Notas iniciais
Olá gente, voltamos õ/ Eu, Iasmym, gostaria de pedir desculpas pelo capítulo vir tão demorado. Mas não vou me alongar nas notas. Antes de desejar "Boa Leitura", gostaríamos de agradecer pela recomendação linda feita pelo Kevin :3 Ficou muito linda mesmo *---*. Tipo... De nos deixar sem palavras. Até mesmo a Mary '-', gente... Isso é milagre kkkkkkk. Bem, saiba que amamos de coração o que você escreveu, Kevin. Agora sim. Boa Leitura =D

Elesis ameaçou responder, mas virou o rosto novamente para a escada.

–É sério isso? – Perguntou ela.

–Desde que eu me conheço por gente, minha família tem esse costume.

–Mas isso é ultrapassado. – Elesis voltou a olha-lo.

Ronan não continuou o diálogo. Caminhou até a escada e começou a descer.

–Para onde vai? – Indagou a ruiva.

–Embora. – Disse Ronan, já cansado de tentar.

–Vai não... – Disse Elesis quase num sussurro e fez uma careta, talvez fosse por arrependimento de ter dito aquilo.

Ronan sentiu seu coração palpitar forte e um frio na barriga diferente.

–Como eu disse, só vim aqui para lhe fazer esse pedido. Mas como não me deu a resposta, irei embora. – O rapaz estava tentando ser o mais indiferente que podia. Andar com o Lass ajuda muito, pensou.

Elesis ficou sem reação. Ainda estava pensando no que dissera.

–Tudo bem, eu danço com você nessa festa idiota. – Disse, por fim, ainda enevoada em seus pensamentos.

–É a festa do meu aniversário.

–É idiota.

Ronan preferiu se calar. Continuou a descer as escadas.

–Não precisa de ensaios, né?

O azulado fez um sinal negativo com o dedo indicador da mão direita.

–Menos mal. – Resmungou a ruiva.

Ronan foi embora. Jin não estava mais na sala. Elesis ficou parada ao lado de fora do quarto, com a cabeça um tanto confusa.

–Por que eu fui gostar logo desse garoto? – Questionou o silêncio que se instalara. Nem acreditava que estava admitindo para si mesmo que sentia algo por ele.

***

Lin acordou um pouco tarde no dia seguinte. Não imaginaria que dormiria por tanto tempo. Mas o cansaço era visível em seu corpo.

Levantou-se e foi tomar um banho. Quando estava arrumada e revitalizada, resolveu tomar um café da manhã reforçado. Passou pelo telefone e estranhou o fato de o professor não ter ligado.

Sua cabeça doía e ela pouco se lembrava do que havia ocorrido no treino. Por que isso está acontecendo comigo? Perguntou em sua própria consciência.

Terminou a refeição encarando o telefone. Por que ele ainda não havia tocado? Olhou para o relógio e já havia passado da hora em que Zero costuma manda-la ir para a escola.

***

Zero estava encostado no muro do colégio já a algum tempo. Chegara muito cedo, então olhava para seu relógio de pulso constantemente e agora encarava o celular. Olhou novamente as horas e começou a discar no aparelho.

–Não a chame.

O professor olhou para quem falava com ele. Por um tempo o silêncio se fez presente.

–Falou com ele?

–Espere mais um pouco, é bem provável que apareça.

–Se ele aparecer, parabéns! Sua proposta interessou-o.

–Eu não diria que foi exatamente a proposta... – O silêncio se instalou novamente e a diretora, enfim, destrancou a escola para ambos entrarem.

***

Lupus recebeu uma mensagem pelo celular de Lothos, mandando que ele fosse para a escola cedo.

Mal humorado por ter acordado cedo, entrou pelo corredor sem querer nem dar bom dia para quem quer que visse na escola. Passou direto pela sala da Diretora, a porta estava fechada. Seguiu o caminho até a quadra.

–Não precisa pedir licença para entrar. – Comunicou Zero, sentado, habitualmente, no primeiro degrau da arquibancada.

–Eu, por acaso, peço licença? – Lupus entrou na quadra encarando o professor, que usava óculos, o que fez surgiu outro assunto: – O que tem nos olhos? Não costumo vê-lo assim.

–Uma irritação. – Disse Zero, numa resposta rápida. Essa irritação começara de uma hora para outra. Pensou que poderia ser algo relacionado à Grandark, mas encerrou tal pensamento e preferiu usar a hipótese da irritação.

Zero se levantou.

–Não acha que perderei meu recesso ajudando uma lunática, né?

–Então por que veio? – Zero parou frente a frente de Lupus – Se acha que é uma perda de tempo, vá embora.

–Lothos pediu minha ajuda e... – Lupus preferiu não terminar a frase, pensara bem se contaria a Zero que a diretora lhe fez uma proposta de convencer Lin a ir embora – Ela está muito misteriosa com o caso da Lin, você não acha?

–Veio dar uma de detetive?

Lupus se afastou de Zero, estava começando a ficar incomodado com a aproximação. Começou a caminhar pela quadra.

–Tem alguma coisa fora do lugar, você ainda não percebeu, Zero?

–Sim. – Lupus parou de andar e, já numa distância razoável, virou-se para o professor, esperando que ele terminasse de falar – Você está aqui. Não sei o que deu em Lothos para pedir a sua ajuda. Não servirá para nada.

Lupus não gostou do que ouviu. Não usava suas armas, mas colocou a mão na cintura automaticamente.

–Agora eu faço questão de ficar.

Zero riu cinicamente do que o rapaz disse.

–Vamos ver do que é capaz, então.

–Vamos ver até onde você, Zero, vai suportar a dor de ver a sua aluninha morrendo diante os seus olhos.

