Virtude e Insensatez
5 Capítulo 4
Notas iniciais
Antes quero agradecer a nossa segunda recomendação *jogandoopompompracimaerequebrandooquadril* Obrigada Die, por alegrar os corações dessas autoras, recomendando V&I mesmo sendo estando só no comecinho. Bjus e mais uma vez obrigada pelo carinho.
Sei que algumas de vcs estavam loucas para saber como se daria esse primeiro encontro...Então vão lá...Apreciem sem moderação e boa leitura!!!
Ao final conversamos. :))
“O amor pode viver de recordações; o ódio requer realidades presentes”. (Miguel Unamuno)
Sam Uley, Billy Black e o filho acomodaram-se, do outro lado do restaurante, em uma mesa aconchegante e afastada. Jacob percebeu que a intenção dos dois cavalheiros era mantê-lo o mais longe possível de problemas – não foi à toa que quase o arrastaram da presença do namoradinho de Elize – mas sabia que quanto aos seus olhos, nada podiam fazer. Por isso sentou-se, ainda satisfeito, posicionando a cadeira estrategicamente na direção onde Elize se encontrava.
Pensava que o dia já havia lhe presenteado o bastante com a valiosa visita do pai da moça mais cedo, no entanto não imaginava que a teria a poucos metros de distância, como se sua presença inesperada no restaurante fosse um aperitivo do que desfrutaria em breve. Seus olhos negros e frios encararam a jovem sem pudores, como se pudesse ver além da sua roupa cara e fina. O jovem analisava cada detalhe do rosto incrivelmente trabalhado, dos lábios grossos e sugestivos, dos olhos cor de mel, cujos cílios cheios deixavam seu olhar mais expressivo, sem falar no decote, que permitia uma vaga lembrança de como era tocar aqueles seios redondos.
Os rapazes que acabavam de se sentar à mesa da jovem pareciam discutir sobre algo – principalmente o engenheiro e Riley. Elize estava nitidamente incomodada com o assunto, Jacob podia notar pelos seus dedos que tamborilavam nervosamente sobre a mesa, e pelo leve bico – porque não dizer extremamente sensual – que se formava em seus lábios. Conhecia cada gesto, cada mania, cada traço da moça... Elize nunca precisou dizer uma palavra para que Jacob soubesse exatamente o que sentia. Mas lembrou-se de que a jovem havia mudado consideravelmente durante os últimos anos, então poderia estar enganado. De uma coisa, porém, estava absolutamente certo: Elize ainda não tinha noção da negociata que fora acordada entre seu pai e ele, e que a envolvera diretamente, ou não estaria se divertindo, em um agradável jantar entre amigos.
Continuou observando Elize, enquanto o garçom servia-lhe o pedido. Sempre fora uma jovem elegante desde pequena, e o momento em que mais demonstrava tal característica era quando fazia uma refeição. Constantemente ralhava com ele por comer de maneira ansiosa, mas nunca se mostrou verdadeiramente incomodada com tal hábito, o fazia apenas para provocá-lo. Agora o rapaz havia adquirido os mesmos trejeitos refinados que a moça, ela perceberia tal fato em breve. Por hora, continuou observando Elize portar o talher com delicadeza, e deslizá-lo por entre a boca.
Jacob excitou-se com aquele simples gesto, mas também notou que a jovem ficara tensa. Elize olhou ao redor e percebeu que estava sendo observada pelo rapaz do outro lado do salão, como se o olhar dele a atraísse, o que a fez desviar os olhos. Remexeu-se e sorriu sem jeito para o idiota do namorado que falara algo provavelmente bobo ao seu ouvido.
Na opinião de Jacob, Riley era um fraco, um homem sem personalidade, e que, se não fosse seu dinheiro e seus estudos, não estaria com Elize. Os dois rapazes haviam se esbarrado poucas vezes desde que o médico chegara à cidade, mas sempre que isso ocorria, Riley se mostrava até mesmo intimidado pela presença de Jacob. Elize jamais se interessaria por um arremedo de homem daqueles! Por isso o índio tinha certeza de que, não fosse pela posição social do médico, ele não estaria segurando a mão de Elize, como fazia agora... Não estaria falando bobagens ao pé do seu ouvido... Nem beijaria seus lábios delicados, que bem sabia serem ardorosos... Definitivamente não! Conhecia a moça o suficiente para saber qual o tipo de homem por quem ela não teria a menor atração, e Riley era exatamente um deles.
Mais uma troca de olhares entre Jacob e Elize bastou para o jovem deixar escapar um riso debochado dos lábios presunçosos. A moça demonstrava claramente que, mesmo decorridos quatro anos, ainda era propensa aos encantos do jovem índio. Elize mordeu o lábio inferior do mesmo jeito que fazia quando ficava nervosa, e Jacob gabou-se por conseguir mexer como ninguém com as emoções da jovem. Imaginava a dificuldade que Elize enfrentava, ao tentar se entreter com a conversa dos amigos. O rapaz só desviou o olhar uma única vez, quando o garçom aproximou-se, e ele pediu um uísque escocês, duplo e com gelo.
- Jake. — ouviu a voz do amigo, mas não fez menção de olhá-lo. Sua vista era demasiadamente interessante para deixá-la de lado. — Você poderia ser ao menos mais discreto?! Desde que chegamos não tirou os olhos da filha do Collin... – Sam o advertiu.
- Hum! – ele murmurou e girou a cabeça fitando o amigo. – Eu gosto de apreciar o que é meu.
