Notas iniciais
Fiz com muito amor ♥
Espero que goste assim como espero comentários haha
Beijos e boa leitura ♥

Estou para escrever isso há tempos, mas acho que esse é o momento exato.

Hoje te vi em uma grande tela, mas mesmo com a sua magnitude ela não era capaz de refletir o seu talento com o violino. Ele é você, é uma pessoa só, e todos conseguem sentir que suas notas refletem o seu sentimento e que há um grande amor um pelo o outro, e a única comunicação entre esses amantes é apenas o som. Mas não estou aqui hoje para falar desse específico amor. E sim pelo o meu sobre o violinista.

Uma vez, ainda quando não tinha viajado ninguém na minha vida, quando eu tinha por volta de treze anos, uma amiga minha, mais experiente, falando que sempre “caímos de amor” pela a primeira pessoa que encosta aos seus lábios. Isso me marcou bastante. Definitivamente não pode ser qualquer um. E é isso que eu vou falar sobre hoje. Não sobre exatamente amor, pois seria ingênuo, inútil, ou até infantil falar que você ama uma pessoa vendo ela pessoalmente apenas uma vez, mas gratidão e admiração são algo que dá sim para sentir pelo o resto da eternidade mesmo se ele esteve por um segundo no seu mesmo universo.

Foi um dia ensolarado, mas a noite caia e com ela vinha à brisa leve e gélida. Chegamos atrasados, para variar, no casamento e pegamos uma das últimas cadeiras disponíveis. Minha família é sempre um enrolo ao sair de casa, cada mulher das quatro, é mais demorada que a outra, e isso só fazem que nos sempre cheguem atrasadas. A cerimônia foi tão bela,: a música, tema do último filme do crepúsculo, foi tocada quando a noiva ia de entrar. Eu particularmente achei fantástica a quebra do clichê. E o que mais se destacava entre tudo no coral era o som do violino.

Após o término da cerimônia, depois de eu ter-me recomposto do rio de lágrimas que percorreu a minha face, minhas amigas vieram com certo papo para mim:

— Você viu os meninos do coral?!

— Nem reparei — comecei com desdém — cheguei atrasada.

— Pois bem, perdeu de ver aquele violinista gato. — completa minha amiga Geovana.

— Juuuura?! — complexa exclamo.

— Pois é. Irei até servir salgadinhos para eles…

De primeira, nem me importei tanto, eu realmente vi e comprovei que a Geovana não precisava aumentar a lente da miopia dela, ele é realmente lindo. Mas já que ela estava com chamas esquentando ele, apenas ignorei.

Certo momento, eu tive que servir salgadinhos para essa “mesa” onde estavam localizados o pessoal estrangeiro, o pessoal da orquestra. E logo assim que perguntei se aceitariam, os mesmos, animados, aceitaram e tanto. No mesmo instante, percebi alguém me olhando e quando notei era o tal violinista gato. Apenas me retirei, e logo em seguida um belo sorrisinho resultado de vergonha com admiração floresceu no meu rosto pálido.

Cheguei a comentar isso com as meninas, mas não deram muito bola.

O tempo passou e a festa estava ótima! A banda estava fazendo aos poucos todos se levantaram e irem até eles remexerem a busanfa, alguns já meio embriagados outros nem tanto. E no fim do pátio vejo ele me observar novamente. Quando ele percebe que eu reparei no seu olhar em cima de mim, ele muda no mesmo instante de direção e fuça algo muito interessante no celular, que até hoje eu sempre acho que é nada. E ficamos assim, quando um olhava, outro abaixava a cabeça, e vice e versa. Só nos flertes.

Minhas amigas então pediram para acompanhadas até o piso superior, pois o celular de uma estava lá e ela queria a nossa companhia para pegar. Para subir as escadas e ir até o primeiro piso, eu teria que passar ao lado do dono do violino, mas isso não me incomodou.

Quando passei olhei diretamente para seus olhos e convenci a mim mesma que não desviaria o olhar quando visse correspondida com o seu perceber.

Subimos as escadas, pegamos o celular na bolsa dela e quando estávamos descendo algo inesperado por todos aconteceu.

Se minha irmã estivesse olhado pelo o vidro naquele instante, nada teria rolado naquela noite, muito menos minha mãe ou então o meu cunhado. Mas pela a minha sorte, ou porque era para acontecer mesmo, ninguém influente percebeu que quando estava me dirigindo novamente para o pátio ele me segurou pelo o braço levemente:

— Hum… Oi, meu nome é Pietro.

Acho que meu coração deu uma paradinha naquele momento. Naaaaão, não foi pelo o fato de um violinista super gato estar falando com uma qualquerzona como eu, e sim porque eu realmente me assustei com a atitude repentina do “integrante da orquestra”.