–Não está aqui para mata-la.

–Lothos não especificou o tipo de ajuda. Ela apenas quer que eu te ajude a fazer com que essa garota se controle. Mas se esse poder for tão presunçoso como ela disse, matar será uma saída simples de acabar com isso tudo.

–Não iremos mata-la. – Zero estava aumentando seu tom de voz.

–Não fale por mim.

Lupus estava blefando, mas adorava o fato de saber que estava conseguindo irritar Zero. Chegava a ser cômico.

***

Lin estava saindo de casa quando o telefone tocou. Pensou seriamente se queria continuar com aquilo. Tinha medo do que poderia acontecer futuramente, mas tinha mais medo ainda de se tornar uma ameaça para Zero. Ficara com as palavras de Lothos em sua mente. Não queria decepcioná-lo.

Entrou e atendeu.

–Venha para a escola imediatamente.

Depois disso, o telefone do outro lado da linha havia sido desligado. Lin estranhou. A voz era feminina. Lothos.

Sem hesitar, saiu de casa e fechou a porta. Andou rápido até a escola. Assim que chegou, foi direto para o ginásio.

–O que está acontecendo aqui? – Perguntou ela, num espanto ao ver Lupus com os punhos fechados e Zero da mesma forma. Ambos voltaram ao normal ao verem Lin.

Lupus entreabriu os lábios. Sua garganta ficou seca e seus olhos mal piscavam. Lin estava paralisada na porta da quadra. Encarava os dois quase em sincronia.

Zero havia largado a espada na arquibancada. Voltou para lá e se sentou.

–O que ele faz aqui? – Indagou Lin, indo de encontro com Zero.

–Eu te ajudarei, por quê? – Lupus segurou o braço dela assim que Lin passou ao seu lado.

–Porque acho desnecessário. Afinal, não me considera nada além de... Nada. – Lin o encarou.

Lupus ficou em silêncio por um tempo.

–Não tente dar uma de marrenta para cima de mim, pois acabarei com você em dois segundos.

–E por que já não fez isso? Pouparia a todos desse treino. – Lin não pensava no que dizia, apenas soltava para fora o que estava preso em sua garganta. Ela se soltou e olhou para Zero – Não o quero aqui.

–Não é questão de escolha, Lin. – Zero se pronunciou. Suspirou inadiavelmente e encarou Lupus – Precisamos dele. Eu não sei se conseguirei te ajudar sozinho.

O rapaz riu de forma debochada.

–Todos acabam precisando de mim, lindinha. – Lupus foi passar a mão no rosto de Lin, como provocação, mas a menina afastou a mão dele com a sua de forma bruta.

–Não encoste a mim. Saiba que não concordo com a sua ajuda. Mas até que é bom. – Lin deu uma pausa – Pois, assim, lutarei contra mim mesma com mais sagacidade para me ver longe de você!

–Até parece que consegue ficar longe de mim. Não pensa que já reparei no jeito que me olha? – Lupus já começava a agir como a menina e falava sem raciocinar direito.

–O quê? Acha que está falando com a Rey? Acha que sou algum tipo de menininha que cede aos seus encantos?

Zero apenas observava, mas já estava se cansando com aquela discussão.

–Acho. – Respondeu Lupus, com um sorriso nos lábios.

Lin o empurrou.

–Pois acha errado, pois eu te odeio. E... – Ela o encarou – Esse olhar que você diz que eu tenho para você deve ser apenas nojo e não admiração. Pois jamais o olharia com interesse!

Doeu. Doeu em ambos. Doeu em Lin por ter falado o que não era verdade e doeu em Lupus, por ter ouvido o que nunca pensou ouvir. Ainda mais dela. Da menina que havia o tirado do sério. Que havia mexido com os sentimentos de alguém que não sente.

O silêncio pairou. Não eram mais necessárias palavras. Só a mentira em sua quietude.

–Lupus, dê um soco em Lin. – Ordenou Zero.

O rapaz pensou em recusar, mas estava com a raiva a flor da pele.

–Com prazer. – Ele desferiu o primeiro soco, mas Lin desviou, com os olhos espantados pelo pedido de Zero.

Lupus desferiu mais, porém uma defesa com manas em forma de luzes branca e dourada protegeram Lin.

–Interessante... – Murmurou Lupus. Não cessando os socos.

Lin se defendia do jeito que pôde. Zero estava vendo que a mana crescia e que os desenhos na perna de Lin começavam a surgir. Era um azul forte e claro.

Zero se levantou com a Grandark em mãos. Correu até Lin e começou a ataca-la.

–Dois contra um, é? Não acha covardia? – Lupus brincou, dando um golpe de esquerda.

–Covardia foi você ter aceitado bater em Lin com o meu pedido.

Lupus parou; Zero, não.

Ele deu um golpe com a espada que quase pegou na barriga de Lin. Ela estava ofegante e focou a espada. O desenho de cor preta surgiu aos poucos contornando a perna da jovem. Zero sorriu brevemente.

Lupus ainda não havia percebido, mas, como viu que Zero continuava atacando, achou melhor fazer o mesmo.

Voltou a socar Lin e viu uma brecha no ataque do professor. Conseguiu acertar em cheio a boca do estômago da menina. Parou. Abriu as mãos e ficou olhando Lin caindo e se contorcendo de dor.

–Eu... – Lupus não soube o que fazer. Sentiu um aperto no peito por ter machucado Lin fisicamente.

A menina se manteve caída no chão. Lupus foi se aproximar, mas Zero o impediu, colocando seu braço a frente de Lupus. Ele olhou para o professor como se perguntasse o porquê daquilo. Zero voltou a olhar para Lin.

