinham um quê de vitória, que ele não fazia questão alguma de disfarçar. Não era uma pessoa má, mas se alegrava com a desgraça que começava a assolar a família daquele homem à sua frente. Para o jovem Black, era o momento mais esperado, finalmente a justiça seria feita.

Collin lançou ao rapaz um olhar rápido e impertinente.

– Você ouviu meu filho, Collin. Não concedemos empréstimos. — disse Billy, que também se mantinha sério.

O velho inquietou-se ainda mais. Sua postura quase intocada de nobreza desfaleceu. A expressão altiva e um tanto quanto carrancuda evaporou-se. O que se via era um homem com olhar desesperado, arruinado e miseravelmente perdido.

– Seu filho tem razão. – baixou a cabeça, pendendo-a para o lado, e por fim deixando-a cair entre as mãos. – Eles me negaram. Eu não tenho crédito. — desabafou num fio de voz, quase inaudível.

Collin voltou a encarar os dois com os olhos escuros e meio fora de órbita, como se estivesse prestes a sair de si.

– Preciso de sua ajuda, Black. – falou com dificuldade, referindo-se claramente apenas ao pai, pois sabia que se recorresse ao filho não teria chance alguma.

– Pois você veio ao lugar errado! – Jacob zombou, passando uma das mãos no cabelo sedoso, enquanto encarava duramente o velho à sua frente, mais uma vez regozijando-se por sua derrocada.

– Eu não estou falando com você, seu fedelho. – ralhou Collin por entre os dentes, como se com essa atitude pudesse espantar o rapaz.

– Seu... — Jacob estava prestes a explodir e escorraçá-lo dali a ponta pés, como deveria ser feito com o lixo que era. Deu dois passos para frente com vontade de calar a boca do maldito, mas foi contido. Billy segurou o seu pulso, o fazendo parar.

– Tenha respeito, Collin, ou sairá daqui. – ameaçou duramente Billy.

Jacob teve de virar as costas para conter a raiva que chegava a lhe sufocar. O jovem sabia que tinha que ter paciência para não perder a cabeça, caso contrário não responderia por si.

O pai, por sua vez, estava mais intrigado do que tudo. Sabia que a situação da família Collin ia de mal a pior, mas não tinha noção de que estivesse tão aterradora. Somente o desespero levaria o homem à sua frente a procurar as pessoas que mais desprezava em busca de auxílio, o que fez Billy imaginar que ele já deveria ter batido em muitas portas. O fato de estar aqui significava que nem mesmo seus supostos “amigos” haviam aberto se quer uma janela para ele.

– De quanto você precisa? – Billy perguntou tranquilamente. Jacob encarou o pai, não acreditando que ele ajudaria ao traste que tanto odiava. Mas automaticamente foi tranqüilizado, pois sabia que Billy não faria nada que não fosse vantajoso para os negócios, por isso provavelmente teria alguma intenção por trás daquela pergunta.

– Cinco milhões. – falou Melfin.

– Oh! – exclamou Billy, soltando um assobio longo. — Muito dinheiro, Collin.

– Eu sei. Mas reafirmo que será apenas um empréstimo. Posso lhe assegurar algumas propriedades como garantia pelo pagamento. – o velho Collin não só parecia, ele realmente estava desesperado.

Jacob virou-se, sentindo ainda mais satisfação em seu estado destrutivo e humilhado. Melfin Collin era um jogador inveterado, e seu vício o tinha levado à ruína. O jovem não sentia pena alguma do homem sentado à sua frente como um pobre coitado. Do contrário, era muito bom vê-lo dessa forma, como um miserável fracassado. Pensou por um instante que talvez fosse útil conceder o empréstimo ao maldito. Teria muito prazer em tomar dele algumas de suas propriedades, já que há muito ele havia negado a Jacob o que lhe era mais precioso. A única riqueza que ele havia cobiçado dos Collin havia sido dele, mas fora tirada sem piedade alguma de suas mãos.

Embora a raiva ainda estivesse latente, o rapaz sentiu um lampejo, uma idéia atraente e reveladora o atingindo. Sorriu pelo canto dos olhos, e colocou a mão no ombro do pai, informando que daqui para frente tomaria as rédeas dessa negociação. Caminhou alguns passos, parando à frente de Melfin Collin, que foi obrigado a levantar a cabeça para encará-lo. Ele era um jovem incrivelmente bonito, dotado de um corpo escultural, com músculos bem desenvolvidos, distribuídos em quase 1,94m de altura, algo que era bastante considerável. Collin engoliu a seco e olhou o jovem índio de maneira assustada. Jacob também o fitava, enquanto a idéia se desenrolava em sua mente. Melfin podia ser nobre, no entanto não tinha mais dinheiro, estaria perdido a não ser que...

