Violência Nem Sempre É A Solução

18 Capítulo 18 - Festa de aniversario


Finalmente o sábado chegou. Alice estava nervosa demais e não parava de andar de um lado para o outro do quarto, tentando se acalmar. Will, Sam, meu tio, meus primos e todos os outros convidados nos esperavam lá embaixo. Eu e Camila já estávamos prontas há quase meia hora e Alice não havia nem colocado o vestido ainda. Quando Alice cansou de andar, ela se jogou na cama e pôs as mãos na cabeça. Ela parecia querer chorar.


— O que foi Alice? – eu perguntei passando o meu braço pelo seu ombro – Hoje é o seu dia! Você não pode ficar triste assim!


Ela tirou algo debaixo do travesseiro. Era uma foto. A foto que Gwen havia tirado do Nico beijando Alice meses atrás.


— Eu queria que ele estivesse aqui. – ela disse triste – Eu estou com saudades dele.


Camila tomou a foto da mão dela e perguntou abismada:


— Isso atrás de vocês é um cão infernal?


— É. É a Srª O’Leary. A cadela infernal do Percy. – eu expliquei – Ela foi parar lá em Bellwood e o Nico foi buscá-la.


— Se apaixonar é uma droga! – Alice reclamou


— Ei calma! Pense positivo. E se ele aparecer na festa? Tudo pode acontecer. Acredite em mim.


Um sorriso se formou nos lábios dela. Ela deu um pulo da cama e começou a vestir seu vestido imediatamente. Eu abri a gaveta da penteadeira e peguei a maquiagem, enquanto Camila tentava dar um jeito no cabelo da Alice. No final, Alice ficou com um penteado maneiro que imitava um rabo de cavalo, só que muito mais bonito. Os olhos delineados de preto, a sombra cor de rosa e o blush a fizeram parecer a antiga Alice que eu havia encontrado em San Francisco meses atrás. Ela não abriu mão do colar de paleta e nem de uma pulseira prateada que ela tinha guardada em uma caixinha de joias. Eu abri a minha bolsa disfarçadamente e tirei uma caixinha pequena com o tamanho certinho de um anel. Era o anel que Alice havia visto em uma loja no início do mês. O anel de caveira que a lembrava do Nico.


— Alice? – eu a chamei – Tenho uma coisa para você.


Ela se virou curiosa e deu um grito ao ver o anel dentro da caixinha. As lágrimas começaram a escorrer de seus olhos e um sorriso radiante se formou em seu rosto. Eu dei uma risadinha e disse:


— Feliz aniversário priminha. Você merece.


Ela me deu um abraço tão forte, que eu quase me desequilibrei e perdi completamente o ar. Ela pegou o anel de dentro da caixinha e o colocou no seu dedo anelar da mão direita. Geralmente isso significava noivado, mas eu fiquei calada.


— M-mas como você conseguiu? A-aquele era o último! – Alice gaguejou


— Eu fui atrás daquele cara e comprei dele. Só que eu escondi para poder te dar hoje. – eu expliquei – Agora seque essas lágrimas e vamos descer. A galera está te esperando impacientemente lá embaixo.


— Como a sua maquiagem não está toda borrada? – Camila perguntou confusa


— É a prova d’água. – eu disse – Eu imaginei que isso ia acontecer então eu me preveni.


Eu peguei as duas pelo braço e a arrastei para fora do quarto. Quando chegamos ao alto da escada, uma corneta soou e um cara falou alto o suficiente para que todos ali presentes ouvissem:


— Entra no salão, nesse exato momento, a princesa Alice Allen Shane, filha do rei Robert Shane e da falecida rainha Katherine Allen Shane, acompanhada pela Lady Lana Shane Johnson (filha da falecida princesa Rosellie Shane) e por Camila Caster.


— Ele precisava mesmo dizer tudo isso? – Camila sussurrou para nós e nós demos de ombros


Sam, Will e o meu tio nos esperavam no pé da escada. A Sam usava um vestido um tomara que caia verde muito simples e que era franzido apenas no peito, diferente do resto que era todo liso e que imitava seda. No seu pulso havia uma pulseirinha marrom de cerâmica e assim como eu, ela usava uma bolsa cuja alça começava no ombro direito e terminava no lado esquerdo da cintura. A única maquiagem que usava era um batom rosa bem claro e quase imperceptível. Will e o meu tio usavam calça estilo social preta, camisa social branca e mocassins pretos. A diferença era que as mangas na camisa do Will estavam dobradas até o cotovelo e o cabelo bagunçado lhe dava um charme especial, além do colar com o chifre brilhante do monstro marinho que ele tinha no pescoço. Quando eu estava terminando de descer as escadas, ele me deu a mão e me olhou de cima a baixo com os seus olhos cor de chocolate.