Ela estava com o par de asas se abrindo. Uma negra e uma branca. Lupus deu um passo para trás. Os cabelos de Lin se soltaram e ficaram longos, como no último treino.

–Você enfrentará o bem e o mal ao mesmo tempo. Ainda acha que será capaz? – Zero também deu um passo para trás, ficando ao lado de Lupus.

–Só pelo fato de eu não temer a morte, sou bem qualificado para estar aqui e te dar uma mãozinha. Qualquer coisa eu mando todo mundo para o inferno e fim de papo. – Brincou.

Zero não respondeu. Olhava para Lin, ainda no chão. Aos poucos ela se levantava. Ao estar de pé, encarou Lupus.

–Ajude-me. – Pediu, com a voz de dois tons.

Lupus ficou focado na beleza de Lin. Na transformação e no poder que ele enfrentaria. A pergunta de Zero voltou em sua cabeça e a resposta era sim, ele era capaz de ajudar Lin. Ele precisava ajuda-la.

–Ou morra. – Terminou ela, olhando, agora, para Zero e depois desviou o olhar para a Grandark.

–O que faremos agora? – Perguntou Lupus, totalmente perdido; porém, determinado.

–Provocá-la até que um dos lados se pronuncie.

–Como assim?

Zero não respondeu, apenas voltou a atacar Lin. A menina se manteve inerte. Fechou os olhos e esperou pelo golpe. Ou era isso que parecia.

Quando Zero golpeou com a espada, Lin abriu os olhos e uma força jogou o professor para longe.

–Acho que é a minha vez. – Disse Lupus, arrependido de não ter levado uma de suas armas.

Preparou os punhos e deu um soco forte no nada, pois Lin desviou e, apenas com um esticar do braço, bateu com a palma da mão no peito de Lupus e o fez sentir uma dor insuportável como se estivesse sendo eletrocutado. Ele tentou sair, tirando a mão de Lin de seu peito, mas parecia pedra.

Zero surgiu por trás de Lupus e cortaria o braço da menina, se Lin não fosse rápida o bastante para retirar e juntar ao corpo.

Lupus caiu de joelhos e massageava o peito.

–Está tudo bem? – Perguntou Zero com certo humor.

O rapaz se levantou e fechou o semblante.

–Nem parece que é a Lin. – Observou Lupus.

–Em tese, ainda é ela. Mas é como se Lin estivesse dividida.

–Dominada?

–Não é a melhor definição.

–Para mim, parece ser a única explicação.

–Não falem de mim como se eu não estivesse aqui. – Lin estava se estressando.

–Por que não disse logo que queria participar da conversa? – Lupus correu até ela e ameaçou soca-la novamente no estômago, mas escorregou no chão e surgiu atrás dela, dando uma “chave” no pescoço da menina, envolvendo-o com seu braço afrouxado para não sufoca-la e prendeu um dos braços de Lin nas costas com sua mão livre e, mesmo com as asas, não sentiu dificuldade em paralisá-la – Agora pode conversar pertinho de mim. – Zombou.

Lupus olhou para Zero e complementou:

–Viu? Não foi tão difícil.

Lin estava ficando impaciente. Usou mana bastante para afastar Lupus de perto de si e a asa negra colaborou, empurrando-o para o lado ao dar uma batida bruta como se fosse levantar voo. Lupus sentiu seu corpo queimar e uma espécie de linha vermelha e preta percorria da mão até seu braço, explorando aos poucos a pele do rapaz.

–O que é isso? Algum tipo de veneno?

Lin riu e encarou Zero.

–Você tem dez segundos antes que essa magia queime Lupus por inteiro e o faço ter uma dor insuportável sem ao menos ter fogo aqui.

O professor suspirou e deu as costas.

–Se não quiser vê-lo sofrer, faça isso você mesma. – Zero andou até a saída e avisou: – Seis segundos.

Lin se virou rapidamente para Lupus, que estava com uma expressão desesperada. Sua mente o torturava para que ele pedisse socorro a Lin, mas não o fez.

A menina se aproximou dele.

–Pronto para sentir dor? – Passou a mão no braço de Lupus, fazendo-o cair no chão urrando por causa da dor proporcionada. Seus braços queimavam internamente. Realmente insuportável. As linhas vermelha e preta já haviam surgido no outro braço.

–Faz... – Ele mal tinha forças para falar – Parar...

Sentiu medo quando Lin se aproximou novamente. Mas o que poderia fazer? Estava confuso sobre aquele treino. Precisava de esclarecimentos. Mas, naquele momento, ele só estava com medo. Não era de morrer. Era bem maior que isso. Ele não sabia dizer o que exatamente, talvez fosse porque não ajudaria Lin, ou talvez não pudesse se livrar de Rey nem mesmo após a morte. Algo o atormentava. A dor... A queimação aumentando e aumentando a cada segundo que passava.

Sua voz já estava rouca e seus olhos úmidos.

Lin o encarava com piedade e com imprudência ao mesmo tempo. Tocou no coração de Lupus e ele pensou que aquele seria o ápice da sua dor. Se ela fizesse queimar naquele lugar, seria mais que insuportável. Seria impossível viver.

Fechou os olhos e sentiu o toque de Lin. E, mais que isso, sentiu o rosto da jovem se aproximar do seu e selar um beijo em seus lábios já ressecados.

Abriu os olhos. Viu a menina que um dia desprezou. A menina que nunca lhe fizera mal e que agora tinha a vida em suas mãos. Sentiu seus lábios buscarem por mais. Lin estava ajoelhada e com o corpo inclinado. Lupus havia se sentado.