— Se você não percebeu, ela está acompanhada!- Sam ponderou.
- Não por muito tempo. – o rapaz acomodou-se melhor na cadeira e debochou mais uma vez.
- Acho que você perdeu o juízo completamente. – Sam balançou a cabeça, desaprovando a atitude do amigo.
— Jacob, não haja como o mau caráter que você não é. – Billy travou o maxilar repreendendo duramente o filho. Apoiou um braço sobre a mesa e aproximou-se para que ninguém mais além de Sam ouvisse. Sempre fora um homem extremamente discreto e não era agora que iria mudar isso.
— Ora, meu pai, não venha me culpar! Não fui eu quem vendeu a honra da própria filha! – Jacob mencionou com tom de escárnio quando olhou fixamente para o pai. – Eu só estou averiguando a mercadoria que adquiri... – acrescentou sem cerimônia.
Billy sabia que o rapaz era um bom filho, mas nunca imaginara que seu coração estivesse tão endurecido, ao ponto de entregar-se ao desejo latente da vingança. Nunca imaginara que o que acontecera há quatro anos servisse para alimentar-lhe tal comportamento reprovável.
– Sempre ouvi dizer que todo homem tem seu preço. Pois bem, o de Melfin Collin é cinco milhões de dólares, que estarão em sua conta bancária assim que a bela Srta. Collin assinar o sobrenome Black. – completou Jacob com escárnio.
— Espero que ainda possa mudar de idéia... – Billy falou reticente.
— Não espere pai. — o rapaz advertiu. Calmamente passou o dedo indicador na borda do copo e discretamente brincou com os cubos de gelo de sua dose. — Não quero causar nenhuma falsa expectativa.
Naquele momento, enquanto o rapaz brincava com sua bebida e observava desejoso a moça sentada a certa distância, Billy convenceu-se de que o filho não voltaria atrás, não importava o quanto argumentasse. Resignou-se por hora, pois sabia que havia razões superiores que poderiam impedir o desatino que o filho pretendia cometer.
- Ok... Ok!- Billy levantou as mãos espalmadas em sinal de rendição. — Não vou mais me indispor com você por causa desse contra senso... Se é assim que pretende escolher sua esposa, que seja!- Billy suspirou, folgou a gravata e recostou-se na cadeira bem a tempo de escolher, das mãos do garçom, entre um Bordeaux Château Petrus* ou um Château Lafitte*.
— E você não vai beber nada?- Jacob voltou-se para o amigo, que apenas pedira um suco.
— Não. – Sam abriu um sorriso revelador. – Não quero desagradar Emily, principalmente agora que está no último mês de gestação... A barriga está pesando, deixando-a cansada... E ainda tem a Sarah, que vive correndo atrás dela pela casa o dia todo. Então, meu amigo, estou poupando-a de aborrecimentos. — Jacob sinalizou com um gesto de cabeça, informando que entendera a intenção do preocupado esposo à sua frente. — E por falar em Emily e Sarah, sabia que elas estão sentindo sua falta? Você nunca mais nos visitou... — Sam queixou-se.
Jacob tinha um carinho muito especial pela família do amigo, além de ter sido responsável pelo enlace dos dois, o que o deixava envaidecido. Amava Emily como uma irmã, via nela todos os adjetivos de uma excelente esposa e de uma mãe maravilhosa, além de ser a pessoa mais meiga que já conhecera. As visitas eram sempre regadas a fartos banquetes e conversas animadas, principalmente depois do nascimento da pequena Sarah, a primogênita de Sam que já contava com dois anos de idade. A imagem da pequena criança de grandes olhos amendoados, boca pequena e cabelos negros, com curtos cachos que lhe caíam sobre a face levemente acobreada, surgiu na mente de Jacob. O rapaz gostava da pequena como se fosse sua. Lembrava das muitas vezes em que a garotinha corria para o seu colo, pedindo “ao titio” que lhe contasse histórias, o que sempre fazia de bom grado.
- Diga a Emily que almoçarei com vocês amanhã. – prometeu o rapaz, entornando um longo gole do uísque.
- Ela adorará saber disso. – Sam sorriu e bebericou um pouco do suco recém servido, então Jacob pôde voltar novamente sua atenção para Elize.
A jovem estava internamente abalada, embora por fora desse seu melhor sorriso e agisse como se absolutamente nada a estivesse incomodando. Desde que voltara um ano atrás durante as férias, e vira Jacob pela primeira vez em muito tempo, sempre se sentia dessa maneira quando o encontrava. Seus olhos a perscrutavam, como se de uma maneira acusatória, fazendo-a se sentir sufocada. Agradecia o fato dos dois freqüentarem rodas sociais distintas, mas nas poucas vezes em que o acaso entrou em questão e se encontraram, não havia maneira de fugir dos seus sentimentos, a única saída era fingir que conseguia ignorá-lo. No entanto o seu desconforto só era perceptível por alguém totalmente observadora, como era sua amiga Alice.
- Você está bem? – sussurrou a jovem de cabelos curtos e rosto de fada para Elize.
- Claro. – mentiu. – Só preciso ir ao toalete. – afirmou, logo em seguida levantando-se, não esperando que as amigas pudessem acompanhá-la. Estava desesperada para fugir dos olhos inquisitórios de Jacob Black.