As meninas se entreolharam e logo saíram bem rápido, deixando eu o completo estranho a sós.

— Prazer, Lara. — falei soltando um meio sorriso simpático, aquele mesmo que expressamos para concluir um agradecimento.

— Você é daqui de Jundiaí mesmo?

— Sou sim. E imagino que você, não.

— Vim de Vila Mariana, São Paulo, tocar violino no casamento. Viu-me tocar?

Admito que pela a minha lerdeza, demorei um pouco para raciocinar a onde se localiza a vila Mariana, ainda mais com ele completando com um gesto de tocar violino, inclinando a cabeça e se aliando num violino imaginário e começando a tocar, como se toca num bebê recém-nascido, só para representar ele tocando no casamento.

— Não vi, me desculpa. Cheguei atrasada.

— Tudo bem.

E caímos no precipício do silêncio repentino. Mas ele me salva:

— Você é muito bonita, sabia?

— Obrigada, digo o mesmo — não sabia como estava fazendo isso sem gaguejar. De onde eu estava tirando tanta coragem?!

— Vamos para outro lugar? — sua expressão carinhosa mudou, e uma atrevida estava no lugar.

Não tenho cinco anos, para não saber o que isso se significava. “Ele quer me beijar! Ele quer ficar comigo!” era apenas isso que a minha mente raciocinava no momento é quando percebi estava com uma cara totalmente surpresa, e ele estava já fazia um tempo esperando uma resposta.

A primeira coisa que eu pensei que pudesse atrapalhar, e também a mais primordial, não era meus familiares que me dariam uma surra ou grandes lições de moral se soubesse alguma coisa daquilo e sim era a minha amiga, eu não podia aceitar sem comunicá-la:

— Você pode esperar só um minutinho?

Foi tudo o que eu consegui falar em um tom descontraído apontando a extensão do meu dedo indicador, apenas ele erguido, perto de sua feição antes de sair correndo a procura da Geovana.

As duas estavam à minha espera, no pátio e logo já foram perguntando detalhes do que tinha acontecido. Não tive tempo de explicar, apenas cheguei nelas e falei:

— Ele pediu para ficar comigo! Eu não sei o que eu faço! Eu não sei beijar!

— Se você não meter sua língua na boca dele, eu meto minha mão na sua cara. Completa a Geovana.

— Mas você… hum… não vai ficar bolada.

— Puff — começa dando de ombros para a minha preocupação — Só vai.

— To nervosa.

E essa foi minhas últimas palavras.

Não, eu não morri.

Tentei ir normalmente é sem demonstrar muito nervosismo. Creio eu que deu certo.

— Vamos?

— Agora! — Ele pega gentilmente na minha mão e começa a subir as escadas.

Tenho certeza que se você estivesse lá também ouvir iria um barulho parecido com um ensaio de escola de samba, mas era só o meu coração super acelerado. Aquele foi um dos momentos mais difíceis de manter em pé na minha vida. Minhas pernas tremiam.

Ele quebra o silêncio do inesperado:

— Esqueci-me de perguntar sua idade.

“Vish, não vou falar que tenho treze”.

— Hum, catorze. E você?

— Dezesseis.

Chegamos ao piso superior e continuamos saindo da igreja sem ao menos parar.

Quando estamos na calçada ele para. Indeciso, Olha de um lado, Olha do outro e ainda sim não sabe qual escolher.

Decido fazer isso eu mesma.

Já que estávamos com as mãos dadas peguei ele é assumi o percurso a partir daquele momento, já que já conhecia muito bem a área.

Andei, andei, mas não se afastamos muito da igreja. No ponto em que estacionados chegava ainda a ter carros de convidados do casamento.

Ele começou a se aproximar, aproximar…

Pegou a minha outra mão e viu que estava gelada. Comentou:

— Está com frio?

— Um pouco.

Sempre tive um sonho de encontrar aquele menino onde é o príncipe, é um completo cavalheiro, aonde chega ao seu cavalo branco, de uma longa jornada, e mata o dragão para conquistar a princesa. Mas às vezes ele pode chegar de vã, para tocar em um casamento e ser cavaleiro o bastante para tirar a parte de cima do seu terno e me aconchegar.

Meu Deus, como ele tinha um perfume forte impregnado no tecido do casaco.

Não lembro direito à ordem se primeiro foi um abraço, ou um selinho, mas a partir do momento que eu olhei nos seus olhos e na sua boca, eu soube por um segundo que aquilo era realmente real, e não um sonho e depois eu me senti em um, relaxada e fora de mim. Eu me entreguei completamente a ele e ao que ele quisesse fazer.

