Violência Nem Sempre É A Solução

34 Capítulo 34 - Novos planos


Notas iniciais
E agora vem aquele velho ditado: "Tudo o que é bom, dura pouco.". Fanfic acabada. Missão cumprida!

Resumindo o que aconteceu na estada do Nico aqui em tópicos:

- Ele almoçou com a gente e a Alice ficou o encarando e encarando a Camila o tempo todo e lhes lançando um olhar fulminante;

- A Sra. O’Leary dormiu a tarde toda;

- Sam pediu desculpas a Camila e a Cam a perdoou;

- Alice e Nico foram para o jardim para terem uma conversa “séria” e demoraram quase meia hora para lá. Quando fui procurá-los, peguei os dois debaixo do carvalho — em que minha mãe tinha adormecido com Noah há anos atrás – se beijando, o que me fez dar meia volta e ir correndo procurar o meu tio para atrasá-lo, pois ele também os estava procurando;

- Antes de ele ir, o agradecemos novamente e ele respondeu: “Não foi nada! Vocês acabaram me salvando da minha madrasta. Quem tem de agradecer sou eu!”. Aí depois ele deu adeus a todos, acordou a Sra. O’Leary, montou nela e sumiu numa sombra.

Bom, ele foi embora ao final da tarde, o que significa que faz mais ou menos uma hora que a Alice está aqui do meu lado com cara de sonhadora.

— Acorda para vida, mulher! – gritei balançando seus ombros e rindo

— Ahn? O que? – ela disse distraída e piscou várias vezes

— Você não queria saber qual era a relação da Camila com o Nico? – Sam perguntou estalando os dedos na frente de Alice – Acorda para a vida que ela vai contar.

— Ok. Vou resumir a história para vocês. Só para vocês entenderem... Sam, Alice e Lana, vocês se lembram daqueles sonhos que eu tinha? – Cam começou

— Que sonhos? – Sam perguntou confusa.

— Ah é! Eu não te contei né? Era um pesadelo em que eu estava em um ferro-velho e uma estátua atacava uma galera que estava comigo, ou melhor, meus amigos. No final, eu entrava na estátua e me sacrificava para matar os meus amigos. Enfim... Não era só um sonho, gente. Era uma lembrança.

— Como assim? Você sonhou que morria e descobriu que era uma lembrança? Não tem lógica!

— Não se lembra de que um pouco antes de ser presa, eu adoeci...

-... E eu achei que você tinha morrido? O que isso tem a ver?

— Eu meio que morri um tempo depois e ressuscitei com uma alma diferente. A alma da irmã do Nico.

— O Nico tinha uma irmã? – Alice perguntou de repente

— Tinha. O nome dela era Bianca Di Ângelo. Ela também era filha de Hades.

— Mas... Por que Hades deixaria que você voltasse? Pelo que entendi, ela deve ter morrido recentemente!

— Por que meus pais e eu éramos fiéis e por que Bianca era filha dele e morreu muito jovem. Ele achou que ela merecia uma segunda chance e por isso a enviou para mim.

— Desisto. – Sam disse levantando-se e erguendo os braços em sinal de rendição – Eu não estou entendendo nada disso e acho que não vou entender tão cedo. Cam... Você viu meus pais?

— Estão nos Elíseos, como eu disse antes. Junto com a mãe da Lana, a mãe da Alice, alguns heróis da Terra e muitos helenos que não fizeram nada de ruim na vida.

— Ok! Chega de falar de morte, do Mundo Inferior e de vidas passadas. – Alice disse se levantando também – Quem quer comer alguma coisa?

Sam levantou a mão e eu lancei um olhar que dizia “você precisa me explicar isso direito” para a Camila.

— Vocês não vêm? – Alice perguntou antes de sair pela porta do meu quarto, seguida por Sam.

— Não estamos com fome. – Camila disse – Podem ir. Daqui a pouco a gente desce também.

Alice e Sam encolheram os ombros e seguiram em frente.

— Quer saber como eu descobri que foi uma lembrança, não é? – Camila disse fitando para o próprio reflexo no espelho da minha penteadeira.