Do outro lado do salão, Jacob observava atentamente à jovem caminhar com elegância, distinção e sensualidade. O manejo de seus quadris era por demais tentador, para que continuasse inerte em sua cadeira. Em outros tempos não ousaria tomar tal atitude, temendo que a moça lhe respondesse com um sonoro “quem é você mesmo?”, ou simplesmente o ignorasse como era de costume. Mas a situação havia mudado, ela não poderia mais tratá-lo como o meninote que deixara de ser, o que por si só já lhe dava ousadia suficiente para provocá-la. Além do mais, a certeza de que em breve ela estaria novamente ao seu alcance o permitiu agir com a audácia que lhe era peculiar.
Jacob não pensou duas vezes, sibilou um “com licença” para o pai e para Sam, que não perceberam a movimentação da moça, muito menos a intenção do rapaz, e foi ao alcance de Elize. Esperou pacientemente escorado à parede em frente ao toalete, recebendo os olhares e sorrisos das damas que o adentravam. Mas estava concentrado demais em seus planos para dispensar-lhes a atenção que normalmente as daria.
Elize permaneceu alguns segundos encarando-se no espelho, repetindo mentalmente para si mesma que não deveria se importar tanto com a presença de Jacob Black. “Talvez ele faça isso apenas para irritá-la, sua boba. Provavelmente já a tenha esquecido há tempos...”, pensou com uma pitada de tristeza. De fato, soubera por Alice que o jovem não havia se privado de ostentar diversas conquistas femininas ao longo dos últimos anos, sem, no entanto, prender-se a nenhuma delas. “E o que você queria? Que ele permanecesse casto pelo resto da vida por sua causa?”, ralhou consigo mesma, sabendo, entretanto, que, lá no fundo, era exatamente isso que desejava. Mas percebeu que seu desejo não era justo. Jacob deveria seguir sua vida, como ela o fazia com Riley. Lembrou-se de que seu namorado a esperava na mesa, e, após tais instantes de reflexão, sentiu que seu autocontrole já estava, ao menos parcialmente, recuperado.
Assim que Elize saiu do lavabo, mal acreditou no que seus olhos viram: Jacob estava parado à sua frente, com um sorriso debochado nos lábios, e mais bonito do que nunca. Seu autocontrole se dissipou de forma automática. Seu pulso acelerou loucamente, suas pernas bambearam e pensou que seu coração fosse sair pela boca, ou bem pior, temeu que Jacob pudesse ouvir o barulho que ele fazia contra as suas costelas. O nome do rapaz quase saiu abruptamente dos seus lábios, no entanto conteve-se.
Por alguns segundos Elize o analisou. O jovem mantinha-se encostado à parede, ereto. Estava bem mais encorpado do que se lembrava, percebeu pelos seus bíceps bem definidos sob o tecido do terno. O perfume que usava era estonteante, embora seu cheiro fosse exatamente o mesmo, meio amadeirado, meio cítrico. Evitou fechar os olhos e inalá-lo. Mesmo com os traços do rosto mais másculos, Jacob ainda lembrava o garoto que ela conhecera desde a infância. Quase ficou feliz por reencontrá-lo sozinha e cara a cara, até encontrar seus olhos negros, frios, sombrios e raivosos. O amor, a doçura e a alegria que sempre encontrava neles já não estavam mais presentes. Definitivamente ele era outra pessoa.
Jacob desceu os olhos vagarosamente pelo corpo bem esculpido de Elize, fazendo-a se empertigar de constrangimento. Por mais que tentasse se enganar, pensando que era apenas o desejo por vingança que o motivava, tinha ciência de que seu corpo apelava pelo dela, como se fosse um pedaço que havia sido arrancado de si. Mas ao fitar o rosto da moça novamente, percebeu a máscara de indiferença que ela sempre fixava e lhe direcionava, desde a primeira vez em que haviam se reencontrado depois do rompimento...
Flash back on
1 ano atrás
P.O.V. Jacob
- Tenho certeza absoluta. A senhora não irá se arrepender, mais uma vez! – Garanti à dona da principal boutique de Forks, que havia se tornado compradora assídua dos nossos tecidos.
- Não preciso de garantias, meu rapaz. Tenho produzido os cortes mais sofisticados do condado inteiro, graças aos tecidos da fábrica de seu pai! – a senhora elegante respondeu. Seu sucesso era inegável, pela quantidade de damas que entravam e saiam constantemente do lugar.
Eu estava ansioso. Era o primeiro negócio que eu e Sam fechávamos sem a presença do meu pai. A partir de agora assumiríamos toda a responsabilidade, por isso eu sabia os riscos que envolviam a empreitada. Mas o negócio era mais fácil, se fechado com nossos clientes habituais – como no caso da Sra. Weber – o que indicava certa facilidade da parte de Billy.
Enquanto acertávamos os últimos detalhes, ouvi o som de certa risada, que me fez congelar dos pés à cabeça. Como poderia esquecer aquele som? Nem que se passassem cinqüenta anos, tenho certeza de que reconheceria o riso de Elize, sem pestanejar, como agora. Involuntariamente meu corpo se virou na direção da boutique, e meus olhos a procuraram por entre as pessoas.
