Virtual Love
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Depois de fazer um curativo simples em Hazel, ela e Nico foram até um hospital que ficava ali perto para dar os pontos.
Eu voltei para o quarto e continuei fazendo o trabalho.
Depois de um tempo, o telefone da casa começou a tocar e como eu era o único presente fui até a cozinha atendê-lo.
— Alô? – perguntei.
— Solace? — perguntou a voz do outro lado da linha. Era uma voz feminina e familiar, porém eu não a reconheci.
— É. Quem é?
— É a Reyna. O Nico está?
— Não, ele saiu com a Hazel. Quer que eu diga alguma coisa?
— Não, só peça para ele me ligar quando voltar. Tchau.
— Tchau.
Desliguei o telefone e o pendurei no gancho.
Voltei a fazer o trabalho, mas eu já não conseguia mais me concentrar. Estava muito mais ocupado pensando no que Reyna queria com Nico.
Que eles eram amigos eu já sabia, mas levando em consideração que ela havia faltado na aula e queria falar com Nico, que nem sequer era do ano dela, me deixou enciumado. Demais.
Tentei parar de ficar com ciúmes, pensei em como a voz de Reyna parecia triste ao telefone, mas em vez de me preocupar, fiquei pensando no tamanho da intimidade que eles tinham um com o outro a ponto de se consolarem e coisas do tipo.
Eu sabia qual era o gosto musical dele, seus livros preferidos, séries, sagas e outros. Mas era só isso que eu sabia. Eu sabia apenas as coisas das quais ele escolheu gostar. Mas eu não sabia sobre o tipo de pessoa ele gostava. Porque não se pode simplesmente escolher por quem você vai se apaixonar. É algo imprevisível.
Talvez seja por isso que o amor é encantador e assustador ao mesmo tempo.
Ouvi a porta do quarto ranger e me virei assustado.
— Sou eu. – falou Hazel. Ela me olhou preocupada e continuou — Você está bem?
— Estou, só fiquei distraído por causa do trabalho. Sua mão está melhor?
Hazel assentiu e eu pude perceber que ela não estava totalmente convencida sobre o motivo da minha distração.
— Will? – a porta se abriu, revelando Nico — Ninguém me ligou enquanto estávamos no hospital?
— Ah, sim. Reyna te ligou.
Nico curvou os lábios em um sorriso discreto e fechou a porta. Ele estava feliz em saber que Reyna havia ligado para ele.
Talvez, em algum momento da vida, o amor possa ser bonito, mas enquanto você não tem o seu verdadeiro amor consigo, o amor é uma das coisas mais dolorosas que pode existir. Ainda mais com uma dose extra de ciúmes e insegurança.
Mesmo tentando expulsar Nico da minha mente, eu não conseguia parar de pensar nele.
— Largue esse estilete. – falou Hazel, arrancando o estilete da minha mão.
— Por que fez isso? – perguntei, me virando para ela.
— Porque você vai acabar se machucando. Onde você está? Em Plutão?
— Plutão?
— É, como se fosse no mundo da Lua, só que...
— Eu entendi o que você quis dizer, mas por que Plutão em vez de Lua?
— Ah, sei lá – ela deu de ombros — Gosto de Plutão.
Ela havia soltado o estilete na mesa e parecia não estar prestando atenção, mas quando aproximei para pegá-lo, ela deu um tapa na minha mão.
— Qual é o seu problema? – perguntei antes que pudesse me controlar.
Outro problema no amor: ele altera as emoções, inclusive a raiva.
— O meu problema? – indagou ela com a voz meio elevada — Eu estou tentando te ajudar, seu besta.
— Você me ajudaria se não ficasse me atrapalhando. Agora me dê esse estilete.
— Não dou. – falou ela, cruzando os braços.
Respirei fundo tentando manter a calma.
— Por favor, me dê o estilete.
— Já disse que não vou dar.
— Hazel, chega. Me dá o estilete. Eu estou bem. Estou na Terra.
Ela se virou e foi até um armário no canto do quarto. De lá tirou uma caixa de madeira e entregou-a para mim.
— Vá pintar.
— Pintar o quê? – perguntei sem ter entendido o que ela quis dizer.
— Seus sentimentos.
Ela me conduziu até um quadro no fim do corredor e me deixou lá.
O quarto era todo branco, desde o chão até as paredes, mas tinha vida. Vários cavaletes com quadros estavam espalhados por todos os lados. Eram flores, paisagens, pessoas. Todos eram lindos, alguns estranhos, mas ainda assim lindos.
No canto do quarto havia um cavalete com uma tela em branco. Fui até ele e comecei a pensar no que eu poderia pintar... Talvez alguma lembrança boa. Comecei então a pintar o que eu me lembrava de um acampamento de verão que eu frequentava quando era mais novo.
Deixei-me vagar pelas boas lembranças que eu tinha daquele lugar e de outros lugares também.
— Que lindo. Você leva jeito para pintura.
— Hazel! – falei assustado. Eu nem sequer tinha ouvido ela entrando no quarto — Você me assustou...
— Ah, desculpe. É que você estava tão concentrado, não quis te atrapalhar.
— Que nada. Que horas são? – perguntei, olhando pela janela. O céu estava escuro, pontilhado de estrelas. Com certeza já era tarde da noite.
— Quinze para as dez. Já está bem tarde. Como que você vai voltar para casa?
— Um amigo meu vai vir me buscar – falei. Na verdade, eu não tinha pensado em como voltaria para casa, então falei a primeira coisa que tinha vindo em minha mente.
— Tudo bem – falou ela, dando de ombros — Quer jantar? Estamos aqui a tarde inteira, aposto que está com fome.
Só ao ouvir falar de comida que eu percebi o quão faminto eu estava.
— Quero, mas e o trabalho?
— Já está pronto, Nico ajudou um pouquinho.
— Desculpa, eu que deveria ter te ajudado e...
Antes que eu pudesse terminar de falar, Hazel disse gentilmente:
— Não precisa se desculpar.
Ficamos em silêncio por um tempo nos encarando, até que consegui uma desculpa dizendo que tinha que pegar meu celular no quarto para ligar para o meu amigo que iria me buscar.
— Alô? – perguntou ele, a voz sonolenta.
— Frank, meu amigo querido...
— O que você quer?
— Pode me fazer um favor? Tem a ver com a Hazel.
— Com a Hazel? O que tem a Hazel? – entusiasmou-se ele.
— Estou na casa dela e preciso que alguém me busque. Pode me fazer esse favor?
— Claro, já estou indo.
Desliguei o celular e o deixei no quarto mesmo, assim teria uma desculpa para deixar Hazel e Frank a sós, mesmo que por pouco tempo. Amigos são para essas coisas.
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