— Você leu os meus pensamentos? – perguntei

— Não. Você só é um tanto previsível. Ok... Começando... – ela disse e depois fechou os olhos como se estivesse se concentrando – Assim que eu cheguei ao Mundo Inferior, eu desmaiei e quando acordei me vi em um grande salão negro. Não havia teto e a única fonte de luz eram tochas cujo fogo tremulava de uma forma ameaçadora. Eu estava recostada em algo morno e estranhamente aconchegante. Minha visão estava um pouco fora de foco, por isso demorei certo tempo até perceber que eu estava em uma poltrona de couro tão macio quanto um travesseiro de penas. Quando levantei o olhar, vi um homem que media uns três metros, sentado em um trono feito de esqueletos humanos. Ele usava um manto de seda preta, ou melhor, de almas negras e uma coroa de ouro trançado. A pele dele era branca como a de Nico e ele tinha o cabelo comprido, negro e liso até a altura dos ombros. Ao lado dele, havia um trono, em formato de flor negra, decorada em ouro, que estava vazio. Ele disse: “Olá, filha.”. A voz dele me pareceu tão doce aconchegante e... Familiar. Então, como se antes alguém estivesse segurando as minhas memórias, esse mesmo alguém as soltou de uma só vez. Eu fechei os olhos e me vi com Nico e um cara de capuz negro indo em direção a um lugar que tinha um grande letreiro brilhante.

— E o que o letreiro dizia? – perguntei

— “Hotel e Cassino Lótus”. Eu me lembro do lugar ter um cheiro gostoso e inebriante e de um rapaz dando a mim e ao Nico um cartão de plástico verde. Depois disso, as lembranças parecem não existir até o mesmo cara de capuz negro nos arrastar do lugar e nos deixar em um colégio chamado Westover Hall, no Maine. Era um colégio de regime militar e eu não era do tipo sociável. Eu gostava de me manter anônima, de ficar sempre perto do meu irmão mais novo, Nico, e longe do olhar ameaçador e sinistro do vice-diretor. Lembro-me também de um garoto paraplégico chamado Grover que tentava se aproximar da gente, tornar-se nosso amigo. Lembro-me de sempre estar brigando comigo por causa do jogo de cartas irritante, chamado Mitomagia, que ele jogava e que tentava me fazer jogar também. E foi em uma dessas brigas que o vice-diretor nos agarrou e arrastou-nos pelos cabelos até um corredor escuro e deserto. Nico estava apavorado e eu tentava esconder o meu pânico também e dizia a Nico que tudo ia ficar bem. Então o garoto, de cabelos negros e olhos verdes, apareceu. Ele empunhava uma espada de bronze celestial e reluzente e dizia que seu nome era Percy Jackson, que não nos faria mal e que iríamos ficar bem. Só que ele não se tocou que o vice-diretor tinha virado um monstro que atirava espinhos envenenados das próprias costas. Enfim... O cara nos fez de refém e ia acabar com a gente, mas graças aos deuses, Grover, que era um sátiro, e uma garota loira nos salvaram. Resumindo... A garota foi sequestrada, fomos para um acampamento, eu encontrei a deusa Ártemis, virei um negócio chamado “Caçadora de Ártemis” e parti em uma missão de resgate com Percy e uma garota punk chamada Thalia. Um bando de garotas de camuflado e coturnos foi com a gente também e acabou que para salvar elas e o Percy eu morri. Mas na verdade, a culpada fui eu, porque eu inventei de pegar a estatueta de Hades do topo de uma pilha de ferro-velho e acabei por acordar a estátua gigante feita de bronze.

— A mesma estatueta que você tem?

— Idêntica, mas não a mesma. A verdadeira está com o Nico. Ele disse que guarda como lembrança de mim.

— Quantos anos vocês tinham?

— Nico tinha 10 e eu tinha 12. Ah, pelo menos morri lutando e com honra.

— Morreu como heroína. Tenho orgulho de você, garota! Mas e depois de se lembrar de tudo isso? O que aconteceu?

— Ah, eu me toquei que o cara que tinha me chamado de filha era Hades e resisti ao impulso de pular no colo dele e lhe dar um abraço. Aí uma mulher bonita usando uma túnica grega e descalça, apareceu e falou assim: “O que essa garota está fazendo aqui? Ela não é helena?”. Eu resolvi ficar calada e Hades disse assim: “É uma das minhas servas sim, Perséfone, se é o que quer saber.”. Aí o Nico entrou no salão e eu acabei correndo até ele e lhe dando um abraço tão forte e inesperado que ele quase caiu no chão. Eu o chamei de irmão e disse que estava “morrendo de saudades”, o que fez com que ele, Hades e Perséfone caíssem na gargalhada. Aí do nada a Perséfone parou de rir me lançou um olhar penetrante, franziu o cenho e perguntou: “Espera! Bianca? É você?”. Por um minuto eu pensei que ela estava feliz em me ver, mas depois do olhar acusador que ela lançou para Nico e Hades eu até me arrepiei.

