Violência Nem Sempre É A Solução
29 Capítulo 29 - Não grita comigo!
Notas iniciais
Tem noção de como é estranho acordar em uma cabana de madeira no meio do nada e só se lembrar de ter jogado um travesseiro na cara de um cara vestido com uma capa dourada que estava dormindo em uma poltrona? É muito, MUITO estranho.
A primeira coisa que fiz depois de acordar foi gritar que nem uma retardada para o nada. Eu queria saber se eu estava sozinha, mas o único que me respondeu, foi Bluesky, que estava do lado de fora. A poltrona onde antes o “cara da capa dourada” estava sentado agora estava vazia e a lareira havia sido apagada. Meu pé esquerdo estava engessado e no meu braço direito havia ataduras enroladas onde antes um corte feio e profundo. Passei a mão na testa à procura de um corte que também havia ali, mas tudo o que encontrei, foi uma fina cicatriz.
Eu não fazia ideia de quem era o “cara da capa dourada”, mas só pelo simples fato de ele ter me salvado da morte, já me fez gostar um pouco dele. Ele talvez fosse um servo de Apolo ou de, sei lá, Asclépio talvez. Eu sabia que ele era uma pessoa que eu podia confiar. Um amigo, cujo nome e aparência eu desconhecia.
Mas o que mais me surpreendeu foi o fato de que na mesinha de centro que havia ao lado da cama, havia uma bandeja recheada de ovos com bacon, torradas, panquecas e suco de laranja e um pequeno bilhete embaixo de um belo lírio branco. Lírios geralmente queriam dizer que a pessoa era pura, nobre e majestosa e eu sinceramente não era tudo isso. Depois de devorar o café da manhã, eu fui ler o bilhete. Ele dizia:
“Querida Lady Lana, campeã e salvadora do povo, sei que talvez não saiba quem sou. Talvez não. Não você não sabe. Enfim... Fui eu que te salvei e isso é tudo o que importa realmente. Provavelmente quando você acordar eu não vou mais estar aí, mas tem uma bandeja com café da manhã aí (que você já deve ter percebido) e o lírio é só para dar um toque mais fofo.
Obs.: Parece que o seu pégaso gosta de aveia. Achei que ele gostasse de maçãs, mas ele tentou me matar quando eu fui dar uma a ele. Se quiser, há um pouco de aveia em um pote em cima da lareira.
Ass.: ‘O Cara da Capa Dourada’ (kkkkkkkkk)
PS: Eu me esqueci de dizer que o seu gesso é impermeável e as ataduras são mágicas, ou seja, aconselho que não os troque. Você terá que ficar com o gesso por mais ou menos um mês e meio e a atadura você pode tirar daqui a dois dias.”
O aviso do café da manhã, obviamente, foi desnecessário, mas foi arriscado o que eu fiz. Já pensou se a comida estivesse envenenada? Nota mental: nunca comer antes de ler o bilhete (se houver algum).
Confesso que é um pouco difícil levantar de uma cama podendo usar apenas um pé e andar ainda é pior. Difícil sim, mas não impossível. Para me acostumar novamente com o meu próprio peso em apenas um só pé, eu tive que, de início, me apoiar em algumas coisas. Não demorou muito para que eu conseguisse chegar até a lareira e pegar o pote com aveia. Bluesky devia estar com fome.
Imaginei o que pensariam quando eu chegasse ao palácio. Eu estava em um estado deplorável. Cabelos bagunçados e cheios de folhas e terra, roupas esfarrapadas, enlameadas e ensanguentadas, joelhos e cotovelos ralados, cicatriz na testa, pé esquerdo engessado, braço direito com ataduras e pele cheia de terra. Essa é uma quase descrição para um morto-vivo, que era o que eu parecia no momento. É óbvio que antes eu devia estar muito pior, mas o “Cara da Capa Dourada” me ajudara e agora eu estava devendo uma a ele. Eu precisava descobrir quem ele era e salvar a vida dele como ele me salvou.
Ouvi uma batida na porta. Gritei “Já vai!”, calcei o pé direito do tênis e levei o esquerdo na mão. Mancando, fui até a porta e a abri. Bluesky esfregou seu focinho em mim e eu acaricie a sua cabeça, surpresa. Pégasos podiam bater em portas? Ele também deve ter sentido o cheiro da aveia, pois abocanhou o pote que estava na minha mão e o largou no chão, fazendo com que se quebrasse e espalhasse a aveia pelo gramado.
Enquanto ele comia, eu resolvi tentar adivinhar onde estávamos e para minha surpresa, descobri que estávamos bem perto do palácio. Na verdade, estávamos na colina que eu via da janela do meu quarto. Era tão perto, que eu podia ver o brilho dourado dos elmos dos guardas no portão principal.
— Vamos garoto! – eu disse à Bluesky – Temos que voltar para o palácio. A galera deve estar preocupada com o meu sumiço.
...
— Lady Lana! – Aquiles exclamou – O que aconteceu com a senhora?