Finalmente a encontrei. Ela estava vestida com um vestido elegante, de salto alto, e cabelos bem penteados em uma trança bem feita. Continuava sorrindo, enquanto examinava um tecido que estava em suas mãos. Meu coração bombeava o sangue com força em meu corpo. Minhas mãos gelaram e minha boca ficou seca. O que eu deveria fazer? Deveria ir ao seu encontro? O que eu diria, depois de três anos sem vê-la? “Olá, Elize. Como você está? Tempo frio, não?! Responda-me só uma pergunta... por que foi mesmo você me deixou?” Indeciso do jeito que estava, somente notei a presença de outra pessoa ao seu lado quando dei dois passos em sua direção. Um rapaz de pele branca e cabelos claros conversava alegremente com Elize, e demonstrava até certo nível de intimidade. Não tive tempo de conjecturar a respeito, pois de repente ela virou-se e olhou em minha direção. Nesse exato momento tudo ao meu redor parou.
Ela ainda portava um sorriso lindo nos lábios, e seus olhos cor de mel pareciam tão aquecidos quanto eu me lembrava. Minhas memórias pareciam uma pintura borrada, em comparação à sua beleza real. Eu mal podia acreditar que ela estava ali, na minha frente... Durante esses três longos anos fingia para mim mesmo que havia sido um alívio ela ter ido estudar em outro país. Mas vendo-a assim, tão perto de mim, a saudade gritava em cada parte do meu corpo. Dei mais um passo em sua direção, ainda sem saber o que fazer. Porém a sua reação em seguida me deixou atônito.
Num primeiro momento seus olhos fixaram-se em mim, e abriram-se em choque, como se finalmente tivesse me reconhecido. De fato, eu não era mais aquele rapazote que vivia ao seu encalço. Agora já era um homem feito, futuro administrador da Tecidos Black, e me vestia como tal. Em seguida ao reconhecimento, seu sorriso de outrora murchou. Mas, ao contrário do que eu pudesse supor, logo outro sorriso tomou seus lábios, e um olhar gélido foi direcionado à minha pessoa. Indiferença. Era isso que gritava nas feições de Elize. Virou-se para o rapaz ao seu lado e continuou a conversar, como se eu nem ao menos existisse. Eu permanecia estático, sem conseguir ordenar qualquer comando ao meu cérebro. Quem era aquela pessoa? O que havia feito à minha Elize? Minha Elize não reagiria assim, de maneira nenhuma... Percebi tarde demais que aquela moça já agia de maneira diferente há muito tempo. Talvez nunca nem tivesse sido minha...
Mãos fortes fixaram-se em minhas costas, empurrando-me em direção à saída da loja.
- Vamos embora, Jacob. – reconheci a voz de Sam ao meu ouvido. – Não vale à pena...
“Não vale à pena o quê?”, tive vontade de gritar. Sofrer pela maldita ingrata que arruinou a minha vida? Tomar satisfações com a pessoa que um dia fora o centro da minha existência e que agora me ignorava completamente?
Enquanto me deixava ser carregado por Sam para fora da boutique, algo dentro do meu coração se partiu. Realmente... Não valia à pena. Não choraria nem lamentaria mais pelo que passou. Até aquele dia, se Elize aparecesse à minha frente, se ajoelhasse e pedisse perdão, eu sabia, lá no fundo, que poderia relutar, mas acabaria aceitando-a de volta. Mas a partir de agora não. Se ela um dia voltasse a ser minha, pagaria por todo o mal que havia me causado. Jamais esqueceria o olhar indiferente de Elize, pois ele seria meu constante combustível para o ódio que passaria a nutrir.
Flash back off
Após as recordações daquele dia fatídico povoarem a mente de Jacob, ele voltou a encarar a jovem à sua frente e sorriu sardonicamente. Em breve ela não poderia mais tratá-lo com tanta indiferença, pois ele se tornaria seu marido. Mais do que isso, seria seu dono, já que compraria seus direitos sobre Elize. E o namoradinho idiota que sempre a acompanhava como um cachorrinho, desde a primeira vez que a vira após seu retorno, estava com os dias contados.
Elize, embora alheia ao que se passava na mente de Jacob, não gostou nada, nada, da sua expressão.
- Eu sempre admirei o seu bom gosto, mas tenho que confessar que você me decepcionou um pouco. – Jacob falou, surpreendendo Elize.
Há anos não trocavam sequer uma palavra, como se fossem perfeitos estranhos um para o outro. Sempre que se viam, trocavam olhares – cheios de sentimento, nenhum dos dois podia negar – mas ouvir a sua voz máscula e rouca depois de tanto tempo a pegou desprevenida. E apesar de não entender a que as palavras do jovem se referiam, Elize soube automaticamente que tal conversa não seria nada agradável. Quis inclusive sair, ir embora, mas tinha consciência de que ele não a deixaria ir tão facilmente, não depois de quatro anos de total silêncio. Tentou não parecer chocada e o fitou confusa.
— Definitivamente não sei do que o senhor está falando. – Elize respondeu alguns segundos depois, com uma ponta de orgulho na voz. Ainda não estava preparada para tal conversa, por isso preferiu ser evasiva. Além disso, se Jacob havia mudado tanto, ela também não era mais a mesma. Mas a sua petulância e frieza no tratamento somente serviram para mexer ainda mais com os brios do Quileute.
- O cavalheiro que está lhe acompanhando. – Jacob mencionou e a moça logo soube que ele estava se referindo a Riley. — Seu namorado, não é? – completou de forma debochada.
O rapaz estava se divertindo claramente, enquanto Elize sentia-se martirizada. Por que ele parecia se divertir tanto com toda essa situação? A jovem temeu não saber tal resposta. Jacob aproveitou o momento de distração da moça para aproximar-se, com passos calmos e elegantes, como um felino.