— É... Perséfone morre de ciúmes de Hades. – eu disse rindo – É tipo Hera com Zeus.

— Enfim... Antes que ela me fulminasse e fulminasse o Nico, nós dois saímos correndo do salão, pegamos a Sra. O’Leary e caímos fora.

— E ainda dizem que ela defende todos os heróis que vão lá. Mas é sério que eles riram só porque você disse que estava “morrendo de saudades”?

— Pois é...

...

— Aí Lana, é bom que você goste de veludo vermelho. – ouvi Sam falando do corredor, um pouco antes de entrar no meu quarto.

— Veludo vermelho? O que? – perguntei confusa mergulhando meu pincel na água

Então eu olhei para os braços de Sam e vi que ela trazia uma imensa bandeja de prata cheia de Cupcakes de chocolate com cobertura de fondant vermelho. Ela largou a bandeja em cima do meu criado-mudo e se sentou na beirada da minha cama. (N/A.: Para quem não sabe, Veludo Vermelho é um sabor de Cupcake famoso nos EUA e um dos mais vendidos em uma loja chamada Georgetown Cupcakes. Viu? Fanfic também é cultura! J).

Fazia quatro dias desde a morte da Sra. Nichols e pelo que dava para ver, Sam e Cléo pareciam ter superado. Agora as duas moravam com a gente no palácio. Sam estava dormindo no quarto que ficava em frente ao de Camila e Cléo no que ficava ao lado do de Oliver, que estava feliz por poder passar o dia todo com ela.

Naquela tarde, eu resolvi pintar, o que significava que eu estava na varanda com meu banquinho, minha paleta de pintura, minha aquarela, pincel e avental. O clima estava tão gostoso, o dia tão bonito e eu com tanta preguiça, que meu cabelo estava preso em um coque supermalfeito e bagunçado, eu estava descalça e usava o vestido mais velho que eu tinha. Resumindo, eu estava largadona.

— O que você está pintando? – Cam perguntou surgindo atrás de mim

— Paisagens de Hélade. – eu disse segurando o pincel com os dentes, enquanto rabiscava um esboço a lápis. Mais na verdade o som que saiu foi o mesmo que teria saído se eu estivesse amordaçada.

— O que?

— Cai fora, Alice! – ouvi Sam gritar de dentro do quarto – Lana! A Alice quer comer seus Cupcakes!

— O que? – eu disse levantando do banco e deixando o pincel na água – Os Cupcakes são meus!

Alice me olhou com aquele olhar pidão irresistível dela e eu comecei a rir.

— Como se eu fosse comer oito Cupcakes sozinha, né? – eu disse ainda rindo – Peguem quantos quiserem galera!

Alice sorriu, pegou dois e ficou alternando qual mordia. Uma mordida no da direita, uma no da esquerda, uma no da direita... Sam revirou os olhos e pegou um Cupcake na bandeja também.

— Não vai comer Camila? – perguntei de boca cheia – Se não vier logo a Alice vai comer tudo!

— Hey! – Alice protestou antes de dar uma mordida no Cupcake da esquerda

— Tenho duas perguntas. – Cam disse saindo da varanda e vindo para dentro do quarto – Por que você está pintando paisagens de Hélade e por que você está usando óculos?

— Por que eu quero mostrar para o meu pai o quão bonito é esse planeta e por que eu uso esses óculos quando vou ler ou pintar. Ou as duas coisas. – eu respondi lambendo os dedos que estavam sujos de chocolate

— Você não pode ficar aqui para sempre? – Sam perguntou um tanto triste

— Não posso Sam. – suspirei – Meu pai está na Terra esperando eu voltar. Por mais que eu ame Hélade, a Terra é o meu lar.

— Então leva a gente com você! – Cam sugeriu com um sorriso enorme no rosto

— Isso! Leva a gente com você! – Sam concordou sorrindo igual à Cam

— Mas e a Cléo? Vai deixá-la sozinha? – perguntei enquanto pegava outro Cupcake

— Ela já tem 18 anos Lana! Ela sabe se cuidar! – Sam disse ainda sorrindo – E além do mais, ela tem o Oliver!

— Eu não sei gente... – eu disse pensativa – A Terra pode ser muito perigosa e...

— Para os meios-sangues! Não para nós! – Cam disse – Sabemos nos defender sozinhas! E dinheiro também não é um problema! Tem ideia do quanto nossos pais nos deixaram? É suficiente para vivermos tranquilamente na Terra por uns 10 anos! E nós sabemos inglês!

