Notas iniciais
Boa leitura!

Já fazia cinco dias desde que eu fui morar com meu pai. Ele tinha um apartamento perto do Central Park, e ficava perto da escola, o que também era bom. A única coisa ruim era que, no fundo, eu sentia um pouco de saudades da minha mãe, afinal eu vivi com ela desde os meus seis anos, mas não havia comparação entre morar com ela ou com meu pai. Lá no apartamento não tinha todo aquele clima pesado de estar sempre sendo observado, julgado etc. E além disso, o apartamento era muito legal, Apolo tinha uma coleção grande de CDs, e Jacinto, seu noivo, também tinha, então música era algo que nunca faltava. Além disso, meu pai era médico e meu padrasto era psicólogo, ou seja, eles poderiam ajudar Miranda sem que o pai dela soubesse — ele achava que nós estávamos namorando, por isso não questionou quando ela disse que iria passar um tempo longe de casa. Tudo estava bem.

Era domingo de noite, eu e meus pais estávamos no sofá, eles assistindo Grey's Anatomy e eu mexendo no celular, conversando com Hazel sobre o nosso trabalho de história. De repente, uma notificação surgiu, avisando que eu havia sido adicionado em um novo grupo. "Lá vem merda", pensei comigo.

Festa no sábado

Membros do grupo: Annabeth, Beckendorf, Calipso, Chris Rodrigues, Clarisse, Clóvis, Connor, Dakota, Frank, Grace, Hazel, Katie, Miranda, Nico, Percy, Piper, Rachel, Reyna, Silena, Thalia, Travis, Valdez e você.

Travis: Aí gente, sábado que vem vai ter festa lá em casa. Quem não vai poder ir sai do grupo.

Silena saiu

Beckendorf saiu

Hazel saiu

Frank saiu

Clarisse saiu

Chris Rodrigues saiu

Rachel saiu

Clóvis saiu

Thalia saiu

Valdez: Hey Solace, você não tá de rolo com a Mi?

Pensei por um instante. Antes de responder, me levantei e fui até a sacada. Pude sentir a brisa noturna gelada. Miranda estava sentada, com uma xícara de chá apoiada no parapeito e o livro nas mãos.

— Miranda? – chamei baixinho, encostando a porta novamente.

— Aconteceu alguma coisa? – perguntou ela fechando o livro.

Mostrei rapidamente a conversa do grupo.

— Não, não estamos namorando. Como você vai dar uns pegas no Nico se estiver namorando comigo?

— Abobada! Já disse que eu não vou mais insistir nisso.

— Tudo bem. – falou ela bocejando – Esse chá dá um sono. Acho que vou ir dormir. Você vem?

Assenti e voltei com ela para dentro do apartamento. Nos despedimos de meus pais e fomos até o meu/nosso quarto. Adormeci em poucos minutos.

Na manhã seguinte, depois de chegarmos na escola, Hazel e eu estávamos levando nossa maquete para a sala de história quando do nada Hazel se desequilibrou e caiu com tudo no chão, por cima da maquete. Enquanto a ajudava a se levantar, ouvi uma risada maldosa e olhei para trás. Octavian. Hazel também o notou e mal havia se levantado quando começou a brigar com ele.

— Qual é o seu problema? Por que você fez isso?

— Oh, Hazel, desculpa, foi sem querer. – falou ele com uma culpa bem falsa na voz.

— Eu vou te moer na porrada, seu idiota, mal amado. – ela falou jogando Octavian contra os armários do corredor.

— Calma, Hazel. – falei mesmo morrendo de vontade de ver aquela briga.

— Calma? Calma?! Esse besta estragou o nosso trabalho.

E não houve como impedir ela. Hazel meteu-lhe um soco na cara e uma joelhada no seu "amiginho". Eu desconfiava de que havia algo além de um trabalho destruído entre eles.