Quando eu reparei, tinham pessoas nos olhando. Não como você olha duas pessoas se beijando na rua, e sim conhecidos com olhares de desaprovação em cima de você. Parei, olhei para o lado e reparei que o “padre” e todos os coroinhas junto com mais pessoas importantes da igreja nos olhavam. No momento que eu reparei nisso, os mesmos viraram a cabeça rapidamente como se não tivesse visto nada e continuaram a se despedir de alguém no grupo que iria embora.

Por minha espinha, subiu um calafrio. De com certeza estivesse mais iluminado o lugar, Pietro conseguiria ver minhas bochechas vermelhas de tanta vergonha. Eu sou influente na igreja. Minha família tem uma amizade pessoal com o padre, e eu não sei o que ele estaria pensando de mim.

“O que será que ele vai falar?”

Quando reparei, já tínhamos ficado muito tempo longe e minha única preocupação era se por acaso minha mãe começasse a me procurar, e conseguisse me achar!

Olhei para a cara dele e comentei ainda envergonhada:

— Que tal se nós voltarmos para a festa? Estou preocupada com relação a minha mãe…

— Não… tudo bem. — tristonho ele completou.

Obrigada — falei tão baixinho que nem eu quase ouvi.

— Estávamos em direção à porta da igreja, quando ele resolve perguntar:

— Tem outra entrada?

— Hum… tem! Mas acho que está fechada por conta da festa está acontecendo no terraço.

— Então desce você primeiro.

— Ok.

— Como planejado eu desci e lá encontrei minhas amigas:

— Porão! Agora! — Anna fala.

Nós trancamos no porão e elas já começaram a perguntar, sem bem eu esperar responder uma pergunta outra já era feita.

— Como foi? Ele beija bem? Ele pediu o seu número? Ele é muito babento? Você gostou?...

Quando aquilo estava começando a me tirar do sério, sem gritar, mas com um tom mais alto que elas. Falei:

— Gente! Calma!

…

Continuo:

— Foi legal. Sim, ele não só beija “bem” e sim maravilhosamente muito bem. Não… ele não pediu o meu número. Ainda! Não o achei babento, se bem que nem prestei atenção nisso. E sim, com a mais absoluta certeza eu amei! Só tem um problema que me deixou muito envergonhada.

— O que foi?! — As duas falaram ao mesmo tempo.

— O padre e mais um monte de gente nos viu beijando.

— Ah, só isso? Deixa pra lá. — com desdém. Geovana fala.

Conversa vai, conversa vem, até que concordamos a voltar para festa.

Como se ele já me estivesse me aguardando, logo depois que eu saí encontrar com ele e falou:

— Esqueci-me de pedir o seu número…

— Não, tudo bem, anote aí então: XXXXXXXXX.

— Chamo-te depois no whatsapp. Ok?

— Claro.

Nisso, percebi minha irmã e meu cunhado nos olhando.

— Vou ter que ir embora. Ele retorna.

— Mas já?

— Pois é…

— Ok então. Tchau. Foi bom ter te conhecido.

Foi melhor ainda para mim. E depois de falar essas lindas palavras ele me dá um beijo no rosto, e se vai.

Minha irmã de aproxima com um olhar mafioso.

— Hum… quem é ele?

— Sei lá, nem conheço. — Mais cínica? Impossível.

— O que ele queria?

— Não sei. Só sei que eu não quero nada com ele.

— Seeeei. Então porque o beijo no rosto.

— Você pensa que eu gostei? Logo depois disso ele saiu correndo, pois mandei ele “pastar”

— Ok então. De você diz. Daqui a pouco vamos embora.

— Mas já?

— Pois é.

Quando estávamos saindo, comecei a me despedir de todos. Até que uma amiga minha, mas que é mais amiga da minha mãe me encontrou e com um olhar esperto sorriso safado no rosto silabou sem emitir som:

— Eu vi! Acho que forma um belo casal!

Minha reação foi apenas de surpresa. Queria logo saíram dali antes que isso acontecesse de novo.

Despedi-me das minhas amigas por último e quando virei minhas costas logo ouvi elas comentarem uma para outra:

— Como nosso bebê cresceu rápido…

— Pois é já estou perdendo pelos os gaviões…

— Viro-me e de longe solto um grito descontraidamente:

— Também amo vocês, tontas!

Só escutei risos.

E assim foi se desenrolando minha noite. Com risos pelo o ar, até que eu me adormeço na minha cama de um jeito tão sutil, com um “dorme bem” do Pietro e a lembrança da noite.

Consegui sentir novamente o seus lábios nas minhas bochechas me desejando bons sonhos e me protegendo de pesadelos.

Uma pena que ele não saiba que os melhores sonhos que eu poderia ter, seriam com ele novamente no meu universo.

Notas finais
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