– Sabe... Eu custei a acreditar que você pudesse estar envolvida com um tipo desses. Se não tivesse visto com meus próprios olhos, jamais acreditaria... – continuou, aproximando-se sorrateiramente da jovem.
Elize levantou um pouco a cabeça para encará-lo. Jacob estava a centímetros do seu rosto, ela podia sentir sua respiração quente batendo em sua pele. A jovem, então, deu uns passos para trás, a fim de colocar uma distância segura entre ela e o índio. No entanto, Jacob previu seu gesto e rapidamente a encurralou contra a parede. Elize teve que controlar a respiração, e Jacob pareceu divertir-se em vê-la tão vulnerável. A moça sequer conseguia articular seu pensamento para responder às frases debochadas do rapaz.
– Pelo que me lembro, você tinha o gosto mais apurado para os homens. – O rapaz soltou em provocação.
— Pare com isso! O senhor está sendo extremamente grosseiro e mal educado. – Elize ralhou, quando finalmente a voz saiu-lhe da garganta. Jacob sorriu debochadamente, vendo seu rosto belo endurecer-se. Provocá-la estava sendo algo incrivelmente prazeroso. Elize o fitou e pôde ver a malícia dançando em seus olhos. Sentiu raiva daquela nova persona que se revelava à sua frente. Ele não tinha o direito de tratá-la assim, como se não houvesse sentimentos, como se nunca tivesse significado nada para ele.
- Isso nunca foi empecilho para você. — ele falou com a voz enrouquecida. – Aliás... – a encarou fixamente. – Acho que era isso o que mais adorava em mim, ou eu estou enganado?
Elize nada pôde responder, porque o rapaz estava simplesmente coberto de razão. Jacob tinha todas as características que tanto lhe faziam falta em Riley. Era impulsivo e seguro de si. Parecia não se importar com as pessoas à sua volta, fixando sua atenção apenas em Elize. Além disso, seu jeito rude, em alguns momentos, sempre provocava ondas de excitação no corpo da moça, como ocorria agora, enquanto ele a encarava, encurralada contra a parede.
A falta de resposta de Elize confirmou a afirmação do rapaz, que se encheu de orgulho com tal conclusão. Mais cheio de si do que nunca, Jacob passou os dedos sobre os cabelos castanhos claros da jovem que o olhava atônita. Inesperadamente o rapaz levou uma mecha dos fios soltos ao nariz e inalou o cheiro lentamente. – Morangos silvestres... – sussurrou. – Exatamente como me lembrava... — repetiu com um tom prazeroso.
Tal atitude deixou as feições do rapaz levemente vulneráveis. Elize percebeu uma nuance de sentimentos em seu tom de voz, mas não soube interpretá-los. Embora seu coração gritasse que o rapaz demonstrava pura e simplesmente saudades – sentimento do qual ela compartilhava – sua mente a avisava de que seu toque tinha a única intenção de constrangê-la. Não suportando tal confusão, Elize cerrou os olhos e esperou o próximo passo do rapaz.
Jacob estava tão inebriado com as sensações que o cheiro de Elize lhe provocava, que não se deu conta do pequeno momento de entrega da moça. Mas ele não estava satisfeito. Do contrário, queria mais, muito mais... Então roçou a ponta do nariz na pele clara e macia do rosto da jovem. Elize estremeceu. O nariz do rapaz deslizava entre o maxilar e a maçã do rosto da moça, deixando uma trilha de fogo por onde passava.
- Então, vai continuar em silêncio?- o jovem provocou. Sabia que a moça à sua frente, de olhos cerrados e rosto enrubescido, não estava em condições de reagir. – Sabe que quem cala consente...
- Deixe-me sair. – a jovem conseguiu finalmente dizer algumas palavras, mas ainda de olhos fechados e com a voz trêmula. Espalmou as mãos em seu tórax, empurrando-o sem sucesso, na tentativa vã de escapar, mais das reações que tal proximidade lhe provocava, do que do próprio rapaz. Por trás de seus dedos, Elize sentiu a textura do tecido caro e fino. Definitivamente não era o estilo de roupa que ele usaria. Jacob sempre fora um jovem simples e sem luxo, até agora. Pelo visto tinha mudado mais do que ela havia suposto...
- Não é isso que o seu corpo está me pedindo. – o rapaz respondeu, deleitando-se com os pêlos do pescoço de Elize totalmente arrepiados.
- Por favor, senhor... – Elize sussurrou, em súplica.
- Ora, Elize, por que tanto formalismo? Nós dois sabemos que somos íntimos o bastante para dispensarmos este tipo de tratamento. – A voz de Jacob soou tão aborrecida que a moça abriu os olhos em surpresa, percebendo a íris dos olhos negros do rapaz levemente dilatadas. Jacob, por sua vez, não entendia por que Elize teimava em contradizer o que demonstrava claramente. O jovem tinha certeza de que tal comportamento se tratava de um jogo, e se assim o fosse, teria enorme prazer em jogá-lo.
- O senhor está enganado. Não tenho mais intimidade alguma com a sua pessoa, por isso não deveria agir de maneira tão desrespeitosa. Isso é... É... Um absurdo! — Elize respondeu, retomando o tom orgulhoso de antes, em reação ao rompante raivoso do rapaz. Como bem sabia, bastava ser desafiada para reagir.