Nem percebeu que a dor já não se fazia presente em seu corpo. Lin o salvou. Lin o amaldiçoou com o seu encanto. Lupus estava apaixonado. Amando, talvez. Ele não poderia negar. Estava amaldiçoado ou abençoado por esse sentimento humano.

Lin se afastou e encerrou o beijo, encarou Lupus e depois desmaiou em seus braços. Ele estava anelante e olhava para Lin. Afastou uma mecha de cabelo para poder apreciar melhor o rosto daquela menina.

As marcas nas pernas já não eram mais visíveis e as asas sumiram. Lin voltara a ser a mesma. A mesma que enfeitiçou Lupus.

Ele a pegou nos braços, apoiando o rosto da menina em seu peito. Sem pensar duas vezes, levou Lin até a enfermaria.

–Essa menina já vai virar paciente fixa daqui. – Disse a enfermeira de cabelo curto.

Lupus a colocou na maca e a enfermeira examinou Lin.

–Não se preocupe, ela ficará melhor. É como se ela estivesse desmaiada por causa da pressão baixa.

–Não estou preocupado. – Lupus manteve sua postura.

–Não é o que o seu rosto diz. – A menina o olhou e depois foi até o armário de medicamentos. Quando voltou para Lin, assustou-se ao ver que o rapaz não estava mais ali.

Lupus saiu da enfermaria e foi até a quadra. Não tinha ninguém. Seguiu até a Sala dos Professores e entrou sem bater na porta encostada.

–Por que disse que teríamos de atacar Lin até que um dos lados se pronunciasse? – Indagou Lupus em busca de explicações.

Zero não estava a fim de ficar esclarecendo. Se fosse para Lupus ajudar, pensou ele, que ajudasse em silêncio. Mas resolveu falar, já que o rapaz o tirara de seu sossegado momento.

–Lin tem os dois lados dentro de si. Em um dos treinos que tive com ela, Lin poderia ter me ferido gravemente, se quisesse. Mas ela usou o outro lado de sua magia, a da Luz, e conseguiu dissipar a magia das trevas.

–E você acha que assim conseguirá fazer com que ela escolha um lado?

–Sim. – Zero se levantou da cadeira e parou na porta da sala dos professores – Lin te salvou, não foi?

Lupus não respondeu.

–Acho que estamos no caminho certo. – E saiu da sala.

Lupus encarou o chão e pensou nas palavras de Lothos. O caso da Lin estava realmente fora do alcance de seus conhecimentos.

***

Gyna não estava muito animada pelo fato de ter que passar na escola, mas para Lothos ligar, é importante. Passou pela sala dos professores e viu Lupus conversando com Zero, resolveu não parar para perguntar porque queria resolver logo o assunto com a diretora e também porque ambos eram sérios e frequentemente mal-humorados.

Chegou na sala da diretora e bateu duas vezes na porta que estava aberta. Lothos apenas se deu o trabalho de elevar os olhos dos papeis que estava lendo.

–Olá... – Lothos juntou os papeis batendo para alinhá-los e os colocou no canto da mesa e unindo as mãos. – Você... Me ligou ontem. Parecia importante...

–Sim. Sente-se. – Gyna não ligou pelo fato de Lothos a interromper. Já estava mais que acostumada com o jeito dela.

–Do que se trata?

–Gyna, eu serei direta. – A diretora mexeu em uma gaveta e pegou um e-mail impresso. – Você recebeu uma proposta para lecionar em um outro estado, por isso, se não está satisfeita em trabalhar conosco, esta é sua chance.

Sem dúvidas, a professora espantou-se tanto com a proposta quando com a frieza e naturalidade em que Lothos disse. Gyna pediu para ver o e-mail que lhe foi entregue sem hesitação alguma por parte da diretora. Analisou tudo. Salário, férias, décimo terceiro e até ofereceram a pagar a passagem de avião, já que a escola era em outro estado. Bancar a estadia seria demais para o colégio, então eles ofereceram um local para que ela ficasse até encontrar outro ela mesma.

–Lothos, eu...

A diretora, que antes encarava Gyna, endireitou-se na cadeira e olhou para a mesa.

–É uma proposta única, Gyna.

–Eu não posso simplesmente ir assim...

–Gyna. – Lothos a interrompeu novamente. Encostou-se na cadeira cruzando os braços. – Essa proposta foi dada justamente para não hesitar. Não pensar duas vezes. Diga-me: sabe quantas escolas oferecem tudo isso? – A professora sinalizou que não com a cabeça. – Nenhuma! Agora eu te pergunto: o que ainda está fazendo aqui?

A professora levantou-se com um ar cabisbaixo. Caminhou até a porta e virou-se novamente para Lothos.

–Admiro você ter dito tudo isso deixando de lado o seu posto como diretora.

Lothos ficou de pé deixando suas mãos sobre a mesa.

–Infelizmente não temos recursos para competir com tal proposta. – Suspirou. – Não acredite que, como diretora, quero que nos deixe. Se tivéssemos recursos, eu já teria lhe convencido a jogar este e-mail fora.

–Eu gosto muito de trabalhar aqui. É difícil mudar do nada. – Gyna havia já tomado a sua decisão. – Eu aceitarei, mas ainda voltarei para lecionar aqui novamente.

–As portas desta escola estarão abertas enquanto eu for diretora.

Gyna dirigiu um sorriso à Lothos e saiu da sala. No portão do colégio, pegou seu celular e discou um número. Precisava falar com Dio já que aceitaria a proposta e a escola era em outro estado. Quando atendeu, marcaram de se encontrar numa lanchonete.