Eles começaram a berrar um com outro, atraindo a atenção de quem quer que passasse pelo corredor, inclusive a representante do Grêmio Estudantil, Reyna, que teve que separar a briga, mesmo que também quisesse dar umas porradas em Octavian, todos queriam. Frank, Nico e eu tentávamos acalmar Hazel enquanto Reyna dava um sermão em Octavian. Depois de dar uma acalmada nos dois, ela os levou para a direção.

Mas graças aos deuses, uma ideia me veio em mente. Bem, o trabalho era sobre a guerra, e a nossa cena era a de quando um carinha ia até a praça principal da cidade para revelar seus planos de fuga para sua amiga. Mas depois da queda, as casas e tudo o resto estavam destruídos, ou seja, era só dizer que era o cenário pós-guerra da praça. Era uma ideia ruim, mas foi a única que tive.

E o professor adorou.

— Parabéns, Will, foi um dos melhores trabalhos da turma. Mande parabéns para a Hazel também, e melhoras também.

O professor chamava apenas um aluno por dupla para mostrar o trabalho, e quando chamou Miranda, quem foi mostrá-lo foi Octavian. Besta.

O trabalho recebeu alguns elogios, realmente estava bonito, e depois o professor perguntou quem era a dupla dele, Octavian respondeu que fez sozinho.

— Sozinho nada, tu fez esse trabalho comigo, esqueceu? – falou Miranda, olhando-o braba.

— Você não ajudou em nada, então eu fiz o trabalho praticamente sozinho.

— Para de mentir, cara. Você só ficou dizendo "Faz isso, faz aquilo. Não, assim tá errado". Eu fiz tudo aí. Will tá de prova.

— Verdade, professor. Eu até ajudei. E ela até pediu ajuda pra ele e ele falou que não estava nem aí pro trabalho!

— Eu tô de prova também, sor. Teve umas festas e pá, daí eu perguntei se ele ia, ele falou que sim, daí eu perguntei do trabalho e ele falou que a Miranda que ia fazer tudo porque era a obrigação dela, só porque ela é mulher. — falou Dakota, com seu tom casual de bêbado, mesmo que estivesse sóbrio.

O último comentário dele foi suficiente para causar uma discussão intensa sobre preconceito, feminismo e igualdade de gênero.

— Só porque nós somos mulheres e vocês são homens não significa que devemos fazer tudo o que vocês quiserem. Uma mulher pode fazer o que quiser, mas só se ela quiser. — falou Katie.

— Para de falar besteira. É claro que as mulheres estão abaixo dos homens. Vocês são bem mais fracas do que nos.

— Hazel não parecia mais fraca do que você há alguns minutos atrás ali no corredor. – falou Frank acompanhado de vários gritos.

— Mas mesmo assim, no resto elas são fracas.

— Meu anjo, aguente uma cólica, use absorvente, tenha um sutiã com o ferro estourado, suporte uma TPM, lide com machos escrotos, ouça um "mas isso é coisa de menino" ou um "já pode casar" e tente não matar ninguém e depois venha me dizer que mulheres são fracas. – falou Annabeth fuzilando Octavian com o olhar.

O professor se aproximou dele, deu um tapinha em seu ombro e disse:

— Não entendeu ainda, meu caro? Queira você ou não, as mulheres são incríveis. Aceita que doí menos.

Isso foi suficiente para calar a boca de Octavian, embora fosse perceptível que ele não aceitaria aquilo.

Depois de toda aquela confusão, o trabalho dele teve nota 10. Miranda tirou 9,9. Octavian tirou 0,1. Justo.

Cinco dias depois§

Sábado finalmente havia chegado. Eu não era muito de festas, mas não se recusava um convite dos Stoll, as festas deles eram as melhores.

A casa deles ficava no final da rua, mas mesmo estando no começo da rua, eu podia ouvir a música eletrônica que tocava lá. Pobres vizinhos.

Assim que cheguei na porta fui barrado por Travis. Ele segurava uma folha de papel nas mãos e parecia estar um pouquinho bêbado.

— Senhor Solace. – cumprimentou ele dando um soco no meu ombro — Vejo que o senhor está na lista. Favor dirigir-se ao andar de cima.