– Quais as propriedade que nos oferece?- Jacob quis saber.

– Tenho uma das melhores terras de Washington...- assegurou Melfin Collin.

– Muito pouco, Collin...Vamos lá. Sei que possui muito mais do que isso, ou seus credores já levaram tudo?- provocou o rapaz, com um sorriso de escárnio estampado no rosto bem esculpido.

– Não... Não. — afligiu-se o velho de maneira quase penosa. – Temos também criações dos melhores cavalos de corrida do oeste.- ostentou.

– Fico com os cavalos. – Jacob olhou para o pai, que com um gesto discreto de cabeça acordou, permitindo que prosseguisse. – Bem como com a propriedade de Washington, mas ainda é muito pouco... — soltou com tom de satisfação, quando Collin o encarou sem conseguir argumentar. O velho esperava o próximo lance com certo terror, porque sabia que não havia mais nada a ser possuído. Praticamente estava entregando toda a sua riqueza, mas o garoto ainda não parecia satisfeito. Para o jovem índio, o jogo estava apenas começando, e dessa vez era ele quem ditaria todas as regras. O rapaz sentiu uma satisfação prazerosa crescendo em seu interior.

– Eu... Não tenho mais nada, Black. – disse um Collin totalmente derrotado, com entonação amargurada. Seus olhos ainda fitos em Billy.

– Lógico que você tem... – falou Jacob, chamando a atenção do velho para si. A expressão de Melfin Collin se crivou em rugas que enchiam todo o seu rosto esbranquiçado, deixando-o mais velho do que realmente era. — Você pode não ter mais dinheiro, Collin, mas ainda faz parte dessa sociedade fétida. Seu sobrenome abre as portas das melhores casas da região.

O jovem índio o encarou firmemente, ao ponto de juntar suas sobrancelhas. Mefin devolveu o olhar, mesmo sem entender aonde o rapaz queria chegar. Mas como entender as intenções que nem em seus piores pesadelos poderia imaginar?

– Lhe dou o dinheiro que precisa, em troca das suas propriedades como garantia... E de sua filha, Elize. — As sobrancelhas do homem se arquearam, atingindo sua testa calva. Ele enrijeceu-se, e levantou-se num pulo com a expressão totalmente ultrajada.

– Seu filho de uma...

– Pare! Ou não respondo por mim. – Jacob ameaçou rudemente, mas em voz baixa. Não precisou alterar o tom de voz, para Collin saber que ele falava sério. O rapaz evitou fitar o pai, pois sabia que Billy também estaria levemente assombrado com seu intento.

– Minha filha não é uma prostituta, Black. – Melfin cuspiu as palavras com fúria. Com certeza, se não fosse sua idade e modos infinitamente superiores aos do rapaz, acertaria as contas com ele imediatamente, fazendo-o engolir sua proposta indecente.

– Você me entendeu mal, Collin. – Jacob soltou um riso sarcástico, não parecendo se importar com as expressões do velho. – Eu quero apenas barganhar as condições do empréstimo... – continuou calmamente. — Dou-lhe o dinheiro, e em troca aceitarei como garantia a propriedade, a criação de cavalos... E o casamento com sua filha.

Collin sentiu-se nauseado, incapaz de digerir toda a conversa. Um estado catatônico pareceu apoderar-se dele.

Silêncio.

– Terá todas as suas dívidas pagas, e eu alcançarei prestígio entre as melhores famílias de Forks. Simples! – sugeriu. — Uma boa troca, não acha?- alfinetou com um riso zombeteiro.

Aquela, na verdade, não era a motivação de Jacob Black. O desejo de vingança e seus sentimentos por Elize – de ódio, ou não – eram a força motriz que impulsionavam seu plano recém formulado. Desejava vingar-se mais do que tudo no mundo.

Melfin ainda estava estático, talvez considerando a idéia, que parecia loucura, mas muito atrativa, a julgar pela atual conjuntura. Nunca admitiria tal fato, mas estava falido e precisava urgentemente do dinheiro. Seus olhos correram pelo ambiente, como se estivesse ponderando os prós e contras da proposta do jovem Black. Provavelmente casar uma filha com um índio Quileute não seria um orgulho. Mas e quando esse mesmo índio saldasse todas as suas dívidas, impedindo-o de cair definitivamente na pobreza? Talvez pudesse conviver com isso. Com satisfação, concluiu que seu nome teria mais força junto à sociedade do que o tom de pele escuro que provavelmente sujaria a pele de sua descendência. Mas que futuro teriam seus netos brancos, se não lhes restasse um dólar sequer no bolso?