O asmodiano não custou a chegar. A professora aguardava-o dentro do estabelecimento. Ao Dio entrar, levantou-se com as mãos entrelaçadas.

–Oi. – Cumprimentou timidamente.

–Olá. — Dio se aproximou de Gyna, com um olhar crítico — Por que me chamou aqui?

–Preciso falar com você algo que... Tem a ver tanto com o nosso namoro quanto com o meu trabalho. — Ela falava com calma. Sabia como ele menosprezava sua profissão e não queria mais uma discussão acerca da mesma.

Dio não disse nada. Puxou uma cadeira e sentou-se. Analisava Gyna, como se ela fosse sua presa. A professora estava se incomodando com aquilo.

–Você não pensaria em me deixar, não é? — Ele a olhou como se manipulasse a resposta de Gyna.

Gyna, de início, estranhou. Mas a forma como ela iniciou a conversa já dava dicas do que viria.

–Não pense que eu quero. — Sentou-se também. — Mas não pense que é simples.

Dio riu.

–Não precisa articular uma forma de contar o que pretende. Consigo ler suas feições.

Um garçom passou pela mesa dos dois.

–Já fizeram o pedido? — Perguntou.

Gyna respirou fundo. Olhou para o cardápio em cima da mesa.

–Vou querer apenas um suco.

Dio não tirava os olhos da professora.

–E o senhor? — Perguntou o rapaz miúdo, que sentia um pouco de medo de Dio.

–O mesmo. — Respondeu ele, sem olhar para o garçom.

O rapaz anotou os pedidos e se retirou.

–Conte-me. Estou apenas aguardando.

Gyna pegou em sua bolsa o e-mail que a diretora lhe deu e entregou para Dio.

–Recebi uma proposta para lecionar em outro lugar. E a proposta...

–Você já aceitou a proposta?

–E tem como recusar? Veja.

Dio analisou bem o papel na sua mão.

–Aqui está. — Surgiu o garçom, tirando os copos da bandeja e colocando na mesa.

Dio olhou para o rapaz assim que ele terminou. Amassou lentamente o papel em sua mão. Encarou Gyna e colocou o papel na bandeja.

–Saia daqui. — Exigiu Dio. O garçom não hesitou em se retirar — Você não vai.

–Dio... — A mulher estava espantada. — Entenda. Uma proposta dessas não vai aparecer novamente.

–Não vai mesmo. Não enquanto estivermos juntos.

Dio tomou um gole do suco.

–A propósito, quero marcar um almoço na minha casa para te apresentar aos Von Crimson.

Gyna o olhou abismada. Como Dio conseguia ignorar uma conversa tão importante?

–Eu conversei com Lothos. A escola não tem recursos para competir. — O assunto ainda não estava terminado para mudar, por isso insistiu.

–Você não ouviu? Você não vai!

Alguns olhares se direcionaram para a mesa do casal.

Dio se levantou e bateu com as palmas das mãos na mesa. O seu copo de suco balançou um pouco, acabou tombando para o lado e caiu da mesa, quebrando-se e derramando o suco no chão.

Isso irritou um pouco a mulher.

–E o que você quer que eu faça? — Disse feroz, mas com o tom baixo. — Sei que despreza meu trabalho, mas eu gosto. E não posso largar e ficar dependendo de você.

Dio soltou uma risada alta.

–Você já é dependente de mim, Gyna.

Gyna levantou-se também e cruzou os braços.

–Quem disse? — Perguntou como um desafio. — Não dependia de você antes de namorarmos, não dependo de você enquanto isso.

–Você acha que vai aceitar essa proposta e dar um fim em nosso namoro, assim, de repente?! — Dio aumentava o tom de voz — Pois saiba que isso não irá acontecer!

–Achei que você fosse tomar uma posição diferente. — Murmurou. — Nossa relação ainda vale a pena?

–No momento que eu mudei minha personalidade por você, achei que valeria a pena.*

–Talvez isso esteja errado. Dio, eu te conheço? Pelo o que você está dizendo agora, acho que a resposta é não. Em nenhum momento mudei a minha por você. Por que mudou a sua?

Dio engoliu em seco. Afastou-se da mesa. Pisou nos cacos de vidro como se fossem almas perdidas.

–Essa é a sua palavra final? — Ele olhou para a saída e esperou pela resposta.

–O que eu recebo de você não é o que eu esperava de uma relação. Sua realidade é algo muito diferente da minha. Então acho melhor que eu vá. Será bom para nós dois.

Dio virou o rosto acima dos ombros.

–Será bom apenas para você. — E caminhou para fora da lanchonete.

Gyna suspirou. Fez sinal para o garçom. Pediu mil desculpas pelo acontecido e pagou a mais pelo copo, mesmo ele recusando. Saiu da lanchonete ligando para Lothos. Como Dio havia "mandado" o garçom levar o papel, precisava pedir para que ela encaminhasse a proposta para seu e-mail. Ao chegar em casa já faria as malas para partir assim que aceitasse.

***

Arme estava impaciente em casa. Acordara cedo e ficara pensando na ideia que teve. Praia... Todos estavam precisando disso.

–Preciso esperar Lass se recuperar. – Suspirou a baixinha, olhando para o celular, sentada na varanda de sua casa aproveitando o solzinho da manhã – Mas já posso ir avisando o pessoal. É até melhor marcar com antecipação.

–Está falando sozinha? – Indagou o avô, que puxou a cortina, da porta de correr, para o lado, fazendo com que entrasse sol no ambiente interno.

–Não, vô. – Riu Arme.

–Então está falando com esse celular?

–Também não. – Voltou a rir.

–Está louca, então?

Arme caiu na gargalhada e o avô não entendeu muita coisa. Preferiu deixar a neta sozinha novamente e entrou.