Nem tive tempo de perguntar do que ele estava falando.

No andar de baixo pude ver alguns rostos conhecidos. Percy, Dakota, Calipso, Clarisse e todos que tinham saído daquele grupo da festa, exceto Clóvis e Thalia, estavam lá, bebendo, conversando...

Subimos as escadas e Travis me levou até a sala onde o corredor levava. Lá encontrei Reyna, Jason, Piper, Valdez, Jason e... Nico. Talvez, só talvez, eu tenha hesitado quando o vi.

— Agora que o Will chegou, – começou Reyna — você vai nos explicar o porquê de estarmos aqui?

— Claro que vou. É o seguinte. – o garoto foi até um armário em um canto da sala e tirou de lá uma garrafa plástica vazia, três garrafas de vodka e uma caixa preta — Como vocês ficaram no grupo, significa que estão solteiros. Então, vamos fazer um joguinho divertido. É como verdade ou desafio só que mais... Errado. Entenderam?

— Puta que pariu. – murmurou Reyna.

— Não fique braba, amor. Logo eu te acalmo. – falou Jason extremamente malicioso.

— Escuta aqui, Grace... – Leo começou a falar, mas a garota o interrompeu.

— Escuta aqui o quê? Não estamos mais juntos, esqueceu?

Os outros trocaram um olhar do tipo "Alerta de Treta". Leo apenas bufou irritado.

— O que tem nessa caixa? – perguntei.

Travis me lançou um olhar safado, dispensando qualquer explicação. Depois falou:

— Esses dois quartos ali estão disponíveis, mas, por favor, não quebrem ou estraguem nada.

O garoto saiu da sala e todos na sala ficaram trocando olhares maliciosos, exceto Nico e Reyna, que se olhavam preocupados. Eu estava sedento de curiosidade para descobrir o que tinha entre aqueles dois.

— Posso começar? – perguntou Jason. Ninguém recusou, então ele girou a garrafa e a ponta parou em Reyna, e a base da garrafa parou em Jason, que a olhou maliciosamente — Verdade ou desafio?

— Verdade. – ela parecia insegura, o que não era do seu feitio.

— É verdade que você já d-

— E-eu prefiro desafio!

— Eu te desafio a pagar um b-

— Chega! Não brinco mais.

Ela se levantou rapidamente, deixando todos confusos, exceto Nico e eu. Aquela "brincadeira" era pesada demais.

— Ei, Rey. – chamou Grace puxando-a pelo braço — Por que isso?

— Porque ela tem namorado, seu mané. — falou Nico dando um tapa no braço de Jason e colocando Reyna atrás de si de um jeito protetor. Ah, que garoto...

— Ela e o Leo terminaram, idiota. – falou o loiro parecendo confuso e brabo ao mesmo tempo.

— Não estou falando do Leo.

— Nico e eu estamos namorando. – anunciou Reyna.

E foi aí que meu mundo caiu. Eu dizia para mim mesmo que já não gostava mais de Nico, mas nem eu acreditava naquela mentira.

Não me lembro direito do que aconteceu depois. Desci as escadas e alguém me ofereceu alguma bebida. Não lembro quem era e nem que bebia era, mas eu bebi. Não sei quanto, mas bastante.

Sóbrio eu já não era um dos melhores motoristas, então é melhor nem imaginar a situação de um Will bêbado e chorando dirigindo. Voltei para casa caminhando, e acho que estava chovendo. Quando cheguei em casa, todos já estavam dormindo. Me tranquei no banheiro e fiquei lá, sentado no chão, chorando e me sentindo culpado por isso. Se eu tivesse dito algo para ele no começo da minha paixão, se fôssemos amigos há mais tempo, se eu tivesse feito alguma coisa diferente, qualquer coisas diferente, será que aquela noite poderia ter sido diferente? Eu não sabia, não sabia de nada. Tudo o que eu sabia era que eu não iria mais fazer parte da vida de Nico.

Notas finais
Gostou do capítulo? Deixe seu comentário e favorite a história, não seja um fantasminha! —CriaDeApolo