— Longa história. – respondi com um suspiro – Harold, o senhor poderia levar o Bluesky até os estábulos e avisar ao Rick que não lhe dê mais maçãs e sim aveia?
Harold, um guarda de meia idade, assentiu e levou Bluesky. Aquiles ainda me olhava preocupado.
— Acho melhor a senhorita ir logo falar com meu rei. Ele está organizando uma equipe de busca nesse exato momento na Sala do Trono.
— Temos uma Sala do Trono? – perguntei surpresa – Como eu nunca soube disso?
— O nosso rei e seus filhos geralmente não vão muito lá. Não depois do Cabeça de Polvo ter dominado o planeta. – ele explicou – Vamos. Eu vou levá-la até lá.
Aquiles me conduziu até duas grandes portas de carvalho decoradas com o desenho de um belo grifo e o nome “Shane” entalhado em grego antigo.
— Se eu entrar e atrapalhá-lo ele vai me matar. Boa sorte, Milady! – Aquiles disse me deixando sozinha em frente às portas
Respirei fundo e abri as portas de uma só vez.
— Quem ousa... – meu tio começou, mas ao me ver arregalou os olhos surpreso – Lana! Ah meus deuses! ONDE VOCÊ ESTAVA GAROTA? O QUE ACONTECEU COM VOCÊ?
— Calma tio. – eu disse um pouco assustada. Eu nunca havia visto meu tio tão nervoso e ele nunca havia gritado comigo deste jeito antes – Eu estou bem. Não se preocupe!
— COMO ASSIM NÃO SE PREOCUPE? VOCÊ SUMIU DE MADRUGADA E SÓ VOLTOU AGORA! ONDE VOCÊ ESTAVA GAROTA?
— Eu só fui dar uma volta com Bluesky e...
— AH, VOCÊ FOI DAR UMA VOLTA COM O BLUESKY E NÃO AVISOU A NINGUÉM? VOCÊ ESTÁ LOUCA? PIROU DE VEZ?
— VOCÊ QUER, POR FAVOR, ME DEIXAR CONTAR O QUE ACONTECEU OU VAI INTERROMPER DE NOVO? – eu gritei perdendo a paciência com ele. Eu odiava quando as pessoas gritavam comigo e não deixavam eu me defender e contar meu lado da história.
Eu nunca havia perdido a paciência desse jeito antes. Nunca havia gritado com uma pessoa mais velha, por mais que eu já tivesse vontade, até porque, os professores são muito irritantes, não são? Enfim... Eu sentia meu corpo fervendo. Meu tio recuou alguns passos e me olhou assustado. Os homens que também estavam no salão (provavelmente a minha equipe de busca) olhavam para mim boquiabertos.
— Lana. – meu tio suplicou – Por favor, acalme-se. Relaxe.
— Você está vendo o mesmo que eu? – eu ouvi um dos homens murmurar ao outro
— A luz dourada em volta dela? Com certeza! – o outro murmurou de volta
Surpresa, eu olhei para a minha mão. Ela tremia ligeiramente e brilhava. O MEU CORPO TAVA BRILHANDO! Como era possível? Eu sinceramente não sabia. Pelo que eu me lembro, meu nome não é Edward Cullen. Eu fechei os olhos e tentei me acalmar. Talvez aquilo tivesse alguma coisa a ver com a minha raiva repentina. Quando os abri novamente, a aura dourada havia desaparecido.
— Eu vou subir para o meu quarto. – eu murmurei – Preciso tomar um banho e descansar um pouco.
Dei meia volta, refiz o caminho de volta para a entrada do palácio e subi as escadas para o meu quarto. Aquiles me ofereceu ajuda, mas eu disse que podia subir sozinha. Maggie, com uma pilha de lençóis nos braços, me encontrou no corredor quando eu ia para o meu quarto.
— Minha senhora! – ela disse feliz – Nós estávamos tão preocupados! Graças aos deuses a senhorita voltou! Mas... – ela me olhou de cima a baixo – O que aconteceu com a senhorita? Está toda machucada e suja! Deixe só eu levar estes lençóis à lavanderia e irei lhe preparar um banho! Já volto!
Ela correu apressada, e antes que eu pudesse lhe agradecer, ela desapareceu na curva do corredor. Manquei até meu quarto, peguei uma roupa limpa e depois me sentei em um pufe. Cinco minutos depois, Maggie apareceu na porta.
— Seu banho está pronto, senhorita. – ela disse com uma reverência – Quer que eu lhe ajude em algo?
— Não, muito obrigada. – eu respondi me levantando com esforço – Preciso me acostumar com esse gesso. A propósito, onde estão Oliver, Richard, Camila e Alice?
— Eles saíram para lhe procurar, minha senhora. Estavam todos muito preocupados. Mas já devem estar voltando. Eu ouvi o rei falando com alguém na Sala do Trono. Ele deve ter mandado uma mensagem de Íris para eles.
Eu agradeci a ela e ela foi embora com um ar ainda preocupado. Manquei até o banheiro e tomei um banho delicioso. Quando voltei ao meu quarto, me joguei na cama e adormeci instantaneamente.
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