Arme escreveu um SMS, marcou para os amigos que mandaria e enviou. Na mensagem estava contido:

“Vms curtir um pouco mais o nosso recesso, gnt.

Já estou comunicando a todos que segunda meu padrasto irá nos levar à praia!!! ;D”

–Agora é só esperar... E torce para que todos aceitem. E, se não aceitarem, eu obrigarei todos a irem. – Arme sorriu no final da frase. A baixinha tinha determinação.

***

Na quinta-feira, Sieghart passou o dia inteiro na praia. Ora mergulhava, ora ficava numa pedra observando a agitação do mar. O cheiro da praia, som tranquilizador. Era realmente relaxante. Observava um grupo de três amigos jogando vôlei, sem regras, apenas para diversão. Só rolava uma certa rixa quando a bola caía no mar, queriam todos ir buscar para mergulhar. Não era nada sério.

Avistaram o professor sozinho e decidiram chamar para uma partida amistosa. Aceitou sem hesitação.

Um dia de praia, curtindo o mar e toda a sua beleza, conhecendo novas pessoas, se divertindo. Existe coisa melhor? Sim. Compartilhar com os amigos. Os três amigos jogaram o resto da tarde com o professor e foram embora antes do pôr-do-sol. Sieg ficou para ver aquela maravilha da natureza. Ele achava o amanhecer tão lindo quanto o crepúsculo, mas esse fim de tarde era seu preferido.

O jeito que o azul claro se misturava com o amarelo, o sol se escondendo e fazendo as cores ficarem mais escuras, o amarelo se tornando um laranja, em breve um pouco vermelho, e por fim, o azul escuro vai tomando o seu lugar surgindo com um roxo para expulsar toda aquela mescla. Era hora de voltar para casa.

O moreno chegou em casa e, a primeira coisa que fez foi ligar para Zero.

–Alô?

–Zero, você curte praia?

O professor na outra linha não respondeu de imediato. Esperou um tempo até Sieg chama-lo de novo.

–Não.

–Segunda vamos à praia! – Confirmou o moreno.

–Eu não gosto de praia.

–Leva pão que eu vou levar algo pra montar um sanduíche.

–Qual a parte de “eu não quero ir à praia” você não entendeu?

–A parte que você não sai pra se divertir.

Novamente, Zero ficou calado.

–Vamos chamar os outros professores também. Vamos chamar todo mundo!

–Não vou ligar pra ninguém.

–Tudo bem. Eu chamo. Será muito legal segunda-feira! – A praia realmente fez bem ao moreno. Estava entusiasmado como sempre foi.

Sieg finalizou a ligação com Zero e saiu ligando para os outros professores como se não existisse o amanhã. No final, conseguiu convidar mais três, totalizando com ele e Zero cinco professores. Restava um número. Mari. Lembrou-se do encontro que deu tudo errado. Mas já havia passado. Hora de seguirem frente. Decidiu arriscar.

Discou o número da Mari e deixou tocar duas vezes, mas quando tocaria a terceira, desligou. Respirou fundo tomando coragem e ligou novamente. Ficou contando os toques.

Um...

Dois...

Três...

Quatro...

Já queria desligar o telefone, mas no quinto...

–Alô?

Congelou contemplando a voz da professora. Quando ela repetiu, “acordou” de seu transe.

–Oi! Mari!

–Sieg?

–Sim! Tudo... Tudo bem? – Bastou um encontro que não deu certo, e o moreno voltou à estaca zero em relação à mulher de olhos bicolores.

–Tudo. – Nenhum dos dois souberam como continuar a conversa, por um momento. – Sieg, desculpe se for um pouco grossa, mas se queria saber apenas se eu estava bem, e agora sabe que estou, eu preciso desligar. Estou um pouco ocupada.

–Ér... Na verdade, queria saber se você não gostaria de ir à praia.

–Praia?

–Sim! Eu chamei mais alguns professores também. Se você topar, seremos seis. Um dia de praia! Será muito legal...

–Na verdade. – Disse interrompendo o moreno. – Não sou muito chegada à praia. E talvez eu fique ocupada por um tempo.

–Ah... Tudo bem. – Todo o entusiasmo de Sieg se foi de uma vez. – Mas se mudar de ideia, nós vamos na segunda.

–Tudo bem. Obrigada pelo convite.

–De nada.

–Tchau! – Depois da despedida, não deu nem tempo de o moreno se despedir também. A ligação já havia sido finalizada.

Depois dessa, decidiu que o melhor seria tomar um banho e dormir. Procuraria o que fazer no dia seguinte.

***

Já no sábado, Amy ficou sabendo pelos seus pais um encontro de professores na praia e pensou em Mari, pois quem estava organizando era Sieg.

Os pais da rosada costumavam fazer caminhadas próximo à praia. No final da caminhada, eles paravam num quiosque para tomar um suco. Naquele dia, encontraram o professor Sieghart e eles conversaram um pouco. Quando chegaram em casa comentaram com Amy.

–Encontramos um professor seu lá na praia, querida. – Dizia a mãe da rosada. – Ele parecia triste, mas disse que é momentâneo. Ele disse alguma coisa sobre ter marcado um dia de praia com os outros professores, se eu não me engano na segunda.

–Sinceramente acho um pouco estranho encontrar com professores na praia e conversar como se fossem grandes amigos. – Amy pensava alto. – Mas o Sieg é divertido e sociável, então acho que fica sendo uma exceção.

A garota subiu para o quarto e procurou seu telefone.

–Se ele lhe chamou ou não, não importa. Mari, você vai à praia se encontrar com ele! – Murmurava sozinha enquanto pegava o telefone e buscava o número que Lothos lhe deu.