Jacob sabia que nada além de dinheiro e prestígio importavam ao velho Collin, por isso imaginava que o cretino não pediria nem ao menos um tempo para refletir sobre a proposta. Ele estava certo. Collin o encarou novamente, e dessa vez propenso a aceitar.

– Minha filha já tem vinte e dois anos completos, e está mesmo no momento de ser desposada... – começou, tentando camuflar a desonra que seria conceder a mão de sua unigênita justamente para o homem a quem a recusara com afinco. — A considere como sua prometida. — sua voz saiu seca e entre dentes. O futuro noivo não pareceu se surpreender. Sabia que o velho não tinha escrúpulos, e que entregaria a filha a quem mais odiava se fosse de seu interesse. Isso era, no mínimo, doentio, mas nem assim pensou em mudar de idéia. Já que propusera essa loucura, a levaria até o fim...

– Prepararemos um contrato, Collin. Você terá seu dinheiro, e eu o que quero.- Melfin encarava o rapaz como se estivesse constipado, prestes a adoecer. Sua expressão beirava a estafa. Jacob, por sua vez, estampava um sorriso presunçoso nos lábios. Sentia-se vitorioso! Nem em seus melhores sonhos imaginava que teria a chance de revidar todo o mal que sofrera daquele homem de maneira tão completa.

– O mais rápido possível. – exigiu o aristocrata com uma urgência odiosa na voz. Era nítido que a proposta do índio havia inflamado o ego podre do velho, mas ele não aparentava estar preocupado pela filha, e sim pelo título que ostentava. De fato, Elize não passaria de uma moeda de troca.

– Amanhã de manhã o contrato estará pronto. – Jacob assegurou com frieza.

E o velho Collin assentiu. Sussurrou um pedido de licença e saiu, como um rato. A porta fechou-se e Jacob pôde relaxar a tensão, que era quase insuportável.

– O que você pretende fazer com essa loucura, Jake? – inquiriu Billy, não parecendo nem um pouco satisfeito. — Casar-se com a filha dele... Com uma mulher que provavelmente te odiará por tê-la comprado, que não te ama e nem conhece seus valores... Filho, entre nós temos muitas jovens Quileutes que adorariam ser sua esposa. – Billy levantou-se*, aproximando-se do filho e deitando a mão em seu ombro paternalmente.

– Sei que parece loucura, mas estou bem certo de todas essas implicações. Além disso, ela não é uma estranha para mim, o senhor bem sabe.- o jovem assegurou.

Billy balançou negativamente a cabeça, num nítido gesto de discordância. Era absurdo, o que dera no seu filho?

– Vocês eram jovens, filho. Ela não é a mesma garota de quatro anos atrás...

– Estou ciente de tudo isso, pai. Mas garanto que sua preocupação é inteiramente desnecessária. – interrompeu o rapaz impacientemente.

Billy suspirou resignado. Sabia que o filho era extremamente teimoso para desistir, mesmo quando a idéia parecesse estapafúrdia.

– Você está cometendo um erro terrível, Jacob. – alertou. – Não ganhará o respeito de ninguém comprando uma mulher, ainda mais uma mulher sem o nosso sangue Quileute correndo em suas veias.

– Está decidido, pai. E não é o respeito dos outros que almejo. Sabe que lhe estimo muito, mas não mudarei de idéia, nem com um pedido seu.

– Espero que não se arrependa, filho. – Billy falou com pesar, retirando de leve a mão do ombro do jovem.

Jacob encarou o pai, mas desviou o olhar. Ele sabia que Billy vira em seus olhos algo que não queria admitir — o ódio que nutria pelos Collin, e a vingança que executaria em casar-se com a única filha de Melfin Collin, a bela Elize Kristina Collin.



*(n/a: gente, nessa fic Billy Black anda, vamos botar o homem pra andar).

Notas finais
N/A (MIss_Lany): E ai? Quais as primeiras impressões? Mereço reviews? Ansiosa para saber o que acharam. Fato!Ah! A postagem será semanal.
Para aquelas que acompanham CA, não se preocupem, pq V&I está bastante adiantada e não atrapalhará nos posts de CA, ok?
Bjus e até a proxima!!! =)
N/A (Miss_Lari): E então... o que acharam, Flores? A estória promete muitas emoções, não? Sei que devem estar cheias de dúvidas a respeito do que levou Jacob a nutrir tanto ódio em seu coração, mas garanto que aos poucos responderemos esses questionamentos, e outros mais que surgirão.
;D
Ansiosa para saber a opinião de vocês! Beijusss!!!!