Porém Jacob pareceu não se importar com a reclamação da moça, mais entretido em observar o seu decote, que subia e descia num movimento ritmado em decorrência da sua respiração. O rapaz também pareceu não se incomodar quando Elize cobriu o decote com a mão, com expressão indignada. Para Elize, Jacob nunca lhe pareceu tão lascivo quanto agora. Mas não se permitiria demonstrar fraqueza. Levantou o queixou desafiadoramente, e o encarou. Engoliu a seco, porém, quando o rapaz diminuiu propositadamente o curto espaço entre os dois. Seu estômago contorceu-se, deixando um frio percorrer suas entranhas.
- Engraçado... — Jacob fingiu uma confusão que estava longe de sentir. – Você fala como se tivesse simplesmente apagado os muitos anos que passamos juntos. Mas tenho certeza de que isso não ocorreu. — ele argumentou. Agora sabia que ainda mexia com a jovem, por isso usaria esse trunfo como bem lhe conviesse.
Suas palavras eram a mais absoluta verdade, mas Elize não as confirmaria. Além disso, ambos haviam mudado. Mais do que nunca as transformações que o tempo havia lhes provocado pareciam ter formado um abismo entre os dois. Ela não era mais aquela menina, cheia de gostos e vontades, que adorava fugir de casa para encontrar com Jacob na campina, pensou. Teve vontade de rir lembrando-se das pequenas mentiras que contava à mãe, que parecia sempre acreditar. Não. Ela não era mais aquela garota. Agora tinha responsabilidades para com a sua família, principalmente na situação financeira em que se encontravam.
- Quatro anos é muito tempo, Jacob Black. A intimidade que o tempo construiu, ele mesmo fez questão de dissipar. – Elize falou sem se preocupar em ocultar a irritação na sua voz, que pela atual conjuntura estava beirando o desespero. Mais uma vez a jovem tentou rebelar-se, mas o rapaz a impediu duramente.
— Não vou deixá-la ir. – Jacob sussurrou calmamente, e a moça observou os lábios grossos se mexerem com uma sexualidade estúpida, o que era terrível. Era estúpido também perceber que o mínimo detalhe no corpo do jovem a entorpecia. – Eu ainda não acabei. – o rapaz soltou e deu um sorriso torcido, que na opinião de Elize fora cínico.
- O que pretende?- a jovem ousou perguntar, quando estreitou os olhos e zangou-se com o deboche no sorriso do rapaz.
- Você sabe. — Jacob respondeu.
- Não, eu não sei. — Elize devolveu.- Agora, por favor me solte, se não...- ameaçou.
- Se não o que? Fará um escândalo? Se o fizer, que faça bem feito. Temo que o idiota que a acompanha não note um palmo à frente de seu nariz. — a voz do rapaz se fez mais profunda e cresceu ainda mais contra Elize, que ficara sem saber, momentaneamente, o que responder. Mas a lembrança de Riley a fez despertar para suas obrigações.
- Tenho certeza de que pelo menos da minha falta ele já se deu conta. Por isso, se não se importa, meu namorado está me esperando, então gostaria de voltar à minha mesa...
- Sim. Eu me importo em deixá-la ir. A sua vontade parece ser contrária à minha, mas não preciso dizer que o meu querer é o que me importa, e não o seu. – Jacob retrucou rudemente, sabendo que essa seria a primeira vez de muitas que Elize o desafiaria. Mas estava disposto a domá-la, e tinha certeza de que conseguiria.
- E qual o querer do senhor, posso saber? – a moça indagou, de maneira petulante. Sua expressão instigou o rapaz ainda mais no que pretendia.
- Não sou homem de palavras, Elize, você bem sabe. Prefiro demonstrar exatamente o que eu quero...
Jacob a fitou, degustando o momento da antecipação. Calmamente aproximou seu rosto do da moça, que parecia paralisada em seus braços. De fato, Elize não conseguia esboçar qualquer reação, e teve certeza de que Jacob a beijaria ali, sem pudores, na frente de todos, como era de seu costume. Pensou como era incrível como quase podia sentir a textura dos lábios quentes. Quase...
- Elize, nós... — tensa, a jovem girou o rosto para encarar as expressões chocadas das amigas Rosalie e Alice, que acabavam de se aproximar.
Sobre o ombro, o rapaz também as fitou. Jacob afastou-se e segurou a mão de Elize, que hesitou, mas acabou por ceder, permitindo que o jovem levasse-a aos lábios, beijando-a delicadamente.
- Desculpe ter tomado o seu precioso tempo, senhorita. Foi um prazer reencontrá-la. — disse, maneando levemente a cabeça, quando voltou-se para Elize exibindo um sorriso sarcástico.- Senhoritas... – gesticulou um cumprimento educado para as jovens perplexas. Alice observava o rapaz com espanto, e Rosalie o olhava com desprezo. Em seguida deixou-as.
Elize permanecia quieta, vendo-o partir. Suas pálpebras mal piscavam e algo dentro da jovem apertou-se, como se não pudesse respirar.
- O que aconteceu?- a voz doce de Alice arrastou próximo ao seu ouvido. A amiga tinha os olhos arregalados e a cor rosa que sempre permeava suas bochechas coradas tinha desaparecido.
- Meu Deus, o que aquele bugre estava fazendo?- Rosalie cuspiu as palavras maldosas, que Elize sempre odiara ouvir. Nunca gostou da atitude grosseira, mal educada e preconceituosa da amiga, quando se referia aos índios Quileutes. No íntimo, Elize se sentiu ofendida. Sabia que pela atitude de provocá-la deliberadamente Jacob merecia ouvir muitos insultos, mas nada que se referisse à sua origem. — Riley precisa saber...