Não custou muito para a professora atender.

–Alô?

–Oi, Mari! Como vai? Está gostando do livro?

–Hã? Amy? Como... Lothos... – A professora parecia cansada daquilo, afinal, nunca nenhum aluno a perturbou tanto quanto Amy. – Acho que estou recebendo muitas ligações indesejáveis essa semana.

–Enfim! – Amy não queria saber sobre a semana da professora. Queria saber coisas relacionada a Sieg. – Você leu o livro?

–Se isso lhe deixa feliz, eu abri o livro.

–Você leu?

–Eu já disse que o livro não é de meu agrado?

–Critique quando terminar! – Amy andava meio autoritária nos últimos dias... – Quero passar um dia na praia com você! Vamos na segunda?

–Você também? Não gosto de praia!

–Você vai à praia. Sei onde você mora. Posso te arrastar. Você tem que sair um pouco! Fica trancada em casa só lendo livros, alguns, inclusive, que você já cansou de ler.

Mari iria dizer algo, mas não sabia o que depois desse ataque de Amy.

–Vamos à praia!

–Você me deixa em paz o resto do recesso?

Amy pensou um pouco antes de responder.

–Se você for... – A rosada estava um pouco relutante. – Eu deixo. SE você for. – Enfatizou bem o “se”.

–Tem a minha palavra...

–Ótimo! Vá ao quiosque do posto 3. – O posto 3 foi onde os pais de Amy encontraram Sieg.

Amy se despediu da professora e desligou o telefone. A realidade era que, Mari encontraria Sieghart e não viria Amy, porque a rosada não iria. Em nenhum momento ela disse que apareceria, apesar de ter dito que gostaria de passar um dia na praia com a Mari. No final ela arranjaria uma desculpa por não ter aparecido.

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O dia tão esperado não tardou a chegar. Às sete da manhã o padrasto de Arme foi buscar cada amigo da baixinha. Eles combinaram que, se o padrasto fizesse isso por ela, Arme começaria a arrumar mais o quarto, gastaria menos em compras e não pediria um celular diferente a cada lançamento.

Primeiro fora à casa de Lass, que já estava esperando na porta.

–Seu namorado não parece muito a fim de ir à praia. – Comentou o padrasto, estacionando o carro.

–Lass é assim mesmo. Se depender da expressão dele, nunca iremos sair. – Arme riu.

Abriu a porta do carro e saiu.

–Bom dia! – A baixinha foi logo o beijando. Estava bem entusiasmada.

Lass se limitou a sorrir brevemente. Já estava melhor do acidente, mas ainda assim não queria muito sair. Ele abriu a porta de trás e entrou. Arme fez o mesmo com a do carona.

–Bom dia, Lass. – Disse o padrasto, olhando pelo retrovisor.

–Bom. – Foi a única palavra que saiu da boca do menino.

O caminho até a casa de Lire foi em silêncio. A menina também estava na porta junto com a mãe, que falou algumas coisas com ela antes de Lire adentrar o carro. A menina cumprimentou a todos e se acomodou ao lado de Lass.

Pediu ao padrasto de Arme que ligasse o rádio.

O silêncio não se fez mais presente. Titanium. Every teardrop is a waterfall. Contrastes da Vida. Dark House. Royals. Mandou Bem. Wonderful.

Lire parecia conhecer todas as músicas, pois cantava o trecho de cada uma. Arme também arriscada. Lass permanecia quieto.

Seguiram para a casa de Ryan, que não demorou muito para se despedir do pai e entrar no carro.

–Vê se não faça nenhuma arte, ouviu bem, Ryan?

Ryan fez um sinal positivo com o polegar. O padrasto de Arme buzinou e deu partida assim que Ryan adentrou. Ele ficou ao lado de Lire, porém não a beijou como de costume, apenas sorriu.

O carro era uma Doblò Adventure 2.0, então todos conseguiam se acomodar com conforto.

Faltavam apenas Elesis e Ronan. Como já era caminha da casa de Ryan, pegaram Ronan já esperando com a mãe no portão. Ela, por sua vez, deu um beijo no rosto do menino, que sentiu um pouco de vergonha.

Entrou no carro e o padrasto de Arme acenou para a senhora Erudon em despedida.

–Deu sorte de a Elesis não estar aqui. Com certeza ela te zoaria. – Virou-se o alaranjado para falar com o amigo.

–Cala boca, Ryan.

Ronan ficou na segunda remessa de bancos, aproveitou para ficar com a janela.

Partiram para a casa da ruiva. Elesis ainda não estava na porta, pois terminava de pegar uma garrafinha de água para levar na mochila.

–Só assim para você acordar cedo em pleno recesso. – O ruivo ficou parado e encostado a parede, comendo maçã.

–Cala boca, Jin.

Elesis passou pelo irmão.

–Vai estar em casa quando eu voltar?

–Não. – Jin deu uma mordida na fruta – Vou passar o dia com a Amy.

–Além de mal educado, tem mau gosto. – Implicou Elesis, indo para a sala.

Jin engoliu a fruta e acompanhou Elesis até a sala.

–Quanta delicadeza para falar da minha namorada.

–Você ainda não me viu sendo indelicada com aquela matraca rosa. – Elesis riu.

O ruivo apenas balançou a cabeça como reprovação. O carro buzinou e Elesis se apressou para sair.

–Tchau! Divirta-se! – Desejou Jin, voltando a comer a maçã.

A ruiva abriu a porta e olhou para o irmão, com um sorriso travesso no rosto.

–Digo o mesmo para você. E use camisinha. – Dito isso, saiu de casa.