— Mas e o meu pai? – argumentei – Não sei se ele vai deixar. Afinal, morar apenas com Alice é uma coisa, mas morar com Alice e mais vocês duas, é bem diferente! Minha casa não é tão grande!

— Eu não vou. – Alice sussurrou

— O que? – perguntamos em uníssono

— Minha família está aqui. Aqui é meu lar e é onde irei ficar. – Alice disse com um suspiro – Eu não vou voltar para a Terra com vocês.

— Você tem certeza? – perguntei pegando a mão dela

— Absoluta priminha. – ela disse sorrindo – Decidi disse há um bom tempo e não voltarei atrás. Enfim... Quando vocês vão?

— Ainda não sei. A ideia era ir depois da inauguração do Templo de Apolo, mas agora nem sei mais. – eu disse – Temos muitas coisas para fazer! Coisas que não dão para ser feitas apenas em dois dias!

— Tipo o que? – Sam e Cam perguntaram juntas

— Tipo arrumar as malas, arranjar roupas de frio, falar com o meu pai... – eu disse contando nos dedos

— Estou indo arrumar as malas! – Sam gritou levantando da minha cama e correndo para o próprio quarto

— E eu estou indo separar as minhas roupas de frio! – Cam gritou fazendo o mesmo que Sam

...

— Alô? Pai? – perguntei assim que a Mensagem de Íris entrou em foco e eu pude ver a sala de estar da minha casa

Mas ao invés de eu ver os cabelos castanhos e despenteados de meu pai e seus olhos bondosos, vi uma mulher de uns 30 e poucos anos com papel e uma caneta na mão. Ela tinha cabelos cor de mel e lisos e olhos acinzentados penetrantes. Ela levantou a cabeça e me fitou com um sorriso nos lábios e um olhar de curiosidade.

— Ah! Você deve ser a Lana! – ela disse em uma voz animada – Quer falar com seu pai, né?

— Quero... Mas antes de chamá-lo, poderia me dizer seu nome? Por favor? – pedi

— Hum... Deixe-me adivinhar... Hermes não disse né?

— Não. Ele até mudou de assunto.

— Bom, meu nome é Isabelle Duncan. Filha de Atena e namorada do seu pai.

— A última parte eu sabia.

Antes que eu pudesse continuar, ouvi Cam me gritando.

— Já estou indo! – gritei de volta – Ahn... Dona Isabelle...

— Ah sim! Seu pai! – ela disse em um sobressalto – Ryan! Ryan! Lana na Mensagem de Íris!

O chamado dela foi seguido de passos apressados, coisas caindo no chão e um baque surdo que percebi ser meu pai tropeçando em algo e caindo de cara no chão. Isabelle correu até ele e ouvi-a perguntar se ele estava bem. Em resposta, meu pai gemeu e depois começou a rir dizendo que estava ótimo. Suspirei aliviada e vi meu pai vir correndo até a minha imagem.

— Lana! Minha filhinha amada! Quando você volta? Eu estou morrendo de saudades! Está tudo bem aí? – ele disparou a falar

— Calma pai. Eu estou bem e estou voltando daqui a dois dias.

Resumi as coisas boas que aconteceram para ele e pulei as partes perigosas para ele não dar um ataque. Falei de Cam e Sam e sobre elas morarem com a gente. Disse que ambas eram órfãs, tinham uma herança boa e que Alice ia ficar em Hélade com o pai. Ao final ele acabou concordando com a ideia e deixou que elas ficassem.

Depois de falar com meu pai, contei as meninas as novidades e elas pularam de alegria.

...

A inauguração do Templo dois dias depois não foi grande coisa, mas Sam e Cam estavam tão animadas que quando tudo acabou, ambas correram direto para fora e esperaram ansiosamente pela nave que pousava em um campo a dois metros. Bluesky também nos esperava ansioso. Eu tinha pensado em deixá-lo em Hélade, pois lá havia mais espaço para ele, mas ele insistira em vir comigo e Gwen não viu problema nisso. Havia espaço suficiente para ele no compartimento de cargas.

Lembrei-me de Cléo chorando e abraçando a irmã e de Alice dando adeus na varanda, junto com o tio Robbie, Oliver, Rick e Lily.

Olhei para Sam e Cam. Ambas esperavam ansiosamente para aquele novo começo e para aquela nova história que iríamos vivenciar na Terra.

Notas finais
E aí? O que acharam? Próxima fic: http://fanfiction.com.br/historia/315477/Apaixonada_Por_Um_Deus
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!