- Acalme-se, Rose. Riley não precisa saber de nada. – apressou-se Elize em conter a amiga.
- Como não?- Rose arregalou os lindos olhos, como se tivesse sido ofendida.
- Pare Rose. Se Elize não quer que Riley saiba, nós, como boas amigas que somos, temos que apoiá-la. — a jovem Alice intrometeu-se. Pôs-se ao lado da amiga Elize, entrelaçou os seus braços e deu-lhe um sorriso complacente. Elize agradeceu-lhe com um só olhar. Mais uma vez estava grata por ter Alice como melhor amiga. – Vamos voltar à mesa, caso contrário os rapazes virão nos procurar.
Quando as jovens voltaram à mesa, Elize reparou pelo canto do olho que Jacob ria enquanto bebericava do outro lado do salão. O jovem tinha voltado eufórico, pois sabia que teria beijado Elize, se suas amigas não houvessem aparecido, ah se teria!
- Graças a Deus você voltou. Pensei que não a veria mais hoje. – Riley falou, alargando os lábios finos enquanto segurava a mão da namorada. — Sua mão está fria. – ele observou franzindo o cenho, um pouco preocupado. As meninas se entreolharam, mas Alice foi a primeira a se manifestar.
- Ah, Riley! A Elize está com frio. Sinta como esfriou de repente... – a pequena e meiga Alice dissimulou, esfregando as mãos rapidamente, fingindo tentar esquentá-las.
- Providenciarei que aumentem o aquecedor. — ele falou, rapidamente chamando o garçom, que se comprometeu a tomar providências.
No decorrer da noite, Jacob continuava com a postura cínica e incrivelmente provocadora. Pediu mais uma dose de uísque. Em cada gole que saboreava, sua mente fervilhava. Elize, de longe, ainda lhe lançava olhares furtivos, o que não passou despercebido às amigas.
Um ambiente agradável. Boa música. Uma excelente comida. Ótima bebida... E uma visão esplêndida. Jacob girou os olhos pelo lugar, observando as famílias distintas e toda a hipocrisia que as circundava. Mas ainda assim pagaria cinco milhões para fazer parte de tudo isso, para ter uma mulher cuja origem ele abominava.
Pela janela de vidro observou uma jovem com um cesto de rosas, caminhando na calçada do lado de fora do restaurante. Deu algumas batidas no vidro chamando a atenção da menina, que se tivesse quinze anos seria muito, e sinalizou para que a mesma adentrasse ao recinto. Segundos depois a garota de longos cabelos vermelhos atravessava o restaurante carregando seu cesto repleto de flores, o que indicava que o dia não havia sido produtivo. As pessoas a encaravam, como se a pobre moça não passasse de um ser estranho, mas a mesma continuou seu caminho até alcançar a mesa do belo moreno que a havia chamado.
- Alguma rosa, senhor?- a menina abriu um grande sorriso. Jacob imaginou que aquela seria sua maneira de ajudar na renda da família da garota, pois ela era nova demais para passar frio nas ruas, vendendo algo a que poucos davam valor. No fundo sentiu-se sensibilizado, sabia o que era passar necessidades econômicas, principalmente quando criança.
- Sim. Quero esta rosa amarela. – o rapaz pegou o delicado caule. — Mas preciso que a entregue naquela mesa. – apontou discretamente. – À jovem de cabelos castanhos, está vendo?- a menina fez que sim.
Jacob deu-lhe bem mais do que a rosa valia, deixando-a com um sorriso radiante no rosto sardento. De longe, observou a garota se aproximar, sussurrar algo ao ouvido de Elize e dar-lhe a rosa.
Riley, que fazia companhia à namorada, empertigou-se quando entendeu o propósito da delicada rosa. O jovem médico seguiu com o olhar para onde a florista indicava, supondo que ela provavelmente apontava a pessoa que mandara a pequena lembrança. O rapaz estreitou os olhos e engoliu em seco, quando notou que o jovem índio, Jacob Black, era o responsável por tal delicadeza. Sentiu-se ainda mais ofendido ao perceber os olhos cínicos e o sorriso debochado com os quais encarava sua namorada. Jacob não se deu ao trabalho de encarar o patético namorado de Elize. Preferiu manter suas atenções na reação da moça.
Se Riley tivesse tomado a mesma atitude, perceberia o quanto sua namorada havia ficado desconcertada com o gesto inoportuno do rapaz. Elize sabia que Jacob tinha passado da fase das provocações, definitivamente havia ido longe demais. Além de cortejar a moça na frente de todos, inclusive do rapaz com quem era comprometida, escolher justamente a sua rosa preferida para presenteá-la ia além do que poderia imaginar. Embora rubra de constrangimento, Elize envaideceu-se em seu íntimo pelo rapaz demonstrar lembranças tão marcantes ao seu respeito.
- Isso é inaceitável... – Riley murmurou. Suas mãos nervosamente amassaram o delicado guardanapo de renda irlandesa que ele acabara de levar à boca.
Os dois casais que conversavam animadamente pararam quando notaram a mudança de humor do jovem médico. Riley estava visivelmente alterado, embora tal atitude fosse inusitada, a julgar pela conduta moderada do jovem, que se auto intitulava um pacificador nato.
- Acalme-se, Riley. – Elize pediu, tocando a mão do namorado, que já tinha o rosto, antes branco, agora vermelho de raiva. — É só uma rosa. – justificou, embora soubesse em seu íntimo que o significado do gesto de Jacob fosse bem maior.