Jin acabou se engasgando com a fruta. Tossiu um pouco.

–Ai ai... – Disse, depois que se recuperou.

***

O padrasto de Arme buzinou duas vezes para avisar que havia chegado.

–Ae!! Ronan vai ficar atrás sozinho com a Elesis! – Brincou Ryan, voltando a trazer humor para o carro.

Ronan logo enrubesceu. Lass riu um pouco. Lire e Arme caíram na gargalhada.

–Ryan, você está pedindo para levar um soco. – Ronan deslizou no banco e depois se inclinou para frente, dando um peteleco na orelha de Ryan.

–Ai, cara. Agressivo você. – Massageou o local – Está aprendendo isso com a Elesis, é? – Ryan começou a rir.

–Vai brincando, vai. – O azulado voltou para o seu lugar.

–O amor da vida do Ronan abriu a porta. – O padrasto de Arme entrou na onda.

Ronan tampou o rosto com as mãos e inclinou a cabeça no encosto do banco. Arme abriu a porta e saiu do carro.

–Bom dia! – Arme foi abraçar a ruiva.

Elesis pensou em passar direto, mas era a sua amiga, então resolveu dar um abraço rápido.

–Já está todo mundo aí? – Perguntou a ruiva, afastando-se e ajeitando a mochila.

Arme assentiu e caminhou até o carro, deslizou a porta e Elesis olhou para Ronan de imediato.

–Terei mesmo de me sentar ao lado do idiota? – A pergunta da ruiva gerou risos.

–Entra logo, Elesis. – Arme quase empurrou a amiga e recebeu um olhar ameaçador da ruiva.

Ryan se levantou, ainda no carro, abaixou o encosto do sei banco – procedimento que fez com o Ronan –, e Elesis entrou.

–Você é muito implicante. – Reclamou Ronan, encarando-a.

–E você é muito chato. – Revidou Elesis.

–E os dois completam um ao outro. – Complementou Ryan, que levou um tapa de Lire.

Ronan e Elesis se calaram.

O padrasto de Arme ria de toda a situação. Mesmo sendo uma manhã de segunda-feira, que ele ainda trabalharia, estava sendo bem divertido.

Assim que Arme entrou no carro, ele deu partida. Agora o destino era a praia.

***

–Já cheguei, pai. Não se preocupe, já estou a caminho do motorista dos Erudon. Ainda acho desnecessário ter de ficar com eles. Mas farei o que pai dele pediu. Ainda mais se... For ajudar meu irmão.

Você sabe o que é certo a se fazer, filha.

A linha do outro lado ficou muda. Edel desligou o celular. Guardou o aparelho na bolsa. Tirou o cachecol do pescoço. Usara por causa do frio que sentiu dentro do avião.

–Senhorita Frost? – Chamou o motorista.

Edel tirou os óculos e olhou para ele. Suspirou.

–Sabe me descrever como é o Ronan Erudon?

–Ele é jovem como a senhorita.

Edel ergueu uma sobrancelha. A informação não ajudara muito.

Os dois caminharam em silêncio. O motorista abriu o carro estacionado em frente à entrada do Aeroporto. Edel entrou no banco traseiro. O motorista foi para frente, entrou e ligou o carro. Saiu do encostamento e dirigiu-se para a casa dos Erudon. A viagem foi em silêncio.

Ao chegarem, Edel não esperou que o rapaz abrisse a porta.

Sr. Erudon a esperava na porta de casa. Sorriu para a menina. Um sorriso forçado, porém receptivo.

Assim que Edel saiu do carro, o motorista se dirigiu à garagem. A menina passou pelo portão e caminhou a passos apressados pelo jardim. Também tinha um sorriso no rosto.

–É bom vê-la, Edel.

–É bom revê-lo, senhor Erudon. Fico grata com a sua hospitalidade. Espero não estar incomodando. — Disse a jovem ao estar de fronte ao pai de Ronan.

–De maneira alguma. Será muito boa a sua estadia.

–Oportunista também. — Edel não parecia muito satisfeita e demonstrou visivelmente em sua expressão e seu tom de voz.

O Sr. Erudon soltou um riso sem graça. Ele tinha planos. Edel sabia. Porém, não concordava.

–Entre, por favor. Sinta-se em casa.

O pai de Ronan deu passagem e a menina adentrou. Suas malas seriam levadas pelo motorista depois.

Assim que Edel entrou na sala, o Sr. Erudon avisou que a mãe de Ronan não estava em casa, mas que não demoraria e acrescentou:

–Como se encontra o seu irmão?

–Meus pais evitam me dar informações e eu deduzo que, por conta disso, ele não esteja bem. Contudo, não achei cordial da sua parte me perguntar, já que estou aqui, pois meu pai já lhe contou de toda a situação.

–Edel, também não acho cordial da sua parte tentar me afrontar. Está aqui para o seu bem. E... Para outros fins que, convenhamos, é mais do seu interesse que do meu. — Decretou o Sr. Erudon, indo para o seu escritório, subindo as escadas — Fique a vontade.

Edel refletiu um pouco. Viu que teria de ter um pavio incisivo para debater de frente com o Sr. Erudon. Caso ela fosse.

–A propósito, onde está o tão falado Ronan? — Perguntou a jovem, antes do pai de Ronan atingir o segundo andar.

–Meu filho foi à praia com os amigos dele.

–Incluindo aquela menina? — Perguntou Edel, mas ficou sem resposta, pois o pai de Ronan seguiu seu caminho e sumiu da visão da jovem.

Edel olhou ao seu redor e resolveu explorar o local.

Notas finais
"Precípite" (nome do capítulo) - apressado