— Você está linda, cachinhos dourados. – ele elogiou


Eu corei e baixei a cabeça, envergonhada. Ele beijou a minha cabeça e foi me levando até o meio do salão. Sam e Camila nos acompanharam, mas acabaram parando na mesa de comidas e atacaram os brigadeiros e salgadinhos da festa. Will parecia meio distraído. Ele olhava fixamente para a Sam e nem sequer piscava.


— Will? Alô-ou! – eu disse estalando os dedos na frente dele – O que foi? O que deu em você?


— N-nada! – ele gaguejou nervoso – Quer uma bebida?


— Não, valeu! – eu agradeci — Você está meio distraído hoje. O que foi?


— Nada não. – ele mentiu – Eu só não estou muito acostumado a vir em festas assim, tão grandes!


Eu sinceramente odeio quando mentem para mim, mas se Will estava mentindo, era por que ele tinha um bom motivo para isso, certo? Will me olhava apenas com um olhar calmo e paciente, enquanto para Sam, ele olhava com um olhar terno, protetor e quase que apaixonado. Mas aquilo devia ser dó coisa da minha cabeça. Sam jamais poderia se apaixonar, afinal, ela era uma serva de Ártemis. E o Will estava namorando comigo, então era por que ele gostava de mim, não é? Então ele me levantou do chão até a sua altura e me beijou. Beijos surpresa. Eu adoro isso! De repente, eu senti alguém abraçando a minha cintura e não era o Will. Eu me soltei dos braços do Will e olhei para baixo. Era Jessie. Ela usava um vestidinho rosa e um grande laço de fita no cabelo.


— Eu estava com saudades de você Lana! – ela disse – Agora você só quer ficar com o meu irmão! Achei até que você tinha me esquecido!


— Quem te disse isso? – eu perguntei botando-a no meu colo – Eu não me esqueci de você! É que agora eu não tenho tido tempo, senão eu iria brincar com você todo dia!


Ao longe, pude ver Sarah vinda correndo até mim. Ela usava um vestido de renda branco e o cabelo loiro caía sobre os ombros. Eu pus Jessie no chão e abracei Sarah.


— Fica tranquila que o Victor não veio. – ela falou no meu ouvido – Ele não vai queimar nada hoje.


Eu sorri e ela saiu correndo com Jessie. As duas eram amigas. Dava para perceber pelo jeito inocente e brincalhão com que elas conversavam. A próxima a aparecer foi Eve Vost, a áugure do templo de Apolo. Ela parecia cansada e estava bem pálida.


— Olá Filha da Rosa. – ela disse a mim com uma voz rouca


— Você não parece muito bem. Acho melhor ir para casa. – eu sugeri


— Não. Eu estou bem. Só fiquei meio tonta de repente. Agora... Preciso de seu auxílio.


— Com o que?


— Com o templo. Nós precisamos reerguê-lo ou construir um novo. Mas não temos nenhum projeto e nenhuma autorização para isso.


— Eu tenho alguns planos lá em cima, no meu quarto. Amanhã você vem aqui que eu lhes mostro. Agora vá para casa. Você está mal. Se continuar aqui por mais tempo, forçando o seu corpo e a sua mente, você irá desmaiar. Acredite em mim. Eu vivo passando por isso.


Eu achava que nada poderia estragar aquela noite perfeita, até a porta de entrada ser arrombada com um estrondo. Todos tomaram um susto e a mão da Alice foi direto ao seu pescoço, no pingente do seu cordão. Os guardas bradaram suas espadas e as apontaram para a porta arrombada. Eu tirei o meu bracelete e o transformei na minha adaga. A maior parte das pessoas ali presentes, também estava armada e cada um pegou a sua e a apontou em direção a porta arrombada. Seja lá quem ou o que fosse, não iria se dar bem nessa.

Notas finais
E a'i? O que acharam?