A rosa, que sem explicação continuava em suas mãos, era um claro recado do jovem que continuava os encarando. “Não vou deixá-la em paz, custe o que custar, e sei exatamente como abalá-la”, era o que o rapaz parecia querer transmitir. E Elize o conhecia tão bem que era justamente o que se passava na mente de Jacob naquele momento enquanto a encarava.
A moça sabia que Riley tinha toda a razão de ficar irritado, ela mesma estava. No entanto, não poderia permitir que o namorado fosse tomar satisfações com Jacob, pois ele perderia tal discussão em todos os aspectos.
- Isso é um insulto, Elize, não vê?- Riley cuspiu, remexendo-se na cadeira.
— Não leve a propósito, Riley... O Black deve estar apenas sendo gentil. – Emmett tentou amenizar a situação, abrindo um sorriso, com esperança de dissipar a tensão que se instalara. Rosalie, sentada ao lado do noivo, lançou-lhe um olhar de descrença. Ela, mais do que todos, estava interessadíssima em ver o namorado da amiga colocar aquele sujeitinho em seu devido lugar.
- Ora, Emmett, não percebe que ele está zombando de mim?- Riley soltou, e afastou um pouco a cadeira. – Vou até ele. Se alguém ainda não o ensinou a como se portar frente a uma dama acompanhada, eu vou fazê-lo. – falou determinado.
- Não, Riley. – Elize pediu quase como uma súplica, mas o namorado não parecia ouvi-la. A jovem continuou. – Não vê que é exatamente isso que ele quer, apenas nos perturbar. Não vamos lhe dar a importância que ele não tem! – as palavras de Elize pareceram conter um pouco os ânimos do rapaz.
De fato, o caminho escolhido por Jacob Black se mostraria extremamente perigoso, pois a jovem, altiva e voluntariosa, não aceitava aquele tipo de provocação. Já tinha o deixado ir longe demais naquela noite, por isso precisava reagir à altura. Além disso, necessitava amenizar o ciúme que aflorava em seu namorado, o que a deixara extremamente surpresa.
A expressão de Elize tornou-se também debochada, enquanto acenava para o garçom. O funcionário prontamente se apresentou à mesa.
- Pois não, senhorita?
- Alguém mandou essa rosa para a nossa mesa. Gostaria que desse um fim a ela. Em meio a uma decoração tão luxuosa, uma flor desse tipo até destoa no ambiente... – sussurrou as palavras com um sorriso maldoso, ressaltado pela gargalhada debochada de Rosalie. Riley continuava aborrecido, os rapazes pareciam indiferentes, mas Alice desaprovava a atitude da amiga com um leve aceno negativo de cabeça, quase imperceptível.
- Agora mesmo, senhorita. Com licença. – o garçom pegou a rosa oferecida por Elize e a depositou sobre a bandeja, junto com os pratos sujos que acabara de recolher da mesa vizinha.
Elize compreendera que desde que Jacob colocara os pés naquele restaurante, sua única intenção havia sido provocá-la, importuná-la, e bom, estava conseguindo. Mas agora a moça havia conseguido dar-lhe o troco que merecia.
Indignado, o jovem índio levantou-se de sua cadeira, encarando Elize de maneira enfurecida. Tanto ela quanto Rosalie continuavam rindo e se divertindo da situação – Elize mais para provocá-lo do que por outro motivo. O rapaz não acreditava em como o jogo havia sido invertido. Riley pareceu perceber a intenção do índio, e também fez menção de se levantar.
- Fique onde está. – Jasper pousou a mão no ombro do amigo, segurando-o na cadeira, que pareceu resoluto, mas acabou cedendo. — Os Black já estão indo embora. – reforçou o militar, ao perceber a movimentação do outro lado do restaurante.
Jacob chateou-se pelo amigo do jovem médico, que, se estivesse certo, estava convencendo o rapaz a não fazer absolutamente nada, o que era tão previsível... Os riquinhos preferiam engolir a ofensa, a trocar duas palavras com ele. Como isso era patético! Já que seus planos em relação à Elize não tinham saído da maneira que imaginou, uma boa briga com o tal Riley tornava-se um atrativo interessante...
— Por uma noite está de bom tamanho, não acha filho? – Billy indagou, após se levantar e pôr-se ao lado do filho, trocando um olhar cúmplice com Sam, que ratificara a vontade de ir embora, quando percebeu o quão temerária poderia ficar a situação.
- Claro. — Jacob riu amargo. Afinal não poderia ter tudo o que queria em apenas uma noite... – Por hoje estou satisfeito!
*Bordeaux Château Petrus e Château Lafitte — um vinho da região vinícola de Pomerol próximo a Bordeaux, França, o que representa também uma denominação de origem. Embora os vinhos de Pomerol nunca sejam classificados, o Pétrus é considerado um dos grandes vinhos de Bordeaux assim como outros Grands Crus de Médoc como Château Latour, Château Lafite-Rothschild, Château Mouton Rothschild, Château Margaux, e os vinhos Saint-Émilion como o Château Ausone e o Château Cheval Blanc.
Notas finais
Acredito que ja deu pra notar que nenhum dos dois estão dispostos a dar o braço a torcer!!! Ambos são orgulhos e temperamentais, cada um ao seu jeito, o que tornará o negocio iniciado por Jake algo tremendamente desafiador, não acham?
Bom é isso, espero que tenham gostado e até a proxima segunda!
Bjus!!!
P.s- esperando reviews :D
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